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Eu afastava todos com um simples olhar irritado, tinha uma tarefa importante a ser cumprida, nada poderia tirar esse momento de mim. Sorri sem mostrar os dentes, expor Rosa em sua primeira semana de trabalho não poderia ser melhor, obrigada deusas por essa oportunidade. Encarei as paredes pretas e torci o nariz, Holt precisa redecorar esse lugar ou o Batman vai confundir com a batcaverna.
Avistei Diaz em sua mesa conversando com Amélia e revirei os olhos, aquela limpa me dá nos nervos, por que tão certinha? O pior de tudo, meu amigo de infância, Jake Peralta, tem um enorme crush nela e eu não entendo o porquê, sinceramente Jake, seu gosto já foi melhor.

Joguei a pasta na mesa de forma dramática, Amy pulou assustada, Rosa mal se moveu.

 — Bom dia garotas. — falei encarando fixamente Rosa, sem obter resposta da mesma.  — Holt me mandou em uma missão.

Continuei a olhando, suas feições delicadas, o queixo bem definido, o decote em v da blusa social, a jaqueta amassada por cima. Amy me cutucou.

 — Não está me ouvindo? Faz dez minutos que estou te perguntando sobre a tal missão.

 — Não exagera Emília. — ela revirou os olhos. — Como eu estava falando, fui enviada em uma missão muito, muito...  — Rosa finalmente me olhou, senti meu estômago revirar. — muito importante... — balancei a cabeça espantando os pensamentos inapropriados pro horário. — Vocês duas irão retornar uma obra de arte roubada para o Museu Nacional.

 — Qual obra? — perguntou Amanda com urgência.

 — Eu não sei, meu cabelo é muito bonito para eu ser nerd.

Rosa riu, eu sorri sem mostrar os dentes.

 — Parabéns pela primeira missão Rosa Diaz.

 — Diaz?  — perguntou Amy.

 — É meu sobrenome, tanto faz.

 — Tanto faz!? Você mentiu seu sobrenome para mim, por que alguém faria isso?

 — Você já sabe o meu primeiro nome, por que precisa do último também?

 — Eu... você... urgh.

A aspirante de Monica Geller se retirou confusa, quase conseguia ver as engrenagens girando em sua cabeça.

 — Mais alguma coisa?  — disse Rosa em pé ao meu lado, eu assustei, não havia percebido a sua movimentação.

 — Não. — respondi encarando seus lábios inconscientemente.

 — Você vai me deixar falar com o meu superior hoje?

Eu ri.

 — Eu sou sua superiora, gata.

Ela diminuiu a distância entre nós ao se apoiar na mesa.

 — Por mais que eu queria que você mandasse em mim, ambas sabemos que você nunca frequentou a academia.

Eu me aproximei dela, seu perfume me deixava desnorteada, eu não conseguia raciocinar, o efeito Diaz era forte nessa inexistente distância.

 — Não entendi a relevância da sua fala.  — virei as costas e ameacei sair.

Ela segurou em meu braço, me pedindo silenciosa para ficar, meu corpo obedeceu sem pestenejar.

 — Olha, desculpa se fui grosseira, eu não sou boa com isso.

 — Com o quê?  — me virei fazendo o meu cabelo bater lentamente em seu rosto, fazendo-a piscar, como se estivéssemos presas em um filme clichê.

 — Sentimentos. — seus ombros tremem e sua cara se fecha em desprezo. — Nós tivemos um passado, não quero que isso nos afete, muito menos o nosso trabalho, isso significa muito pra mim, essa promoção. Sinto que finalmente reconheceram o meu valor, e não queria jogar essa oportunidade, então...  — ela estendeu a mão direita. —Trégua?

Eu não conseguia falar, tinha um discurso preso na minha garganta, anos de arrependimento, saudade e paixão, mas eu não conseguia colocar tudo em palavras, não era capaz de contar como as minhas noites eram vazias, como eu me odiava todos os dias por tê-la traído, por ter sido tão egoísta. ''Eu te amo Rosa Diaz'', era tudo o que vinha a minha mente enquanto eu olhava a sua mão estendida, eu sempre te amei.
Sorri sem mostrar os dentes e apertei sua mão, nenhuma palavra foi trocada, ela apenas virou as costas e se afastou, essa cena é dolorosamente familiar. E de novo, eu não disse o que queria dizer, de novo, eu a deixei ir.







Autora: não fala comigo, eu tô sensível, link da playlist (spotify) nos comentários <3

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