♡ 26 ♡

Eu mal podia acreditar em tudo que Henry tinha dito para mim naquela tarde. Cheguei no hospital para visitar Hyeongjun ainda tentando digerir que o Green realmente não era a pessoa que imaginei que fosse. 

Me aproximei do garoto deitado na maca, Jisung estava ao lado, em pé, mexendo nos travesseiros para se certificar de que o irmão estava confortável. A cirurgia de Hyeongjun foi um sucesso. Agora, tudo que ele precisava fazer era repousar para se recuperar e logo depois poderia voltar para sua vida normal, ir pra escola e brincar com seus amigos. 

Enquanto estava ali para visitá-lo, tentei tirar de minha cabeça as coisas que Henry havia acabado de me dizer. Decidi guardar para mim mesma, não era momento para encher Han com mais um problema meu, a prioridade agora era a recuperação do caçula.

— E então, já sabe qual vai ser a primeira coisa que vai fazer quando sair daqui? — perguntei, recebendo um olhar danado do garoto. 

— Lan house, óbvio! — ri de sua resposta, eu já devia imaginar — O hyung disse que vai me dar dinheiro pra ir com meus amigos, vou jogar o dia inteiro até meus dedos caírem.

— Justo — concordei, estendendo um pacote para ele — Trouxe isso pra você, mas esconda do seu médico, ele não pode ficar sabendo! 

Falei a última parte como se fosse um segredo. Havia trazido uma sacola com vários doces e salgadinhos que crianças gostam. Tudo bem… não só crianças. São os meus favoritos também.

— Woah! Obrigado, noona! — o menino olhava dentro da sacola com uma expressão surpresa, e eu notei como os olhos de Jisung brilhavam olhando o irmão alegre daquele jeito.

— Não esqueceu nosso combinado, né? — Hyeongjun voltou sua atenção a mim — Obedeça os médicos e faça tudo que eles te pedirem, tá bom? Assim que você estiver cem por cento bem, vou te levar no parque de diversões. 

— Eu nunca esqueceria isso — ele me lançou um olhar sapeca; estendi meu mindinho para o garoto entrelaçar como da outra vez. Era uma promessa.

— Com licença, preciso levar Hyeongjun pra fazer alguns exames — uma enfermeira simpática entrou com uma cadeira de rodas. Han ajudou o mais novo a se sentar nela — Eu trago ele daqui a pouquinho, não se preocupem.

— Eu posso ir junto? — Jisung perguntou, eu sabia que ele estava morrendo de preocupação pelo irmão. 

— Não é necessário, senhor — a mulher já estava conduzindo a cadeira de rodas em direção à porta. 

— Tem certeza?! Ele pode precisar de mim!

— Hyung! — até eu me surpreendi com a voz alta do garoto — Convida a noona pra tomar um café e deixa eu fazer meus exames em paz! 

Tive que me segurar para não rir. A enfermeira nem se deu esse trabalho, soltou uma risada espontânea enquanto saía do quarto. Jisung ficou boquiaberto, talvez sem acreditar que tinha “levado bronca” de seu irmão menor.

Não demorou muito para ficarmos sozinhos no quarto, os outros dois tinham saído pela porta e sumido pelo corredor. Encarei Han, esperando que ele dissesse alguma coisa.

— Ele acabou de gritar comigo? 

— Parece que sim — ri de sua expressão incrédula. Ele resmungou algo inaudível, Hyeongjun provavelmente teria que se desculpar depois — Vamos, tem um lugar aqui perto que vende um ótimo café!

Nós saímos juntos de lá e caminhamos pela calçada do hospital até chegarmos na cafeteria. Jisung me contou os detalhes de tudo que os médicos tinham falado sobre a cirurgia e os próximos passos do tratamento de Hyeongjun; também me contou as preocupações dele como irmão mais velho e que estava se perguntando se daria conta de providenciar todos os cuidados médicos que o garoto precisaria nos próximos dias. Era difícil. Nós passamos um bom tempo conversando enquanto tomávamos café. 

