Conto 4 - Aniversário de casamento

Uma aventura: aniversário de casamento

Peguei meu celular e digitei.

Fê: — Oi gente!

Em seguida alguém começou a digitar.

Becca: — Oi Sumida.

Fê: — Estou na correria com trabalho e casa. Pensam que vida de casada é só amor?

Socorro: — Oi Fê! E falando nisto, como está a vida de casada?

Fê: — Tudo tem dois lados né? Ainda bem que o lado bom supera todo o resto.

Eliz: — Aproveite então... Bom dia.

Fê: — Quero contar para vocês o que venho pensando... Um segredinho...

Falei a palavra "chave no grupo", agora todas vão querer saber.

Eliz: — Conta!

Becca: — J

Becca sempre com os seus olhos mostrando que estava por ali.

Cris: — Já estou curiosa. Bom dia fofolindas.

Camila: — O que está acontecendo?

Chegou Camila como sempre de paraquedas nas conversas.

"Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é por si só, uma vida." Sêneca

A vida é alegria quando espalhamos otimismo.

Cada dia, nova etapa é iniciada!

Lembre-se de agradecer, trabalhe a alegria e a boa vontade de fazer o novo.

Faça diariamente afirmação de otimismo, viva em harmonia e com fé. Às vezes construímos as nossas próprias barreiras, onde deveriam ser pontes.

Atravessar uma ponte pode ser o que estávamos precisando para sair de um lado ruim...

Bom dia.

Lena Rossi

Lena: — Desculpa Fê entrei com minha mensagem no meio da conversa.

Fê — Sem problemas Lena. Suas mensagens são sempre bem-vindas.

Malu: — Vai contar ou não! Preciso me arrumar para o trabalho.

Fê: — Então... Quero fazer uma surpresa para meu marido e quero ajuda de vocês. Daqui a pouco mais de um mês, 15 de julho, é nosso aniversário de um ano de casamento.
Anne: — Que lindo!

Laise: — Delícia!

Becca: — Vai ter comida?

Carla:— Vou pensar em alguma coisa...

Aline: — Mas já? Nossa como passou rápido.

Fê: — Gente, a conversa está boa, mas preciso ir agora. Estou trabalhando e no intervalo. Depois nos falamos. Aceito todas as sugestões. E lembrem que o orçamento é restrito.

Camila: — Gente o que a Fê está aprontando? Ela vai publicar: O precursor?

– Camila perguntou, mas nem respondi, apenas dei risada da minha amiga sem noção.

Sempre que posso dou uma fugidinha e vou ler o que elas estão falando. Não tenho como acompanhar o dia todo.

Este grupo é muito especial na minha vida. As amigas que fiz, com certeza, eu vou levar para a vida toda. Estamos sempre em oração umas pelas outras. Tenho até vergonha, pois sempre estou pedindo para que rezem por mim.


***

Os dias passavam e eu não sabia o que fazer de surpresa para meu marido. As meninas - casadas - do grupo já mandaram várias sugestões um pouco ousadas, mas também interessante se essa pessoa não fosse eu. Euzinha tímida da Silva. Mas que seria muito divertido, sem a menor sombra de dúvida, seria.

Pensei em fazer um jantar diferente e bem caprichado, mas durante este ano foi sempre isto que tentei fazer no dia de comemoração. Este teria que ser para causar. Algo inusitado. Diferente de tudo. E, as meninas, não estavam ajudando muito... Vou entrar no grupo e ver o que elas andam aprontando, estou achando silêncio demais hoje.

Fê: — Oi gente! Alguém em casa?

Alguns minutos e nada!

Fê: — Vaculentas!!

Dei risada. Aposto que agora uma vai gritar lá no grupo. Depois volto.

Acabei de me arrumar para o trabalho com um pensamento — o que fazer?

