♡ 34 ♡

A luz de fora através da porta escancarada mostrava que já estava quase amanhecendo, eu havia passado a noite nesse cativeiro. Mas, de repente, toda a dor e medo que sentia se foram. 

Porque Jisung estava ali. 

Ele correu até mim, e eu senti meu coração acelerar, dessa vez pelo melhor motivo de todos. 

— Jiwoo! Você tá bem?! 

Han se agachou em minha frente, passando seu braço pelo meu corpo para me ajudar a sentar. Ouvi-lo chamar o meu nome ainda era como estar escutando a melodia mais linda do mundo. Eu amava aquela voz. Balancei a cabeça, respondendo que estava bem, depois de ver que sua expressão desesperada não havia sumido ao me encontrar. 

— Me perdoa por ter demorado tanto! — enquanto falava, ele começou a me desamarrar, apressado demais para me livrar daquelas cordas.

— Ei, tá tudo bem — tentei tranquilizá-lo, a respiração de Jisung estava descompassada — Sei que veio o mais rápido que pôde. 

Quando terminou de me desamarrar, Han segurou o meu rosto entre suas mãos, me olhando com cuidado. Ele acariciou minha bochecha, e senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Do outro lado, percebi que Jisung se esforçava para segurar o choro, seus olhos estavam marejados. 

Ele me abraçou forte, e foi como se aquele abraço dissesse que agora eu estava segura, não importava o que acontecesse. Enquanto estivesse nos braços dele, sabia que estaria bem. Han nos separou para me olhar.

— Vou te tirar daqui, nem que seja a última coisa que eu faça na vida. 

A fala decidida dele me fez pensar. Nem que seja a última coisa que ele faça na vida? O que isso queria dizer? 

Só então reparei que ele estava com as mãos machucadas e a roupa manchada de sangue em alguns lugares. Ele tinha brigado com os bandidos pra chegar até aqui? Esse pensamento começou a atormentar a minha cabeça. Quando estava prestes a perguntar o que tinha acontecido, Gyuri me interrompeu:

— Essa foi a cena de dorama mais linda que eu já vi… mas seria bom se você pudesse me dar uma mãozinha aqui também!

Nem havia me dado conta de que ela ainda estava amarrada; a garota parou de esfregar a corda no chão, mostrando os punhos na direção de Jisung. Ele limpou a garganta de um jeito embaraçado, indo até a garota para ajudar. 

— Você tá indo bem com a corda, mas como vamos fazer pra soltar ele? — a garota apontou para Jin Dojun enquanto Han cortava com um canivete as cordas que envolviam suas mãos e pés. 

Tinha me esquecido completamente que, diferente de nós duas, Dojun estava preso por correntes. Ele permanecia desacordado desde o golpe que levou do homem que ouvi ser chamado de Alfa. 

— Há quanto tempo ele tá desmaiado? 

— Algumas horas. Bateram nele com aquele bastão — apontei para a barra de ferro jogada no chão. 

Jisung me ajudou a levantar, e caminhei junto com ele para perto do rapaz caído. 

— Isso não é nada bom — Han se agachou, pegando no pulso de Dojun e encostando o rosto em seu tórax — Os sinais vitais dele estão muito fracos. 

Franzi o rosto, preocupada. Não queria nem pensar na possibilidade de Jin Dojun não acordar mais. Comecei a procurar pelo galpão algum objeto que pudéssemos usar para quebrar aquela corrente. Tínhamos que tirá-lo dali, acordado ou não. Gyuri se juntou à mim, nós procuramos em todos os cantos, inclusive nas pilhas de tralhas, enquanto Jisung chutava o corrimão de metal onde as correntes estavam presas, tentando quebrá-lo. 

— Temos que sair daqui o mais rápido possível! Acharam algo? 

Han falou alto o suficiente para escutarmos do andar de cima, ainda não tínhamos encontrado nada que pudesse nos ajudar a libertar Dojun. Descemos as escadas de volta, Jisung continuava acertando o corrimão com o pé, com toda força que tinha, eu já podia ver o suor escorrendo em seu rosto. 

— Gyuri, você conhece bem o bairro, certo? 

— Como a palma da minha mão — a garota o respondeu — Por que? 

— Acha que consegue chegar no outro quarteirão sem ser vista por ninguém? 

— Ora, mas é claro! — exclamou sem nenhuma dúvida — Qual é a minha parte no plano? Porque eu quero muito encontrar aqueles malditos agora que tô solta. Principalmente aquele tal de Espremedor, o idiota me deu um tapa no rosto… eu não vou deixar isso barato, dou muito duro no meu skin care todo dia pra ele ousar fazer esse tipo de cois-

— Tudo bem, não vai ser necessário, Gyuri — Jisung a interrompeu, vendo que ela não terminaria seu desabafo tão cedo — Quero que vá até meu carro, pegue o celular que tá lá e ligue pra polícia vir o mais rápido possível. Depois trave as portas e fique lá dentro. Os vidros são fumê, ninguém vai te ver. Pode fazer isso? 

— Certo! Pode contar comigo. 

Han saiu do lado do corrimão que estava chutando antes apenas para dar a chave do carro à Gyuri. Antes que ela saísse, a abracei, pedindo que tomasse cuidado lá fora. 

— Não fique na rua nem volte pra loja de conveniência, eles podem te encontrar — Jisung a alertou uma última vez — Eu vou te buscar assim que tudo estiver resolvido aqui. 

Senti um cutucão em meu braço. 

— Quando eu for mais velha, quero ter um namorado igual o seu, unnie. Ele é muito legal — ela sussurrou, mas tive certeza que Jisung ouviu, caso contrário, não teria rido pelo nariz daquela forma tão convencida. 

