25 - momentos de pânico ¤

Agora já é dia. A luz do sol adentra o quarto, os pássaros cantam e eu continuo deitada na cama sem a mínima disposição para levantar.

_ Samatha, levanta! A vó Diana tá lá embaixo! - Grita Megue ao entrar no quarto.

_ Mas... Ela já voltou? Tão rápido?

_ Como assim, rápido?

_ Ah, não sei! Quando disseste que ela estava viajando, supus que ela tivesse na casa de algum parente no exterior, afinal, onde mais ela poderia está? - Pergunto o que é meio óbvio.

_ Ah, sei lá! Vai ver ela foi visitar uma amiga! - Supõe ela já sentada na beira da cama.

_ E tu já ouviste alguma vez a vó falar de alguma "amiga" que ela tenha? - Questiono.

_ Ah, para Samatha! Esse assunto tá ficando estranho! - Ela levanta da cama e quanto já vai atravessando a porta, ela para e vira para me encarar. _ E por falar em estranho... Quando eu te contei que a vó tava viajando? - Ela me encara de braços cruzados, esperando por uma resposta.

Fico calada por um instante, revirando as lembranças à procura da resposta certa, mas não à encontro. Sei que Megue me contou que a vó estava viajando, mas não sei exatamente quando.

_ Ah, Megue! Não sei! - Dou de ombros. _ Acho que foi no meu aniversário! - Suponho.

Ela me olha desconfiada, mas logo se conforma com a resposta.

_ Então... tá! - Responde já se retirando do quarto e deixando a porta aberta.

Sem o mínimo de disposição, eu me levanto da cama e vou direto para o banheiro, escovar os dentes e tomar um banho relaxante.

Após o banho, visto um shortinho jeans e uma blusa azul que cobre o cós do mesmo. Ato meu cabelo em um rabo de cavalo e logo desço para ver minha avó, afinal de contas, já estava com saudades.

Desço as escadas quase correndo e entro na cozinha toda eufórica e logo avisto-a sentada à mesa com todos. Sem pensar duas vezes, corro e lhe dou um abraço bem apertado.

_ Vó... Que saudades! - Exclamo com entusiasmo. Ela me dá um sorriso meio tímido e logo eu a solto, reparando no sujeito ruivo de olhos azuis que está sentado a sua frente. Fico apreesiva por não saber quem é esse homem estranho tomando café com minha família e minha expressão é a mais confusa possível.

_ Samantha filha, esse é o... - Minha avó toma a liberdade de apresentar o sujeito, mas o mesmo se intromete com a mais completa falta de educação.

_ Johan Black! - Ele me dá um sorriso largo, mostrando os dentes bem alinhados. _ Sou sobrinho de Diana Black! - informa ainda com o sorriso no rosto.

Johan é um homem alto, bonito, com tom de pele rosado e uma aparência jovial de aproximados 20 anos, mas seu olhar é intenso de um jeito intrigante. Não sei o porquê, mas o sujeito não me inspira confiança.

_ Prazer, Johan! - Forço um sorriso e logo puxo uma cadeira para sentar ao lado da minha avó.

O café da manhã foi realizado em um clima totalmente constrangedor, pelo menos pra mim. Vez ou outra, enquanto a conversa rolava solta na mesa, Johan, nosso visitante inesperado, me olhava de forma estranha que me deixou com um certo medo de suas intenções.

_ Vó, onde a senhora esteve durante esse tempo? - Megue surpreende minha avó com uma pergunta que a faz engasgar.

_ Eu... - Ela estava tomando um gole do café e o mesmo foi cuspido subitamente contra chão. _ Drogah! Esse café está queimando! - Comenta ao levantar e ir até a gaveta do armário buscar uma flanela para limpar a mesa que também sujou com o café.

_ Está tudo bem vó? - Pergunto preocupada.

_ Está sim! Não se preocupe filha! - Responde com uma voz meiga.

_ Então, vó... onde esteves? - Megue não perde tempo para que sua pergunta seja respondida.

_ Ela - Johan intervém. _ ... foi me visitar em Santos Reis! Eu... estou hospedado em um hotel que fica próximo à avenida principal. Eu vim à trabalho e quando soube que minha tia morava tão perto, decidi convidá-la a conhecer o hostel! - Explica o sujeito.

_ wou! - Exclama meu pai com um sorriso no rosto. _ Então quer dizer que a senhora foi para Santos Reis?!

_ Sim! - Minha avó responde seca.

Para mim essa história está muito estranha, algo não se encaixa. Minha avó não parece muito contente com a visita desse tal sobrinho e este por sua vez, parece está atuando o tempo inteiro com esse sorriso forçado no rosto.

Logo que termino meu café, saio da mesa e vou direto para o meu quarto. Eu já não estava aguentando mais ver aquele sujeito estranho e completamente desconhecido na mesa do café com a minha família. Não sei se estou ficando paranoica, mas o jeito que ele ficava me olhando me dava calafrios. Era um olhar fechado e perverso com um toque de maldade, tipo aqueles psicopatas de filmes de terror.

