♡ 21 ♡

No segundo dia, levantar no apartamento de Han já não parecia mais tão estranho assim. Ele me fazia sentir em casa, e estar ali era muito mais como estar em um lar do que na mansão com meu pai. E por falar em Kim Taesoo, recebi apenas uma ligação dele depois que saí de lá, ele me disse para voltar e eu recusei, é claro. Depois disso, seu secretário é quem me liga pelo menos uma vez por dia para tentar me convencer a voltar para casa. Com certeza a mando do patrão.

Eu já estava me aprontando para ir para a faculdade quando Jisung me chamou no quarto para tomar café antes de sair. Assenti, caminhando pelo apartamento em silêncio para não acordar Hyeongjun, que dormia em seu quarto.

— Obrigada pelo café — falei baixo, comendo uma panqueca que ele havia preparado — Como seu irmão está? Ele dormiu bem essa noite?

— Tá melhor — sorriu de lado, se sentando na cadeira da frente para comer também — Mas não vou poder ir com a senhorita hoje, preciso ficar com ele, tudo bem? 

— Ora… mas é claro, que pergunta boba, Han! Aliás, você não precisa me seguir por aí, não é mais meu guarda-costas — sua expressão continuava preocupada — Tá tudo bem, fica aqui com o Hyeongjun, eu te ligo se algo acontecer.

— Obrigado por tudo, Srta. Kim — não entendi o agradecimento, era eu quem estava em dívida com ele. 

— Eu que te agradeço, Han. Eu não tinha pra onde ir e você me acolheu aqui — respondi, depois de tomar um gole de café — Mas olha, logo vou dar um jeito nisso, não vou ficar por muito tempo.

Ele ergueu as sobrancelhas, mas seu rosto se tornou quase melancólico em seguida, as olheiras de cansaço colaboravam com o semblante triste. 

— Pode ficar o quanto quiser, de verdade — ele finalmente tocou na comida, mas parecia que o rapaz queria apenas evitar me encarar — E me diga se eu puder ajudar em algo.

[...]


Alguns dias mais tarde, depois do meu expediente na loja de conveniência, eu estava feliz em voltar para casa. Quer dizer, voltar ao apartamento de Jisung. Eu tinha uma lista de prós e contras montada em minha cabeça com o fato de estar passando alguns dias lá, e ela ficava cada dia mais extensa conforme eu percebia que meus sentimentos por Han estavam aumentando ao invés de desaparecerem. Eu estava me arriscando muito convivendo debaixo do mesmo teto que ele. 

Coloquei minha mochila nos ombros e saí da loja, caminhando pela calçada em direção ao meu carro que estava estacionado a alguns metros dali. Enquanto andava, minha mente continuava trabalhando. Seeun me disse que sua colega de dormitório está prestes a se mudar, o que quer dizer que logo vou poder dividir o quarto com ela e sair da casa de Han. Não que não seja maravilhoso ficar lá, é só que… ele nunca disse nada sobre o nosso beijo depois que voltamos de Jeju. Nunca sequer tocou no assunto ou deu brechas para que eu tocasse.

Eu simplesmente não sei como me sentir e me comportar em relação a isso. Ele se desculpou depois de me beijar. Isso quer dizer que se arrependeu de ter feito.

Estava decidida, não ficaria mais nem um dia em dúvida sobre os sentimentos de Jisung por mim, perguntaria a ele diretamente assim que chegasse em sua casa. 

Parei na rua assim que vi meu carro. Henry estava ali, me esperando, encostado no veículo. Ele arrumou a postura assim que me viu chegar. Não pude deixar de me sentir surpresa ao vê-lo ali.

— Então é verdade, Jiwoo? Está mesmo trabalhando numa loja de conveniência? 

Franzi as sobrancelhas, fingindo não ter entendido o que ele queria dizer com aquela pergunta. 

— Sim, Henry, estou. Algum problema nisso?

O arrependimento tomou seu rosto na hora e ele balançou a cabeça negando.

— Como estão as coisas? Você tá bem? Não deu mais notícias depois que voltou de Jeju. 

— Não poderiam estar melhores, não se preocupe — respondi, tentando passar por ele para entrar no carro. O Green segurou minha mão.