Entrei no refeitório, para meu intervalo de café à tarde e peguei meu celular. Centenas de mensagens que não teria tempo para ler, mas algumas meninas tinham enviado mensagem no meu privado perguntando se estava tudo bem. Respondi a elas que estava sim, é que não tinha nada especial. Queria dar 'oi' e saber mais algumas dicas para minha comemoração que não sabia ainda o que fazer.

Aceitei a sugestão da Eliz de pedir folga no dia anterior a data e falar com Nilson para fazer o mesmo, assim aproveitaríamos dois dias. Já que dia quinze seria no sábado.

Mais animada voltei ao trabalho e até tive algumas ideias para mudanças no meu livro que estava reformulando: O precursor


***

Três dias!!

Não é possível que o tempo passou tão rápido assim e eu não resolvi absolutamente nada sobre o dia tão especial.

Sou uma pessoa horrível.

Como posso ter descuidado tanto!

O que fiz neste último mês?

* Trabalhei como uma condenada: treinando, capacitando e moldando pessoal para a empresa.

* Ajudei na igreja.

* Família

* Escrevi meu livro...

Ah... Este foi o que meu deu muita alegria. Agora sim! Ele está ficando ao modelo que imaginei. Acredito que vou deslanchar.

* Preparar um dia especial para meu aniversário de casamento...

Ai que vontade de chorar!!

Na minha lista de prioridades era este o primeiro é não o fiz! Que esposa mais sem noção o meu marido foi arrumar!?

— Mas isto não fica assim! — falei para meu reflexo no espelho do banheiro — Ainda tenho tempo.

Entrei debaixo do chuveiro com uma ideia simples, mas gostosa.
Troquei de roupa e dei uma geral na casa. Deixei uma mesa caprichada posta para dois. Traria o jantar. Liguei na cidade vizinha e fiz uma reserva, almoço para dois, em um restaurante chique no sábado.

No meio da tarde alguém me liga na empresa e diz a seguinte frase:
— Você é a Fernanda? — confirmo com um "sim" apenas e o coração batendo na garganta — Seu pai deu entrada aqui na Santa Casa...

Já não escutava mais nada.

- Não pode ser! Meu pai não!

Deixei o telefone cair da minha mão e desabei sobre a mesa já chorando.
- O que foi Fê? Quem era?

Eu mal conseguia respirar, falar era uma ação totalmente impossível.
Mas ela percebeu o telefone caído e emitindo alguns sons.

- Alô! Sim. Sou amiga de trabalho. Entendi. Não. Pode deixar. Vou com ela.
Olhei no rosto da Carla que respondia automaticamente e esperei o pior.

- Acalme-se seu pai está bem.

O alívio me fez chorar ainda mais. Em silêncio fazia agradecimentos a Deus. Não suportaria mais um baque na minha vida. Afinal este ano, foram vários, e eu permanecia de pé e confiante.

- Ele não se sentiu bem e aferiu a pressão. Como estava com um aumento considerável resolveu ir ao hospital. Agora precisa de alguém, um acompanhante, para ser liberado.

Enquanto ela explicava alguém me oferecia água.

Assim que acalmei um pouco passei uma mensagem no grupo:

Fê: — Gente... Ore por mim. Meu pai está no hospital e estou indo pra lá agora. Não sei o que aconteceu.

Juntei minhas coisas e fui falar com meu gerente.

Quarenta minutos depois eu dava entrada na emergência à procura do meu pai. Não pensei em mais nada. Foi apenas quando virei à chave da porta de casa que me lembrei do jantar. Era quase nove horas da noite.

A falta de luz fez-me pensar que meu marido não estava em casa. Um frio percorreu minha coluna à medida que adentrava.

- Nilson! - chamei - Ei! Alguém em casa?

Nada!
Fiz um tour é não o encontrei.

Deixei-me cair no sofá derrotada.

- Para completar meu dia, ser abandonada, seria épico.

Recostei minha nuca no encosto do sofá e deixei minha mente vagar.