Entrando no quarto, eu encosto a porta e vou até o banheiro escovar os dentes novamente e aproveito para passar um glos labial para que meus lindos lábios rosados não ressequem com o calor que faz hoje.

Por alguns segundos eu analiso meu reflexo no espelho, reparando na espinha avermelhada que nasce em meu queixo. Com isso eu percebo que meu ciclo está próximo, afinal de contas, isso sempre acontece. Deve ser por isso também o motivo de tanto stress nesses últimos dias, 'menstruação', a pior parte de ser mulher.

Ainda estou no banheiro reclamando as injustiças da vida, quando ouço a porta do quarto se abrir, provavelmente é Lorena.

_ Tu vistes que cara estranho Lori? Ele... - Quando vou abrindo a porta do banheiro me deparo com o sujeito sentado na minha cama com o portaretrato que estava sobre o criado mudo. Meu coração dispara de medo.

_ O-O que... estás fazendo? - Pergunto nervosa, observando a porta do quarto que está a quase três metros de distância. Ela está fechada do jeito que eu a havia deixado, então não será difícil para uma fuga imediata.

_ Calma princesa! - Diz com a voz mansa sem olhar diretamente pra mim. _ Estás com medo? - Dessa vez ele me fita com aquele olhar psicopata e um sorriso de canto.

Sinto minhas pernas fraquejarem com as palavras que saem de sua boca, e meu coração já bate tão forte que meu corpo inteiro perde o calor, fazendo minhas mãos transpirarem de forma incessante.

_ Não tenho medo de ti! - Exclamo quase em um sussurro, puxando coragem de onde não tenho. Se tem algo aprendi na vida é de que nunca deve-se baixar a cabeça para o seu predador e isso é algo que não vou fazer.

Ele dá um sorriso debochado enquanto levanta da cama e caminha em minha direção. Meu único ato foi disparar rumo à porta para não ter o risco de ser devorada, afinal, se o primeiro ato não funciona, o jeito é partir para a segunda opção, correr, até porquê, uma simples presa não deve ter a audácia de brincar perante a aproximação repentina do predador.

Dou cinco longos passos até a porta, colocando a mão na fechadura e girando-a, mas a porta não abriu, e o sujeito sorriu pela segunda vez.

_ Precisas disso? - Ele balança a chave do meu quarto no ar e eu entro em desespero.

_ Me dá! - Exclamo ofegante.

_ Ah... tu queres? - Ele me dá um sorriso perverso novamente. _ vem pegar!

Sem pensar duas vezes, corro pra cima dele, tentando alcançar a chave que ele suspende no ar, mas é impossível, o sujeito é alto o bastante para que eu passe o resto da vida dando saltos de cinco centímetros na tentativa de pegar essa maldita chave.

_ O que queres? - Pergunto enquanto o encaro. No mesmo instante, em um ato inesperado, ele agarra minha cintura e gira meu corpo até que o tenha imobizado na parede fria que divide o banheiro e o quarto. Tento me debater, mas não consigo me libertar de suas mãos asquerosas que agora seguram meus braços. Minha respiração falha e quando faço menção de gritar, ele leva a mão até minha boca e abafa o desespero que insiste em dar sinal. Em um lápso de tempo, fecho meus olhos e deixo que as lágrimas quentes umideçam minha face. Os soluços são constantes, mas se mantêm abafados de forma cruel pelo sujeito ruivo à minha frente.

_ Pshii... - Sussurra com os lábios colados em meu ouvido. _ Se fizeres alguma gracinha, sua família inteira morre! - Nesse momento ele conduz minha mão até o cós da calça que está usando, até que eu possa tocar em algo sólido e gelado. Engulo em seco ao concluir que é uma arma. Rapidamente abro os olhos com uma expressão aterrorizada.

_ O-O que...

_ O que eu quero? - Ele debocha. _ Ficas tão linda com esse jeitinho nervoso! - Ele toca minha boca com o polegar. _ Tira a roupa! - Sussurra em meu ouvido, deixando-me estática.

_ O... - Antes que eu termine de falar, ele dá uma gargalhada e cola seus lábios nojentos nos meus, sugando meus lábios com voracidade enquanto firma o corpo ao meu. Para a minha sorte alguém bate na porta.

_ Samantha? - É a voz de Lorena. _ Sami, abre essa porta, eu preciso me trocar! - Exclama a garota.

_ Lor... - Minha voz vai saindo embargada quando Johan coloca o indicador nos lábios e levanta a camisa vermelha mostrando a arma em sua cintura. Respiro fundo, olho para a porta e respondo novamente enxugando as lágrimas que já escorriam novamente. _ Calma! Estou no banheiro! - Olho para o sujeito que ascente com a cabeça e enfia a lingua na minha boca. Em seguida, ele caminha até a janela e após uma breve analisada, ele joga a chave na cama e desce pelas escadas que levam direto para o jardim. Corro para confirmar que ele já foi e após pegar a chave, abro a porta e corro para o banheiro, para lavar minha boca com sabão e tirar o gosto daquele cara que ficou impregnado em mim. Vendo que não adiantou muita coisa, tranco a porta do banheiro, tiro a roupa ligo o chuveiro para tomar outro banho.