A palavra namorado era um pouco forte, mas era fato que já existia algo entre nós dois, então dei corda ao assunto.

— Tenho que concordar com você — pisquei para a garota, que já estava pronta para sair do galpão — Fighting, Gyuri! 

Estava me sentindo confiante desde que Han chegou aqui. Sabia que daríamos um jeito de sair dali de uma forma ou de outra. Enquanto ele tentava acordar Jin Dojun, continuei procurando por algo que fosse capaz de quebrar aquela corrente. Alguns minutos depois, encontrei um machado meio cego, jogado debaixo de um armário velho. 

— Isso serve?

Jisung me olhou como se não acreditasse. Secou o suor do rosto com a manga da jaqueta depois de ter tentado de todos os jeitos quebrar aquele corrimão e, finalmente, sorriu. Sua expressão era uma mistura de felicidade e alívio. 

— Não acredito que encontrou — ele deu alguns passos até mim, me recebendo com aquele sorriso encantador — Você é perfeita! 

Num piscar de olhos, Jisung tirou o machado de minhas mãos e juntou nossos lábios. O beijo inesperado me fez esquecer que estávamos naquela situação terrível. Passei meus braços ao redor de seu pescoço, aproveitando cada instante daquele momento, até nos separarmos. 

— Já te deixei tempo demais nesse lugar horrível — com a mão livre, ele acariciou o meu rosto — Vamos sair daqui.

— É melhor mesmo… qual é, arranjem um quarto vocês dois! 

O resmungo de Dojun capturou a nossa atenção. Jisung riu debochado da fala do outro, mas eu só conseguia me sentir aliviada por ele ter acordado. Depois de tudo isso, não me perdoaria se algo ruim acontecesse ao Jin. 

— Tapem os ouvidos, o barulho vai ser alto. 

O aviso foi muito útil, mas nem mesmo isso fez com que o som das pancadas do machado nas correntes fosse anulado. Depois de algumas tentativas, a corrente estava prestes a estourar, mas é óbvio que sair daqui não seria tão fácil assim. 

Gritei quando três homens surgiram pelo buraco da porta, obviamente, os outros capangas que não estavam aqui antes. Eles eram ainda mais ameaçadores. Sem pensar duas vezes, Jisung largou o machado ao lado de Dojun, entrando em minha frente para uma luta corporal com todos os três de uma só vez.

O som dos socos e suspiros vindos de todos os lados me fez tremer de medo, mas Han estava se sacrificando por mim, então eu também precisava fazer a minha parte. Respirei fundo e peguei o machado, batendo com toda minha força na corrente; quando consegui quebrar a que prendia seus braços, Jin Dojun se levantou, ainda cambaleando, e pegou o objeto de minhas mãos, acertando a corrente que prendia seus pés. 

Prendi a respiração sem perceber quando vi Jisung segurar um dos homens em uma chave de braço e chutar outro que se aproximou para atacá-lo. Não era uma luta justa. 

— Atrás de você! — gritei, quando o terceiro preparou um soco fora da visão de Han.

Ele soltou o bandido da chave de braço com meu aviso, o jogando em cima do comparsa. Com certeza essa não era a hora certa para isso, mas não consegui deixar de pensar que Jisung era incrível lutando. 

Escutei o grito alto de Dojun quando ele finalmente conseguiu se soltar, correndo direto para o meio da luta com as correntes nas mãos. Ele enforcou um dos homens e o puxou para trás, dando a Han a chance de uma luta dois contra um.

— Jiwoo, corre! Foge daqui! 

Jisung me olhou por um instante, tirando o foco dos bandidos. O maior deles aproveitou a brecha e deu um soco que pegou em cheio o rosto de Han, o fazendo cambalear para trás. Senti meu corpo inteiro gelar. O primeiro soco foi seguido de outro, dessa vez na barriga, e Jisung bateu contra parede atrás dele, gemendo com a dor. O calor de uma fúria tão grande subiu em mim que não consegui me impedir.

Eu simplesmente não veria ninguém fazer isso com Jisung em minha frente e ficaria de braços cruzados.

Com a mente em branco, sem pensar em mais nada, peguei o machado no chão e corri na direção do homem. O atingi com tanta força que o objeto ficou fincado em suas costas. Minha boca se abriu em choque, e caminhei para trás, tamanho era o meu medo daquele homem se virar de volta em minha direção. Mas, na contagem de três segundos que pareceram infinitos, ele tombou para o lado; o “bum” do impacto fez todos no galpão olharem a cena. 

— Você tá acabada, vagabunda! 

O comparsa que ainda estava de pé pegou a barra de ferro no chão e veio com toda ferocidade em minha direção; continuei andando de costas, assustada demais para fazer qualquer outra coisa. 

Caí no chão e fechei os olhos com força quando vi o golpe vindo diretamente em minha cabeça, mas o impacto nunca chegou. 

— Encosta um dedo nela que eu te mato! 

No chão, a pouquíssimos centímetros de mim, Jisung já estava em cima do homem, socando seu rosto repetidamente, como se despejasse todo o seu ódio a cada golpe. 

O barulho das sirenes da polícia finalmente soou. Mesmo assim, Han não parou de bater no bandido. Percebi que ele já estava desacordado, mas Jisung estava fora de si, desferindo socos sem parar no homem enquanto gritava de ira. 

— Jisung!

Chamei seu nome, me arrastando para chegar até ele. Então o abracei, fazendo-o parar os golpes. 

— Tá tudo bem, agora tá tudo bem — continuei repetindo baixo, até sua respiração descompassada se acalmar lentamente — Você tá aqui comigo, tá tudo bem. Isso acabou. 

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