♡ 19 ♡

Me sentia extremamente confusa por ver Han ali, naquele parque, sem saber como ele havia me encontrado. Mirei Seeun, que ainda estava sentada no chão tomando sua cerveja, ela me devolveu o olhar como se dissesse que eu devia ir falar com ele.

— O que está fazendo aqui, Han? — perguntei, caminhando até ele, que estava um pouco mais a frente. 

— Vim buscar a senhorita. 

A essa altura, a bebida já tinha feito sua parte e me deixado mais sincera do que eu gostaria. 

— E por que você acha que precisa me buscar? Aliás, por que acha que eu iria querer ir com você? — cambaleei depois de pisar em um monte de folhas, me recompus em seguida — Eu não preciso da sua proteção!

Já era noite e estava escuro, mesmo assim, consegui ver ele engolir seco ao ouvir minha fala. Doeu por dentro de mim dizer palavras duras a Jisung, mas eu estava ciente de que não podia continuar tão perto dele agora que sabia que ele não me via da mesma forma que eu o via. Talvez minhas palavras tenham o machucado de verdade, porque ele apenas assentiu e disse:

— Tem razão, eu não devia ter vindo — suspirou, se virando para ir embora. Quando eu ia abrir a boca para chamá-lo de volta, ele girou de novo, ficando de frente para mim — Eu só… estava preocupado. A senhorita arrumou um lugar pra passar a noite? 

Ergui as sobrancelhas por ele também saber que eu não tinha onde dormir. Como ele pode saber de tudo assim tão facilmente? Mordi os lábios enquanto ele me encarava esperando por minha resposta. 

— Não — respondi baixo, por algum motivo, estava envergonhada em dizer isso.

— Vem ficar comigo.

Sua proposta me pegou desprevenida. Senti minhas bochechas quentes, não sabia se era o álcool fazendo efeito ou só meus sentimentos dando as caras novamente. Seeun se levantou, pegando as latas que tínhamos esvaziado minutos antes e as colocando em uma sacola.

— Bom pessoal, então eu vou indo nessa. Cuida bem dela, viu, Han Jisung? — colocou a mochila nas costas e passou por nós dois, acenando um tchau com a mão — Durmam bem, pombinhos!

A garota saiu saltitando antes que eu pudesse reclamar de sua última frase. O guarda-costas continuou me olhando, esperando que eu dissesse algo.

— Han, não acho que dormir na sua casa seja uma boa ideia.

— Por favor, pelo menos essa noite — suplicou — Você pode ficar no meu quarto, eu fico com Hyeongjun.

Parei alguns segundos para pensar, isso ia totalmente contra ao que eu sabia que era o certo a se fazer. Me afastar de Jisung e manter um relacionamento apenas profissional com ele. Mas eu não resisti a aceitar o errado.

—  Certo. Eu vou com você. 

[...]


Já fazia um bom tempo desde que eu havia estado no apartamento de Han. Quando entramos, ele pegou minha mochila para levar até o quarto, eu fiquei na sala sem mexer em nada esperando-o voltar. Me lembrava claramente do dia que fui pega por Hyeongjun fuxicando as coisas ao redor. Por falar no garoto, não demorou muito para ele aparecer na sala, veio de seu quarto segurando um livro e um lápis nas mãos. 

— Não precisa ficar de pé aí, pode sentar no sofá, viu? — minhas sobrancelhas se ergueram em surpresa pela forma que o garoto falou — Pode ficar à vontade, só tente não vasculhar as coisas dos outros.

— Obrigada. Eu acho — sussurrei a última parte, me sentando no sofá. 

Hyeongjun não aparentava ser um menino doente como Han me disse que é. Ele era mais do tipo travesso e respondão com os mais velhos, a não ser que ele fosse assim exclusivamente comigo. Quem sabe?

— Você sabe algo sobre inglês? Eu sou péssimo nessa aula — se sentou à mesa de centro, abrindo o livro — Pode me ajudar?

— Claro! — respondi animada, era a minha chance de conquistar a simpatia do garoto — O que está aprendendo? 

— É uma coisa chamada Present Perfect Continuous. Eu não entendo nada sobre isso. 

— Hum… certo, não é tão difícil, você vai ver — desci do sofá, me sentando ao seu lado — Primeiro, o Present Perfect Continuous nada mais é do que descrever uma coisa que começou mas ainda não acabou. 

Ele prestou atenção no que eu estava dizendo, balançando a cabeça em confirmação de vez em quando.

— Por exemplo — continuei —, você começou a ir pra escola quando era pequeno, mas continua indo agora, quer dizer que essa ação ainda não acabou. Deu pra entender mais ou menos? 

— Acho que sim — ele coçou a cabeça com o lápis — Então se eu quiser dizer que eu odeio inglês desde que nasci eu uso isso? Porque eu continuo odiando até hoje! 

