♡ 13 ♡
Alguns dias haviam passado desde que concordei com a ideia de Henry de mentirmos para todos sobre o noivado. Apesar de parecer um respiro, a sensação de alívio não durou muito. Recebi a ligação da cerimonialista que estava cuidando dos preparativos para o casamento, hoje seria a primeira prova do meu vestido de noiva. A mulher fez questão de me lembrar que eu não havia sequer escolhido o modelo e que deveria estar lá em uma hora, pois a dona do estabelecimento estaria me esperando.
Se eu queria mesmo fazer com que essa mentira parecesse verdade, teria que passar por isso. Terminei de me vestir enquanto pensava no que precisava fazer para conseguir sair de fato dessa casa. Primeiro de tudo, precisaria de um trabalho. Além disso, preciso me encontrar com Seeun, talvez haja um lugar vago em seu dormitório na faculdade para mim. Decidi que depois da prova do vestido iria procurá-la.
Peguei minha bolsa e saí do quarto, fui até o estacionamento da mansão sem falar com ninguém, apesar de Han ter me seguido quando viu que eu sairia. Não era como se eu não quisesse falar com ele, Jisung começou a me tratar diferente desde o meu "noivado" com Henry. Talvez ele esteja se afastando porque não acha certo ser tão próximo de uma mulher comprometida. Ou talvez ele só odeie esse anel idiota tanto quanto eu odeio. Isso tudo estava me enlouquecendo.
Caminhei até o carro no estacionamento e apertei o botão da chave. O veículo não abriu. Puxei a maçaneta da porta mais uma vez, trancada.
— Desculpe, Srta. Kim, mas esse não é o seu carro.
Foi só quando Han disse isso que eu me dei conta do quão atordoada estava. Levei a mão à testa, sem entender como eu tinha confundido um SUV azul com um sedan preto de luxo. Ainda confusa, caminhei até o veículo certo, estava prestes a entrar quando Jisung me impediu, fazendo uma barreira com o braço na porta.
— A senhorita não parece muito bem, deixa que eu dirijo hoje.
Confesso que fiquei com medo de causar um acidente, então entreguei a chave para ele e dei a volta, sentando no banco do passageiro. Coloquei o cinto de segurança, minha cabeça praticamente girava mesmo que eu estivesse completamente sóbria. Esperei que o guarda-costas desse partida no carro, mas ele continuou parado por alguns segundos.
— Pra onde estamos indo mesmo? — perguntou, tentando capturar minha atenção. Eu saí do transe, balançando a cabeça para voltar à realidade.
— Gangnam. Estamos indo escolher um vestido de noiva.
Na loja, mesmo depois de uma das funcionárias ter me oferecido um lanche, meu mal estar não pareceu nem perto de passar. Na verdade, eu sabia que aquilo não se tratava de um problema físico, era tudo claramente emocional. Eu tinha que aguentar. Han estava perto enquanto eu caminhava junto da dona da loja e sua assistente por entre os modelos de vestidos expostos ali. Obviamente, todos eram lindos, mas é claro que eu não gostaria de usar nenhum deles. Não para me casar com alguém que não amo.
Sempre tive vontade de ter alguém que amo ao meu lado. Também sempre senti vontade de ser amada. Não da forma que minha mãe me amava, nem tampouco como o amor fraternal de pessoas que fazem parte da minha vida como Hyunjin e a Sra. Jeon. Amor romântico. Aquele que os gregos chamam de Eros.
Mas para isso acontecer eu preciso me certificar de estar livre. E, nesse momento, estar livre significa que preciso planejar um casamento que não vai acontecer.
— Pode escolher pra mim? Tenho certeza que você sabe muito melhor do que eu qual modelo ficaria melhor no meu corpo.
A dona da loja, para quem fiz o pedido, encarou a assistente confusa, mas assentiu mesmo assim. Pelo menos eu não teria que gastar minha energia com isso.
— A Srta. gosta mais de tecidos opacos ou algo que brilhe? — enquanto a dona perguntava, a assistente anotava coisas em seu tablet.
— Tanto faz.
— Prefere um estilo extravagante ou mais minimalista?
— Também é indiferente.
— Véu e grinalda? — dessa vez a assistente perguntou, minhas respostas pareciam ter a deixado inquieta.
— Eu… — de repente, paralisei. Sabia que tanto as mulheres quanto Han estavam me encarando, isso não me incomodou.
Pra ser sincera, eu costumava imaginar o meu casamento, mas isso foi antes de meu pai começar a me obrigar a sair com membros de famílias poderosas. Sabia exatamente como queria o vestido e as flores, já tinha imaginado cada detalhe, inclusive o véu e o enfeite que usaria no cabelo. Agora, eu apenas escondo esse antigo desejo no lugar mais fundo da minha mente e coração, nunca usaria algo tão pessoal em um casamento que é apenas um negócio entre dois empresários.