— Tem algo que eu possa fazer pra ajudar? — seus olhos penetraram os meus — Jiwoo… volta pra casa, seu pai e eu andamos conversando, vamos adiar o casamento, você pode focar na sua faculdade e eu juro que não vou ser um incômodo pra você, eu só… estou preocupado com você sozinha por aí, algo ruim pode acontecer.

— Se você veio aqui pra me dizer pra voltar pra aquela casa, você perdeu seu tempo, Henry — soltei minha mão da dele — Estou ótima como estou. Na verdade, nunca me senti tão leve. Sabe como é se sentir assim? Sem precisar aceitar imposições de alguém que nem sequer liga pra sua felicidade? É incrível! E eu não vou voltar a ser um fantoche do meu pai. 

Ele balançou a cabeça concordando, mas sua fala seguinte mostrou o contrário.

— Você nunca pensou em suceder o Sr. Kim na Lux Like? Viveria uma vida luxuosa sem nunca se preocupar com dinheiro. Isso não te atrai? — soltei um riso nasal, debochando — Você não quer isso nem um pouco? 

— Se eu quisesse, já teria me casado há muito tempo, Henry. Ou você acha que é o primeiro filho de empresário pra quem meu pai tenta me empurrar? 

Mais uma vez, tentei entrar no carro, ele ficou na frente da porta. Suspirei, irritada.

— Pensa bem, Jiwoo, você não precisa cuidar da empresa se não quiser, pode deixar outras pessoas nas funções e aproveitar a vida com as ações que o Sr. Kim vai passar pro seu nome assim que se casar.

Isso foi demais para mim. Revirei os olhos, sem conseguir conter minha expressão de nojo.

— Eu nunca vou me casar com você. 

Como o Green não saiu da frente da porta do carro, passei por ele e saí andando rápido, antes que ele pudesse tentar me segurar novamente. Caminhei pela rua, batendo os pés com força no chão enquanto resmungava coisas inaudíveis, estava louca com tudo que tinha acabado de escutar. Me perguntava mentalmente se meu pai havia o mandado para tentar me levar de volta para a mansão ou se Henry realmente tinha virado o babaca que pensei que fosse da primeira vez que o vi.

Estava tão irritada que não conseguia pensar ou ver mais nada em minha frente a não ser minha própria raiva me consumindo. Continuei andando sem rumo, era o melhor que podia fazer nesse momento. Eu preciso mesmo acabar com a minha vida casando com alguém que não amo só pro meu pai ganhar mais dinheiro? O que eu seria se aceitasse esse tipo de coisa? Estava prestes a explodir, queria gritar ali mesmo, no meio da rua, e tirar toda aquela angústia de dentro de mim, mas, de repente, o grito que soltei foi por outro motivo.

Não faço ideia do quão rápido tudo aconteceu, uma moto passou tão perto de mim que quase fui atingida, se não fosse por Henry, que me abraçou, me protegendo do veículo, eu teria sido atropelada. Meu coração quase saiu pela boca com o susto. 

— Jiwoo! Você tá bem? — ele me olhou, preocupado, segurando meu rosto com as mãos. Eu sequer havia notado que ele tinha me seguido.

— Acho que sim — levei a mão à testa, sentindo minha cabeça doer — Obrigada.

— Tá doendo? — perguntou, mas mal me deu tempo para responder. Henry se agachou, indicando que eu subisse em suas costas — Vem, vou te levar pro hospital!

Mas eu não queria ir. Tudo que eu queria nesse momento era encontrar Jisung. Ele era o único que poderia me fazer sentir protegida agora. Eu queria correr para ele e abraçá-lo até essa sensação aterrorizante ir embora. Ainda trêmula, chamei o Green:

— Eu só... preciso de um pouco de água, você pode comprar pra mim? — pressionei meu peito, fingindo estar com falta de ar. Ele se levantou do chão prontamente, concordando. 

— Não saia daqui, ok? Eu já volto. 

Não me senti bem em enganá-lo, mas não podia correr o risco de ser seguida pelo Green quando eu estava indo para a casa de Jisung. Não queria que meu pai soubesse onde eu estava. E, assim que Henry dobrou a esquina, eu fugi. Precisava fazer isso, não podia ficar mais nem um segundo ali, então eu corri. 

Corri de volta para o meu porto-seguro.

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