O que somos?

O sol entrava por uma fresta da janela. Eu tapei o rosto com o travesseiro, queria voltar a dormir e sonhar com ela. Flashes invadiam minha mente, eu cantando para Rosa, beijos, risos. Sentei na cama e olhei ao redor, não estava no meu quarto. Havia uma jaqueta de couro próxima a outras roupas no chão. Um sorriso brotou em meu rosto, olhei para o lado, a visão de Rosa dormindo era uma obra de arte. Seus cabelos ondulados jogados pelo travesseiro, seu corpo semi coberto refletia à luz, ela parecia uma escultura. Rosa virou-se para mim lentamente e sorriu.

- Tá me encarando por quê?

Eu ri.

- Gosto do que vejo. - depositei um beijo em seus lábios. - Mau dia.

Ela riu imitando um porco.

- Você lembrou!

- É claro. - confessei. - Eu me lembro muito bem.

Rosa sentou-se.

- Odeio fazer isso...

Eu suspirei.

- Eu já estou indo embora.

Ela segurou em minha mão.

- Não, eu odeio ter que perguntar.

Engoli a seco. A clássica e temida pergunta, "foi apenas uma recaída?", seguida de mil outras, "isso se repetirá?" e "o que somos?". Um amargor preencheu minha boca.

- O que você quer?

Rosa comprimiu os lábios nervosa. O silêncio preencheu o quarto. Eu não conseguia olhá-la, temia me perder em seus olhos e esquecer completamente de mim.

- O que disse na entrevista... - Rosa disse quebrando o silêncio. - Você realmente se cansou? Ou era só marketing?

Sorri.

- Era tudo verdade. - declarei. - A fama me fez mudar muito, mas, graças a você, eu pude me lembrar de quem sou. - segurei em sua mão fazendo-a sorrir. - Muito obrigada.

Rosa selou nossos lábios.

- Eu quero você. - falei com a voz trêmula. A minha confiança se esvaiou, Rosa tinha esse efeito em mim. - Quero dormir de conchinha, te dar abraços, beijos e andar de mãos dadas em plena luz do dia. Eu quero que sejamos públicas... - encolhi os ombros envergonhada. - E você?

- Estranhamente, o mesmo.

Eu sorri e dei um beijo em sua bochecha.

- Eu te amo, Rosa Diaz.

Ela sorriu.

- Eu te amo, Gina Linetti.

O restante do dia foi preguiçoso. Ficamos deitadas a tarde inteira apenas aproveitando o calor e a companhia da outra. Eu a segurei forte, ela não reclamou, pelo contrário, apertou mais o meu abraço. Era apenas um "até logo", mas parecia um "adeus", a minha mente insistia em trazer lembranças do nosso término. Eu apenas a abracei, temendo que ela me deixasse novamente. Seu corpo era sólido, mas estava a segundos de dissolver-se, apenas uma palavra errada e ela evaporaria pelos meus dedos. Apertei sua cintura, trazendo-a para mais perto, seu cheiro era o meu lembrete de que era real.

- Podemos jantar amanhã? - perguntou.

Afastei-me. Os milímetros que nos separavam me deixavam frustada, a distância mínima era o suficiente para me fazer entrar em pânico.

- Claro Rorô. - forcei uma voz animada.

Rosa acariciou a minha bochecha.

- Eu também não gosto de ficar longe. - falou como se lesse meus pensamentos. - Mas estaremos juntas em breve.

Eu sorri e depositei um beijo em seus lábios como despedida. Desci o elevador acelerada, já contava os segundos para o nosso próximo encontro. A viagem até a minha casa demorou horas, os kilômetros eram os mesmos, mas eu me sentia diferente.

- Onde estava? Te liguei umas mil vezes. - disse Amy zangada.

- Calma mãe, eu só dei uma saidinha.

- Saidinha? Você sumiu por uma noite. Gina, faz ideia de como fiquei preocupada?

Ela sentou-se na poltrona, sua mão massagendo as têmporas. Apenas agora reparei em seu estado, Amy vestia um conjunto de moletom rasgado, um tênis imundo e um emaranhado de tranças desarrumadas ocupava o lugar do seu cabelo.

- Me desculpa. - falei sem jeito, sentei-me ao seu lado. - Estou bem.

Amy levantou a cabeça, lágrimas dançavam pelas suas bochechas.

- Mesmo?

Assenti. Ela me abraçou, o seu cheiro era horrível, mas preferi não comentar.

- Onde estava?

- Na casa da Rosa. - sussurei.

- Fala mais alto.

- Na casa da Rosa.

Amy começou a pular, seu cabelo quase não se mechia.

- VOCÊS VOLTARAM?

- Sim...

- MEU DEUS, EU SABIA.

Ela começou a rir maleficamente.

- O que está acontecendo aqui? - disse Charles se aproximando, sua expressão suavizou ao me ver. - Eu sabia que não tinha sido sequestrada!

- Dessa vez não.

- Charles, Charles. - chamou Amy ainda pulando. - Gina e Rosa voltaram.

- MENTIRAA.

Demorou meia hora para os dois pararem de surtar, eu sei porque cronometei.

- Você vai levá-la na festa da Taylor?

- Eu não havia pensado nisso.

- VOCÊ TEM QUE LEVÁ-LA.

- Ok, ok. - tapei meu ouvido com a mão. - Vou falar com ela.






Autora: mil desculpas pela demora, eu estou lotada de vestibulares e acabo ficando sem tempo para escrever. Espero que gostem dessa capítulo, porque o próximo (sabe-se Zeus quando vai sair) será dedo no cool e gritaria.

não se esqueça de votar e comentar <3

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