♡ epílogo ♡
O primeiro ano das nossas vidas juntos foi, sem dúvidas, o ano mais lindo que eu já tive desde que nasci.
As risadas no meio do jantar, o cheiro do meu café da manhã preferido invadindo o quarto todas as sextas-feiras e, acima de tudo, a família que construímos, me fez perceber de novo como a vida é bonita.
Mal consigo acreditar que hoje faz um ano que Han Jisung e eu nos casamos.
E por falar nele, senti quando um vento passou em minhas costas, ele corria de um lado para o outro, tentando encontrar sua gravata preferida para ir ao trabalho. Eu estava sentada em minha mesa, o notebook aberto, terminando um projeto que Seeun e eu estamos desenvolvendo para a prefeitura da cidade.
— Jiwoonie, que horas são?! Tô atrasado? — ele gritou do outro cômodo, eu olhei as horas na tela em minha frente, soltando um riso nasal.
— Há dez minutos você já tava atrasado!
Escutei seu esperneio de longe, tinha o avisado que ficar até tarde assistindo um reality show de ex-namorados o faria acordar atrasado. Me levantei da escrivaninha, indo até o closet e encontrando a gravata rapidamente. O que seriam dos homens se as mulheres não existissem?
— Woah, então estava aí?! Obrigado, amor! Você é demais!
Eu sorri para ele, dando o nó em sua gravata antes de lançar uma piscadela em sua direção. Caminhei para fora do closet, sendo seguida pelo meu esposo até chegarmos na cozinha. Enquanto a cafeteira trabalhava para me fornecer uma xícara de capuccino, Jisung apalpava os bolsos, tentando se certificar de que havia pegado tudo.
— Sabe que não pode se atrasar só porque trabalha para o seu sogro, né?!
Ele reagiu com uma careta à minha provocação e eu ri. Jisung agora é diretor do departamento de segurança da Lux Like. Eu ainda me admiro com o quanto Jisung e meu pai se tornaram próximos trabalhando juntos.
— A chave do carro! — exclamou, correndo pela casa para encontrar o objeto. Eu apenas observei as suas ações.
Me encostei na bancada da cozinha, meu olhar agora estava fixo na grande porta de vidro em minha frente que dava para a varanda do apartamento. Os raios de sol amarelos entravam na sala por ela. Senti meu corpo se aquecer.
Eu simplesmente amo o nosso lar.
Um pouco antes do nosso casamento, recebi um documento das mãos de um advogado. Era a escritura desse lugar. Minha mãe o deixou para mim e, por algum motivo, quis que fosse entregue quando eu “saísse para voar com minhas próprias asas”. Pelo menos era o que estava escrito na carta que acompanhava o documento.
Jisung e eu o reformamos e o deixamos com a nossa cara. Para nossa família.
Do alto, eu conseguia ver os prédios ao redor, mas também tinha a visão de tirar o fôlego das nuvens e suas formas mais distintas, sem contar as tardes quando o pôr-do-sol vinha nos agraciar com o seu maravilhoso tom de rosa-alaranjado.
Despertei dos meus pensamentos quando Hyeongjun surgiu na cozinha. Já estava vestido com seu uniforme e com a mochila nas mãos, que ele colocou em uma cadeira para pegar um leite fermentado na geladeira.
— Bom dia, Hyeongjunie — cumprimentei, mas o garoto não respondeu nada. Continuou parado com a geladeira aberta, parecia hesitante — Algo interessante aí dentro?!
— Noona! — ele finalmente pareceu perceber a minha presença — Desculpa, eu não te vi aí…
Ele pegou mais um leite fermentado na prateleira e pareceu ponderar olhando as duas bebidas em sua mão. Baguncei o cabelo no topo de sua cabeça tentando chamar a sua atenção, agora eu já precisava erguer bem o braço ao fazer isso. Com quase catorze anos, Hyeongjun estava do meu tamanho. Na verdade, ele já estava dois centímetros mais alto, mas eu fingia que não, afinal, não queria aceitar que ele continuava crescendo tão rápido.
Estranhei o fato dele não ter reagido à minha brincadeira. Ele tem uma personalidade forte, dessas que não te deixam ser provocado sem provocar de volta, e isso tem causado cada vez mais “discussões” entre Jisung e ele; claro que não do tipo que eu devesse me preocupar, eles apenas tentam se irritar de um jeito tão engraçado que me faz rir todas as vezes.
— Aconteceu alguma coisa, Hyeongjunie?
— Ah, não é nada, noona — respondeu sem muita emoção, fechando a geladeira depois de devolver uma das bebidas para dentro.
— Você pode beber as duas, se quiser.
O garoto ficou em silêncio por alguns segundos, até criar coragem para dizer:
— Noona, posso te perguntar uma coisa?
