Blogueira Meia Boca
Ela deu um passo para frente, não consegui me mecher.
- Você não me convidou, mas tudo bem, eu não me ofendo fácil.
Ela tocou no meu rosto, eu fechei os olhos enojada.
- Podemos conversar ou tenho que partir para o plano B?
- Qual é o plano B?
Ela sorriu.
- Confie em mim, você não quer saber.
Senti um arrepio na minha espinha. Kandy parecia uma pessoa completamente diferente, ela não mechia os dedos nervosamente, não balançava a perna ansiosa, ela estava confiante, agora eu era a medrosa. Ela sorriu para mim, como se pudesse ler meus pensamentos e os aprovasse.
- Você realmente se importa com ela.
- O quê?
- Diaz. - esse nome fez meu coração acelerar. - Você fez muitos sacrifícios, só esqueceu de mudar a sua postura arrogante.
- Olha quem fala.
- Eu tenho uma arma novinha em folha. Você quer inaugurá-la? Ou quem sabe Rosa me daria tal honra.
Rosa morrer é pior do que eu. Eu abracei as minhas pernas. Nunca imaginei que me importaria tanto com alguém, mas cá estamos. O meu amor só colocou sua vida em perigo.
- CHEGUEI RAPAZIADA e trouxe donuts, cadê vocês? - era a voz de Jake, Kandy me encarou irritada, seu plano perfeito não contava com uma sobremesa.
Antes de me levantar, Kandy amarrou um pano na minha boca. Ela me guiou até a janela do meu quarto, olhei para baixo, o chão me aguardava. Eu balancei a cabeça freneticamente, tentei falar, mas a mordaça não permitia.
<Pov Rosa>
Consegui me desamarrar logo que tomei consciência, nunca vi nós tão mal feitos na minha vida. Olhei ao redor, dessa vez meus olhos focaram. O lugar era imenso, mal iluminado e cheirava a mofo, seria maneiro se eu não tivesse sido sequestrada. Eu só consigo pensar em uma pessoa que poderia ter feito isso. Alyssa, a dona da boate da frente, ela ameaçou me matar por anos, mas nunca a levei a sério, afinal usava penas em seu vestido. Peguei o canivete da minha calcinha e caminhei até a única fonte de luz, uma janela pequena.
- Por aqui.
"Merda", xinguei mentalmente. Voltei a minha posição inicial e me amarrei novamente, com nós mais firmes do que antes. Os passos se aproximaram, eu estava pronta para zombar de Alyssa, quando vi um homem carregar uma mulher ruiva em seu ombro, Kandy entrou por último, eu olhei para o corpo desacordado ao meu lado.
- Gines?
Kandy riu.
- Adorável. Vocês tem apelidos fofos.
- Isso é uma pegadinha? É para um vídeo? Eu estou fora. - falei me desamarrarando.
O homem me empurrou, eu mal me mechi, ele era forte mas eu era mais.
- Eu cuido dela, muito obrigada Robert.
O homem se afastou, eu me levantei, pronta para sair daquela loucura.
- Você vai deixá-la aqui?
Dei de ombros e continuei andando.
- Ela tomou algo mais forte do que você. - disse com um tom dissimulado. - Não sei se vai aguentar.
Eu a segurei pelas mangas da blusa.
- Se isso for uma pegadinha...
- Não é. Gina está correndo perigo de vida.
- O que deu para ela?
- Se eu fosse você, faria ela desistir do álbum.
Eu a abaixei.
- Você a envenenou por causa de um álbum?
Kandy deu de ombros e encarou o corpo de Gina, percebi um sorriso sinistro brotar em seus lábios. Eu voltei para o meu lugar e me amarrei novamente, Kandy me amordaçou e sorriu.
- Em outro contexto, essa visão me excitaria.
Reprimi a cara de nojo e a vontade de bater na mulher. Kandy se afastou.
- Tenho câmeras em todos os cantos. - disse indicando o redor. - Se ela fugir, eu a mato, ouviu?
Assenti. Ela não causava medo em mim, ainda era a mesma babaca que me sexualizava e possuía trejeitos ansiosos. Senti meu coração errar uma batida ao olhar para Gina, sua expressão era calma. Me deitei ao seu lado, por um momento jurei que estivéssemos acordando em sua cama. Ri da minha ingenuidade, não somos as mesmas, passamos por muito depois de nos conhecermos.
Abri os olhos, não notei quando cai no sono. Mesmo naquele local insalubre, no chão duro e imundo, eu tive a melhor noite de sono das últimas semanas. Olhei para o lado, Gina me encarava, seus olhos verdes dilataram ao me ver e um sorriso brotou em seus lábios. Sua reação durou milésimos de segundos, provavelmente se lembrou da condição a qual nos encontravámos.
