♡ 18 ♡

Alguns dias se passaram desde que voltei da casa dos meus avós. O que aconteceu em Jeju ainda tirava meu sono a noite, ainda mais quando eu tinha que ver Han Jisung todos os dias. Não sabia exatamente como me sentir, às vezes desejava nunca ter me aproximado de um homem que foi contratado para ser meu guarda-costas quando eu nem mesmo queria ter um, mas, outras vezes, na verdade sempre que o via, o que eu mais desejava era ser correspondida.

O pior de tudo era que os meus problemas amorosos não eram nem de longe a minha maior preocupação nesse momento. Eu precisava arrumar um emprego. Meu pai confiscou meus cartões de crédito e deixou extremamente claro que não me daria mais nem um won enquanto eu não me desculpasse com a família Green e reatasse o noivado. Não sei nem como ele continua pagando o salário de Han e a mensalidade da minha faculdade. Talvez tenha ficado com medo de que eu cometesse uma loucura caso tivesse me tirado o que é mais importante para mim.

Ele não me expulsou de casa, mas eu mesma fiz questão de sair. Não que eu tivesse condições de me manter sozinha nesse momento, mas Hyunjin me deu uma mãozinha. Passei as últimas noites dormindo escondida em sua casa. Sei o quanto isso é ridículo de se dizer em voz alta, porque teoricamente eu deveria ser bem recebida na casa de pessoas que são minha família, mas o Sr. Hwang é leal ao meu pai, nunca me deixaria ficar sabendo que estou indo contra Kim Taesoo.

Levantei cedo para me arrumar, o dia seria longo e eu precisava procurar um emprego depois da aula. Para não correr risco de ser pega por algum funcionário da casa que fosse limpar os cômodos, fiquei com Hyunjin em seu quarto. O sofá dele era mais confortável do que eu imaginava. Caminhei na ponta dos pés para não acordar meu primo, mas só depois percebi que a montanha em cima de sua cama era só cobertores bagunçados. Por um milagre, ele havia se levantado primeiro que eu hoje.

Terminei de me arrumar no banheiro, saindo com a toalha úmida no ombro quando dei de cara com Hyunjin no quarto. Ele já estava vestido com o terno para sair para o trabalho e me aguardava sentado na cama.

- Jiwoonie, vem cá - deu tapinhas no colchão ao seu lado, eu me sentei, sem entender muito bem.

- O que foi, Hyun? - o encarei confusa.

- Eu nem sei como te dizer isso, mas... você vai precisar ir embora. Me desculpa...

Para ser sincera, eu já esperava que isso fosse acontecer. Não tinha como me manter escondida aqui por tanto tempo. Mesmo já sabendo a resposta, decidi confirmar:

- Seu pai sabe que estou aqui? - ele acenou com a cabeça e murmurou um "uhum" baixo - E você sabe se meu pai já descobriu?

- A essa hora ele já deve saber.

Respirei fundo e assenti. Minhas coisas já estavam arrumadas na mochila para caso isso acontecesse de repente. Observei meu primo, ele parecia completamente desapontado por ter que me deixar ir embora.

- Tudo bem, Hyun. Você sabe que isso não é culpa sua. Vou ficar bem, não se preocupa, tá?

Ele passou o braço ao redor de mim, me abraçando de lado. Sorri com o gesto, era bom ter o seu apoio nesse momento.

Neguei prontamente com a cabeça quando Hyunjin me estendeu um envelope branco. Não podia aceitar dinheiro dele.

- É um empréstimo - avisou - saiba que vou atrás de você se não me pagar.

Suspirei, pegando o envelope de sua mão.

- Obrigada por tudo, Hyun. Te dou notícias.

E, colocando minha mochila nas costas, saí pela porta dos fundos da mansão.

[...]

Na faculdade, nem desenhar um projeto fez meu ânimo aumentar. Tinha tanto com que me preocupar que não consegui me sentir feliz desenhando pela primeira vez em muito tempo. Seeun me cutucou com o cotovelo.

