𝖣𝖾𝗍𝖾𝗇çã𝗈
Achou que não me veriam novamente tão cedo, não é? Eu também.
Porém, meu níver não pode passar sem nada, então eu estava preparando essa one há algum tempo 😁
Esse é o meu primeiro aniversário com vocês e está longe de ser o último.
Espero que gostem, eu fiz com carinho ❤
A minha vida escolar é boa na medida do possível. Tenho amigos com os quais passo quase a aula toda conversando sobre coisas banais, não tenho muitos problemas com os alunos valentões da escola ou do fundão, tento ser amigável com eles para não ser um dos seus alvos, e tenho uma ótima relação com os professores. Mas mesmo que eu me dê bem com todos, tem ele, Lee Minho.
Somos basicamente cão e gato, digamos que eu sou o gato, porque ele é um cão raivoso. Sempre evito brigar com ele, mas trocamos muitas farpas e xingamentos. Não lembro muito bem o porquê de começarmos a nos odiar tanto, logo no primeiro dia de aula dele tentei ser amigável, mas ele foi muito grosso comigo e feriu meu amado orgulho na frente de todos.
Maldito seja Lee Minho.
Eu iria ouvir tudo calado e aceitar? Claro que não!
Assim começou nossa saga de brigas.
Mas eu nunca imaginei que esses desentendimentos um dia me levariam a uma detenção, minha primeira detenção durante toda minha vida de estudante.
Estar dentro de uma sala com Minho ao meu lado, sem nada de interessante ao redor e um quadro com as regras das escola não era o que eu planejava quando acordei de manhã cedo. O Lee tinha a incrível habilidade de fazer meu dia feliz decair por completo, felizmente eu não era o único infeliz dentro da sala, para Minho estar nessa situação era igualmente torturante.
O único som presente dentro da sala com paredes cor de pêssego, era o som do tique-taque que vinha do relógio. Mesmo que só estivesse dentro dessa sala por cinco minutos, parecia os piores cinco minutos da minha vida. Isso realmente estava me fazendo ficar arrependido de ter perdido a paciência e brigado com Minho durante a aula. A culpa não é minha se esse garoto ama encher meu saco.
Para piorar, fui abandonado pelos meus amigos, Felix e Changbin, que me deixaram aqui jogado à minha própria sorte. Quando saísse da detenção, teria que ir embora sozinho para casa, as chances de que eu esbarrasse com Minho – que por ironia do destino, mora no mesmo bairro que eu – era enorme.
A sala abriu repentinamente, fazendo com que nós dois pulássemos da cadeira, ansiosos para sair daquela sala em que nossa única companhia era um ao outro e o relógio de som irritante, mas não era bem o que imaginamos. A professora simplesmente pediu para que continuássemos escrevendo as regras e fechou a porta novamente, fazendo com que eu me jogasse de volta na cadeira e enfiasse meu rosto no caderno, resmungando de tudo e todos, principalmente do Lee. Logo meus resmungos pareceram irritar Minho, que suspirou com raiva, como se estivesse puxando um pouco de paciência no seu interior.
— Sabia que você era dramático, mas não que era nesse nível! Pode calar a boca, por favor, Hwang?
— Se não queria isso, por que ficou enchendo meu saco na aula? Você pediu para levar soco.
— Eu levar soco? Tu que apanhou.
— Apanhamos igualmente, mas os meus doeram mais!
— Só nos seus sonhos, Hwang.
Revirei os olhos e cruzei meus braços, após um tempo ouvi uma risada baixa vinda de Minho e o encarei, não sabia o que ele estava achando tão engraçado nessa situação. Quando percebeu que eu estava o encarando, conteve sua risada e tentou me encarar de novo, falhando miseravelmente e voltou a rir.
— Enlouqueceu de vez?
— É que você parece uma criança birrenta fazendo biquinho — ele riu de novo.
Sem perceber eu tinha feito um biquinho de raiva, o que ocasionou o surto de risos do Lee, deitei minha cabeça na mesa com vergonha. As risadas de Minho ainda atingiam meus ouvidos, isso conseguia ser irritante ao mesmo tempo que era estranhamente agradável.