Senti um aroma conhecido e delicioso invadir minhas narinas. Meus sentidos afloraram e as papilas degustativas fizeram minha boca salivar. O estômago, vazio, deu sinal de vida.

Se for sonho, por favor, não me acorde.

Porém, uma leve pressão nos meus lábios, fez-me despertar. Foi neste instante que descobri os segredos das princesas.

Um sorriso conhecido entrou no meu campo de visão.

— Amor!! — voei em seu pescoço — Onde estava?

Apontando uma sacola ele falou as palavras mágicas:

— Fui buscar nosso jantar.

***

Fechei meus olhos e não conseguia dormir. Estava muito cansada. Meu corpo doía e reclamava, porém não desligava. Peguei o celular para dizer um 'oi' no grupo, mas como tinha uma mensagem no privado da Eliz eu dei boa noite para ela.

Eliz: — Oi Fê, como está seu pai?

Fê — Graças a Deus bem. Foi um susto. Ele não tem se alimentado direito e comendo muitas besteiras.

Eliz: — Têm que ficar de olho!

Fê: — Verdade. Vou ficar mais atenta.

Fê: — Eliz... Estou mal...

Eliz: — O que foi linda?

Fê: — Eu fiquei de trazer o jantar hoje. Lembra daquilo que falei de todo dia fazer alguma coisa diferente?

Eliz: — Sim. Claro que lembro.

Fê: — Hoje era o primeiro dia. E eu falhei. Sabe Eliz, com tudo que aconteceu, eu esqueci.

Eliz: — Mas é compreensivo. O seu marido vai entender...

Fê: — E você não imagina. Ele buscou o jantar e sabe o que trouxe?

Eliz: — Batata frita?

Fê: — Na mosca! Batatas, coxinhas e nuggets. Uma delícia! Melhor eu não teria feito.

Eliz: — Que marido romântico!

Fê: — Eu fico até com vergonha de ser tão relapsa.

Eliz: — Você não é nada relapsa! Como poderia saber que seu pai iria passar mal? E que filha deixaria de cuidar do pai doente?

Fê: — Sabe Eliz... Eu sou muito grata a minha família por tudo. Eles são tudo na minha vida, mas tem horas que me sinto impotente. Não sei como agir e ser melhor. E tem o Nilson... Preciso ser mais dedicada. Mas...

Eliz: — Fê... Minha querida, não é assim, ou melhor, não precisa ser assim. Sabe por quê? Você tem um marido que te ama e quem ama é parceiro. Lembra? Na saúde e na doença...
Fê — Obrigada Eliz...

Eliz — Imagine querida.

Fê — Preciso dormir.

Eliz — Eu também... Amanha tenho um aniversário. E sabe o que significa?

Fê — Que precisa descansar para estar linda.

Eliz — Não! Quer dizer, também, mas que o unicórnio vem me visitar.

Fê — Kkk


***

Acordei com um beijo e um alisar nos meus cabelos. Abri meus olhos e um par de olhos risonhos me olhava.

— Parabéns princesa, — deu um beijo no meu nariz — por ter escolhido o homem certo para acordar todos os dias com você.

— Parabéns meu amor, — dei um beijo no seu queixo — por ser meu escolhido e sortudo de acordar comigo todas as manhãs.

Levantei num pulo e ajoelhei no chão para pegar um presente debaixo da cama.

- Nossa! Já vai agradecer a Deus de joelhos? — ele perguntou rindo — Não precisa tanto!

— Quando foi que começou a ser tão engraçadinho? — ele gargalhou – Aqui está um presente para você ficar ainda mais bonito e eu poder desfilar por aí.

— Isto que é mulher confiante. Vai me embelezar e não tem medo da concorrência.

Abracei o presente e firmei o olhar nele.

— Tenho concorrência?

— Um monte – ele sinalizou com a mão rindo —, mas deixa de besteira e vem me abraçar aqui. Senão vamos atrasar.

— Olha aqui senhor Nilson, não me venha com essa conversa enviesada. Corto as asinhas de qualquer uma fulana que vier com gracinha.