Por muitas vezes, entre um gole e outro da bebida, senti vontade de contar a ele sobre Henry. Sobre tudo que ele tinha dito e como estava me sentindo, mas Jisung já tinha muita coisa em sua mente para lidar naquele momento. Ele tinha os próprios problemas, problemas esses que eu não podia nem imaginar como era passar. Resolvi guardar para mim, pelo menos por enquanto. 

— A senhorita está mesmo usando o colar — ele mirou o objeto em meu pescoço.

— Eu disse que usaria — soltei um riso tímido — É lindo.

— Isso é bom — respondeu, sorrindo fechado. Fiquei enfeitiçada por seu rosto por um momento.

— Sabe o que mais é bom? — perguntei, ele esperou minha resposta — Esse cheesecake que pedimos!

Com meu garfo, tentei roubar um pedaço da sobremesa dele, tinha devorado a minha inteira em menos de cinco minutos. 

— Yá! — Jisung resmungou, me impedindo de continuar o roubo — Não sabia que a senhorita era uma ladra! 

Parei abruptamente, o fuzilando com o olhar para que pensasse que eu havia ficado brava. Ele paralisou no lugar. Depois três segundos de silêncio nos encarando, nós dois não aguentamos; gargalhamos tão alto que algumas pessoas ao redor nos olharam. 

— Você ama cheesecake, né? — desisti de prosseguir com o roubo, ele parecia gostar mais daquilo do que eu.

— Uhum — respondeu — É minha sobremesa preferida.

Eu lambi os lábios quando ele levou uma colherada à própria boca, pensei que deveria pedir ao garçom para trazer mais uma fatia para mim, mas não tive tempo de fazer isso; Jisung colocou seu prato em minha frente.

— Aqui, pode comer — tentei negar, mas ele insistiu — Fico feliz em te ver comendo.

Fiquei parada, sem esboçar qualquer reação. Esses gestos realmente me tocam, acho que é porque eu nunca fui tão próxima de um homem assim, ainda mais um homem pelo qual tenho sentimentos guardados. 

— Bom, se não vai comer sozinha, só me resta fazer uma coisa — riu pelo nariz, a cabeça levemente inclinada para o lado o deixou ainda mais fofo — Esqueceu que tenho um irmão mais novo? Eu posso fazer qualquer um comer. 

Parecia que ele estava me ameaçando para que eu comesse, mas meu corpo não me obedeceu mesmo assim. Pensei em pegar o talher e fazer o que Han queria, mas senti minhas mãos tremendo em meu colo por baixo da mesa. Meu coração não parava de cavalgar dentro do meu peito enquanto o garoto continuava me encarando com aquele sorriso lindo nos lábios. 

Eu já estava quase colapsando por dentro quando Jisung piorou a minha situação; pegou um pedaço do cheesecake com o garfo e o direcionou lentamente até a minha boca. Não pude fazer nada senão aceitar. Ele sorriu satisfeito me olhando. 

— Viu só?! Eu falei que sou bom nisso.

[...]

Depois de tomar café com Jisung, eu o acompanhei de volta ao hospital e segui meu caminho para a mansão. Antes mesmo de chegar em casa, meu celular tocou. Era Seeun me convidando para sairmos para beber. Ponderei por um momento, mas acabei aceitando. Tá, na verdade eu aceitei no mesmo segundo que ela falou a palavra “beber”. Estava precisando disso. 

Fui direto dali, nem cheguei a entrar na rua da mansão, dei meia volta e fui encontrá-la em Itaewon, em um bar bem conhecido e movimentado do bairro. 

— Olha só quem eu pensei que não aceitaria meu convite mas apareceu mais rápido que uma flecha — ela sorriu largo, levantando da cadeira que estava sentada para me abraçar. 

