♡ 29 ♡
Eu mal podia acreditar que finalmente tinha ouvido Jisung me chamar pelo nome; mesmo hoje, dias depois do nosso beijo, eu simplesmente não consigo me controlar quando esse pensamento volta à minha mente. E olha que não foram poucas vezes que isso aconteceu.
Na mansão, nós dois temos mantido as coisas como eram antes, ele me chama de Srta. Kim e fingimos ter uma relação apenas profissional, mas quando saímos do campo de visão dos outros… bom… nós realmente somos como um casal apaixonado.
Estava voltando para a faculdade acompanhada por Han depois de termos ido ver Hyeongjun na hora do almoço. Agora que ele estava de volta em casa, as coisas pareciam muito mais leves para Jisung, seu irmão estava praticamente cem por cento recuperado. A avó deles ainda estava no apartamento para cuidar do garoto, mas logo voltaria para o interior e a rotina dos dois se tornaria normal novamente.
Parei em frente à porta da minha sala na faculdade para me despedir do guarda-costas antes de entrar. Pra ser sincera, eu não queria nada deixá-lo, mesmo que só por algumas horas de aula.
— Você devia entrar, vai se atrasar — falou.
— Eu sei, já vou — concordei, mas meu corpo agiu ao contrário, segurando seu dedo indicador.
— Você tá me segurando, Jiwoo — seu sorriso iluminou ainda mais o meu dia — Se não me soltar, não tem como ir pra aula.
— Essa é a intenção — ele gargalhou da minha fala, passando a mão em minha cabeça como se eu fosse um filhote.
— Também não queria que fosse. Você pode não saber, mas esse aqui é o melhor emprego do mundo!
Dessa vez, eu quem ri da forma fofa que ele falou. Jisung é perfeito em tudo.
— Então, devo ficar? — balancei nossas mãos de um lado para o outro.
— Deve — ele espiou pela abertura acrílica da porta — Mas seu professor já tá passando a lista de presença. Tem certeza disso?
— O que?! — exclamei, incrédula, já tinha perdido uma parte da aula — Pensando bem, você pode aguentar umas horinhas sem mim, eu tenho que entrar!
[...]
Mais tarde, naquele mesmo dia, saí para encontrar Hyunjin. Uns dias antes, tinha entregado a ele uma cópia do contrato de casamento que assinei para que ele levasse a um amigo advogado que tentaria achar uma brecha para que eu pudesse escapar de alguma forma.
Han me deixou no prédio comercial onde meu primo trabalhava e seguiu para sua casa, tive que insistir muito para que ele tirasse a noite de folga. Entrei no elevador vazio e fui até o décimo segundo andar, Hyunjin me recebeu na porta de seu escritório e não consegui decifrar pela sua expressão se teria boas ou más notícias me esperando.
— Senta, vou pegar algo pra bebermos — apenas concordei, fazendo o que ele disse — E aí, como estão as coisas?
Ainda não tinha contado nada a ele sobre Jisung e eu, tentei segurar o sorriso ao responder:
— Tudo bem, nada de especial acontecendo, você sabe — céus, Jiwoo, você é uma péssima mentirosa.
— Certeza? — ele ergueu uma das sobrancelhas, me entregando uma xícara de chá — Não sei, parece suspeito.
Fiquei em silêncio, levando o chá à boca, não consigo nem mesmo manter minha expressão neutra.
— Vai, eu te conheço, então desembucha logo — ele riu pelo nariz, se sentando à minha frente — O que aconteceu?
— Eu vim saber sobre o contrato, a gente pode falar sobre isso depois.
— Nada disso — balançou a cabeça negando várias vezes — Você vai me contar agora!
Não sabia bem como contar isso a ele, desviei o olhar para um objeto qualquer ao lado da poltrona, mas era difícil segurar o sorriso só de pensar em Jisung.
— Você tá saindo com alguém! — ele apontou para mim com uma mão e levou a outra à boca, surpreso — Fala a verdade, é isso, não é?!
Eu ri de sua expressão, deixando minha xícara de lado. Ele continuou me analisando, esperando uma resposta. Respirei fundo, minha risada se transformou em um sorriso ao dizer:
— É o Han. Nós nos beijamos — as sobrancelhas de Hyunjin se ergueram. Eu continuei: — Não é nada oficial ainda, mas nós estamos saindo juntos e… eu realmente gosto muito dele. Acho que nunca gostei de ninguém assim.
Eu ainda sorria depois de contá-lo, quando, de repente, toda a descontração sumiu do rosto do Hwang. O encarei confusa, sem entender porque sua expressão se fechou.
— O que foi, Hyun? Por que tá me olhando assim? — a ansiedade pela resposta fez meu coração palpitar mais forte.