— Eita! Vai me dar o presente ou não?

— Agora estou pensando nesta possibilidade... — disse levantando e sentando na cama.

Ele num golpe certeiro catou o embrulho da minha mão. Tentei segurar, mas ele foi mais esperto e me puxou junto para seus braços. Rimos muito neste duelo de tentar me soltar e ele tentando me imobilizar. Ele por cima e olhando em meus olhos falou:

— Tenho algo para você também. Espero ter acertado.

Do lado da cama estava um pacote dentro de uma sacola. Abri. Era uma sapatilha que com um pequeno salto plataforma que comentei outro dia que achei linda.

— Obrigada... Você comprou... E nem comentou nada no dia que falei que gostei, seu danadinho. — pensei me lembrando do dia — Na verdade falou, perguntou se não estava caro.

— Claro! Tinha que ser contra você comprar. E dizer que estava caro é um dos melhores motivos.

— Adorei. – dei um beijinho de leve e ele tentou me segurar.

Consegui escapulir e corri para o banheiro, a fim de tomar um banho. Tirei a roupa e abri o chuveiro. Nada! Fazia um barulho e pouca água saia do chuveiro.

— Nil! — gritei — Não está saindo água!

Ele entrou no banheiro vestido com a camisa nova e cueca. Coloquei a cabeça para fora do Box com o intuito de examiná-lo. Ele abriu a torneira da pia e também não saiu água.

— Acho que não tem água. — concluiu.

— Isto eu também percebi! Mas o porquê, é que gostaria de saber. – falei enrolando na tolha.

— Acredito que foi por você ser ruim comigo e me deixar sozinho na cama.

— Verdade? — perguntei entrando na brincadeira. Nada poderia tirar minha alegria. Nem mesmo a falta de água para um banho — Queria estar cheirosinha para meu maridinho.

Ele abraçou-me e com um beijo demorado foi me arrastando para o quarto. Não sei em qual momento eu perdi a toalha e os pensamentos.


***

— Nil... Eu preciso de um banho. — choraminguei.

— Eu também. Vou ver se tem algo errado com o hidrômetro.

Ele levantou colocou uma bermuda e saiu. Alguns minutos depois veio com um papel nas mãos e parou no meio do quarto e leu:

— "Senhores usuários, haverá corte do fornecimento de água a partir das zero hora deste sábado até as 17:00 horas para manutenção das nossas redes. Desde já pedimos desculpas pelo transtorno." Entendeu?

Cobri a cabeça e dei um gritinho de raiva.

Não tinha o que fazer, só se eu fosse tomar banho na casa do meu pai, mas iria perder uma boa parte da manhã. Resolvi ligar primeiro. Nada dele atender. Já fiquei nervosa. Depois de várias tentativas ele atendeu e descobri que estava longe de casa. Ou seja, nada de banho.

Entrei no grupo UPL já colocando emoji chorando. Logo vieram perguntar o que estava acontecendo e eu contei.

Dandara: — Fê já viu falar em banho de gato?

Fê: — Sim, KKKK

Aline: — É para uma emergência.

Sara: — Já fiz isto para não passar batido.

Cah: — Neste caso pode ser de lencinhos umedecidos amiga.

Malu: — Agora se for seu "gato" pode ser de língua mesmo. Desculpe! Não resisti.

Fê: — Socoooorrro!!! Kkkk.

Soh: — Alguém me chamou?

Com isto a Soh conseguiu tirar de mim um sorriso.

Rosa: — Oi, bom tarde.

Clys: — Tarde Rosa?

Rosa: — Aqui já é tarde. Tudo bem com vocês?

Clys: — Tudo. E você? Aqui a Fê está com probleminha de água na casa dela.

Janah: — Rosa! Manda um áudio com uma de suas lindas mensagens para animar o dia especial da Fê. É aniversário de casamento deles.

Rosa: — Vou ver aqui...