— Do jeito que minha vida tá indo, eu nunca recusaria uma noite de bebedeira — brinquei de volta, me sentando na cadeira na frente da dela.

— E aí, como você tá? Parece que faz séculos que não nos vemos!

— Nem me diga — suspirei — Essa coisa de ter aulas o dia inteiro tá me matando. Mas tudo bem, eu vou sobreviver. E você, como tá?

— Hum, depois que minha colega de trabalho deixou o posto dela com menos de uma semana de contratada, todo o trabalho caiu pra cima de mim na loja de conveniência. Mas tudo bem, eu vou sobreviver.

— Desculpe — nós duas rimos juntas. Eu realmente devia desculpas por ter saído tão repentinamente do emprego na loja de conveniência.

Não demorou muito para o garçom trazer nossos copos. Começamos a noite com cerveja. Entre um gole e outro, os assuntos aleatórios sobre a faculdade passavam pela conversa enquanto ríamos de coisas idiotas. Bebi de uma vez o líquido dourado da grande caneca, limpando a boca com as costas da mão em seguida; Seeun acompanhou a cena abismada.

— Parece que as coisas não estão fáceis mesmo — ela me olhou com dúvida. Eu chamei o garçom, pedindo que trouxesse soju dessa vez.

— Eu dou conta — me larguei para trás na cadeira, pegando o celular no bolso para olhá-lo — Só preciso…

— Tá esperando alguém ligar? 

Essa era uma boa pergunta. Eu não estava. Mas, por algum motivo, tenho ficado constantemente vidrada na tela do smartphone toda vez que estou longe de Han. Se tornou um hábito. Isso significa que estou esperando sua ligação?

Segurei a pedrinha do colar que ele me deu entre os dedos. A bebida já estava fazendo efeito e eu não consegui nem negar a pergunta da minha amiga.

— Não me diga que é o guarda-costas?! — ela colocou a mão na boca, soltando um suspiro surpreso — É ele, não é?!

— Yá! — coloquei o dedo por cima do lábio, pedindo silêncio — Fala baixo! 

Virei uma dose de soju inteira pela garganta. Já podia sentir a ressaca de logo mais vindo em minha direção.

— Eu sabia! — sussurrou, mas ainda estava muito animada — Sabia que tava apaixonada por ele! 

— O que?! Eu não tô apaixonada por ele! — sem me dar conta, eu gritei. Abaixei o tom em seguida quando vi que as pessoas ao redor me olharam — Beba um pouco e fique quieta. 

Minha amiga riu, mas obedeceu, tomando mais um pouco de sua cerveja. 

— Aigoo, você fica misturando as bebidas assim — apontou com a cabeça para o meu copo — Fique sabendo que não aguento te carregar nas costas pra casa, viu?

— Você me convidou, tem que arcar com as consequências — respondi com um sorriso frouxo. A essa hora da noite, eu já estava bêbada, meu corpo todo parecia mole.

— Te convidei pra beber, não pra dar PT em Itaewon — riu pelo nariz, comendo alguns petiscos que estavam em cima da mesa. Eu nem mesmo havia triscado neles.

Mais uma vez, encarei a tela do meu celular. Fui além e entrei no chat de mensagens de Jisung, ele não estava online. Bufei, deitando a cabeça em cima da mesa por alguns segundos. Por que eu quero tanto receber uma mensagem de alguém que vi há menos de duas horas? Esse sentimento era uma droga, e a bebida só trazia tudo ainda mais à tona.

Seeun cutucou meu braço, eu grunhi, resmungando ao levantar a cabeça de cima da mesa, os cabelos completamente bagunçados.

— Quer saber? — minha fala saiu arrastada, mas foi o suficiente para minha amiga prestar atenção em mim — Você tá certa. Você tá sempre certa...

Ela riu soprado antes de perguntar:

— E no que eu tô certa dessa vez? 

— Estou apaixonada por Han Jisung.

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