♡ 22 ♡

Quando eu cheguei na casa de Jisung, depois de quase ser atropelada e fugir de Henry, tudo que eu queria era desabar em lágrimas pra tirar de mim toda aquela angústia que estava sentindo, mas, quando cheguei lá, quem estava desabando em minha frente, era Han. 

Assim que coloquei os pés dentro do apartamento, eu o vi. Estava sentado no sofá, os cotovelos apoiados nas pernas e a cabeça abaixada. As lágrimas em seus olhos caíam pesadas diretamente no chão, ele nem se mexeu ao me ouvir entrar. 

Corri até ele, preocupada, mas não abri minha boca para perguntar nada. Apenas me agachei ao seu lado e segurei sua mão. Seu choro era tão intenso que ele chegava a soluçar, senti um nó se formar em minha garganta ao vê-lo daquele jeito. 

— É um problema grave no coração, ele precisa de cirurgia — sua fala me atingiu como uma bala, não queria acreditar que Hyeongjun estava tão doente assim.

Me sentei ao seu lado, acariciando suas costas para tentar dá-lo algum conforto. Jisung deitou a cabeça em meu ombro, chorando inconsolavelmente.

— Se não operar logo, eu posso perd-

Não o permiti terminar aquela frase. Interrompi logo, dizendo:

— Ei, tá tudo bem, ele vai ficar bem — tentei esconder o embargo em minha voz. 

— A cirurgia é muito cara, eu não posso pagar, Srta. Kim…

Não pensei que seria possível, mas meu coração doeu ainda mais depois de ouvir aquilo. Isso não seria um problema para mim se eu ainda vivesse na mansão, qualquer um dos cartões de crédito sem limite que eu tinha enquanto vivia lá poderia resolver isso em um piscar de olhos. Nesse momento, pensei que deveria voltar e fazer as pazes com meu pai. Não importava o que me custaria, tinha que ajudar Hyeongjun. 

— Não importa, Han. Ele vai ficar bem, eu te prometo. 

Dessa vez, falei com convicção, Jisung parou de chorar por um segundo e levantou a cabeça para me olhar. Seu rosto estava molhado, assim como alguns fios de cabelo que haviam grudado em sua testa com o suor. Afastei alguns fios para o lado, acariciando seu rosto. Nós não éramos próximos o suficiente para esse tipo de carícia, mas ele não me impediu em nenhum momento, apenas deitou ainda mais a cabeça em minha mão, fechando os olhos por alguns segundos. 

Ele já cuidou tanto de mim, está na hora de retribuir, pelo menos um pouco. 

Ficamos ali por um longo tempo até Han parar de chorar, mal tinha me dado conta de que passamos a noite no sofá. Quando acordei, estava com o braço completamente adormecido, Jisung estava dormindo por cima dele. Me mexer significaria acordá-lo, e sei o quanto demorou até que pegasse no sono a noite; resolvi ficar parada até que ele acordasse sozinho. 

Os raios solares já entravam por baixo da porta, o nascer de mais um dia me deu uma breve esperança de que tudo poderia ficar bem no fim das contas, eu ainda acreditava nisso mesmo com todos os problemas. Pensei muito antes de dormir. Em tudo. Estava decidida a voltar para a mansão hoje mesmo. Perderia um dia de aula, mas a manhã era suficiente para arrumar as minhas coisas e buscar o carro, que havia ficado parado próximo à loja de conveniência. 

Talvez Jisung nem queira aceitar a minha ajuda em dinheiro, mas eu não me perdoaria se não tentasse, pelo menos. Preciso fazer isso por Han e Hyeongjun. 

Observei o rapaz quando ele suspirou forte durante o sono, podia ver o inchaço de suas pálpebras mesmo que ele estivesse de olhos fechados. A tristeza me tomou por completo ao lembrar das lágrimas que o rapaz derramou na noite anterior. No segundo seguinte, meus pensamentos foram tomados pelo garotinho que surgiu na sala, cambaleando enquanto coçava os olhos. 

— Tô com fome — falou, parando no meio do cômodo. Eu ergui as sobrancelhas com a aparição repentina.

— Certo! Eu deveria fazer algo pra comermos! — movi a cabeça de Jisung rapidamente para fora de meu braço, sem me importar mais se iria acordá-lo. Era estranho agora que seu irmão mais novo tinha nos visto naquela posição, quase abraçados — Pode sentar e assistir algo na TV, eu vou preparar o café!

O garoto assentiu, enquanto Han abria os olhos, confuso, tentando decifrar o que estava acontecendo na sala.

— Obrigado, noona — ele agradeceu com a voz de quem havia acabado de acordar. Não pude deixar de achar fofo.

— Espera, eu te ajudo — Jisung falou, tentando se levantar do sofá. 

— Tudo bem! Fique aí com Hyeongjun, eu faço isso. 

E foi o que eu fiz. Cozinhei alguns lámens e fritei omeletes enquanto observava os dois irmãos assistirem um programa bobo na televisão. Han estava sentado no sofá, enquanto o mais novo estava sentado em uma almofada no chão, para ficar mais perto da TV. Eu podia ver como Jisung o olhava de um jeito diferente a cada minuto, era como se quisesse checar se o garoto estava bem. 

Depois que comemos, eu saí para buscar meu carro. Da rua, liguei para a Sra. Jeon, avisando que voltaria hoje.

— Acha que meu pai vai me aceitar de volta? — perguntei, meio receosa.

Com certeza, querida. O Sr. Kim pode parecer meio durão, mas ele se importa muito com você.

— Realmente não parece. Mas enfim, a senhora pode avisá-lo, por favor? Não quero aparecer de surpresa, nunca se sabe que tipo de reação Kim Taesoo pode ter — ri soprado, mesmo que o assunto não tivesse graça nenhuma.

