♡ 25 ♡
No dia seguinte, Jisung chegou eufórico na mansão me contando que o médico de seu irmão havia ligado para que ele o levasse para ser internado e operar o mais rápido possível. Eu podia ver seus olhos brilhando enquanto ele falava que era um milagre que um anônimo tivesse feito uma doação tão grande à ala pediátrica justamente quando Hyeongjun mais precisava.
— Deve ter sido alguma celebridade arrogante tentando se sentir menos horrível doando dinheiro pra um hospital. Foi o que o médico do Hyeongjun disse quando perguntei quem tinha doado — me senti aliviada por suas suspeitas não estarem sobre mim.
— Provavelmente — concordei; era bom que ele pensasse assim — Mas essa é uma ótima notícia mesmo, Han! E então?! O que está esperando para levá-lo?
— Eu só vim avisar a senhorita — achei fofo o fato dele ter vindo até aqui sendo que podia ter apenas telefonado — Tudo bem se eu ficar fora uns dias? Tenho que acompanhar ele.
— É claro, Han! Que pergunta mais boba! Me diga se precisar de qualquer coisa. Posso ficar com ele pra você quando precisar sair, é só me ligar.
— Isso seria abuso demais. Já estou te deixando na mão me afastando uns dias do trabalho.
— Você nunca me deixa na mão, Han — ele sorriu de lado, virando a cabeça meio envergonhado, continuei — Então pelo menos me mantém informada sobre tudo e me avisa quando Hyeongjun puder receber visitas, ok?
Ele assentiu. Nós ficamos em silêncio por alguns segundos, até Jisung quebrá-lo novamente.
— Me empresta seu celular — falou, esticando a mão.
Franzi as sobrancelhas confusa, mas ele permaneceu com o braço esticado, então entreguei o aparelho desbloqueado. Han mexeu em algumas coisas e me devolveu.
— Coloquei meu número como contato de emergência, é só apertar o botão de bloqueio três vezes que vai discar pra mim. Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me liga, e eu vou te encontrar onde estiver.
— Muito obrigada — testei na hora o recurso, ouvindo o telefone de Jisung tocar.
— Viu só?! É só me ligar e estarei lá! — desliguei a chamada, assentindo com um aceno de cabeça — Ah, e me desculpe, vou acabar atrasando a promessa que te fiz antes, sabe… sobre achar o cara que te atacou.
— Nem se preocupa com isso, a cirurgia de Hyeongjun é o mais importante agora.
Nós estávamos conversando sentados lado a lado na varanda e eu estava prestes a levantar para buscar uma bebida na cozinha para nós dois quando Jisung colocou o braço em minha frente, me impedindo de levantar.
— Tem mais uma coisa — o encarei, esperando que dissesse o que era — Eu queria te agradecer por tudo que fez por mim e… eu não sabia como, então… eu comprei isso pra senhorita.
Han tirou uma caixinha preta aveludada de dentro do bolso interno do paletó e me entregou. Ele parecia nervoso, mas podia apostar com quem quisesse que eu estava ainda mais que ele. Tentei controlar o tremor nas mãos enquanto abria a caixa. Era um colar delicado com uma pequena pedra preta no pingente.
— Meu Deus, Han… é muito lindo — meus olhos ainda pairavam sobre o objeto em minhas mãos — Me desculpa, eu não preparei nada pra você.
Estava sem graça por receber um presente tão de repente e não poder dar nada em troca a ele.
— Pode prometer usá-lo sempre? Isso é o suficiente pra mim.
— Eu nunca vou tirar — respondi, dessa vez olhando para o rapaz. As borboletas em meu estômago se reviraram — Muito obrigada.
Notei como Jisung não conseguia parar de me olhar, assim como eu não conseguia tirar meus olhos dele. Nos encaramos por alguns segundos, até que o guarda-costas mudou o foco, mirando o objeto em minha mão.
— Posso? — perguntou. Sorri fechado, concordando com um “uhum” — Com licença.
Me virei de lado na cadeira e senti quando Han se aproximou um pouco mais. Ele passou o colar pela frente de meu corpo e consegui sentir o cheiro de seu perfume com sua proximidade. Meu corpo inteiro se arrepiou quando os dedos de Jisung tocaram levemente meu pescoço, a sensação que eu tinha era a de alguém que tinha acabado de descer de uma montanha-russa enorme.
— Prontinho — falou, depois de fechar a trava do colar. Me virei de volta, vendo o seu rosto novamente — Uau… ficou lindo na senhorita.
Aquele era o momento perfeito para mim, e tinha a impressão de que Han estava sentindo o mesmo que eu. Estava prestes a contar a ele como me sentia e me declarar quando um ruído capturou minha atenção para dentro da casa. Pelo vidro que dividia a varanda e a sala, vi um dos funcionários da mansão nos olhando. Ele disfarçou e fugiu rapidamente quando percebeu que tinha sido visto. Deve ter apenas se sentido envergonhado, pensei.