Fê: — Gente, mas justo hoje tinha que acontecer isto?

Paty: — Parabéns Fernanda. Aproveite o dia. Pense: mesmo quando tudo parece dar errado. De alguma forma ele já deu certo. O dia já é um presente para todos nós.

Sara: — Que lindo Paty! Pego carona nas palavras da Paty e desejo a você e seu marido muitas felicidades.

Rosa: mandou um áudio.

Janah: — Fê segue o conselho da Rosa. Vai ser feliz!

Fê: — Obrigada meninas... Eu sei... Agradeço de coração todas as palavras... Mas...

Eliz: — Oi Fê, eu não estou podendo interagir agora, mas respire fundo, ore e busque força para curtir seu dia. Bjs.

Fê: — Mas tudo bem. Vou me trocar para meu dia especial. Torcem por mim.

.

Outras mensagens, incluindo da Thais, Rafa, Anne e outras meninas chegaram depois com flores, parabéns e de desejo de boa sorte. Mas não fiquei olhando para o Nilson não se chatear, afinal o dia era nosso.

Quase na hora do almoço chegamos à cidade onde reservei o restaurante. Um local onde os turistas apreciavam muito por ter a melhor comida típica do Maranhão. Eu estava com muita vontade de experimentar o arroz de cuxá com torta de camarão. E fui informada que de entrada era servido o bolo de macaxeira com batata-doce, fruta pão e peixe frito com um molho. Apenas pensar minha boca enchia de água.

Como ainda não estava no horário fomos dar um passeio no parque. Era uma área bonita com bastante verde. Um lago central chamava atenção com os patos e marrecos nadando. Algumas pessoas estavam próximas a margem e jogavam pedaços de pão e eles vinham pegar e faziam uma gritaria, ou grunhidos, ou sei lá como se chama os barulhos destes bichos.

Alguns ambulantes vendiam pipocas, algodão doce e balões infláveis. Andamos por toda borda de mãos dadas apreciando a bela paisagem. Olhei a hora e o Nil entendeu que podíamos ir para o nosso almoço.

Estava movimentada a rua da área de alimentação. Tivemos que estacionar um pouco longe. E o espanto maior foi entrar no restaurante e perceber que ele encontrava-se lotado, - pensei – ainda bem que fiz reserva.

— Sinto muito não temos vagas hoje. — informou uma recepcionista assim que entramos, ou tentamos entrar.

— Eu tenho uma reserva para dois, — falei sorridente — nome de Fernanda Marques.

Ela olhou em um caderno, que no meu entendimento, nada tinha escrito.

— Sinto muito não possuímos nenhuma reserva.

— Como assim? Fui eu mesma que fiz na quinta feira. — tentei olhar o caderno e ela fechou — Deve estar aí sim.

— Sinto muito senhora... Mas não sei o que houve, pois estamos completos, todas as mesas... Na verdade foi fechado para uma festa da empresa...

— O quê? — eu tinha vontade de gritar — Quer dizer que vocês cancelaram minha reserva e não me avisaram?

Outras pessoas chegavam e ficaram parados atrás de nós esperando que resolvêssemos o nosso problema.

— Sinto muito... Eu realmente não sei o que aconteceu... — a mocinha estava até vermelha. Dava para notar que ela estava tão nervosa quanto eu.

Olhei para o Nil impaciente do meu lado e perguntei:

— E agora?

— Podemos falar com seu gerente?

Ela pediu licença e em alguns minutos três pessoas chegaram a recepção. A moça que nos atendia e a outra foi conferir a lista e liberar as pessoas a entrarem, e nós fomos levados para uma lateral.

— Como posso ajudá-los?

Depois de contarmos o ocorrido, e eu até mostrar a chamada feita pelo meu celular, assegurando que tinha feito a reserva. Não adiantou nada. O restaurante estava fechado, exclusivo, para essa tal empresa que comemorava 25 anos de existência.

