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Eu a analisei de cima a baixo. Seus cabelos ruivos e sedosos. Seu pescoço a mostra, seu peito, infelizmente, sendo bloqueado por seus braços. Suas pernas, como eu gostava de apoiar as minhas nas suas, preguiçosamente. Voltei-me ao seu rosto, após a minha rápida análise.
Ela não parecia diferente de quinze anos atrás. Obviamente, havia envelhecido, por sinal, muito bem. Seu rosto estampava um sorrisinho de canto, o sarcástico sorriso de Gina Linetti, o mesmo que surgia em seus lábios após ganhar alguma aposta.
Eu queria socar sua cara. Seu sorriso já me dava náusea. Ela estava gostando demais da minha presença. Isso nunca era um bom sinal.

— Gina — finalmente disse. — E aí?

Ela segurou um riso.

— Suas habilidades sociais são tão boas quanto as do Comandante.

Expirei pela boca. Não sabia que estava prendendo a respiração, mas só o fato de imaginar Gina sendo minha líder me enloquecia. Ela não me julgaria pelo meu trabalho, apenas se prenderia ao nosso histórico, o qual sinceramente, não era dos melhores.

— Sou a número dois por aqui — ela me olhou, esperando alguma reação. Apenas dei de ombros, quando no fundo estava xingando em espanhol. — Eu sou assistente dele.

— Ele pode me ver?

— Hm. Tenho que confirmar na agenda. Holt é um homem bem ocupado, não tem tempo para pessoas novatas.

Eu revirei os olhos. Gina estava mostrando suas garras, eu já estava aguardando, nunca demora menos do que minutos.. Me segurei para não pegar uma das minhas facas.

— O líder do meu setor está disponível?

— Como vou saber? Eu não trabalho pra você.

Eu tentei ir ao meu lugar feliz. Eu estava em uma estrada vazia, apenas eu e minha moto. O vento batendo no meu cabelo. Tudo silencioso. Me senti um pouco melhor.

— Por favor. — forcei a voz, tentando soar simpática.

Gina sorriu. Amava me ver sobre seu poder, o que me irritava extremamente.

— Por favor o quê?

Respirei fundo. Moto. Estrada vazia. Apenas eu e ela. Estava mais calma, essa técnica realmente funcionava, será que eu deveria fazê-la ao invés de ameaçar os outros?

— Por favor, fale com o líder do meu setor.

— Qual o meu nome?

Ela se aproximou de forma intimidadora. Eu já havia ouvido ela falar nesse tom. Ela soava poderosa.

— Gina Linetti.

Me aproximei cruzando os braços. Ela não recuou, ao contrário, se aproximou mais. Pude sentir sua respiração quente.

— Boa garota.

Eu revirei os olhos. Quinze anos se passaram e Gina ainda utilizava os mesmos truques. Eu estava errada, agressão é melhor do que essa maldita técnica.

— Seu superior está na primeira sala a direita.

Agradeci engolindo a seco e me retirei. Ainda sentia seu olhar queimar a minha pele, mas não olhei para trás, não daria esse gostinho à ela. Segui a instrução de Gina e encontrei uma sala de vidro. Um homem negro musculoso falava estressado ao telefone.

— TERRY PEDIU IOGURTE DE MANGA.

Bati na porta interrompendo a chamada. Não parecia muito importante.

— Licença — forcei simpatia. — Você é o Terry?

— O próprio.

Ele voltou-se a chamada.

— Eu te ligo depois, fábrica estúpida.

Ele voltou o telefone ao gancho e me olhou.

— Como posso ajudá-la?

— É meu primeiro dia — cruzei os braços desinteressada. — Preciso saber qual é a minha mesa.

— Você é uma limpa ou suja?

Toda a minha carreira fui uma limpa, trabalhei com os engomadinhos para resolver crimes e sumir no radar. A resposta estava na ponta da minha língua. Foi aí que me lembrei de Gina. "Boa garota". Era uma frase recorrente dos sujos. Se eu me registrasse como uma limpa nessa base, eu seria humilhada por ela.
Olhei pro meu superior e com hesitação disse:

— Sou uma suja.

Ele franziu o cenho preocupado.

— Tem certeza? É perigoso.

— Eu sempre fui suja. Odeio seguir regras — coloquei minhas mãos em sua mesa. — Agora dá pra me mostrar a minha mesa?

Ele assentiu receoso. Terry me lembra uma figura paterna, alguém preocupado que só quer o bem dos seus filhos. Patético.

— Pedirei para Amy.

Revirei os olhos. De novo não. Ele fazia a ligação enquanto eu analisava seu escritório, simples. A única coisa fora do comum era um par de suspensórios – com fivelas douradas – na parede.

— Mandou me chamar?

A mulher parecia ofegante, como se tivesse corrido.

— Amy, mostre a Rosa sua mesa.

Ela me olhou.

— É um prazer, Terry. Vamos Rosa.

Ela me guiou de volta às mesas de escritório.

— Essa é a área dos limpos...

— Eu sou uma suja — apressei-me em dizer.

Ela me olhou com desprezo e apontou para o canto do local.

— Ali. Escolhe uma, eles não passam muito tempo aqui mesmo.

Caminhei até uma mesa qualquer e me sentei.

— Essa é minha mesa.

— Não — olhei para o homem. — Ela é minha.

— Eu estava aqui primeiro.

— Grande bosta.

Ele grunhiu de ódio e se afastou chutando tudo o que via pela frente.

— Parabéns — disse Jake segurando um café. — Voce irritou o Abutre.

Dei de ombros e comecei a ler a papelada.


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—Tiemi

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