— É claro.
— Como faço pra confessar que gosto de uma garota?
Eu quase cuspi o café que estava tomando. Não estava muito cedo para esse tipo de conversa acontecer? Pigarreei, tentando não demonstrar a minha surpresa, precisava fingir naturalidade, ele me considerava como uma irmã mais velha.
— Hum… vamos ver… — deixei minha xícara de lado, indo para perto dele — Você já gosta dela há um tempo? Ela é da sua turma? — ele concordou.
— É que é muito difícil pra mim chegar perto dela, sabe… a maioria dos garotos gosta dela, mas ninguém nunca conseguiu um sim, mesmo levando flores e presentes pra se declarar.
Cocei a cabeça, sem saber exatamente o que dizer. Hyeongjun tinha que se interessar logo pela garota mais popular da classe?
— Talvez ela já goste de alguém? — minha pergunta o fez suspirar alto, me corrigi imediatamente: — Não, não! Quer dizer, ela não deve ser do tipo que é comprada com flores e presentes. Talvez ela esteja procurando alguém que ofereça mais do que isso, entende?
— Você acha isso mesmo, noona? — confirmei com um “uhum” otimista.
Enquanto o garoto pensava no que eu tinha dito, Jisung apareceu, segurando a chave do carro. E é claro que ele não perderia a oportunidade de provocar o caçula.
— Então meu Hyeongjunie tá apaixonado?! Olha que eu consigo ouvir o seu coração daqui! Tum-tum tum-tum! Cuidado com esse coração, maninho, você não vai querer passar por outra cirurgia, certo?!
Já fazia mais de três anos que o garoto tinha sido operado, e ele estava tão bem que Han já era capaz de fazer brincadeiras com isso, como agora. Como já era de se esperar, Hyeongjun não gostou nada, ele bufou, pegando sua mochila na cadeira e se virando para sair. Segurei seu braço por um momento.
— Não ligue pro que ele diz — apontei com a cabeça para Jisung — Confie em mim, só seja sempre gentil com ela e na hora certa vai conseguir contar como se sente. Se ela for uma menina esperta, não vai perder um garoto lindo e inteligente como você.
Peguei uma bebida na geladeira e coloquei em sua mão. Em seguida, deixei um beijo em sua bochecha.
— Dê isso a ela, garotas sempre gostam de leite de morango.
Ele sorriu timidamente para mim, em seguida lançou um olhar de desprezo ao irmão, já indo em direção à porta:
— Te espero no carro. E não me faça me atrasar pra escola!
Jisung e eu trocamos olhares quando o garoto saiu e foi impossível não cairmos na gargalhada. Minha risada foi mais de alívio por ter conseguido aconselhar Hyeongjun sobre seu primeiro amor; tinha sido mais difícil do que eu esperava que seria. Han veio até mim, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e sorrindo:
— Prometo não fazer piadas da próxima vez — tratou de dizer, já sabendo que eu o repreenderia por isso — Obrigado por tudo.
— Não precisa agradecer. Só não se atrase pro nosso encontro hoje, ou vou ter que pedir o divórcio.
Ele riu da minha fala, assentindo com a cabeça.
— Eu nunca correria esse risco. Vou sair mais cedo do trabalho, você está pronta às sete?
— Hum… eu tenho um compromisso à tarde, então vou direto pro restaurante. Te encontro lá, pode ser?
— Fechado! — ele me deu um selinho de despedida — Deixa eu correr, senão Hyeongjun me mata! Até mais tarde, amor!
[...]
Depois de brincar de cama-de-gato uma porção de vezes com Yoona, me levantei do tapete colorido; o evento de agradecimento aos benfeitores do hospital estava prestes a começar e uma funcionária já tinha vindo atrás de mim por conta de minha demora.
Tenho feito doações à ala de pediatria todos os anos desde que Hyeongjun foi operado aqui, e pela primeira vez a direção do hospital me convidou para um evento de agradecimento. É claro que eu preferia ficar ali, brincando com Yoona e os outros, mas os pais de algumas crianças que receberam tratamento nesse período fizeram questão de que todos que ajudaram fossem convidados.
Caminhei pelo corredor do hospital em direção ao auditório. Dei uma olhada nas crianças em seus quartos enquanto passava por eles, era bom saber que todos estavam sendo tratados e que logo sairiam bem dali. Eu gostaria de brincar com todos eles assim que possível.
No auditório, me sentei em uma das cadeiras da plateia. Algumas crianças que tiveram alta no último ano vieram fazer uma apresentação fofa de canto para nós. Em fila, os benfeitores subiram um de cada vez no palco, recebendo lembranças feitas à mão pelos próprios pacientes. Não demorou muito para a minha vez chegar.