A voz daquele cara não sai da minha cabeça e parece que ainda sinto seu toque em mim. A sensação de desespero permanece e minha única vontade é de gritar por socorro o mais alto que puder.

_ Sami! Tá tudo bem aí? - Pergunta Lorena ao bater na porta do banheiro, mas minha única resposta é o silêncio.

Poucos segundos depois ela bate novamente enquanto a água do chuveiro resoa em cada canto do pequeno espaço.

_ Sami! Me responde! - Exclama um pouco mais alto. Nesse momento eu desligo o chuveiro e abro a porta enrolada em uma toalha cinza.

_ Sim! Estou bem! - Respondo seca.

_ O que aconteceu? - Ela analisa minha expressão. _ Tu estavas chorando?

Eu queria contar a ela o que acabou de acontecer aqui, mas não posso. Mesmo que aquele sujeito já tenha ido embora, tenho medo do que ele possa fazer a qualquer um da minha família, principalmente com minha avó que está tão próxima a ele.

_ Não! Deixei cair sabão no olho! - Forço um sorriso enquanto vou até o guarda-roupa pegar uma peça para vestir.

Ela permanece a me olhar, e vendo que não dou atenção, ela acaba cedendo à minha explicação mequetrefe e sai rumo ao banheiro para tomar um banho também.

Após vestir uma camisa branca e uma bermuda, pego em cima da secretária, o meu telefone que está tocando sem parar. É Leandro.

_ Alô!

_ Oi Sami! Como estás?

_ Bem... - Respondo fraco.

_ Então tá... Escuta Sami, liguei para saber se tu estás a fim de sair comigo hoje à noite!

_ Hoje? Mas a gente já saiu ontem!

_ Ah! Mas ontem não valeu! Quero sair só contigo hoje! - Questiona.

_ Leandro eu...

_ Por favor Sami! Eu prometo que tu não vás te arrepender! - Ele implora do outro lado da linha.

_ Mas Leandro... - Ele me interrompe novamente.

_ Por favor... - Leandro pode não ser a melhor companhia do mundo, mas sei que Lorena vai sair mais tarde, provavelmente Megue também e eu vou ficar aqui relembrando o terrível acontecimento de hoje.

_ Tá! Me convenceu! Tô precisando distrair a mente mesmo! - Até posso ouvir seu entusiasmo do outro lado da linha e provavelmente ele tropeçou em alguma coisa, pois ouvi Toddy chamar sua atenção de uma forma nada agradável.

_ Ops! - Exclama Leandro. _ Às sete eu estou aí! Beijos! - Ele desliga o telefone e eu fico rindo feito boba imaginado no que ele teria tropeçado para que Toddy esteja tão bravo.

_ Rindo sozinha é? - Lorena sai do banheiro enrolada na toalha.

_ Eu? Não! - Balanço a cabeça. _ Vás sair com Ramon hoje? - Pergunto na tentativa de mudar de assunto.

_ Sim! - Ela dá um suspiro de garota apaixonada. _ Ele vai me levar para conhecer a família! - Ela dá um salto e vai jogando roupas em cima da cama. Agora começa o assunto. Quando quero fazer Lorena esquecer alguma coisa é só tocar em um assunto que ela goste, então ela começa a falar e falar, até ter esquecido completamente sobre o assunto que estava sendo tratado antes. _ Qual é mais apresentável? - Pergunta olhando para os vestidos sobre a cama.

_ Ah, não sei Lori! Tudo fica lindo em ti! - Dou de ombros.

_ Tá Sami! Disso eu já sei, mas não é qualquer lugar, é um jantar em família! - Exclama me fazendo analisar cada peça.

_ Tá! Que tal esse? - Pego o vestido lápis (na cor preto) e suspenso na frente do meu corpo.

_ Ah não! Esse não! Além de ser muito social, vai parecer que estou indo a um velório e não para um jantar! - Questiona fazendo bico.

_ Tá! E esse aqui? - Deixo o vestido preto em cima da cama e pego um vermelho com decote em 'V'. Ela observa por alguns seguntos e logo faz uma careta.

_ Não! Esse faz mais o tipo de jantar romântico, não a moça de família que quer conquistar os sogros! - Encaro-a e pego o próximo vestido. Pego um vestido rosa rodado com manga longa e um decote discreto. Esse pra mim parecia perfeito, mas então a garota balança a cabeça negativamente e pega o vestido azul estilo sereia que está na cama.

_ Rosa é muito patricinha, vou com o azul! - Diz ela saindo com o vestido azul em mãos e me deixando com cara de trouxa. Dou um sorriso nada contente já vou saindo em direção à porta quando Lorena grita: _ 'Ah, Sami!' Me ajuda a escolher um sapato? - Essa pergunta eu nem fiz questão de responder, apenas dei um sorriso sarcástico e bati a porta.

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