Joguinhos
Acordei com críticas positivas sobre a minha participação em Red (Taylor's Version). The Very First Night foi a música perfeita para nossa primeira collab. Minha carreira está em seu melhor momento, mas a minha vida um caos. Olhei meu celular pela décima vez no intervalo de 5 minutos, mil notificações, mas nenhuma dela. Rosa me mandou uma mensagem, mas a apagou antes que eu pudesse ler. O que ela havia dito? O que ela queria comigo?
- Ei. - reclamei.
- Faz 10 horas que está ouvindo essa música.
- All Too Well (Taylor's Version) versão 10 minutos não é uma música, é um estilo de vida.
- Gina, eu entendo...
- Não entende. Eu estava na minha era Red mesmo antes da Taylor oficializar. - eu suspirei. - Eu sinto falta dela, muito falta.
- Eu sinto muito.
- Suas desculpas são inúteis. - ela abaixou os ombros. - Desculpa, não é justo descontar em você.
Ela deu de ombros.
- Já foram duas semanas, eu só queria que doesse menos.
Amy sentou na beirada da minha cama.
- Você pode escrever, às vezes sai um estilo de vida. - disse apontando para a minha caixinha de som.
- Vou tentar.
Ela sorriu.
- Agora sai, preciso escrever.
Ela riu e levantou-se.
- Estou orgulhosa.
- Amy.
- Sim?
- Obrigada por tudo.
Ela sorriu e saiu fechando a porta atrás de si. Me sentei na minha escrivaninha, peguei a caneta e comecei a rabiscar o caderno. Nada saía de mim. Eu tinha muito a falar, mas não sabia como. Eu me sentia burra por estragar nosso relacionamento por causa da minha vaidade. Senti uma luz acender sobre mim, corri até o estúdio e agarrei meu violão, dedilhei alguns acordes e comecei a cantar. Descrevi nosso relacionamento, como parecia ser perfeito, mas foi arruinado por mim. Em menos de 5 horas eu tinha uma música completa, finalmente senti que era uma compositora, apenas demorou 11 músicas.
Me levantei, mas algo estava errado. Eu não me sentia completa, o meu corpo ainda pesava. Voltei a me sentar, estralei os dedos, agarrei a caneta e passei a escrever. As palavras fluíam de mim, falar de Rosa era muito fácil. Nossas lembranças, possíveis experiências, tudo o que passamos, o que poderíamos viver, infinitas possibilidades. Pausei para chorar, o meu processo criativo consisti em dor e lágrimas. Fui para cozinha e sequestrei uma garrafa de vinho tinto a temperatura ambiente. Quatro da manhã tende a ser silencioso até para uma casa com 5 pessoas, era o horário ideal para compor.
Voltei para o estúdio. A garrafa de vinho não durou nem meia hora, eu estava exausta, precisava de mais combustível para escrever. Visitei a cozinha por mais vezes para buscar vinho. Não sei quando e nem como, mas adormeci sobre o meu caderno. Acordei com as costas doendo e com uma dor de cabeça enorme, provavelmente ressaca. Um prato com ovos mechidos e bacon e um copo de suco de laranja repousavam na minha escrivaninha ao meu lado. Sorri, "obrigada Charles".
- Toc toc. Posso entrar?
Assenti com o garfo na boca.
- Amy me disse que estava compondo.
- Compus duas músicas ontem.
- Sério? - assenti. - Posso ouvir?
Peguei meu violão e toquei Guilt On Charge. Jake soluçou logo nos primeiros versos, ele me abraçou.
- Está tudo bem. Não é culpa sua.
Eu me soltei do abraço.
- Tá tudo bem Jake, eu já aceitei. Eu a perdi e está tudo bem.
Ele balançou os braços na minha direção.
- Estou te batendo. - avisou.
Deu de ombros.
- Você é Gina Linetti, nunca desiste de nada. Vai realmente desistir dela?
Eu sabia exatamente o que ele estava fazendo e não caíria nessa de novo. Apenas o ignorei e continuei tocando violão.
- Eu já entendi. Foi você quem caiu nos joguinhos dela.
A frase me chamou atenção, fazendo olhá-lo.
- Como? - perguntei irritada.
- É simples. Você perdeu o jeito, não precisa se envergonhar, isso acontece com todo mundo.
- Eu não perdi o jeito.
- Gina, não precisa se chatear só porque você perdeu o controle sobre o jogo da sedução.
- Eu não perdi! Rosa estava na palma da minha mão.
Ele suspirou.
- Sinto muito.
- Pelo quê?
- Por perder.
"Estava". Droga, eu deveria ter escolhido as palavras de forma mais cuidadosa.
- Ela está em minhas mãos. - me corrigi. - E posso provar.
Jake deu de ombros, sua atitude me incomodou. Peguei meu celular e sai em disparada à casa da morena. Por um segundo esqueci de Holt e chamei um uber.
- Você está louca por mim.
Rosa me encarou sem reação.
- O quê?
- Você ainda me ama.
Ela olhou ao redor.
- Você está sendo ameaçada de novo?
- Só preciso ouvir que ainda me ama. - falei com a voz marejada. Apertei os lábios nervosa, Jake havia se aproveitado da minha fraqueza e me colocado em frente a ela, o momento pelo qual tanto sonhei havia sido arruinado. Rosa não abriu a boca, apenas me olhou nos olhos.
- Achei que fosse óbvio.
Meu coração acelerou, eu senti uma lágrima quente descer pela minha bochecha.
- Obrigada... por tudo.
Antes que eu pudesse me afastar, Rosa me puxou, nossos corpos atraíam-se como dois irmãs de polos opostos. Eu não me afastei, apenas respirei o mesmo ar que o dela.
- Você também foi a primeira. - sussurou.
Eu sorri.
- Você viu a entrevista.
- Sim.
Ela se aproximou, colando nossas testas. Eu prendi a respiração.
- Droga Gina, eu sinto sua falta.
Eu ri.
- Eu também.
Toquei em seu rosto macio. Percebi que um sorriso se formava em seus lábios.
- Eu posso te beijar?
- Sim, sim e sim.
Eu uni nossos lábios desesperada. Seu gosto era dolorosamente familiar. O beijo estava repleto de saudade e sussuros de "eu te amo". Rosa segurou em minha cintura, diminuindo o ínfimo espaço entre nossos corpos, eu arfei. Parecia que estava sonhando, eu não estava no planeta Terra, estava em outra realidade, onde tudo o que me importava era a mulher a minha frente. Nos afastamos apenas quando o ar se tornou necessário. Rosa me olhou sorrindo sem mostrar os dentes, eu não resiste e colei nossas testas.
- Me desculpa...
- Eu também fui egoísta, não percebi que você estava sendo pressionada a ser outra pessoa. Eu não devia ter ido embora...
- Rosa...
Ficamos em silêncio, nossas testas ainda coladas, respirei fundo e disse:
- Podemos tentar novamente? O passado já foi, o futuro é cheio de possibilidades.
Rosa se afastou, meu corpo congelou temendo a rejeição. Ela entrelaçou nossos dedos e assentiu.
- Sim Gines.
Eu sorri e a beijei.
- Aliás, de onde você tirou essa frase?
- Eu compus uma música para você...
- Posso ouvir?
Autora: oi gente, tô viva kksksks. Mil desculpas pela demora, tô lotada de vestibular, esse capítulo me demorou um século para escrever. Espero que gostem :)
Eu tô morrendo com Red (Taylor's Version)
não se esqueçam de votar e comentar <3
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