Ele permaneceu em silêncio, em sua expressão eu podia ver claramente que ele tinha uma notícia ruim para me dar, mas não sabia como. A agonia de ficar esperando fez eu me exaltar.
— Hyun, fala logo! O que foi? — ele passou as mãos no rosto, soltando um suspiro.
— Não tem brechas no contrato, Jiwoo. Se você não casar com o Henry, vai ter que ir embora da Coreia.
— Como assim não tem brecha? — o encarei sem entender — Quer dizer que não tem como eu me livrar disso?
— Sim… — ele subiu os óculos no nariz, pegando o contrato que estava na mesa ao lado e o folheou — Changbin me disse que você pediu um contrato muito bem amarrado, senão o tio Taesoo não assinaria. Bom, parece que ele levou muito a sério.
Estendi a mão para que ele me entregasse os papéis. Mesmo que eu quisesse, não entendia metade das palavras que estavam escritas ali, era muitos termos específicos e eu com certeza devia ter analisado melhor antes de me meter nisso. A única cláusula que me favorecia era a que dizia que eu estaria livre do contrato caso o Green atentasse contra a minha saúde física. Mas é óbvio que isso nunca vai acontecer. Henry não joga com violência física, ele sabe como conseguir o que quer enquanto te encara com um sorriso falso no rosto.
Mas, naquela época, estava tão desesperada pelo dinheiro para pagar a cirurgia de Hyeongjun que não pensei em mais nada.
— AISH! — gritei, não porque estava arrependida, nunca me arrependeria por ter ajudado Han e o irmão. Eu só precisava desabafar — Então é isso? Ou eu caso com aquele palerma ou tenho que ir pros Estados Unidos e nunca mais voltar?
Hyunjin me olhou com pena. Acho que foi por isso que sua expressão se fechou quando contei animada sobre Jisung e eu. Ele sabia que, de qualquer jeito, nós nos separaríamos. Não havia saída.
— Não vai ser pra sempre — notei que ele se esforçou para parecer otimista — Você pode voltar depois de concluir a expansão da Lux Like na América. Não é tão ruim, você até pode levar Han com você, vai ser como uma lua de mel.
Larguei os papéis de volta na mesa e me debrucei sobre os cotovelos. Hwang Hyunjin não sabia nada sobre Jisung. Como eu poderia pedir a alguém que cria o irmão menor sozinho para se mudar comigo pro outro lado do mundo? A vida deles é aqui. E a minha também.
— Você sabe que não vai ser fácil assim. Por que acha que meu pai quis colocar justo essa cláusula no contrato? Eu só posso voltar quando a filial americana atingir um lucro maior que a coreana. Isso é impossível de se fazer, e ele sabe disso. Sabe que vou ficar lá pra sempre trabalhando para ele. Ele vai me tirar de perto de tudo que eu amo.
Senti as lágrimas se acumularem no canto dos meus olhos, elas caíram pesadas direto no chão do escritório. Kim Taesoo sempre foi cruel, mas isso simplesmente me destruiu por dentro. Ele sabia que eu não me importava com dinheiro nem com bens materiais, por isso nunca ameaçou tirar a minha herança ou me mandou sair de sua casa. Mas ele sabia melhor do que ninguém que tudo que era importante para mim estava aqui, na Coreia. As lembranças de minha mãe, os lugares que fomos juntas, a faculdade onde ela estudou, meus avós, amigos e… agora Jisung.
Ele vai tirar tudo isso de mim se eu não fizer o que ele quer.
— Eu sinto muito, Jiwoo… — Hyunjin veio até mim, se agachando ao lado da poltrona para me consolar — Queria poder fazer algo pra te tirar disso tudo.
Continuei chorando por longos minutos, meu primo acariciava minhas costas enquanto eu tentava me acalmar. Antes eu me perguntava se um dia seria feliz em paz, mas agora, a parte da felicidade não tinha mais espaço para questionamentos na minha mente. Eu era feliz apenas por saber que Jisung estava ao meu lado.
Já a parte da paz…
Eu realmente não conseguia ver uma luz no fim do túnel nisso.
Levantei a cabeça, Hyunjin me deu lenços para secar o rosto. Eu estava decidida a não contar nada sobre isso para Han, não agora que as coisas estavam voltando ao normal em sua casa e seu irmão finalmente estava bem. Eu queria fazê-lo ainda mais feliz.
Senti uma onda repentina de coragem me atingir. Levantei da poltrona, respirando fundo antes de falar com firmeza:
— Tudo bem, Hyun, eu não vou desistir — sequei os olhos uma última vez — Kim Taesoo não vai ganhar dessa vez. É a minha vez de conseguir o que quero.
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