♡ 20 ♡
Agradeci aos céus mentalmente quando amanheceu, a madrugada pareceu infinita e passei a noite inteira me virando de um lado para o outro. Não podia deixar de pensar que estava deitada na cama de Han Jisung. Me levantei e escovei os dentes antes de ir até a cozinha. O rapaz já estava de pé, preparando o café da manhã e o lanche da escola de Hyeongjun. Fui até ele, o afastando um pouco para o lado para ajudar a cortar os ingredientes.
— Como passou a noite? Dormiu bem? — perguntou, pegando alguns ovos e os quebrando em uma vasilha.
— Uhum.
Isso foi realmente vago, mas eu não queria me aprofundar nesse assunto. Não podia dizer que não consegui dormir porque fiquei pensando nele a madrugada inteira.
Nós ficamos em silêncio por um tempo, apenas cozinhando e cortando coisas até que Han desbloqueou seu celular, olhando as horas. Ele saiu apressado, ainda com o pano de prato nos ombros.
— Hyeongjun tá atrasado! — avisou, correndo até o quarto do garoto.
Eu continuei cuidando das panelas, mas espiava em direção ao quarto de vez em quando. Han estava demorando para voltar.
— Srta. Kim! — escutei quando ele gritou, desliguei tudo e corri até lá.
— O que foi, Han? Tem algo errado?
Jisung estava debruçado sobre a cama, só então vi que ele tentava escutar a respiração de Hyeongjun. Cheguei perto dos dois, vendo o rosto do garoto corado e os cabelos molhados de suor, ele estava queimando em febre.
— Tenho que levar ele pro hospital. Agora! — eu nunca tinha visto Jisung tão atordoado, ele parecia nem pensar direito, se levantou e andou de um lado para o outro com as mãos na cabeça.
— Vamos dar um banho nele antes de ir, vai ajudar a abaixar a febre — recomendei, vendo que Han não se acalmava — Ele vai ficar bem, não se preocupa.
Peguei o garoto no colo, sem esperar que Han o fizesse. Ele estava desacordado e mole, seu corpo estava muito quente. Fui até o banheiro, sendo seguida por Jisung, que abriu o chuveiro ao entender minha intenção. Entrei debaixo da água com o garoto, sem me preocupar com nossas roupas estarem molhando. Não demorou muito para Han tirar Hyeongjun de meu colo e pegá-lo, mesmo que ele fosse pequeno, era um pouco pesado para mim. No fim das contas, estávamos os três encharcados. Deixei Jisung levar o irmão para o quarto para secá-lo e vesti-lo antes de entrar lá novamente.
Nós molhamos a casa inteira, mas quando entrei novamente no quarto do menino, felizmente ele já estava acordado. Estava sentado na beira da cama enquanto o irmão colocava um par de tênis em seus pés.
— Como tá se sentindo, Hyeongjunie? — me agachei perto dele, acariciando sua perna.
— Cansado — respondeu baixo, em seguida, colocou a mão sobre o peito —, tá doendo aqui.
Jisung me olhou, preocupado. Não era a primeira vez que o caçula ficava desacordado. Eu sorri com os lábios fechados, tentando passar alguma confiança para eles.
— Sei que isso é chato, mas vamos te levar no médico e você vai ficar bom rapidinho, tá? — eu conseguia ver que ele estava realmente doente quando ele não retrucou nada, apenas assentiu com a cabeça — E você vai faltar na aula, olha que legal!
O garoto sorriu fraco, Han, por sua vez, que pensei que me repreenderia por minha última frase, apenas me olhou como se me agradecesse. Nós fomos até o carro de Jisung, sentei no banco de trás e Hyeongjun deitou a cabeça em meu colo para voltar a dormir quando estávamos a caminho do hospital. Não pude deixar de sentir pena o vendo, ele devia sentir muita falta da mãe, principalmente nesses momentos.
Depois de ser examinado rapidamente pelo pediatra, o menino foi levado pela enfermeira para tomar algumas medicações. Fiquei na sala de espera, apenas Han pôde entrar como guardião do garoto, mas não demorou muito para que ele voltasse. Me levantei ao vê-lo.
— E então, como ele tá?
— O médico disse que ele vai ficar bem, mas precisa passar algumas horas em observação aqui e fazer uns exames — respondeu. Jisung estava com um semblante exausto — Desculpe te fazer perder sua aula.
— Tudo bem, eu não perdi nada importante. O que realmente importa é Hyeongjun ficar bem — falei, vendo-o suspirar e passar a mão atrás do pescoço — Só não fico mais porque hoje é meu primeiro dia no trabalho, não posso faltar.
— Imagina, a senhorita já fez demais me ajudando hoje. Vamos, eu te deixo lá. Preciso mesmo passar em casa para pegar uma muda de roupa para Hyeongjun.
Concordei. Nós viemos no carro de Han, o meu tinha ficado no estacionamento da universidade, então uma carona seria bem-vinda.