- Como se sente? - me aproximei após retirar minhas amarras.
- Minha barriga dói.
Eu engoli a seco.
- Eu ouço ela. Eu não deveria ouvir minha barriga, Rosa!
- Espera, Kandy não te envenenou?
Ela negou.
- Só estou com fome. Charles me acostumou com café na cama. - seus olhos se arregalaram. - CHARLES, AMY.
Ela se levantou e continuar a gritar.
- Eles também?
- Não sei, talvez sim, talvez não. Só sei sei que ela os drogou.
- Ninguém sabe que estamos aqui? Resumindo, estamos ferradas.
- Jake está a salvo, eu acho.
Ela suspirou e voltou a sentar-se ao meu lado.
- Nunca em um milhão de anos, imaginei ser sequestrada por Kandy. 7 bilhões de pessoas no planeta e uma blogueira meia boca me sequestra.
Eu ri.
- Você vai lançar o álbum?
- Eu trabalhei dias e noites, sacrifiquei muito por ele. - ela me olhou, eu desviei o olhar. - Não posso abrir mão do meu bebê, não de novo. Eu o amo.
Eu engoli a seco. Gina era hiperbólica, amava exagerar suas emoções, não duvido que ela realmente ame o seu álbum, afinal é resultado de muito esforço. Mas sinto que falava de mim.
- Eu vou me sentar ali.
Gina não disse nada, então apenas me afastei. Eu esperava que ela marchasse em minha direção e exigisse que nós voltássemos, mas ela apenas encostou na parede em silêncio.
- 8 horas. O relógio não para, Linetti.
Eu a olhei, seus olhos encontraram os meus, senti meu estômago revirar.
- Eu vou cancelar o lançamento. - Gina se levantou. Eu andei em sua direção.
- O que está fazendo? É o seu bebê. - repeti o apelido carinhoso. - Você deu seu sangue por ele, não pode desistir.
- Eu desisti de você e eu te amo muito, bem mais do que um disco de 10 músicas.
Eu dei dois passos para trás.
- Eu sei que não sente o mesmo, sei que te machuquei e eu sinto muito... por tudo.
Antes que eu pudesse formular uma frase, Kandy apareceu e entregou o celular à Gina.
- Aqui está.
Gina me olhou.
- Você vai nos soltar. - exigiu.
- Claro.
Gina começou a digitar, seus dedos eram velozes, rapidamente ela entregou o celular para Kandy.
- Pronto.
A blogueira sorria.
- Não acredito, você foi burra o suficiente para acreditar em mim.
- O quê? - a voz de Gina tremeu.
- Eu vou matá-las. - Kandy riu. - Você realmente achou que eu as fosse deixar viver? Por favor Linetti, achei que fosse melhor.
- Não, por favor não.
Lágrimas escorriam pelos olhos de Gina.
- Você nos amarrou e depois nos soltou para ser uma "boa pessoa" e agora faz isso?
- O que, eu não...
- Você me privou de ir ao banheiro!
- Você drogou os nossos amigos com boa noite cinderela. - disse eu.
- Eu as amarrei, mas nunca soltei, não faço ideia de como saíram. Gina, tem uma garrafa velha bem ali e sim, eu droguei os amigos de vocês, agora quem é a blogueira meia boca?
- Você. - disse Gina. - Nós estamos ao vivo no twitter, você acabou de confessar um sequestro e dopagem.
Kandy largou o celular e saiu correndo. Gina passou a localização para a polícia e desligou o aparelho.
- Como soube que eu estava atuando?
Dei de ombros.
- É fácil, você realmente se entrega.
Ela riu.
- Obrigada por ter me ajudado, sem você não teria ficado convincente.
- Teria sim, a estratégia foi incrível. Você é uma genia.
- Por mais que eu ame levar o crédito, essa ideia foi toda do Jake.
- Jake?
- Ele disse uma vez numa festa do pijama.
- Não sabia que frequentava esses tipos de festa.
- Eu sou uma mulher mudada. - falou rindo, o sorriso logo sumiu do seu rosto.
- AI MEU DEUS, VOCÊS ESTÃO BEM?
Jake nos esmagou em um abraço, Amy nos cobriu com edredons e Charles nos deu lanches caseiros.
Autora: oi gente, vocês estão bem? Eu estou uma pilha de nervos com os vestibulares chegando e tenho tendência a escrever mais quando estressada. Enfim, decidi encurtar a narrativa do sequestro pra não tirar a essência da fanfic, espero que não tenho estragado com a história da Kandy.
não se esqueçam de votar e comentar <3
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top