♡ 37 ♡
Um mês havia passado desde o dia que meu pai me defendeu na frente de Henry Green. Eu sabia disso pois aquele dia ficou marcado na minha alma. Mal me lembrava quando tinha sido a última vez que tinha me sentido amada por ele; sentir isso novamente foi estranho, mas não podia negar que no fundo me senti feliz, ainda mais porque eu não fui a única que ele defendeu naquele dia. Kim Taesoo também não permitiu que Henry falasse qualquer coisa sobre Jisung.
Um fio de esperança me atingiu pensando que meu pai poderia aceitar a minha relação com o guarda-costas. Não queria ser tão otimista sobre isso, porque ainda estava presa àquele contrato de casamento maldito, mas mesmo assim meu coração nutriu expectativas, a ponto de eu até mesmo rezar pedindo aos céus para que meu pai abençoasse o meu relacionamento com Han.
Entre uma dificuldade e outra, eu podia dizer que nesse momento tudo estava bem. Passei os olhos ao meu redor, estava sentada no banco de um parque enquanto esperava Gyuri. Marquei de encontrar a garota para comermos juntas, não a havia visto desde o dia na delegacia, e eu tinha uma promessa a cumprir com ela.
Eu olhava as crianças brincando no parquinho quando Gyuri surgiu em minha visão, acenando animada para mim. Acenei de volta, a vendo correr até o banco onde eu estava.
Me senti feliz ao ver que a garota estava bem, nós fomos a um restaurante próximo e paguei uma refeição para ela. Conversamos sobre como foram as coisas depois do sequestro, ela tem feito terapia e cursos de arte para não ter problemas de ansiedade. Passamos uma tarde agradável juntas e no final do dia cumpri a minha promessa.
— Unnie! — ela gritou eufórica — Tem uma mensagem do Seungmin aqui! E com o meu nome!!!
Não pude deixar de rir de sua animação. Ela era fofa.
— Falei que traria o álbum autografado pra você. Quando tiver um show que queira ir, me manda uma mensagem, posso conseguir ingressos.
— Unnie, você é a melhor! — ela falou, mas eu sabia que ela não estava prestando a menor atenção em mim — Olha isso, tem a assinatura de todos os membros!
Depois de alguns minutos me questionando sobre como consegui todos os autógrafos, Gyuri me agradeceu e se despediu de mim, a mãe da garota tinha vindo buscá-la no restaurante. Acenei um tchau da porta do estabelecimento, sorrindo ao ver como ela estava feliz. Quando as duas sumiram de minha visão, estava me preparando para voltar para a mansão, quando fui surpreendida por uma buzina. O veículo parou ao meu lado, e eu abri um sorriso assim que o vidro foi abaixado.
— Jisung! O que tá fazendo aqui?
— Vim te buscar — ele se abaixou para me olhar pela janela e destravou a porta, me chamando para entrar.
— Mas eu vim com meu carro, ele tá parado ali — apontei para o lugar, o rapaz balançou a cabeça, negando.
— Acho que você não vai precisar dele hoje — ele tinha um sorriso sapeca no rosto. O que mais eu poderia fazer? Apenas me rendi e entrei no carro.
— E por que você acha isso? — perguntei, já colocando o cinto.
— Porque hoje eu vou te levar pra sair.
É claro que eu estava explodindo de euforia por dentro, de repente me vi como uma adolescente, igualzinha a Gyuri quando ganhou o álbum autografado do seu grupo favorito. Mas também é claro que eu não iria demonstrar isso tão facilmente.
— Você vai?
— Uhum — respondeu — Quer dizer, se você também quiser…
— Eu posso pensar nisso — dei uma pausa dramática — se eu receber um convite formal.
Jisung sorriu pelo nariz, concordando com a cabeça enquanto murmurava um “é justo”. Ele parecia um pouco tímido, mas mesmo assim limpou a garganta e foi em frente:
— Kim Jiwoo, você aceita ir a um encontro comigo essa noite?
Senti meu rosto esquentar com a pergunta, mas não levei nem meio segundo para assentir.
— Eu adoraria.
[...]
Mais tarde, naquele mesmo dia, eu terminava de me arrumar para sair com Jisung. Ele chegaria em cinco minutos e eu estava desesperada porque acabei me atrasando depois de passar a última hora imaginando diálogos e detalhes de como eu pensava que seria o nosso encontro. Minha imaginação estava me levando longe demais. Eu já conseguia enxergar a minha vida inteira ao lado dele.
