Conto 10 - Poção mágica

Poção mágica

Sábado a noite era o dia internacional da pegação. Sou Rafael, mais conhecido por Bem. O bem querido das garotas.

Depois de um bom banho, todo perfumado eu saí para noite. Iria a uma festa que era seleção pura. Passei na casa de um amigo e a sua ficante. E os dois tiveram a cara de pau em sentar no banco de trás.

- Ah não! Eu não vou sair daqui de motorista dos pombinhos. Pode vir alguém aqui para frente! - falei.

- Se liga, Bem! Deixa de ser fresco! - falou Filé beijando a menina que era somente sorriso.

- Então vamos ficar aqui - fiz birra.

- Venha aqui para trás. Eu dirijo - falou ele pegando no meu ponto fraco.

- Nem fudendo...

- Ah vai... Eu te apresento uma amiga linda mais tarde - falou a garota pegando no meu segundo ponto fraco ou será esse o primeiro?

Liguei o carro e saímos.

- Promessa é mais que dívida, garota!

- Bem me perguntava sobre sua amiga que anda de patins e tem olhos verdes - comentou Filé.

- Ou azul. Loira de cabelos longos.

- Anda de patins e olhos claros? Hum... Quem será? Pensei em te apresentar a Du, mas ela não tem olhos claros, na verdade nunca vi alguém com olhos tão escuros como os delas e faz balé.

- Se ela tiver na festa eu te mostro - falei.

A festa bombava. Foi difícil até em estacionar.

Dei uma resenha. E nada de ver minha loira. Peguei uma bebida na cozinha e voltei para a área externa. Uma garota vestida de bruxa e com um caldeirão saindo fumaça distribuía um líquido roxo em taças. Cheguei perto por pura curiosidade.

- Quer realizar seu desejo essa noite? - ela me perguntou.

Pensei na minha loira e sorri.

- Sempre - respondi.

- Tome essa taça e pense no seu desejo. Mas precisa acreditar - afirmou ela.

Eu sabia que não precisava disto para conquistar nenhuma garota, afinal meu charme nunca me deixou na mão. Mas aceitei para entrar na brincadeira.

Tomei aquela coisa ruim pra cacete que cheguei a fechar os olhos e fazer uma careta. Era tão doce que chegou a melar meus neurônios.

Foi estão que vi uma loira de costa, vestido curto e um par de pernas... Ah... Aquelas pernas... Eu não tive dúvidas: era a minha patinadora.

- Dudinha!! - escutei a ficante do Filé gritando.

Era ela! E eu precisava reagir, porém minhas pernas não me obedeciam. Fiquei ali um século e meio parado. Ela virou e olhou para mim.

Cheguei perto deles e fiquei esperando ela me olhar de novo. Chamei a Sabrina e falei:

- Está na hora de pagar sua dívida. Apresente-me sua amiga - mostrei com os olhos a loira a nossa frente.

- Ah tá, espera um pouco - colocou a mão nas costas dela e falou: - Du eu quero te apresentar o amigo do Filé.

Ela virou devagar. Fiquei vidrado, porque ela não tinha olhos claros. Eram escuros como uma noite sem lua. E o contraste com sua pele branquinha era a coisa mais linda deste mundo. Redondos, atentos e simplesmente maravilhosos. Sua boca era um convite para beijar a noite toda. E no instante que ela me disse:

- Oi, tudo bem? - me estendeu a mão delicadamente. Não resisti chegar bem perto e cheirar seu pescoço.

- Que cheiro bom... - disse sem soltar sua mão.

- Obrigada - ela respondeu ficando coradinha.

Santo Deus, quem hoje em dia fica vermelha com elogio ainda? Percebi que ainda segurava sua mão, então falei:

- Sabe que minha mão ficou bem assim -, mas no mesmo instante ela deu um puxão e respondeu:

- A minha mão não gosta de ficar parada.

- Depende o que você gosta de fazer com elas - Sorri e dei uma piscadinha.

Ela ficou processando minhas palavras - pensei - agora vou dar minha cartada final e vou puxá-la para um beijo. Sair com ela de perto dessa gente toda. Mas ela mudou sua feição e disse:

- Desculpe, acho que interpretou erradas as minhas palavras - Virou de costa e me deixou ali com cara de quem escutou o professor falar que vai entregar a prova e você nem sabia que teria uma.

Pior foi escutar o Filé rindo atrás de mim e dizendo:

- Se deu bem em Bem?! 'Bem mal!'

Fiquei puto da vida! Quem ela pensa que é?

Fiquei a festa toda de olho nela. Vigiei cada passo que ela dava e a cada Mané que lhe foi apresentado. Parece que todos os caras da festa estavam de olho nela. É foda mesmo!

- E aí Bem? Cadê a 'sua loira'? - Filé perguntou rindo.

- Vai se ferrá!

- Está perdendo o jeito Bem? O que aconteceu que ela te deixou com aquela cara?

- Eu não sei, juro que não sei, achei que entrava na minha. Mas ela não gostou de alguma coisa. E pior! Veja! - Apontei - Estão todos de olho nela.

- Mas Bem, ela é linda, o que você queria?

- Eu a queria na minha, 'cara'!

- Você não estava interessado na patinadora?

- É isso que você não sabe! É a própria! Ela é a minha patinadora.
- Mas você disse que ela tinha olhos claros. E a Sabrina falou que ela faz balé, não patins!

- Pois é! Não entendi isso também.

Lembrei da porção mágica. Aquela merda, além de ruim tinha o poder de me ferrá.

Fiquei ali apenas a observando. Chegaram duas garotas em mim. E ela em certo momento me deu uma olhada. Sorri e levantei minha cerveja. Ela nem sorriu de volta. Cachorra. Vou mostrar quem é o Bem!

Comecei a dar mole para as garotas a minha frente, que pareciam duas manequins de lojas e falavam mais que homem no 'pregão'. Então ela passou por mim, deu um pequeno tchau e um sorrisinho. Não aguentei. Puxei seu braço e perguntei:

- Vai embora?

- Sim.

- Não vá... Quero te conhecer melhor. Desculpe se eu disse alguma coisa que você não gostou.

- Pense bem nas suas cantadas, elas podem não agradar a todas - respondeu baixinho no meu ouvido e foi embora. Deixou-me com boca aberta pela segunda vez na mesma noite.

Filha da puta daquela poção mágica - pensei.

💔💘💔💘💓💔💓💔💔

Este conto foi baseado no livro: Do outro lado. Se você ficou interessada em conhecer o Bem e sua turma de amigos entre na Amazon e leia o livro na íntegra. O preço é bem legal. Menos que um cafezinho.

Assim ajuda as autora nacionais.

Beijos e até o próximo conto.

Lena Rossi

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top