Com os olhos fechados e o rosto virado para a porta, não consegui ver Minho, mas consegui ouvir quando ele se levantou de sua cadeira, se dirigiu para o quadro e pegou uma das canetas de cor preta em cima da mesa do professor, começando a desenhar linhas tortas na parte limpa do quadro. Isso chamou minha atenção, então fitei cada movimento e cada linha que ele desenhou no quadro. Logo foi impossível continuar o acompanhando, pois ficou na minha frente, depois de alguns minutos ele saiu da frente, mostrando o pior desenho que eu já vi em toda a minha vida.
Era o boneco de palito mais torto e feio já desenhado nesse planeta!
— Uma criança de três anos desenha um boneco melhor — ri do desenho e me levantei.
— Eu achei bem realista. — ele deu de ombros — As pernas finas igual a de um frango e longas, o rosto deformado e os braços largos são fiéis ao modelo que usei.
— E quem foi?
— Você! Não acha parecido? Para mim essa é a obra de arte mais realista já desenhada!
Segurei minha vontade de avançar no pescoço do Lee e arranquei a caneta das mãos dele, apagando aquele desenho torto com a minha mão e começando uma nova obra de arte, agora sim seria uma obra mais que perfeita. Minho ficou me observando desenhar, tentei ao máximo não deixar ele ver o que eu estava desenhando, se me desenhou deformado, nada mais justo do que devolver na mesma moeda.
Quando senti que o desenho estava feio o suficiente, me afastei e deixei que o Lee visse aquela obra digna de ser adorada por tudo e todos.
— Por que essa pessoa parece uma demente?
— Esse demente é você.
Aí começou a briga que talvez seja a mais infantil que nós dois já tivemos. Brigamos para ver quem ficava com a caneta e fazia o pior desenho, uma forma de briga silenciosa, sem socos ou gritos, somente duas pessoas se debatendo e segurando uma única caneta como se fosse sua vida em jogo. Bom, pelo menos para mim, parecia que estávamos brigando por nossa vida.
Foi quando Minho conseguiu arrancar a caneta deixando somente a tampa presa entre meus dedos, que ouvimos o som do tamanco da professora chocando no chão, talvez a detenção tivesse acabado ou ela tenha vindo para ver se estávamos brigando. Abandonamos a caneta rapidamente e quase nos jogamos em nossos lugares iniciais, fingindo estar conversando de forma civilizada. A porta se abriu, revelando o rosto magro da professora e seu nariz pontudo que apoiava um óculos quadrado vermelho, ela observou nós dois com um olhar confuso por estarmos nos "dando bem".
— Poderão sair em cinco minutos. — ela avisou por fim e fechou a porta novamente.
Ri de nervosismo, sendo acompanhado por Minho.
— Finalmente isso vai acabar! — me espreguicei, sentido dor nas costas, só queria me deitar e dormir na minha cama quentinha que esperava por mim.
— Está sendo tão torturante assim?
— Olhar para sua cara tediosa é torturante.
— Duvido — ele sorriu ladino — estar comigo é a oitava maravilha do mundo.
— Nunca imaginei que a oitava maravilha do mundo era o inferno em pessoa.
Joguei a tampa da caneta que ainda estava na minha mão na direção do outro, que pegou e jogou de volta em mim. Passamos nossos últimos cinco minutos dentro da sala jogando aquela tampinha um no outro enquanto tentavámos decidir quem tinha a presença mais torturante.
Quando a professora chegou para nos liberar, ficou mais assustada ainda por ver um tipo de briga que mais parecia uma brincadeira infantil e sem lógica alguma. Nos levantamos e saímos da sala, uma vez lá fora foi como se nunca tivéssemos brincado dentro daquela sala cor de pêssego, cada um seguiu seu caminho em silêncio e voltamos para os nossos próprios grupinhos de amigos no dia seguinte.
Talvez a detenção não tenha sido tão torturante, no final conseguiu ser algo até que divertido. Isso não faria com que eu virasse amigo do Lee da noite para o dia, continuamos exercendo nosso papel de dois garotos que se odeiam e vivem brigando, mas não conseguem mais encarar de forma séria.
Lee Minho era muito chato, mas conseguia ser alguém suportável e até divertido quando queria.
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