♡ 28 ♡

— Vamos, Jiwoo, melhore um pouco essa cara, eu te trouxe no lugar mais legal de Seul — Henry falou, tomando um gole do whisky que provavelmente custava o preço de um carro. Eu apenas revirei os olhos mentalmente. 

O quarto de hotel para onde o Green tinha me “arrastado” ficava na cobertura do hotel mais luxuoso de Gangnam. Pelas paredes de vidro, era possível ver a piscina privativa do quarto e os grandes prédios da cidade. O sol não podia nem ser visto, estava coberto por grandes nuvens escuras. Henry apertou o botão no controle, fechando as persianas para bloquear a minha visão. 

— Pode olhar um pouco pra mim, por favor? Veja, eu pedi tudo isso pra você! 

Apontou para a mesa de centro redonda que nos separava. Estava repleta de comidas chiques que ele havia pedido ao serviço de quarto. Nada ali me dava qualquer apetite. 

— Quanto tempo tenho que ficar aqui? — quebrei meu silêncio. Minha pergunta o incomodou.

— Não me diga que já quer ir embora? Nós mal começamos. 

— Pra começo de conversa eu nem mesmo queria ter vindo.

— Olha só… — ele soltou um riso nasal, deixando de lado o copo de whisky para me encarar diretamente — Nem parece a mesma pessoa que a uma hora atrás estava tremendo de medo de ser descoberta pelo papai.

— Você realmente mostraria essas fotos pra ele? — perguntei. Ele cruzou as pernas, me analisando.

Sei que podia parecer idiota uma pergunta como essa, mas no fundo eu ainda queria acreditar que o Green não era um completo babaca. Ou ele mentiu muito bem no início, ou dentro dele ainda existe aquele cara gente boa que conheci. Um que queria me ajudar, não me destruir.

Por um instante, o vi hesitar para responder. Ele abriu e fechou a boca antes de falar:

— Isso depende de você — sua voz soou leve, mas eu senti um arrepio — Se continuar com esse namorinho ridículo, eu vou ser obrigado a ter uma conversa com meu futuro sogro. 

Pensei em negar mais uma vez e dizer que não existe nada entre Han e eu, mas sabia que isso não faria diferença alguma para ele. Por fora eu me esforçava para parecer forte, mas dentro de mim, eu sentia medo. Era uma mistura de medo, raiva e impotência. Mesmo assim, juntei toda coragem que tinha e me levantei da poltrona, o fuzilando com o olhar.

— Eu não devo satisfação nenhuma da minha vida pra você. 

Mais uma vez, ele riu. 

— Isso é verdade. Mas acho que vai ter que dar satisfações ao seu pai logo logo.

Eu estava prestes a dar o fora dali, sem me importar se ele mostraria aquelas fotos a quem quer que fosse, mas antes precisava perguntar:

— Sério, Henry, por que tá fazendo tudo isso? Você não era assim! — eu me surpreendi quando ele se levantou, ficando mais perto de mim.

— Porque eu realmente gostava de você, Jiwoo! — eu pude sentir o desespero em sua voz — Sabe como é ver a pessoa que você gosta com outro?! Fiz tudo que podia pra ser bom pra você, mas você nunca me deu uma única chance sequer! 

— E porque você não conseguiu o que queria, resolveu ser um babaca? 

— Cuidado com o que fala, Jiwoo.

Ele me encarou com um olhar matador. Eu já estava tão exausta de tudo isso que não me importava mais com muita coisa. Por algum motivo, o medo que eu sentia antes se tornou um surto de coragem repentina. Se ele queria contar ao meu pai sobre o Han, que fosse em frente, mas é bom que esteja ciente que eu não vou deixar isso barato. Estava com tanta raiva que peguei a primeira coisa que vi em minha frente e atirei em sua direção. Sua roupa ficou completamente manchada pela lagosta que joguei. 

— Então vai, Henry! Conta tudo que quiser! Mas se fizer isso, pode esquecer a droga desse casamento! Eu me mato, mas não caso com você!

[...]

Depois de deixar Henry sozinho no hotel de luxo, eu saí sem rumo pelas ruas de Gangnam. A tarde estava terminando e a noite já dava as caras enquanto eu caminhava pelas calçadas cheias de vida do bairro. Enquanto meus pensamentos iam e voltavam sobre o que tinha acabado de acontecer, meu sentimento de raiva foi se acalmando. Também, depois de colocar pra fora tudo que queria dizer para o Green, meu peito se aliviou completamente. Eu imagino que ele vá pensar duas vezes em contar o que quer que seja ao meu pai depois do que eu disse. 

A brisa que soprou em meu rosto me fez arrepiar levemente. Eu andei, com os braços cruzados, até me dar conta de que eu não queria estar ali, rodeada por todas aquelas pessoas desconhecidas. Eu queria estar com Jisung. 

Entrei num táxi e mandei uma mensagem ao guarda-costas em seguida, pedindo que me encontrasse no endereço que enviei. Não demorou nem um segundo para ele visualizar e responder que estava indo.