Eles pediram mil vezes desculpas, mas de forma alguma assumiram que aceitaram minha reserva. Ofereceram o jantar por conta da casa, ou almoço no dia seguinte.

— Senhor, nós não moramos nesta cidade. Viemos aqui para comemorar o nosso primeiro ano de casados. A noite ou amanhã já não importa mais... — falei sentindo as lágrimas querendo brotar nos meus olhos.

— Sinto muito...

— Sinto muito, Sinto muito, Sinto muito... É apenas isto que sabe dizer? — falei me alterando e o Nil segurou meu braço pedindo calma — Vocês estragam nosso dia e vai ficar por isto mesmo! Eu duvido que sintam mesmo. Tenho certeza que fizeram isto por que receberam oferta maior!

Aquele sujeito ficou apenas me olhando e não disse mais nada. Se falasse "sinto muito" mais uma vez, era capaz de eu jogar aquele vaso de flor que estava do lado da mesa, na cabeça dele.

Saí daquela espelunca batendo pé. E em poucos segundos o Nil estava do meu lado me abraçando e dizendo palavras de carinho.

Levantei meus olhos e o encarei. Nem precisei dizer o que pensava.

— Vamos dar um jeito. É claro que vamos encontrar um lugar para almoçarmos.

Caminhamos pela rua onde se concentrava os restaurantes e nada nos agradava. A maioria deles eram fast food e neste dia não queríamos o de sempre, uma ocasião que mereciam, eu não queria na verdade a mesmice. Era para ser especial. E para piorar o que já estava ruim meu pé começou a doer. Dei uma olhada. Minha sapatilha nova tinha feito bolhas no meu calcanhar.

— Beleza! Era tudo que eu estava precisando. – resmunguei.

— Venha! – Nil puxou-me pela mão e entramos em uma lanchonete. Pediu um suco e olhando para meu rosto falou — Fique aqui até eu dar uma busca pelo local, vou achar um lugar legal para almoçarmos. Daqui a pouco eu volto.

Apenas sorri. Minha vontade era de chorar. Peguei o celular e abri no grupo UPL. Becca estava online

Fê — Oi gente! Vocês não vão acreditar?

Becca: — Fala mana. Tomou banho de caneca?

Fê: — Este já virou o menor dos meus problemas... Posso mandar um áudio?

Debora: — Não vou poder escutar agora, mas daqui a pouco chego em casa.

Debulhei tudo chorando. E fui acalmada com palavras de carinho e conforto das meninas, minhas amigas. Cada uma, com o seu jeito, tinham um modo diferente de ver os acontecimentos. E acabei contando do passeio no parque como foi legal para depois estragar tudo.

Eu, naquele instante estava com o coração fechado para ver um lado positivo de tudo aquilo. Então Lena entrou com a mensagem de bom dia, um pouco tarde, que me acertou de vez.

"Um dia a gente acorda, os livros nos acordam, um anjo nos acorda, e somos avisados: não adianta mais olhar para trás. É ir em frente ou nada." Martha Medeiros

Vamos acordar para vida? Quem ainda não escutou isso?

Como a Martha falou a cima, esse despertar para a vida pode vir de várias formas:
Um livro pode nos despertar para mudarmos de atitude perante um impasse que vivemos.

Os amigos estão sempre ao nosso lado para dar uma palavra e abrir nossos olhos. Isto porque quem enxerga de fora os nossos problemas tem uma visão melhor e sem os mesmos sentimentos envolvidos.

No entanto, um fato é certo. Voltar atrás e mudar não tem jeito. O que passou, passou. O que podemos fazer é consertar erros e tomar outros caminhos.

Ainda bem que as possibilidades de correções estão ao alcance de nossas mãos. Deus nos ama e quer o melhor de nós, por isso colocam em nossa vida "anjos" e possibilidades. E para refletir sempre vai ter uma noite entre os dias.

Esforce-se sempre para ser cada dia um pouco melhor. Assim ao fim de um ano você terá 365 dias de pequenas mudanças.

