♡ 17 ♡
— Jiwoo?! O que está acontecendo?
A voz de Henry ecoou dentro da minha cabeça, eu pensei que estava delirando até me virar definitivamente para constatar que ele estava atrás de nós. Minhas mãos se desprenderam das de Han quando me levantei, surpresa por ver o outro ali.
— Henry? O que tá fazendo aqui?!
— Eu vou deixar vocês dois conversarem — Jisung disse, se levantando do tapete — Se precisar de mim, vou estar no farol.
Acenei com a cabeça concordando, o guarda-costas saiu em seguida, me deixando apenas na companhia do Green.
— Você e o Han…?
— Não! — respondi prontamente. Mesmo que soubesse que estava sentindo algo por ele, não queria causar nenhum mal-entendido — O que veio fazer aqui, Henry?
O rapaz parecia confuso, ele colocou a mão fechada sobre a boca e respirou fundo, era como se ele estivesse atordoado.
— Eu estava preocupado, Jiwoo — só então percebi o cansaço no rosto de Henry. Era a primeira vez que o via com olheiras — Você saiu correndo da loja quando me viu e…
Ele parou de falar por alguns segundos, talvez estivesse pensando no que dizer. Eu esperei que ele continuasse.
— Minha presença te fez fugir?
— Henry, eu— dei um passo à frente, gesticulando com as mãos enquanto tentava formular uma frase.
Ele olhou para minha mão. Eu parei no lugar abruptamente. O anel não estava mais nela, ontem mesmo havia decidido tirar para devolvê-lo. Senti o objeto no meu bolso da frente.
— Jiwoo, eu... tenho feito tudo que posso pra me aproximar de você desde que nos conhecemos. Todos os dias. Tenho me esforçado pra estar do seu lado e te ajudar — sua voz não era de alguém bravo, mas percebi insatisfação vindo dela — Eu me senti um lixo quando você saiu correndo de mim daquele jeito!
Fechei os olhos e respirei fundo, mordendo os lábios com força para tentar acalmar a sensação horrível que me consumiu. Ele estava mesmo jogando na minha cara as coisas que fez por mim? E ele queria mesmo falar sobre sentimentos nessa situação? Sequer podia acreditar que no que tinha acabado de ouvir da boca de Henry.
— E em como eu me senti?! — bati no peito com força — Você pensou nisso?!
Eu não queria ter me alterado, mas não pude evitar o tom com que gritei aquilo. O nó que tinha preso em minha garganta se desfez, meu tórax subia e descia rapidamente junto com minha respiração descompassada.
— Jiwoo… me- me desculpa — ele abaixou a cabeça, o vento que balançava meus cabelos tampou minha visão por um momento. Ele me olhou novamente em seguida — Eu fui insensível e não pensei em tudo que você estava passando, eu… eu sinto muito, de verdade.
Soltei um suspiro longo, sentindo a tensão em mim se desfazer aos poucos.
— Tudo bem, só… vamos tentar esquecer isso, tá bom? — ele balançou a cabeça em afirmação — Sei que você tava preocupado, mas não precisava ter vindo, eu estou com meus avós, não poderia estar melhor aqui.
— Sei disso, Jiwoo, mas… eu vim o mais rápido que pude pra te encontrar, pra te ver… — o Green deu um passo à frente, parando mais perto de mim. Parecia hesitante em continuar a frase — Vamos comigo pra casa, hum?
Umedeci os lábios e respirei fundo antes de responder.
— Olha, Henry, pra mim não dá. Eu sou muito grata por ter tentado me ajudar, mas realmente não consigo fazer isso — fui até ele, pegando o anel no bolso e colocando em sua mão — Eu vou pra casa, mas não vai ser hoje e nem com você.
Engoli em seco depois de ter dito aquilo, entretanto, não fiquei para escutar a resposta do Green; fui até o tapete e juntei minhas coisas de um jeito desajeitado, saindo dali o mais rápido que podia. Eu sequer olhei para trás, realmente não tinha mais nada para conversar com ele.
Caminhei pela areia em direção ao farol. De alguma forma, os grãos aquecidos pelo Sol que tocavam meus pés descalços eram reconfortantes. Tinha tanta coisa em minha cabeça ao mesmo tempo que pensei que poderia surtar a qualquer momento, mas, quando o vi, de longe, esperando por mim no alto daquele farol, foi como se todos os meus problemas tivessem sumido de uma só vez.
Jisung pode não saber disso, mas existe algo mágico nele. Algo que, mesmo que tente, não conseguiria explicar com racionalidade, porque é um sentimento.
— O que achou da vista? — larguei minhas coisas em um canto do farol, me dirigindo até ele.
— É perfeita — respondeu, seus olhos brilhavam ao falar — E então… tudo bem com…? Você sabe.