- Ei, não se preocupe, vamos dar um jeito em tudo depois da aula - ela sorriu fechado, tentando me passar confiança - Escuta, mas por que ele continua aqui se seu pai tirou todas as suas mordomias?

Seeun apontou com a cabeça para fora da sala, onde conseguia ver uma parte do corpo do guarda-costas pelo vidro. Balancei os ombros, deixando claro que também não sabia o motivo.

- Bom, parece que ele continua pagando o salário do Han - girei o lápis entre os dedos - Ei, você acha que eu devia vender o carro que meus avós me deram?

Isso passou pela minha cabeça de repente. Um carro dá gastos e eu não tinha dinheiro suficiente para mantê-lo.

- Se fizer isso, vou ser obrigada a parar de andar com você. Sabe que só sou sua amiga por causa do seu carrão.

Eu gargalhei de sua fala. Era bom ter Seeun na faculdade para me ajudar a esquecer um pouco dos problemas. Ela é uma amiga muito especial.

Quando o horário da aula terminou, eu caminhei com a garota para fora do prédio. Jisung andava alguns passos atrás de nós.

- Pode me esperar um pouco? Vou ligar pra concessionária e resolver o lance do carro.

Seeun concordou, se sentando nas escadas do lado de fora do edifício. Combinei de ir com ela até a loja de conveniência onde ela trabalha. Se o dono gostar de mim, posso conseguir um trabalho de meio período lá. Pode parecer pouco para a filha de um milionário, mas preciso começar a andar com minhas próprias pernas.

Liguei para a concessionária, esperava que eles pudessem comprar o veículo para revender, mas o que eles me disseram me surpreendeu. Meu carro estava com o imposto do ano e o seguro já pagos. Eu não precisaria me preocupar com nada além de abastecê-lo. Meus avós são realmente anjos. Desliguei o telefone feliz por saber que não precisaria me desfazer do presente que os dois me deram com tanto carinho.

Poderia dizer até que estava com sorte. Se meu dia continuar assim, sinto que coisas boas virão.

- Certo, parece que você vai continuar sendo minha amiga - estendi a mão para ajudar Seeun a levantar da escada - O carro fica.

- Tá brincando?! - ela comemorou fazendo um high-five comigo - Isso sim é uma boa notícia!

Concordei sorrindo. Até então, Han apenas nos observava sem se intrometer na nossa conversa. Eu ainda não sabia muito bem como me comportar perto dele depois do nosso beijo. Sabia que o mais correto seria conversar com ele sobre isso, como dois adultos que somos, mas não tive coragem de abrir a minha boca pra nada depois que ele esmagou minhas esperanças me chamando mais uma vez de Srta. Kim. Céus, como eu odeio isso!

- Vou passar o resto do dia com a Seeun, Han. Pode ir pra casa.

Não era isso que imaginei que estaria falando para Jisung nesse momento. Por algum motivo, pensei que ele fosse corresponder os meus sentimentos, mas parece que eu estava errada sobre tudo. Tenho que colocar na minha cabeça de uma vez que tudo que ele fez por mim até hoje foi apenas profissional, porque ele é o meu guarda-costas.

- Vou ficar com a senhorita.

A Yoon soltou um assovio, dando meia volta para nos deixar conversar sozinhos. Eu segurei seu braço para que ela não fosse a lugar algum.

- Se eu precisar dos seus serviços, eu ligo. Vá pra casa.

Minha fala soou seca, foi proposital. Depois disso, Jisung finalmente foi embora e eu soltei a respiração que nem sabia que estava prendendo.

- E então, pronta pra ser a primeira milionária a trabalhar em uma loja de conveniência? - Seeun brincou, passando o braço pelos meus ombros.

- Prontíssima, futura colega de trabalho!

[...]