Meu coração transbordou de alegria ao ver como Sunoo cresceu; da última vez que o vi, ele estava totalmente debilitado e mal conseguia se levantar da cama, mas agora está forte e saudável novamente. Ele me lembrava Hyeongjun. Abracei o garoto, recebendo de presente uma pulseira feita por ele mesmo. Depois de posarmos para uma foto, caminhei para o canto do palco, descendo as escadas para voltar à plateia.
De repente, parei no último degrau; Jisung estava de pé, na porta de entrada, segurando um buquê cor-de-rosa. Minhas sobrancelhas se ergueram, e ele piscou algumas vezes, tentando assimilar a minha presença ali. Terminei de descer as escadas e fui até ele. Nós entramos no elevador e subimos em silêncio até o terraço do hospital. Eu não sabia bem por onde começar, não passou pela minha cabeça que Jisung pudesse vir aqui hoje, apesar de agora perceber que fui muito tola em não imaginar que ele poderia aparecer, já que seu irmão foi curado aqui.
Nos encostamos no muro de proteção do terraço, a visão dali da cidade era parecida com a vista da sacada do nosso apartamento. Nenhum de nós disse nada por alguns minutos, até ele finalmente começar:
— Foi você, não foi? Quem doou o dinheiro pra cirurgia do Hyeongjun.
Ele se virou para mim e eu engoli em seco, sua voz não demonstrava nada que me desse algum tipo de pista sobre o que ele estava sentindo. Eu escondi isso dele por três anos, então não sabia o que esperar de sua reação. Acenei positivamente com a cabeça, forçando minha voz a sair:
— Sim… fui eu.
Esperei sua resposta, mas Jisung continuou quieto. Um vento forte bagunçou os meus cabelos e passei a mão por eles, ajeitando no lugar. Os pelos do meu corpo se arrepiaram, não sabia se era pelo vento ou pela angústia vinda do silêncio do meu esposo.
— Jisung, eu-
Tentei explicar, mas fui interrompida por seu abraço súbito. Ele me abraçou tão forte e de repente que eu consegui entender o que ele estava sentindo só por aquele gesto. Retribuí o abraço, e logo senti suas lágrimas caírem por cima de meu ombro, seus soluços eram intensos e me fizeram chorar junto com ele. Acariciei suas costas até que ele se acalmasse, quando ficamos em silêncio novamente, Jisung me soltou.
— Se minha mãe estivesse aqui, ela diria que eu me casei com a mulher mais incrível e especial do mundo inteiro.
— E você concordaria com ela? — brinquei, secando seu rosto com os polegares.
— Claro, ela era muito sábia — ele repetiu meu gesto, secando minhas lágrimas também — Jiwoo… você também salvou a minha vida quando salvou a de Hyeongjun. Eu nunca vou ser capaz de te agradecer o suficiente por isso.
— Eu sou salva pelo amor de vocês todos os dias, Jisung. Você me deu um futuro tão lindo que eu nunca fui capaz de imaginar que teria nem nos meus melhores sonhos. Se eu não tivesse te conhecido, minha vida ainda seria aquela de quatro anos atrás, escura e sem cor. Sou feliz porque tenho você do meu lado, nossa família é tudo o que eu preciso pra sempre.
— Obrigado por tudo, minha Jiwoo. Tudo mesmo.
Dessa vez, sem mais lágrimas e com um sorriso lindo no rosto, ele me abraçou. Eu poderia ficar em seus braços pro resto dos meus dias e estaria feliz só por isso. Mas havia mais uma coisa que eu ainda precisava dizer.
— Eu ia te dar isso mais tarde, no nosso encontro, mas acho que não consigo mais esperar…
Peguei a pequena caixa em minha bolsa e o entreguei. Ele segurou o objeto em silêncio, tirando a tampa para ver o que havia dentro. Eu sorri o vendo tentar fazer com que suas palavras saíssem.
— Meu Deus, Jiwoo! Você… está…?!
Os sapatinhos brancos reluziram dentro da caixa.
Eu mal consegui responder quando Jisung me levantou, me girando em seu abraço. Seu sorriso era enorme e me iluminou quando ele me colocou de volta no chão.
— Nós vamos ter um bebê, amor!
Suas mãos seguraram o meu rosto delicadamente e eu sorri para ele com os olhos marejados. Era como se estivéssemos em um sonho. Ele juntou nossos lábios de um jeito apaixonado, sorrindo entre o beijo. Eu estava totalmente entregue.
Nos separamos para nos olharmos. Seus olhos ainda eram como a galáxia mais linda e brilhante para mim.
— Você me faz o homem mais feliz do mundo, Kim Jiwoo. Eu te amo demais!
— Eu também te amo, Han Jisung!
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