Me esforcei para segurar o riso, pelo menos ele havia entendido o principal.

— Exato! E então, quer ver como a gente monta esse tipo de expressão? — perguntei e ele assentiu prontamente. Nesse momento, Jisung se juntou à nós na sala.

— Hyeongjun, não incomode as visitas com seu dever de casa.

— O que eu posso fazer se a noona é muito melhor do que você em inglês? — me surpreendi com a forma que ele me chamou, mas permaneci quieta, sei que nunca se deve interferir em uma briga de irmãos.

Jisung riu soprado, achando graça na fala do garoto. 

— Vou fazer algo pra comermos, a senhorita pode ir tomar banho se quiser, deixei suas coisas em cima da cama — balancei a cabeça, assentindo.

— Continuamos depois, tá bom, Hyeongjun? 

Fui em direção ao quarto de Han para pegar minhas roupas e tomar um banho. Eu estava andando com malas no bagageiro do meu carro desde que saí de casa, parecia uma andarilha sem lar. Quando entrei no banheiro, não pude deixar de me sentir estranha por estar ali, no apartamento de Jisung. Deixei a água quente cair em minhas costas até me livrar um pouco da tensão que me consumia. Tudo isso é tão novo pra mim.

Terminei de me trocar e voltei ao quarto, tudo o que eu queria era me preparar para deitar e passar a noite me virando de um lado para o outro na cama ou encarando o teto, porque não sei se vou ser capaz de pegar no sono aqui. 

Eu estava ajeitando o edredom no colchão quando vi a tela do meu celular acender com uma notificação. Era uma mensagem de Hyunjin. Sem pensar muito, a abri, e eu não poderia nunca ter imaginado o que estava escrito nela. Era o que ele havia tentado me contar mais cedo quando me ligou.

Acontece que Han Jisung não estava mais sendo pago para ser meu guarda-costas. Meu pai o demitiu quando saí de casa. 

Minha cabeça começou a girar, mesmo com tantos pensamentos dentro dela eu não sabia o que pensar, se é que isso fazia algum sentido. Jisung simplesmente continua me protegendo onde quer que eu vá, sem receber um único won por isso.

Minha mente podia explodir a qualquer momento.

Senti meu estômago revirar como se eu estivesse em uma montanha-russa. Mesmo que essa fosse a última coisa que eu deveria fazer, mais uma vez me peguei pensando sobre quais seriam os sentimentos de Han por mim, meu coração pulou uma batida. 

— Precisa de mais cobertores? — me assustei com a chegada dele no cômodo — Posso pegar mais, se quiser. 

— Tudo bem… aqui tem o suficiente.

Era engraçado como eu havia acabado de o responder, mas parecia que eu sequer tinha pensado na resposta, apenas falei da boca pra fora. Estava hipnotizada o olhando.

— A senhorita está bem? — ele me encarou confuso, sem entender porque eu agia daquele jeito — Parece meio pensativa. Aconteceu alguma coisa? 

— Não… n-não foi nada.

Outra vez, estar perto dele fez meu coração disparar sem minha permissão. Tudo que eu queria era que todos esses sentimentos fossem menos confusos dentro de mim agora. Não sabia mais o que pensar sobre Jisung. Se ele não se importasse comigo, se eu fosse apenas a filha do chefe dele, ele não estaria fazendo nada disso por mim. Mas por que parece que quando eu tento me aproximar ele me afasta com palavras novamente? 

"Palavras podem te enganar às vezes, Jiwoo, mas atitudes não. Lembre-se disso"

Minha mãe me dizia isso com frequência quando eu era mais nova, eu sempre achei meio bobo, porque algumas pessoas podem te enganar até mesmo através de atitudes, mas esse com certeza não é o caso de Han. Suas atitudes definitivamente não são as de um mero guarda-costas. 

O rapaz caminhou até mais perto de mim para me encarar. Talvez não tivesse acreditado na minha resposta.

Paralisei com a proximidade de Jisung. Podia sentir sua respiração bater contra o meu rosto e mal consegui o encarar; desviei o olhar. Como já imaginava, nenhuma outra palavra saiu de minha boca depois daquilo, mesmo que eu tenha tentado dizer algo. Não sei dizer quanto tempo ficamos ali, nossos corpos quase tocando um ao outro, a tensão entre nós era quase palpável. 

— Tudo bem, então… mas me diga se eu puder ajudar em algo, tá?

— Pode deixar — balancei a cabeça afirmando. Ele sorriu me olhando.

E minhas pernas perderam as forças quando Jisung se moveu para a frente, dando um beijo leve em minha bochecha antes de dizer em meu ouvido:

— Boa noite, Srta. Kim. Durma bem.

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