Desci do carro na grande torre dos cadeados de Seul. Eu não queria voltar a ver montes de pessoas, então subi pelo chão ladrilhado uma montanha lateral, que não era tão alta quanto a torre, mas tinha uma vista incrível tanto quanto. O lugar estava praticamente vazio. Cheguei até o mirante, me apoiando na proteção que formava um pequeno muro de pedras bem desenhado. As luzes dos prédios se destacavam na noite já escura, aquela imensidão à minha frente era uma visão de tirar o fôlego.

Han ainda não havia chegado, mas tudo que eu conseguia pensar era no que falaria quando o visse. Com certeza ele perguntaria por que o chamei aqui. Ainda não estava pronta para confessar o que sinto, eu só… queria vê-lo. 

— Oi — ele falou; meu coração acelerou apenas por sua chegada — Demorei? 

— O que?! Não, imagina! — me virei para ele, gesticulando de um jeito desengonçado para negar — Eu acabei de chegar. 

Nós nos encaramos por alguns segundos. Jisung caminhou em minha direção, parando ao meu lado para olhar a vista do alto. 

— Uau — foi tudo que saiu de sua boca. 

— Muito lindo, né? — ele concordou, sorrindo. O elogio valia mais para o sorriso dele do que para a vista em nossa frente — Desculpe por ter saído sem avisar, eu… saí às pressas com o Henry.

— Tudo bem — respirou fundo, soltando um suspiro — Eu fiquei de prontidão na mansão. Sabe que se algo acontecesse, eu iria atrás da senhorita até o fim do mundo. 

Senti meu rosto esquentar com sua fala. Mesmo que esse fosse o trabalho dele, esse tipo de frase ainda fazia as borboletas se revirarem dentro do meu estômago. 

— Obrigada, Han — apenas agradeci. Tinha que me controlar, ou acabaria deixando minhas emoções falarem mais alto outra vez.

— Tá tudo bem com a senhorita? Por que veio aqui? — sua pergunta me fez refletir. Respirei fundo antes de responder.

— Pra ser sincera, eu não sei. Tá tudo tão bagunçado, sabe? — ele prestava atenção em cada palavra que eu dizia — Faz tanto tempo que não sei o que é ter uma vida normal que às vezes fico pensando se um dia vou poder viver realmente da forma que quero…

— Sei o que quer dizer — desabafar com Han era como uma terapia para mim — A senhorita já passou por muita coisa até aqui.

— Eu só, tô cansada disso tudo… casamento arranjado, maníacos querendo me matar, um guarda-costas andando comigo pra cima e pra baixo — ele fingiu uma careta ofendida, me fazendo rir brevemente — Sem ofensas! 

Ele riu junto comigo, murmurando um “tudo bem” que me deixou à vontade para continuar meu desabafo.

— Eu fico me perguntando se algum dia vou poder ter pelo menos um pouquinho do que sonho — meus olhos encaravam a paisagem à nossa frente — Quero ter uma vida normal. 

Os segundos seguintes foram silenciosos, mas eu sabia que Jisung entendia o que eu queria dizer. Mesmo que de formas diferentes, ele também não teve uma vida normal. 

— Sei que não posso dar um jeito em tudo, mas… — Han tirou o paletó e a gravata que usava, pendurando-os no muro de pedras — Pronto, agora não tem mais um guarda-costas com você. 

— Han, o que tá fazendo? — o encarei, ainda sem entender. Ele dobrou a camisa social branca até os cotovelos.

— Disse que tá cansada de ter um guarda-costas grudado em você, então eu resolvi esse problema. Agora somos só um homem e uma mulher saindo casualmente, o que acha? 

Não pude deixar de sorrir com o seu gesto. Nunca seria capaz de agradecer o suficiente aos céus por ter trazido ele para a minha vida.

— Aigoo, você até tirou o seu paletó! Agora nem consigo mais me lembrar qual era a sua profissão — brinquei. Ele sorriu para mim, estendendo a mão para que eu a segurasse. 

— Só falta uma coisa pra ficar completo — ergui as sobrancelhas, curiosa. 

— O que falta? 

— Eu nunca te contei isso, mas… tem um motivo pra eu nunca ter te chamado pelo seu primeiro nome, e posso te dizer com certeza que isso não tem nada a ver com o fato de eu te ver apenas como a filha do meu patrão — meu coração enlouqueceu dentro do peito ouvindo aquelas palavras, não sabia o que viria em seguida, mas continuei esperando que ele continuasse — Na hora certa, vou te contar o motivo, quero fazer isso direito, até lá, eu queria saber… você pode me esperar, Jiwoo

Meu nome saiu de seus lábios de uma forma tão doce que senti como se todo o tempo que passei esperando por esse momento só tivesse tornado tudo ainda mais especial. Seus olhos não desviaram dos meus nem por um segundo, ele estava mais lindo do que eu jamais havia visto. Meu corpo se arrepiou com a brisa repentina e Han levou a mão livre ao meu rosto, colocando uma mecha de cabelo que esvoaçava atrás de minha orelha. Nossos rostos estavam praticamente colados e eu podia jurar que aquela era a melhor sensação do mundo. 

— Eu sempre vou te esperar, Jisung.

— Da última vez eu pedi desculpas, mas… dessa vez não vou me desculpar por isso.

E, me puxando para mais perto, ele me beijou.

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