— Tudo bem. Ele já deve estar indo embora. Vamos deixar isso pra lá e aproveitar nosso tempo aqui — ele acenou com a cabeça, concordando. Nós estávamos apoiados na grade de proteção do farol, olhando para o mar — Sabia que eu surfava quando era criança?
— O que?! — Jisung quase se engasgou ao rir repentinamente — Tá brincando?
— É sério, ué! — ri junto, sentindo meu coração ficar mais leve a cada segundo com ele — Minha mãe tinha um amigo que era instrutor aqui na praia, eu fiz muitas aulas, tá?
Eu tentava explicar que estava falando sério, mas Han continuava gargalhando como se tivesse ouvido a história mais engraçada do mundo.
— Desculpa — falou, tentando recuperar o fôlego depois de rir por uma eternidade — É que não consigo imaginar a senhorita surfando.
— Tudo bem, eu também não imaginaria — me dei por vencida. Eu realmente não tenho jeito de surfista — Se quiser aprender um dia, eu posso te ensinar.
— Não posso — sua resposta me surpreendeu. Antes que eu perguntasse o motivo, ele mesmo completou: — Não sei nadar.
— O que?! — dessa vez, quem estava incrédula era eu — Que tipo de guarda-costas não sabe nadar?
Ele fez uma cara engraçada como se estivesse se segurando para não rir, mas isso não durou nem dois segundos, porque ele explodiu em uma gargalhada em seguida.
— É claro que eu tô brincando — seu rosto adquiriu uma expressão convencida — Não só sei nadar como fui o melhor atleta do meu colégio por anos! A senhorita acreditou mesmo que eu não sabia nadar? Aigoo, que tipo de guarda-costas eu seria se não soubesse?
Era impressão minha ou ele estava me provocando? O fuzilei com os olhos semicerrados.
— Como eu não iria acreditar? Nadadores têm ombros largos, já você…
Foi a minha vez de rir enquanto Jisung me encarava com a boca aberta, como se não tivesse acreditado no que tinha acabado de me ouvir dizer. Claro que isso era uma grande mentira, os ombros de Jisung são tão largos e fortes quanto os de um nadador profissional, mas eu não podia dizer isso a ele agora.
— Ah, então é assim que vai ser? — fingiu me ameaçar, mas sua risada depôs completamente contra ele.
— Exatamente — balancei a cabeça, concordando. Por algum motivo, eu não conseguia parar de sorrir.
— Bom saber… — ele fez um biquinho, meio contrariado — A senhorita tem sorte que não consigo revidar. Não com você.
Eu mal acreditei como essa simples frase mexeu comigo. Senti meu estômago se revirar inteiro com as borboletas dentro dele ao mesmo tempo que uma sensação de choque elétrico passou pelo meu corpo. Olhei bem para Han, seu cabelo balançava com o vento e seu rosto era tão perfeito quanto uma obra de arte. Enquanto meu coração pulava loucamente dentro do peito, minha cabeça me implorava para agir impulsivamente e seguir meus sentimentos, mesmo que essa não fosse a decisão certa.
Obedeci e dei um passo na direção do rapaz, sem tirar meus olhos de seus traços perfeitos. Para minha surpresa, ele não recuou; pelo contrário, também avançou um passo para ficar mais perto de mim. Minhas pernas tremeram. Era o sinal que eu precisava para finalmente fazer o que queria.
E, em um minuto que eu pensei ter sido congelado no tempo, nós nos beijamos.
Assim que os lábios macios de Jisung tocaram os meus, o mundo ao redor pareceu sumir. Nunca tinha experimentado nada parecido em toda a minha vida, era como se eu estivesse flutuando, e não com os pés no chão. Sua mão quente segurou meu rosto com delicadeza e eu podia sentir que ele nunca seria capaz de me machucar.
Eu me senti nas nuvens até nos separarmos. Esperava que a partir dali Han me enxergasse como mulher, mas, assim que nos soltamos, as primeiras palavras que ouvi foram:
— Me… d-desculpe, Srta. Kim. Eu não devia...
Foi como se a realidade tivesse me atingido em cheio com um soco. Ele ainda estava falando como se fosse apenas o meu guarda-costas. Isso me fez pensar onde eu estava com a cabeça ao beijá-lo. Estava com medo em imaginar que talvez ele não sentisse o mesmo por mim. E estou com mais medo ainda de que ele peça demissão assim que chegarmos em Seul para se afastar de mim.
Dei dois passos para trás, meio desnorteada e sem saber o que falar ou fazer naquele momento. O rosto de Han não entregava o que ele sentia, o que deixava tudo ainda pior, então, mais uma vez, minha saída era fugir.
— Han, e-eu preciso ir!
Ainda escutei quando Jisung me chamou, mas não consegui sequer olhar para trás. Precisava desesperadamente sair dali.
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