— Sem problemas, vamos separar um modelo que combine perfeitamente com a senhorita. Por enquanto, pode ficar à vontade, vamos chamar quando estivermos com tudo pronto.
Me sentei no sofá branco da sala de espera. Han estava de pé, parado próximo à porta, cumprindo muito bem o seu trabalho de ficar de olho em mim. Em minha frente, havia uma pequena mesa dourada com champanhe, duas taças e alguns doces finos, eram dez da manhã, mas confesso que tive vontade de tomar aquela garrafa inteira.
Não demorou muito para que as duas mulheres voltassem. Fui com elas até outro espaço da loja, mais reservado, onde me vestiria com as peças escolhidas. Respirei fundo e abri os olhos, vendo o vestido branco no manequim em minha frente. Era deslumbrante. Parecia ter saído direto de um conto de fadas.
A assistente me ajudou a colocar o vestido, me fazendo subir em uma base, também branca, que formava um círculo no meio da sala. A base tinha uns 15 centímetros de altura, quando subi o degrau, a mulher começou a fazer alguns ajustes na cintura da peça. Alguns minutos depois, estava pronta. Meu coração palpitava com a sensação daquele tecido em minha pele, ao mesmo tempo, meus sentimentos estavam completamente confusos.
Quando olhei para frente, o grande espelho mostrou o meu reflexo. Os brilhos do vestido cintilavam tanto que criaram uma sensação de ilusão de ótica aos meus olhos quando contrastados com a moldura dourada do espelho. O véu preso na parte de trás da minha cabeça se arrastava pelo chão, eu mal conseguia ver o final dele pelo reflexo. Eu estava linda. Mesmo assim, podia dizer com toda certeza que a imagem que eu via ali não se parecia nada comigo.
A mulher mais velha me elogiava enquanto a mais nova ajeitava a saia do vestido para que ficasse perfeita. Eu nem sabia explicar como estava me sentindo ali.
— A senhorita está pronta? O noivo está esperando para vê-la.
— No- noivo?!
De repente, meu reflexo no espelho era o de uma garotinha assustada. Por que Henry estaria aqui? Ninguém nem mesmo me avisou sobre isso, eu não quero mesmo que ele me veja desse jeito, esse casamento não vai acontecer, ele não precisa me ver em um vestido de noiva!
— Sim, Srta. Kim. Seu noivo veio te ver. Isso não é maravilhoso?
Senti o desespero tomar conta de mim completamente. Apenas pensar que Henry estaria no cômodo ao lado, sentado enquanto me olha como se fôssemos um casal apaixonado, me fez perder a capacidade de respirar corretamente. Olhei para os lados, angustiada, procurando pela saída, quando a assistente empurrou o espelho, que só então reparei ter rodinhas, para o lado. Minha aflição só piorou vendo a dona da loja puxar uma corda dourada cheia de adornos que abria a cortina preta em minha frente.
Tentei falar algo, mas minha voz simplesmente não saiu, era como se o bolo formado em minha garganta não deixasse ela passar. A sensação de sufocamento me causou total aflição.
Meus olhos se arregalaram. De repente, ele estava ali. A cortina que separava o cômodo foi totalmente aberta e me mostrou Henry, sentado no sofá enquanto me olhava atentamente. Não sabia dizer muito bem que tipo de olhar era aquele. Parecia doce, mas isso não mudava o fato de que ele não deveria estar aqui. Eu estava assustada como uma presa sendo pega pelo predador.
Como ele pôde ser tão insensível e aparecer assim sem me avisar? Ele sabe melhor do que ninguém como me sinto em relação a esse casamento.
Para mim era o suficiente. Não aguentaria mais passar nem mais um segundo naquela situação. Senti meu rosto se molhar com as lágrimas quentes que começaram a cair sem parar, aquilo doía tanto que parecia que meu coração estava sendo esmagado.
Segurei o tecido gelado do vestido, dando espaço para minhas pernas. Sem pensar duas vezes, eu corri. Corri o mais rápido que pude. Parecia exatamente como uma cena de filme quando a mocinha foge do altar antes de dizer o tão aguardado 'sim'.
Eu corria sem olhar para trás, ainda escutei gritos me chamando, mas os ignorei e continuei em frente. Quando cheguei na sala de espera, onde Han me aguardava, eu não aguentei. Ele me encarou com uma mistura de confusão e preocupação no rosto, mas eu sequer me expliquei. Apenas me lancei em seus braços e o apertei forte, pedindo enquanto soluçava:
— Han, por favor, me tira daqui!
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