Claro, querida, pode deixar que eu aviso. 

 — Tá certo, muito obrigada, Sra. Jeon! Nos vemos mais tarde! 

Terminei de me despedir e desliguei o celular, já tinha chegado ao local em que meu carro estava estacionado. O mesmo lugar onde encontrei Henry ontem.

Sabia que ele não estaria ali, mas olhei para os lados mesmo assim, me certificando de que não havia ninguém por perto ao entrar no veículo. Logo eu estava novamente no apartamento de Han, para pegar minhas coisas e me despedir.

— Por que a senhorita tá indo tão de repente? 

Já era a terceira vez que Jisung me fazia a mesma pergunta, parecia que não queria que eu fosse embora de jeito nenhum.

— Eu já falei, Han — ri de sua insistência —, tem algo que preciso resolver. E assim que me acertar com meu pai, vou dar um jeito de te contratar de novo como meu guarda-costas. Se tudo der certo, quem sabe não te dou um aumento? 

Seu semblante mudou completamente, estava surpreso por eu saber que mesmo que não estivesse mais sendo pago, ainda continuava me protegendo e andando ao meu redor. Devo o crédito dessa informação privilegiada a Hyunjin.

— Espera, a senhorita já…? 

— Eu sabia, Han — sorri fechado em sua direção — Muito obrigada, por isso, e por todo o resto. Esses dias aqui me fizeram sentir em um lar de verdade depois de muito tempo.

Ele deixou minha mala no chão por um momento para me olhar. Eu mal tinha notado como nossos corpos estavam próximos um do outro, uma sensação de choque elétrico percorreu minhas veias. 

— Você não tem ideia da falta que vai fazer aqui — seu tom de voz saiu baixo, quase num sussurro. Eu soltei minha respiração descompassadamente.

Já estávamos tão próximos, mas, sinceramente, eu rezava para que estivéssemos mais. A tensão ali era como um ímã que nos atraía. Mordi os lábios, pensando que talvez eu fosse a única ali sentindo isso, mas o toque leve de Han em meu rosto me fez perceber que não. Eu não era a única. 

Quase fechei os olhos para aproveitar ainda mais o seu toque, mas o barulho vindo do celular do rapaz nos afastou de repente. Ele gaguejou algo antes de dizer que precisava atender, era o médico de Hyeongjun. Tentei me recompor, bati em minha própria roupa, ajeitando-a e passei a mão no cabelo, Jisung havia saído para atender o telefone, mas já era minha hora de ir embora. Eu peguei a mala e também saí do quarto, indo para a sala. 

— Eu preciso ir — sussurrei, sem querer atrapalhar Han, que falava no telefone.

— Espere um minuto, eu vou te acompanhar até o carro — ele tirou o celular do rosto por um momento. 

— Pode deixar, eu levo a noona! — seu irmão levantou da frente da TV, vindo em minha direção e estendendo o braço para levar minha mala. Eu sorri com o gesto.

— Que tal levarmos juntos? — sugeri, a bolsa era muito pesada para ele sozinho. O garoto assentiu.

— Certo, eu alcanço vocês — Jisung disse, voltando sua atenção à chamada.

Hyeongjun e eu saímos pela porta do apartamento, cada um de nós segurava a mala por uma das alças. Descemos os quatro lances de escadas com cuidado, até que chegamos no carro. Enfiei a bagagem no porta malas e voltei para perto do menino.

— Obrigada, Hyeongjunie. 

Ele apenas sorriu fechado e deu um aceno de cabeça. Em seguida, passou as mãos sobre a lataria do veículo.

— Seu carro é grandão e azul — ele quase suspirou ao olhar o veículo — Brilha muito, igual a noona. 

Me contive para não surtar, ninguém nunca tinha me dado um elogio tão lindo e espontâneo assim. 

— Quer entrar? Vou te mostrar a parte de dentro.

Não precisei dizer mais nem uma palavra. No segundo seguinte estávamos dentro do veículo. Eu deixei que ele sentasse no banco da frente, para ver melhor tudo. Ele soltava alguns suspiros surpresos a cada funcionalidade do carro que o mostrava e não tardou para que ele colocasse uma música na central multimídia. Ficamos um tempo em silêncio, o canção não era muito alegre, nem parecia o tipo de coisa que um garoto de 10 anos ouviria. Mas ele não era um garoto qualquer de 10 anos. Hyeongjun já passou por muita coisa, mesmo com a pouca idade. 

— O hyung não é mais o mesmo comigo. Acho que é porque eu tô doente. 

Umedeci os lábios e respirei fundo antes de responder qualquer coisa. Não estava preparada para esse assunto.

— Você sabe como seu irmão é, ele se preocupa demais com os outros e esquece dele mesmo — respondi, esperando que ele acreditasse — Sabia que ele já me salvou de um homem mau que queria me machucar? Naquele dia que vim na sua casa pela primeira vez, seu irmão tava queimando em febre, mas ele ainda me protegeu, mesmo que não estivesse nem se aguentando de pé.

— Sério?! Aish… — dessa vez, Hyeonjun pareceu um adulto resmungando — O hyung é mesmo uma coisa.

— Não é porque você tá doente, não se preocupe — baguncei os cabelos do topo de sua cabeça — Aliás, isso não vai ser páreo pra você, logo você vai estar cem por cento bem e vou te levar no Lotte World, fechado? 

— Woah! Esse é o melhor parque de diversões de todos! Promete mesmo? 

— Prometo — cruzei meu mindinho com o dele — Em troca quero que me prometa que vai fazer tudo que seu médico pedir e vai ficar bem. Combinado?

— Combinado, noona! 

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