Boa tarde

Lena Rossi

Por alguns minutos eu fiquei olhando aquela mensagem e pensando nos meus dias. Acho que estava com tanto medo que alguma coisa desse errado que acabou acontecendo. E pior, estava me culpando, acreditava que poderia ter preparado melhor esse dia.

Olhei o celular de novo e muitas mensagens das meninas pipocavam na tela. A Lena ainda escreveu assim:

Lena: — Pense que por algum motivo não era para ser, fique atenta ao seu redor. Deus não age por acaso, sempre tem uma razão maior.

E foi nestas e em outras palavras das meninas que eu me firmei. Tomei um pouco do suco e olhei as pessoas que circulavam com sacolas de um lado a outro.

Em frente havia uma loja grande de utilidades. Pensei nas palavras da Cris:

Cris: — "Faça diferente!"

A Laise mandou um áudio em que me mandava voltar lá e fazer uma banana para o restaurante. E imaginar essa cena me fez rir, mas falou algo interessante:

Laise: — O importante é vocês estarem juntos, o que vai comer ou beber é o de menos.

A Malu comentou que deveríamos ter aceitado voltar para o Jantar e de graças. Afirmou ela:

Malu: — Eles não estariam sendo generosos. Se não avisou a vocês o cancelamento da reserva, era mais que obrigação deles.

A Janah completou o que as meninas falavam:

Janah: — Até umas coxinhas e batatas fritas estendida numa toalha xadrez no quintal debaixo das estrelas vira noite fora de casa.

Camila entrou no grupo deu Oi e tchau. Depois voltou e perguntou o que estava acontecendo comigo, pois não podia escutar áudio. A Eliz fez um pequeno resumo e ela fez a seguinte consideração:

Camila: — Fê meu amor mande as favas estes bandos de escrotos. Eles que estão perdendo de não ter a companhia desse casal maravilhoso. Fica triste não viu!

Ester: — Eu tinha mandado para outro lugar, mas tudo bem, e na mesma hora.

Becca: — Kkk Também sou dessas Ester.

Debora: — Poxa vida Mana, tudo isso no mesmo dia? Mas pode ficar tranquila. O melhor estar por vir. Tenho certeza que, ao final do dia, quando você colocar a cabeça no travesseiro, vai ter apenas o que agradecer. Tenha fé. Estarei em oração. Afinal, pense! O que é mais importante?

Fê: — Nós.

Débora: — Isto! No meio de tudo isto a real importância é o que vocês encontram um no outro.

Geise: — Também estarei em oração. Fêzinha... Vai dar tudo certo.

Fê: — Obrigada meus amores. Vocês ajudaram muito, estou bem melhor.

Pouco depois o Nilson chegou e com uma cara não muito animadora.

— Tem poucas opções por aqui do jeito que você queria, os lugares são mais simples...

Nem esperei ele terminar. Já tinha na minha cabeça o que iríamos fazer. Levantei e desta vez eu fui puxando-o pelas mãos.


Final

Deitada debaixo de um céu azul limpinho e uma grande árvore, eu respirava feliz. Mesmo depois de todos os acontecimentos do dia e da semana, se pensar melhor deste ano inteiro... Apesar dos pesares, eu estava feliz. Feliz por ter um marido presente e carinhoso. Por minha saúde. Os meus amigos. Pela minha família.

— O que tanto pensa?

— Na vida... No nosso ano... O que deu certo e o que "aparentemente" — fiz aspas — deu errado.

— O importante é o agora — ele colocou as mãos debaixo da cabeça e completou — e o que virá.

Sentei e o encarei.

— É isto que estava pensando. Todas as coisas que não foi como planejamos com certeza foi por alguma razão. Deus sabe o que é melhor para nossa vida.

Ele sorriu e me puxou para deitar em seu peito. E assim permaneci por um tempo. Fechei os olhos e inspirei seu cheiro.

— Esqueceu que não tomei banho? – perguntou e eu sabia que sorria.