E esperava estar certa sobre isso.
[...]
Alguns dias tinham se passado desde a cirurgia de Hyeongjun e eu estava me aprontando para ir para visitá-lo. Tudo tinha corrido bem e ele já estava no quarto em recuperação, eu podia saber que Jisung estava extremamente feliz só pelas mensagens de texto que ele me enviava de vez em quando com informações sobre o garoto, as quais ele lotava de emojis e figurinhas fofas.
O manobrista da mansão já tinha buscado meu carro e deixado na porta depois que o avisei que iria sair. Desci as escadas de mármore branco para entrar no veículo, mas antes que o pudesse fazer, avistei Henry saindo de seu próprio carro, vindo em minha direção.
— Jiwoo… será que podemos conversar um minuto?
Eu sabia que não seria apenas um minuto, olhei para os lados, além do manobrista, o funcionário que havia me visto na varanda com Han no outro dia também estava por perto. Preferi não conversar ali.
— Vamos pra um lugar mais tranquilo.
Nós fomos no meu carro, em silêncio, até chegarmos em um café que não ficava muito longe. Entramos no estabelecimento e sentamos.
— O que quer beber? — perguntou casualmente, como se aquilo fosse um encontro desejado por ambos.
— Uma água sem gás.
Depois de pedir, esperei que ele dissesse o que queria, mas ele apenas começou uma conversa comum, como a de dois amigos que se encontram depois de um tempo. Eu tomei um gole da água antes de interrompê-lo.
— Esqueceu do contrato que assinei? Tenho dois anos livres, lembra? — ele se surpreendeu com minha pergunta.
— Jiwoo, eu realmente tentei construir um relacionamento bom entre a gente e, em algum momento cheguei a pensar que conseguiria — tentei falar algo, mas ele continuou: — Mas já entendi que você não quer isso, não precisa ser mais clara do que você já foi.
— Henry, sobre o que realmente você queria conversar? Por que tá tocando nesse assunto de novo?
— Só vim te dizer que perdi a esperança.
— Do que exatamente você tá falando?
O encarei sem entender absolutamente nada. Esperei sua resposta.
— Não vou mais esperar que goste de mim. Já entendi que isso nunca vai acontecer — mesmo que sua frase fosse triste, eu não via tristeza nenhuma em seu olhar. Pelo contrário, ele parecia muito mais frio do que eu jamais havia visto.
— Por que tá preocupado com isso? No fim, vocês vão conseguir o que querem — respondi seca. Henry apenas ergueu as sobrancelhas e murmurou um “hum” demorado.
— Eu já percebi como olha pro guarda-costas — abri a boca por um segundo, sua fala me pegou completamente desprevenida — Talvez seu pai ainda não tenha dado atenção a isso, eu devia dizer a ele pra olhar mais ao redor? Parece que o Sr. Kim ainda não percebeu que colocou uma bomba relógio que pode estragar todos os planos dele dentro da própria casa. Me pergunto se eu deveria alertá-lo…
Quase não consegui me dar conta do que tinha acabado de ouvir. Ele realmente estava me ameaçando?
— Han é apenas um guarda-costas — menti, tentando nos proteger de alguma forma — Não sei o que está tentando insinuar.
— Mesmo? — ele soltou um riso nasal — Sabe que eu passei um bom tempo me forçando a acreditar nisso, pensei que se fosse legal, um dia você acabaria gostando de mim, mas no fundo eu já sabia. Eu vi como ele te olhava quando ficou internada depois de ser atacada, vi vocês dois juntos na praia em Jeju, mesmo assim continuei acreditando que só estava se apoiando nele por ser alguém próximo, mas depois desse colar que tá usando, eu tive certeza.
Ele apontou para o objeto em meu pescoço. Eu o cobri com a mão instintivamente, dentro de mim todo meu corpo havia sido invadido por uma mistura de raiva e incredulidade. Os funcionários da mansão estavam me vigiando e contando para o Green o que eu fazia esse tempo todo. Estava tentando me recompor do susto para responder algo à altura, mas ele tomou à frente:
— Parece que você puxou o seu pai, não é boa em perceber o que tá acontecendo ao redor — ele sorriu de lado, me fazendo sentir um arrepio macabro — Aquele Han não consegue nem disfarçar que é louco por você.
Minha cabeça continuava tentando processar tudo aquilo, eu me sentia uma idiota apenas o escutando dizer tudo que queria enquanto ficava em silêncio sem qualquer reação. Me odiei por não ter conseguido revidar, seja como fosse.
E, antes de se levantar para ir embora, Henry tomou um gole do café quente e amargo à sua frente e, como um lutador prestes a me aplicar um nocaute, ele finalizou:
— Mas você tá certa, Jiwoo. No fim, eu vou conseguir o que quero.
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