♡ 30 ♡
Algum tempo depois, a vida de Jisung e seu irmão havia finalmente voltado ao normal. A recuperação do garoto estava concluída e ele voltou para a escola completamente saudável. Ainda não tinha cumprido a minha promessa de levá-lo ao Lotte World, isso era totalmente por minha culpa, estava atolada com os projetos e provas da faculdade. Mas Kim Jiwoo não costuma descumprir promessas, vou me planejar para levar Hyeongjun ao parque de diversões o mais rápido possível.
De resto, minha vida continuava igual. Eu me sentia extremamente feliz em estar perto de Han diariamente, mas as questões com Kim Taesoo na minha vida ainda me atormentavam muitas vezes. Como eu imaginava, Henry não teve coragem de mostrar as fotos de Jisung e eu ao meu pai, se casar comigo deve ser realmente muito importante para ele a ponto de ter ficado com medo da minha ameaça. Bom, pelo menos nas últimas semanas não tive que ver a cara daquele crápula na minha frente.
— Vai passar o resto do dia aqui, certo? — Jisung perguntou. Agora, ele ficava comigo dentro da sala de projetos da faculdade quando não havia outros alunos por perto.
— Uhum, por que?
— Tem algo que preciso checar. Volto antes do seu horário de saída pra te levar na mansão, pode me esperar aqui?
— É sobre o Jin Dojun? Você achou ele? — não dei nem chance para ele responder — Eu vou com você, pode ser perigoso!
Ele riu soprado, provavelmente já imaginava que eu iria querer ir junto, mas fiquei feliz em saber que ele foi sincero sobre o que estava indo fazer.
— Tudo bem, é só uma suspeita — passou a mão em meu cabelo, colocando uma mecha atrás da orelha — Só vou dar uma olhada nas redondezas e ver se meu palpite tá certo. Não vou me meter em confusão, prometo.
— Mesmo? — vi sua cabeça balançar, concordando. Olhei de volta para o desenho da planta que estava fazendo, precisava terminar tudo ainda hoje, então assenti — Tudo bem, mas você também tem que prometer que vai me ligar se qualquer coisa acontecer. Qualquer coisa mesmo!
Jisung segurou meu dedo indicador que eu estava apontando para ele e sorriu.
— Eu prometo. Mas só se me prometer que não vai sair daqui sozinha, tudo bem?
— Certo, eu te espero aqui — concordei novamente, dando um beijo em sua bochecha antes que saísse — Toma cuidado.
Depois que Jisung saiu, eu até tentei me concentrar no projeto em minha frente, mas foi bem difícil, passei a tarde inteira fazendo e apagando rabiscos que quase estragaram a grande folha onde estava desenvolvendo a planta de uma escola acessível. Amassei e comecei do zero, se entregasse da forma que estava, com certeza não tiraria o dez que meu querido pai tanto espera de mim.
As horas passaram lentamente e o sol já estava se pondo quando avistei Han na porta. Me levantei rápido, derrubando alguns lápis que estavam em minha mesa de desenho. O encarei ansiosa.
— E então?! Achou ele?
Jisung apenas balançou a cabeça afirmando. Seu rosto não tinha nenhuma animação.
— Precisamos conversar, Jiwoo.
Nós saímos dali e fomos direto para o apartamento de Han. Depois daquela situação de ter sido vigiada por um funcionário da mansão, eu não confiava mais em falar sobre esse tipo de assunto lá. Me sentei no sofá da sala de Jisung, ele foi ao quarto por um minuto, mas voltou logo em seguida.
— Tudo bem, podemos falar aqui. Hyeongjun tá jogando no computador, a chance dele ouvir qualquer coisa é totalmente nula com aqueles fones gigantes.
Eu estava um pouco apreensiva e queria saber logo o que tinha acontecido, portanto pulei direto ao assunto:
— E então, o que você descobriu?!
Jisung sentou ao meu lado no sofá, apoiando os cotovelos nas pernas. Me ajeitei, como se isso fosse me fazer ouvir melhor o que ele estava prestes a dizer.
— Acho que Jin Dojun foi sequestrado.
Aquilo tinha sido mais direto do que eu esperava. As palavras me atingiram de uma vez só e eu me senti meio desnorteada com a informação. Nunca poderia imaginar tal coisa.
— O que? Como assim sequestrado? — meu rosto se franziu completamente.
— Você sabe que tenho tentado rastrear o Dojun há um tempo… eu refiz os passos dele e todos os caminhos me levaram pro mesmo lugar — continuei ouvindo atentamente — É um galpão afastado da cidade, quando cheguei lá, fiquei vigiando por algumas horas, vi uns homens suspeitos saindo lá de dentro.
— Mas quem iria sequestrar e-? — parei de falar assim que comecei a pergunta.
Dojun não era rico nem tinha nada que pudesse chamar atenção de bandidos, mas ele tinha feito algo pior. Ele irritou alguém que dificilmente deixa esse tipo de provocação barato.
— Meu pai… — minha voz saiu quase inaudível. Não queria acreditar que ele realmente tivesse chegado a esse ponto.
— Não dá pra ter certeza, mas acho que precisamos encarar isso como uma possibilidade.
Eu ainda estava tão perturbada que não consegui dizer nada. Jisung esticou a mão em minha direção, com a palma virada para cima e eu a segurei. Esse simples gesto me fez sentir protegida e consolada ao mesmo tempo.
