Conto 24 - O sonho

Desafio: sonho

Número de palavras: 1153



Saía do banho e encontrei Atena acordada.

- Heloísa, você não vai acreditar com que sonhei!

- Então é melhor você me contar para eu dizer se acredito ou não.

- Tente adivinhar?

- A não! Fale, ou melhor, conte.

- Foi hilário e ao mesmo tempo estranho...

- Atena, por favor, pare de enrolar e conte! Preciso sair, vou ao cinema com Danilo.

- Se você não quer escutar fale de uma vez! Não vou te obrigar a nada! Agora que está namorando vai me abandonar.

- Pare de drama, Atena. Conte logo.

- Mas não é assim rapidinho, foi um sonho longo.

- Tudo bem. - Sentei para escutar o sonho. - Estou aqui inteira a seu dispor.

Atena sentou toda empolgada para descrever este tal sonho. Sabia que ia precisar ter paciência, pois ela quando começava uma descrição dava detalhes minuciosamente.

- Então... Eu sonhei que estava numa festa árabe. Tinha mulheres dançando a dança do ventre. Homens abanando com leques gigantes as mulheres sentadas nos grandes sofás.

- Está parecendo novelas mexicanas.

- Fique quieta! Você estava no sonho e dançava para seu presidente.

- Meu? Eu não tenho nenhum. Continua!

- Em um dado momento, eu entro neste salão vestida como uma dançarina coberta de lenços e jóias. Enrolo um dos tecidos no pescoço do sheik e bem perto dele sobro um beijo. Rebolo como nunca fiz na vida. Somente o quadril e as mãos balançavam. Eu estava tão sex que nem me reconheço.

- Nem eu, Atena. Por acaso você está interessada no árabe?

- Não! Claro que não. Eu nem sei o porquê sonhei com ele. Fique quieta e escute.

- Tá bom... Mas acelere!

- Então pare de me interromper. Continuando... Eu era a mulher mais atraente daquele salão. O sheik babava por mim. De repente, eu tiro uma cobra dos lenços e danço com ela enrolada no meu corpo.

- Cobra? Sei... Pensa no sheik e dança com a cobra... Muito sex.

- Preste atenção, Helô!

- Estou prestando... E onde eu entro neste sonho?

- Você estava lá com seu presidente querendo a atenção dele apenas para você. Acho que estava com ciúmes dá gostosa aqui. Pois já te falei que eu era o mulherão da festa, não é?

- Falou sim, Atena. A mulher da cobra - respondi olhando no relógio. Aquele sonho parecia que nem tinha chegado à metade e eu já entediada.

- Pois bem, eu termino a dança e todos me aplaudem. Ao sair do salão eu percebi que a cobra tinha sumido e para não causar pânico, discretamente eu aviso para um dos funcionários. Ele todo apavorado grita:

- A cobra sumiu!!

A confusão foi geral. Era gente correndo por todos os lados. E o anfitrião, Danilo, pedia calma.

- Danilo era o dono da cobra? - perguntei.

- Ele organizava a festa para os árabes?

- Então era dele.

- Não sei! Ah... Pare de atrapalhar minha narração, você sabe que sonho não faz muito sentido.

- Pode ser, mas alguns dizem que é respostas aos nossos pensamentos mais ocultos.

- O que você quer dizer? Que ando querendo fazer dança do ventre? Ou estou interessada neste sheik que nem conheço?

- Acho que anda fantasiando muito eu e Danilo como filme de romance.

- Eu vi não imaginei. Agora fiquei mesmo impressionada por dançar com a cobra. Imagine eu, que morro de medo até de minhoca iria me agarrar a uma cobra?

- Cada um tem seu sonho de consumo, minha querida.

- Pare de besteira! Eu nunca iria colocar a mão na cobra. Até que no sonho ela era bonita. Sua cor misturava amarelo com marrom. E deslizava em minhas mãos. Estranho, pois eu não tinha a sensação de sua textura e temperatura. Sempre pensei que estes bichos fossem gelados.

- E não era?

- Não sei. Não consegui ter essa noção. Agora que estou pensando na cor da cobra...

- Acabou, Atena?

- Não. Como ia dizendo a cobra sumiu e foi um desespero geral. O Danilo ficou desesperado por arruinar a sua festa. Porque ele queria impressionar os árabes.

- Imagino...

- E você me culpava também. Poxa vida, Helô, até no sonho você briga comigo.

- Por que será, hein?

- Não sei. Sou um amor de pessoa e você que implica comigo. Mas voltamos ao sonho.

- Vai demorar muito?

- A melhor parte vem agora. Você para tentar reverter a situação chamou atenção de todos, disse que era uma brincadeira e que a cobra era de mentira. E que ela tinha sido escondida. Quem a achasse ganharia um brinde.

- Eu sempre tenho idéias geniais.

- Foi uma safadeza, pois eu fiz a maior performance com a danada da cobra e você acaba com meu show. Queria achá-la para esfregár na sua cara.

- Melhor não! Deixa a cobra quieta no canto dela. E arrumamos uma de plástico mesmo.

- Quieta, Helô! O sonho é meu!

- Então acaba logo com isso! Preciso sair!

- Nesta confusão, começaram a procurar a bicha, mas não podia achar a verdadeira. Quem sabia a verdade ajudava nesta busca. De repente, eu sinto a cobra subir pela minha perna. O problema é que eu conversava com o lindo Sheik. E ela começou a fazer cócegas em minha perna enquanto subia. Enrolou na minha coxa e para meu desespero, colocou a cabeça para fora bem na minha cintura. Os olhos dele se arregalaram quando viu aquilo apontar. E eu? Não sabia o que fazer.

- Ele deve ter achado que você era um "traveco". - Nesta hora eu me contorcia de tanto rir. - Por que não falou que era uma apresentação particular?

- Pois é... Deveria ter dito, mas no sonho não me veio este pensamento. Talvez se fosse verdade, eu teria falado, apesar de que, nunca estaria com uma cobra enrolada. Muito menos dançando para um Sheik. Mas o que eu fiz foi pegar a cobra pela cabeça e tirei-a de mim.

- E ele?

- Ficou apenas me olhando distanciar. Não falou nada.

- Acabou?

- Eu não me conformo de ter acordado justo nesta hora.

- Sonho é assim mesmo. Estou impressionada de você ter lembrado tantas coisas. Eu geralmente esqueço tudo. E muitas vezes, não tem muito sentido.

- Hoje no mercado algo se encostou a minha perna e eu dei um salto. Pulei longe. Essa cobra não sai da minha cabeça.

- Achei que fosse o Sheik!.

- Nem sei a fuça dele. Sonhei com um de capa de revista. Todo ornado na roupa típica.

Neste instante o Danilo bate na porta do quarto e pergunta se pode entrar.

- O que tanto vocês conversam presas aqui neste quarto?

- Atena estava me contando um sonho doido que teve. E ela incluiu nós dois e os árabes tudo numa festa.

- E por acaso no fim desta festa foi tudo bem? Eles assinaram o contrato?

Olhamos uma para outra e caímos na risada. Depois de ela contar parte do sonho e eu tendo que escutar tudo de novo, Danilo ficou pensativo e em seguida falou:

- E se fizéssemos um pequena reunião na casa dos meus pais para recepcionar os árabes? Seria uma boa gentileza. O que acha, Heloísa?

Nesta hora Atena nem mexia. Com certeza pensava onde arrumaria uma cobra.


Lena Rossi

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