@J.aPereira: Me Perdoe

Ainda era manhã, exatamente oito horas da manhã. Fazia apenas alguns minutos que meus pais e meu irmão havia  saído para trabalhar, e como de costume eu ficava em casa a cuidar de kailane minha irmã de doze anos e kaique o nosso caçula. Posso afirmar que a melhor coisa que me aconteceu foi a chegada desse pirralho... na verdade posso afirmar que sua chegada foi ótima para todos nós..., mas..., mas ainda na mesma manhã ouvi batidas escandalosas sobre o portão, e resmungando eu caminhei até ele com desdém.

Ao abrir o maldito portão, me deparei com minha prima, o que estava acontecendo? Graciele estava totalmente suja de sangue, seus cabelos escuros cacheados cobriam todo o seu rosto. A ajudando com bastante dificuldade eu a levo angustiada até casa a dentro, mas o peso de seu corpo era tão maior quanto o meu que paramos ali mesmo nas escadas. Minha irmã como de costume apenas ficava em seu maldito celular enquanto kaique perambulava de um lado para o outro na casa, eu não podia contar com ela, então assustada pelo que acontecia a pedi quase como se a obrigasse, que cuidasse de nosso irmão por mais que ele chorasse preso dentro do quarto de nossos pais, eu precisava garantir que nada os aconteceria. Eu precisava garantir que nada aconteceria com meu irmão.

Pegando alguns panos e água na cozinha, eu me preparo para limpar os ferimentos de Graciele, mas algo de estranho estava a acontecer. A observando já de pé, eu tentava a chamar pelo nome enquanto a via tremer seu corpo como seu uma grande descarga elétrica passasse pelo mesmo. Eu não havia notado seu corpo antes, mas sobre ele habitava algumas mordidas... mordidas que já pareciam estar podres pelo forte odor que liberavam.

Estendendo minha mão a frente, eu tento tocá-la, porém, recuo assim que a vejo rosnar e correr em minha direção. Jogando tudo sobre o chão, começo a correr esbarrando sobre a porta e tendo sobre minha cabeça que eu precisava encontrar e rápido algo para me defender. Correndo até a gaveta, eu saco com as mãos trêmulas uma faca qualquer, mas ao me virar sou dominada pelos braços de Graciele que consegue ricochetear para longe a lâmina. Em uma luta corporal para tentar escapar de seus dentes eu a empurro indo junto consigo para o chão, sua força era tão contagiante que por fraqueza acabei sendo dominada por seu corpo que se jogou totalmente para cima de mim. Sua baba fedorenta escorria em meu rosto enquanto eu ainda tentava me desviar de suas dentadas e mãos... felizmente algo abaixo de minha cabeça me machucava, e essa dor eu sentia quase sempre quando me esquecia de tirar o bico de pato de meus cabelos... empurrando seu rosto para longe eu arranquei o pico de pato de meus cabelos e o afundei com toda força que eu tinha no momento dentro de um de seus olhos, aquilo foi o suficiente para conseguir tirá-la de meu corpo e correr em direção a faca, mas o ranger da porta e a palavra soprada dos lábios de meu irmão “ Dadá” faz com que Graciele se levante indo para a sua direção, naquele momento, no momento que a vi querer atacá-lo, eu corri, corri o mais rápido que podia e perfurei sua cabeça a vendo felizmente e infelizmente cair ao chão a nossa frente.

[...] tentando me manter forte diante as perguntas de minha irmã, eu seguro o choro correndo para o telefone e rezando para meu irmãos ou meus pais atendessem, mas tudo foi em vão, e foi nesse momento que eu surtei, comecei a jogar tudo que se encontrava sobre a mesa contra a parede. Que merda estava acontecendo, um apocalipse zumbi nunca poderia ser real...

Nervosa eu grito para que minha irmã pegue todas as facas que há na cozinha, mas ela estava tão assustada quanto eu. “Vai ficar tudo bem, eu vou proteger a gente. ” Disse tentando a passar mais confiança. Talvez eu estivesse tão nervosa quanto ela, talvez eu tivesse tanto medo quanto ela...

Colocando meu irmão sobre a cama, eu caminho com a intenção de ajudá-la, mas assim que ela cruza o corpo de nossa prima ao chão uma de suas pernas é agarrada. Assustada kailane começa a se debater e tenta correr em nossa direção, eu não pensei duas vezes em puxar sua mão e a trazer para dentro do quarto fechando em seguida a porta atrás de nós.

De costas eu ouço com atenção minha irmã a conversar com kaique, e ao me virar tive a visão dela o abraçando com muita força. “Vai ficar tudo bem, a Kaka te ama...” Por que ela estava dizendo aquilo? Por que ela estava o abraçando com tanta força?

Ignorando as batidas que minha prima dava sobre a porta, eu observo meus irmãos a frente e ao dar o primeiro passa para abraçá-los, eu escorrego em uma trilha de sangue, seguindo a mesma eu me deparo com uma mordida sobre a perna direita de minha irmã... aquele era o motivo dela está o abraçando, aquele é o motivo dela está o dizendo que o amava. Correndo em sua direção eu a abraço com força, aquela era a primeira vez que eu fazia algo do tipo com relação a sua pessoa, aquela foi a primeira vez que eu ousei dizer que a amava. Pegando kaique no colo, eu subo a escada de caracol que há no quarto e observo com horror o que se tornou nosso bairro.

Após colocar kaique sobre o chão, o pirralho não parou de chorar, e a cada minuto que eu demorava mais para quebrar o vidro da porta e rodar a chave, as porradas sobre o portão ficavam cada vez mais fortes. Por fim, eu demorei tempo o suficiente para os dar tempo de invadir nossa casa, meu irmão não parava mais de chorar e os grunhidos se aproximavam cada vez mais perto de nós. “ Me perdoe. ” Disse ao pé de seu ouvido encolhendo seu corpo ao meu.

*Me perdoe* <--- o nome

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