No caminho para a loja de conveniência do campus, nós não conversamos muito. Eu apenas fiz alguns comentários bobos sobre o medo que tinha de arruinar tudo no meu primeiro dia trabalhando, como derrubar todas as garrafas de soju depois de esbarrar numa prateleira ou vender cigarro para um adolescente com identidade falsa. Na realidade, eu só queria distrair Jisung um pouco e animá-lo.
— Tenho certeza que a senhorita vai se sair bem — falou, estacionando na frente da loja — Que hora termina seu expediente? Eu venho te buscar.
— Ah, não, não precisa! — balancei as mãos e a cabeça negando — Eu vou com meu carro na volta.
Ele ficou quieto por dois segundos, mas em seguida soltou um pequeno sorriso, desviando o olhar de mim, como se estivesse envergonhado.
— Então a senhorita vai voltar lá pra casa?
Vi seu rosto se iluminar de esperança e só então me toquei do que havia dito. Tentei esconder o sorriso que surgiu em meus lábios e olhei para o assoalho do veículo, não conseguiria encará-lo nesse momento. Nem mesmo o fato dele me chamar de senhorita o tempo inteiro estava me incomodando mais, tudo que eu conseguia sentir era meu rosto quente e o gelo que atingiu minha barriga. Balancei a cabeça assentindo.
— Eu levo o jantar.
[...]
Faltavam apenas dez minutos para o meu expediente terminar. O primeiro dia foi melhor do que eu imaginava, apesar de eu estar me sentindo um pouco cansada por ficar de pé a tarde inteira. Não era tão difícil atender os clientes nem repor as mercadorias, eu podia dar conta disso. Estava terminando de fechar o caixa e ajeitar as coisas no balcão para Seeun, que dobraria seu turno e ficaria até a noite hoje, ela estava nos fundos, arrumando o estoque da loja.
Senti uma coisa esquisita, uma sensação de frio na espinha de repente. Olhei assustada para o lado de fora, a fachada era praticamente toda de vidro, o que me dava visão total para a rua. Já estava escurecendo e eu apertei os olhos, vi de relance a figura de um homem, as roupas pretas se misturavam com a parte mais escura da rua.
A sensação de desespero de sentir que estava sendo observada era a mesma da primeira vez. Na verdade, era ainda pior, porque eu já havia sido seguida e atacada com uma faca antes. Com todos os problemas na mansão, eu sequer tive chance de cuidar desse trauma.
Inspirei e expirei o ar algumas vezes, tentando me acalmar, quando Seeun surgiu, vindo do estoque.
— Tudo bem, Jiwoo? Você tá pálida! — ela pegou uma garrafa de água por perto, me estendendo.
— Sim, é só que… eu acho que tem um homem estranho lá fora me olhando — coloquei a mão sobre o peito, tentando controlar meus batimentos.
— Fica aqui, eu vou lá olhar — eu ia tentar impedi-la, mas ela passou pela porta como uma flecha.
Não conseguiria ficar parada ali enquanto a Yoon saía por minha causa para procurar um homem que poderia ser perigoso. Fui até a entrada, mantendo meus olhos na garota, que verificava o máximo todos os cantos e esquinas da rua.
— Parece que tá tudo limpo — ela juntou os lábios em uma linha, parecendo pensativa — Tem certeza que viu alguém?
— Tenho. Pelo menos, eu acho que sim.
— Vamos fazer o seguinte, vou ligar no seu celular e ficamos em chamada até você chegar na casa do Han, tá bom? Qualquer coisa que acontecer no caminho, é só dar um grito que vou atrás de você.
— Seeunie… — resmunguei em um tom choroso enquanto passava meus braços ao redor de seu corpo, na verdade estava muito feliz e grata por ter uma amiga tão incrível — Você é boa demais pra mim!
— Aigoo… — passou a mão em meu cabelo — Eu não tô fazendo nada de mais.
Depois de me despedir da garota e pegar minha bolsa, atendi sua ligação e coloquei os fones bluetooth no ouvido, poderíamos nos comunicar no caminho até meu carro, que estava no estacionamento mais próximo do prédio de arquitetura. Por sorte, não era tão longe, a loja de conveniência era dentro do campus. Caminhei o mais rápido que pude, me certificando de olhar para trás a cada dois segundos apenas para ter certeza de que ninguém me seguia. Com Seeun do outro lado da linha fazendo piadas para me distrair, eu consegui chegar a um lugar mais movimentado do campus, onde estudantes do período noturno ainda andavam de um lado para o outro para irem às suas aulas.
Passei em um restaurante de frango frito para comprar o jantar, tinha prometido a Jisung que levaria. Pedi duas porções de frango e um caldo com carne e legumes para Hyeongjun, ele precisava comer bem para se recuperar.
Depois de entrar no carro e dar partida, agradeci e me despedi de Seeun, mesmo com um pouco de medo ainda, eu poderia chegar bem no apartamento do Han.
E lá, bom, com certeza lá eu me sentiria segura e protegida de verdade.
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