— É cheiro de camisa nova... — respondi sorrindo e levei um pequeno cutucão.

— E meu presente? Acabou com seu pé né?

— Foi para me lembrar que nem sempre o novo é o melhor. — sentei — Mais cedo, lá na lanchonete eu vi um rapaz passando de muletas, ele não tinha o pé. Amputado pouco abaixo do joelho.

Deitei de novo e agora balançava os meus pés na frente dele e no alto.

— Veja! Daqui uns dias acostumam e estarão novinhos.

— Fique quieta aqui! — ele me fez deitar de novo — Vamos tirar um cochilo e depois iremos andar de pedalinho.

Deitei.

Dormir? Não. Estava muito acelerada ainda para fechar os olhos, ainda mais cochilar.

O barulho dos pássaros e das crianças ao redor era como músicas aos meus ouvidos. E nada poderia ser melhor. Nem aquele restaurante caro e chique. A paz que nos envolvia naquele parque foi tudo que precisávamos.

Saindo daquela lanchonete nós entramos na loja e eu comprei uma toalha de mesa, duas almofadas, duas taças, balde de gelo e guardanapos de tecidos, este dois últimos estava querendo há tempos. Voltamos em um restaurante que passamos e fiz algumas marmitinhas e peguei dois refrigerantes. Escolhemos um local mais afastado no parque e debaixo de uma grande sombra. Montamos nosso almoço piquenique.

Tiramos fotos do nosso banquete entre muitos sorrisos.

Com certeza este dia será lembrado como muito especial, talvez se tudo tivesse dado certinho não teria ficado tão marcado.

Andamos de pedalinho e passamos pelos marrecos e patos. Não contei para o Nil, vai ser um segredo nosso, mas que coisa mais sem graça é este passeio. Jesus! Quando sai de dentro daquilo, minhas pernas tremiam. Credo! Primeira e última! Que esforço tem que fazer para movimentá-lo.

Finalzinho da tarde, começando a anoitecer, voltamos para casa.

Água...

Que bom seria tomar banho... Claro, a dois, muito melhor.

Assim que virei à chave e comecei a abrir a porta estranhei uma luz. Fechei de novo e olhei o Nil.

— Tem alguém lá dentro. — gelei.

Sendo a rainha dos assaltos era o que faltava para fechar a noite.

Nil passou a minha frente e abriu a porta. Entrou comigo no seu encalço. No caminho peguei o porrete que, como prevenção nós deixamos escondido na sala, nunca se sabe quando vamos precisar.

A luz foi aumentando e terminou em nossa mesa de jantar, posta para dois, com velas e vinho descansando num pote improvisado. O cheiro delicioso estava por toda casa.

— O arroz de cuxá, não será daquele restaurante chique, mas foi feito especial para você. A torta é do restaurante da rua quinze, mas de camarão que você tanto gosta.

Eu chorava e não conseguia pronunciar a frase que desejava. Não acreditava em tudo aquilo.

— Q-quando você fez isso?

— Logo que percebi que não conseguiríamos comer o prato que você estava com vontade. Iria propor um lanche simples, mas você foi mais rápida.

— Obrigada amor...

Ele puxou a cadeira. Mas antes fui trocar o pote plástico pela minha nova aquisição: balde de gelo. O vinho pareceu ficar até mais saboroso — pelo menos mais bonito — e as taças acompanharam.

— A nossa saúde. Que venham muitos anos...

— A nossa felicidade...

Querem saber o que aconteceu depois?

Então vão ficar querendo...

Fim

Este conto eu fiz para uma amiga secreta, hoje revelada: fernandamarques.


"A vida é feita de escolhas, isto é fato, mas desde que escolhamos ser feliz não importa o caminho que teremos que traçar. Se tivermos ao nosso lado amigos, conseguiremos fazer a nossa trajetória. Se tivermos quem nos ama, tudo fica mais fácil." 

Lena Rossi 

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