Escutei meu celular vibrar, era uma mensagem de Han dizendo que havia chegado. Coloquei meu salto de um jeito desajeitado e peguei minha bolsa antes de descer as escadas apressada. Me desequilibrei no último degrau, mas felizmente consegui me manter de pé, não era mesmo uma boa hora para cair.
Saí pelo jardim dos fundos, não queria que ninguém da mansão me visse saindo. Quando cheguei na rua, Han estava me esperando do lado de fora do carro; como um bom cavalheiro, ele abriu a porta do veículo para que eu entrasse e eu o agradeci. Meu corpo inteiro esquentou quando ele disse que eu estava linda.
Nossas conversas no caminho foram tão espontâneas que quando me dei conta já estávamos no restaurante. O lugar era o mesmo que vim jantar com Hyunjin uns meses antes. Aquele também foi o dia que senti meu coração bater de um jeito diferente por Jisung pela primeira vez. Nunca iria me esquecer da frase que ele me disse na saída do banheiro.
“Meu trabalho é cuidar de você. E eu sou muito bom no que faço, Srta. Kim”
— Você quer beber algo? — escutei a voz de Han, mas ela soou longe em minha cabeça — Jiwoo?
— O que?! — finalmente despertei do meu transe, tentando não demonstrar que eu estava no mundo da lua pensando em quando comecei a gostar dele.
— O garçom perguntou o que vai beber.
— Ah, s-sim — gaguejei, virando para o homem de pé — Um suco de laranja, por favor.
— Tem certeza? Você pode beber se quiser, eu dirijo — ofereceu, mas eu recusei. Queria estar sóbria hoje, não quero me esquecer de nenhum detalhe do nosso encontro.
Nós tivemos um jantar maravilhoso, era como se eu estivesse vivendo um sonho. Cada vez que Jisung sorria para mim entre um assunto e outro eu sentia meu coração querendo pular pra fora do peito. Tudo o que eu queria era que o tempo congelasse nesse momento para sempre.
— Tem algum motivo especial pra ter escolhido esse restaurante hoje? — perguntei. Talvez tenha sido um pouco atrevida, mas realmente queria saber.
— Hum… além de você gostar daqui? — ele ficou em silêncio por um momento, e pensei que tinha feito uma pergunta idiota, até ouvir o que ele disse logo após: — Foi aqui que vi seu rosto corar perto de mim pela primeira vez.
Eu não fui capaz de responder nada, murmurei um “hum” demorado e enfiei um pedaço de carne na boca; pelo menos mastigando não teria que dizer nada. Han Jisung simplesmente sabe como me deixar sem fala.
Ergui as sobrancelhas quando me dei conta que ele ainda estava esperando uma resposta minha sobre o que tinha dito. Tomei um gole de suco enquanto reunia a minha coragem, ele me encarava com um sorriso atrevido no rosto.
— Digamos que eu tenha me interessado um pouco por você naquele dia… — brinquei com o canudo no copo, levantando o olhar para ele em seguida — Mas foi tudo por água abaixo logo depois quando te pedi pra me chamar de Jiwoo e você continuou me chamando de senhorita Kim.
Jisung soltou uma gargalhada, e não entendi porque ele se levantou da cadeira, contornando a mesa para vir até mim. Ele estendeu a mão, me chamando para o acompanhar, e eu o segui sem pensar duas vezes. Assim que segurei a sua mão, ele disse:
— Acho que já passou da hora de eu esclarecer esse mal entendido. Vem comigo.
Nós saímos do restaurante por uma porta lateral que dava para um jardim rústico todo iluminado que eu não fazia ideia que existia ali. Han me guiou por um caminho de pedras que separava o estabelecimento de um espaço aberto com varais de luzes amarelas que nos levaram até um coreto no topo de um pequeno monte. Era extremamente lindo.
Meus olhos brilharam ao ver uma pequena mesa redonda no meio do coreto, com o meu cheesecake favorito e uma garrafa de champanhe em um balde de gelo. Levei minha mão à boca quando vi à minha direita balões dourados que nos felicitavam por nossos primeiros cem dias juntos.