Mais tarde, naquele mesmo dia, eu terminava uma lista de exercícios sentada na mesa do lado de fora da loja de conveniência enquanto Seeun trabalhava. Estava esperando o dono do estabelecimento chegar para que pudéssemos falar com ele sobre eu trabalhar aqui. Eu guardei o material escolar rapidamente e me levantei para cumprimentar o homem quando ele chegou. Fomos até o interior da loja e conversamos por alguns minutos sobre o trabalho e o expediente. Não precisei falar quase nada, pois, aparentemente, a Yoon já havia contado ao dono tudo sobre mim.

Eu não imaginei que seria tão fácil conseguir um emprego de meio período, mas o homem aceitou me contratar, claro que muito mais pela confiança que tinha em Seeun do que em uma desconhecida que não tem nenhuma experiência profissional. No fim das contas, meu dia terminou com um saldo positivo. Fui expulsa da casa de Hyunjin, mas pelo menos consegui um emprego e vou poder ficar com meu carro. Eu devia estar pulando de alegria, mas nem tudo eram flores também. Ainda precisava pensar onde iria passar a noite. Seeun tem uma colega de dormitório, o que me impedia de ficar lá ilegalmente. Talvez eu devesse ir para uma pousada, ou quem sabe dormir em uma sauna por aí.

Ignorei algumas ligações de Hyunjin enquanto pegava as informações sobre a contratação, não queria usar o celular na frente do dono da loja antes mesmo de ser contratada, isso não passaria uma boa impressão. Sabia que provavelmente o Hwang quisesse saber notícias minhas, mas podia enviar uma mensagem mais tarde. Tinha tanta coisa em minha cabeça nesse momento.

Quando escureceu e Seeun terminou seu expediente, nós sentamos em um parque por perto e tomamos cerveja. Não tinha orgulho disso, mas precisava ficar pelo menos um pouco bêbada depois de um dia como esses.

- A vida é difícil, Seeunie - abracei minhas próprias pernas ao falar - Quero voltar a ser criança.

- Mas se você fosse criança não poderia estar bebendo cerveja. Pense nisso.

Soltei um riso nasal, nem mesmo no meu momento bêbada reflexiva Seeun me dava folga de seus comentários bobos e extremamente verdadeiros. Meu celular vibrou no bolso, atendi, vendo que era Hyunjin novamente.

- Hyun! Me perdoa! Esqueci de te retornar! - supliquei de um jeito esbaforido. Ele suspirou de um jeito dramático do outro lado.

- Só me diga que está sobrevivendo a vida "independente" - mesmo por telefone, eu conhecia sua voz o suficiente para saber que ele usou aspas na última palavra.

- É, eu tô melhor do que esperava. Consegui um emprego!

- Sério? Woah! Não pensei que você soubesse trabalhar, Jiwoonie - me provocou. Ele riu por dois segundos até parar abruptamente - Enfim, liguei pra te dar notícias sobre o que tá rolando na família depois da sua fuga.

Eu estava realmente curiosa para saber o que aconteceu no castelo de Kim Taesoo depois que saí de lá. Perguntei um "o que?" curioso e esperei a resposta do meu primo.

- Primeiro, seu pai tá achando que a qualquer momento você vai voltar pra casa, acha que você não é capaz de viver sem o dinheiro dele - abri a boca incrédula. Não acredito que ele disse isso - Pois é, pode acreditar. Eu ouvi com meus próprios ouvidos!

- Pois ele vai ter que esperar se tá pensando que vou voltar pra lá tão cedo! - tomei mais um gole da cerveja, já estava sentindo meu corpo amolecer.

- Ah, e sabe aquele seu guarda-costas? - Hyunjin começou, mas eu não escutei nenhuma palavra que ele disse depois daquilo.

Deixei o celular de lado, me levantando confusa com a figura que havia acabado de chegar ali. Ele estava a apenas alguns metros de mim, e eu não sabia sequer como ele havia me encontrado.

- O que está fazendo aqui, Han?

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