— Posso te pedir uma coisa? — minha pergunta o fez me encarar. Murmurou um “uhum” em resposta — Não faça mais nada. Com certeza aqueles homens são perigosos e eu… não quero que nada de ruim aconteça com você.
— Sei que se preocupa, Jiwoo, mas, se ele estiver mesmo preso naquele lugar, não podemos deixá-lo, Dojun precisa da nossa ajuda.
— Eu sei, e nós vamos ajudar — me ergui do sofá, tinha algo em mente — Só me deixa descobrir primeiro se meu pai tá mesmo por trás disso. Se eu não progredir em nada, vamos notificar a polícia sobre o desaparecimento.
[...]
Como minha mente não me permitia parar de pensar sobre Jin Dojun, a primeira coisa que fiz ao sair da casa de Jisung foi tentar descobrir algo sobre o possível envolvimento do meu pai nisso. Pensei em olhar o escritório na mansão, mas agora que sabia que estava sendo vigiada por funcionários, não podia me dar esse luxo. Quebrei a cabeça, pensando em como descobriria o que precisava, mas nada surgiu em minha mente. Não conseguiria vasculhar a sala do meu pai na empresa nem nada na mansão.
Talvez eu devesse seguir o secretário Cho, afinal, ele sabe e participa de tudo que Kim Taesoo faz. Isso levaria algum tempo, mas talvez eu conseguisse descobrir algo.
E foi isso que eu fiz.
Passei os dias seguintes vigiando meu pai e o secretário Cho, sempre que tinha uma brecha entre uma aula e outra. Algumas vezes, Jisung ia comigo, outras, eu procurava por documentos e provas sozinha. Depois de semanas, tudo que conseguimos deduzir foi que nenhum dos dois estava envolvido com o sumiço de Dojun.
Isso era realmente estranho, mas eu não iria desistir. Quem mais teria motivos para fazer mal a Jin Dojun senão meu pai?
Pensei por um momento em fazer uma denúncia à polícia, mas se Kim Taesoo estiver realmente envolvido nisso, vou fazê-lo pagar caro antes de denunciá-lo. Infelizmente, ver meu pai atrás das grades pelos crimes que já cometeu é algo em que não tenho mais muita esperança. Já o vi se safar de muita coisa por sua relevância e poder.
Me sentia tonta e enjoada em pensar que Dojun podia estar passando fome ou sendo torturado dentro daquele galpão por tanto tempo. Tinha que fazer algo.
Peguei meu celular e liguei para Han.
— Jisung? Desculpe ligar tão tarde, te acordei?
Já eram quase duas da manhã, eu notei a voz de sono do rapaz, mas ele negou mesmo assim.
— Não se preocupa, eu tava acordado — fingi acreditar, sua voz soou preocupada em seguida: — Mas tá tudo bem, Jiwoo? Aconteceu alguma coisa?
— Você pode sair agora? Eu queria que me levasse até o galpão que você tinha falado. Pode vir comigo?
— Jiwoo, eu… não acho que seja uma boa ideia ir até lá. Como eu disse, uns homens estranhos estavam vigiando tudo, pode ser perigoso.
— Eu sei disso, mas minha mente não vai me deixar dormir enquanto não for até lá e ver com meus próprios olhos — suspirei, rolando na cama — E acho que podemos descobrir algo se formos lá, quem sabe aqueles homens não saíram pra dormir ou cometer outro tipo de crime?
— Eu queria saber que tipo de série você anda assistindo, Jiwoo — escutei o sopro de sua risada — Mas tudo bem, você tem razão em uma coisa, geralmente bandidos se revezam nesses horários, não devem estar todos lá, eram uns cinco da outra vez.
— Isso quer dizer que você vai?! — sentei depressa na cama, animada.
— Acho que posso deixar Hyeongjun dormindo sozinho por algumas horas — falou baixo, talvez estivesse espiando para ver se o garoto estava dormindo mesmo — Chego na mansão em quinze minutos.
— Tudo bem, mas vou sair pelos fundos, não quero chamar atenção do porteiro — comuniquei — te espero lá!
Levantei rapidamente para me trocar, coloquei um conjunto preto de moletom e peguei minha mochila. Dentro dela, coloquei alguns objetos de defesa pessoal que comprei um tempo atrás, com medo de novos ataques. Saí na ponta dos pés para não ser notada por ninguém que pudesse, por acaso, estar de pé na mansão e saí pelo jardim dos fundos.
Não sei como Jisung chegou tão rápido, mas seu carro já estava parado um pouco à frente na rua de trás da casa. Andei depressa até lá, entrando no lado do passageiro.
— Uou! — ele deu um pulo assustado no banco, colocando a mão sobre o peito — Pensei que fosse um bandido!
Grudado em sua fala, Han soltou uma gargalhada como se tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Eu apenas ri soprado, afastando para trás da cabeça a touca do moletom e tirando a máscara preta que tinha colocado no rosto.
— Eu vou te perdoar dessa vez por fazer piada do meu traje anti-reconhecimento — passei o cinto e ajeitei a mochila no colo — Mas só porque temos algo mais importante pra fazer agora.
— Sim, temos que assaltar um banco — mais uma vez, ele riu abertamente zombando de minhas roupas.
Eu não aguentei, sua risada iluminada me fez rir junto. Mesmo em momentos como esse, ele ainda consegue me fazer sorrir. E eu sou extremamente grata por isso.
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