— Sei que nunca fiz um pedido oficial, mas… — ele me entregou um buquê de flores enorme, tão grande que era até difícil segurar — Obrigado por esses cem dias junto comigo.
— Jisung… nossa — meus lábios não eram capazes de parar de sorrir — Que coisa mais linda! Como- quer dizer, quando você fez tudo isso?!
— Um mágico não revela os seus segredos — ele sorriu de lado, pegando as flores da minha mão e as colocando em cima da mesa — Você gostou?
— Se eu gostei?! — girei em meus pés, olhando novamente cada detalhe daquela surpresa — Eu amei tudo!
— Fico feliz em saber disso — Jisung acariciou o meu cabelo, me fazendo paralisar no lugar — Jiwoo, eu… te trouxe aqui porque quero te contar uma coisa.
De repente, tudo pareceu estar em câmera lenta ao nosso redor. Apenas balancei a cabeça assentindo, esperando ouvir as suas palavras ansiosamente. Ele deu mais um passo em minha direção, segurando minhas mãos e olhando diretamente para mim.
— Na noite que te encontrei na torre dos cadeados, eu disse que um dia te contaria o motivo por não ter te chamado pelo seu nome por tanto tempo — as mãos de Han estavam geladas, ou talvez fossem as minhas, estava tão nervosa que suava frio. Apesar disso, me mantive firme, encarando suas orbes negras — Eu pensei por muito tempo antes de te contar porque na verdade… eu estava hesitante. Não sobre os meus sentimentos por você, nunca, mas sobre o que isso poderia causar na sua vida. Me esforcei e tentei o máximo manter na minha cabeça que eu era apenas um guarda-costas, só mais um empregado que seu pai contratou no meio de tantos outros, mas-
— Jisung, você- — tentei interrompê-lo, mas ele não permitiu.
— Mas o que eu sentia era mais forte do que eu. Desde o dia que cheguei naquela mansão e te vi de pijama, com o cabelo todo bagunçado e o rosto emburrado vendo que seu pai tinha contratado um estranho pra te seguir pra cima e pra baixo, eu soube. Soube na hora que você daria muito trabalho pros meus pensamentos — ele riu pelo nariz, provavelmente se lembrando daquele dia. Minha memória também voou para lá por um momento — Você, filha de um dos homens mais ricos do país e noiva de um herdeiro americano; e eu, o guarda-costas que seu pai contratou pra te proteger. Eu não podia me dar o luxo de esquecer disso. Mas acontece que você não saía mais da minha cabeça, e não consegui te tirar dos meus pensamentos, mesmo que eu quisesse.
Uma rajada de vento repentina bagunçou o meu cabelo e Han soltou minha mão por um instante, colocando a mecha atrás de minha orelha. Eu podia sentir o cuidado em seu toque. Queria falar para ele que não me importava com o dinheiro do meu pai ou da família Green. Eu não me importava com nada, a não ser ele.
— Continuei te chamando de Srta. Kim por tanto tempo porque sabia que a partir do momento que eu te chamasse pelo seu nome, não teria mais volta. Porque sabia que depois que você virasse a Jiwoo, só Jiwoo, sem nenhuma outra barreira entre nós, eu não seria mais capaz de te deixar ir.
Senti meus olhos marejados. Não sabia que Jisung havia guardado sentimentos por mim por tanto tempo. E eu, que pensei tantas vezes em me declarar para ele e não tive coragem, estava recebendo a declaração de amor mais linda que eu poderia imaginar.
— Não me importo se seu pai está te obrigando a casar com outra pessoa ou quanto dinheiro eles têm. Naquele dia, quando chamei seu nome pela primeira vez, eu decidi. Não vou te deixar ir, Jiwoo. Nunca.
Eu estava tão feliz que nenhuma preocupação com contratos foi capaz de conter o meu sorriso. Tudo que fiz foi abraçá-lo com toda a minha força, estar em seus braços era a única coisa que eu sabia que queria para sempre.
— Eu posso abrir mão de tudo na minha vida, mas nunca vou abrir mão de você, Sung. Não importa o que aconteça, eu vou estar do seu lado.
Jisung selou nossos lábios, me olhando em seguida com o sorriso mais lindo que eu já havia o visto dar.
— Eu te amo, Jiwoo.
— Eu também te amo, Jisung.
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