Capítulo 3 - Dybbuk Divisio ⓘ
Ele me olhou com um sorriso no rosto.
- Claro que isso não faz o menor sentindo – falei rindo da idiotice.
Ele riu novamente.
- Vou ser mais claro Diego. Você é um Dybbuk Divisio, mas não uma simples alma dividida. Você é bem mais do que um simples humano e apesar de seus dons estarem em estado de latência você conseguiu se manter vivo em todos esses anos usando seus poderes sem saber ou não.
As palavras me faltaram naquele momento, eu precisava assimilar tudo o que eu podia, mas era surreal de mais pensar em mim como um ser místico. Era fácil aceitar lobisomens, mas e eu? O que eu sou? E por alguma razão eu tinha medo de descobrir, porque eu sabia lá no fundo que eu não estava morto e que a minha copia que estava sentada na minha frente com aqueles grandes olhos negros era real.
- Dybbuk Divisio é uma magia muito antiga, ela faz com quem o usuário possa dividir sua alma em duas partes de igual poder, mas quando Lucius decidiu dividir o seu poder ele se certificou que você não lembrasse de nada. Tivesse uma vida humana longe de tudo e ate mesmo feliz.
- Porque ele dividiu a alma dele?
- Temos um pai Diego, o seu verdadeiro pai. Ele deseja poder e não vai descansar enquanto não o tiver em suas mãos. Lucius sempre fez parte de um plano maior, e por essa razão ele decidiu fazer o que fez. Dividiu a sua alma em duas partes e depositou sua parte feliz em você. Nem sempre fomos maus. Mas mesmo antes de existirmos já estávamos com nosso destino traçado.
- Que destino?
- A morte.
Engoli em seco.
- Ele dividiu a alma para evitar a morte? Isso não faz o menor sentido.
Ele riu.
- Nós não podemos ser mortos, mas em rituais mágicos podemos oferecer nossa vida e por fim a ela. E logo a lua de sangue tingira o céu de Shadow Falls e ele ira encontrá-lo, ele sabe que Lucius o protege desde que era uma criança. Sempre cuidou de você e o protegeu.
- É difícil de acreditar. – falei ironicamente, mas meus olhos estavam baixos olhando para minhas mãos.
Ele riu.
- Lucius foi o que tinha que ser e ele será novamente dentro de você, quando voltarem a ser um só.
- Voltarmos?
- Sim. O feitiço foi desfeito.
- Como assim?
- Vocês serão um só novamente. Eu estou apenas lhe preparando para o que vem por ai. Dando-lhe todas as informações que você precisa saber.
- Não! – gritei.
O local todo tremeu, mas a mesa continuava parada e intacta. Ela se mantinha firme no chão sem vida e arenoso. Ele me olhou e disse:
- Não há escolha e logo vocês terão que batalhar por este corpo. – ele apontou para um lugar ao oeste, uma nevoa embaçava minha visão e então ela começou a se dissipar revelando Marcus, Ravena e uma enorme mesa de pedra onde meu corpo morto jazia.
- Como? – o olhei perplexo.
- Eles não podem ver ou nos ouvir. Para eles não passam de segundos, mas aqui no Incertum um milésimo de segundo equivale a cem anos.
Ele riu e apontou para minha face. Um espelho surgiu na minha frente. Meus olhos estavam com pequenas rugas de expressão, a barba por fazer estava sendo tomada aos poucos pelo esbranquiçado assim como meu cabelo, meus olhos tinham a escuridão presa neles.
- De fato o Dybbuk Divisio nos foi útil.
- Eu não quero perder o meu corpo! – esbravejei.
- Quer ficar preso nessa dimensão? Não quer rever Violet?
Um soco no meu estomago.
Violet.
Minha filha. Eu não poderia ficar preso naquela dimensão, eu precisava rever minha filha, protegê-la.
- Se você não voltar, Arcadius ira utilizar seu corpo que já se uniu a alma de Lucius, e ate mesmo Violet não escapara do que esta por vir.
Olhei para o meu corpo inerte na mesa de pedra, suspirei e abaixei a cabeça. Se eu quisesse proteger minha filha eu precisava retornar, não importa como.
- O que eu tenho que fazer?
Ele sorriu.
Me derrotar. – ele disse.
Quando dei por mim estávamos em um amplo espaço de pedra, a nevoa se dissipava aos poucos, então a imagem dele se formou aos poucos. Ele estava parado com um sorriso no rosto. Vestia uma espécie de vestimenta preta e carregava uma espada nas costas.
- Você...
- Ola maninho. – disse Lucius com aquele largo sorriso sarcástico.
- O que esta acontecendo? – gritei.
Então senti que havia algo em minhas costas, minha cabeça se virou um pouco e vi uma espada presa em minhas costas, olhei para a minha vestimenta e ela estava igualmente negra como a de Lucius.
- Somente o lado mais forte pode controlar o corpo Diego. Esse é o efeito colateral do Dybbuk Divisio.
- E o que acontece se eu perder?
Ele me olhou seriamente.
- Você deixa de existir para sempre.
Minhas pernas perderam as forças e meu joelhos tocaram o chão. Minhas mãos seguravam a areia que se formou com o toque das minhas mãos no chão.
- Pense em Violet. Em protegê-la. – disse ele com um olhar terno.
- Porque esta me dizendo isso?
As lagrimas caiam do meu rosto. Eu sabia que perderia aquela batalha. Eu não era forte o suficiente. Eu nuca fui de verdade.
- Pelo contrario – disse ele – Você sempre foi mais forte e quando se trata de proteger quem você ama sua força só aumenta. Você pode ganhar. Eu sentia Violet dentro de mim. Compartilhamos todas as dores e ate mesmo a morte, e Violet é importante para mim porque no final das contas ela é minha também. Ela é nossa.
- Unterium. – sussurrei.
- Vejo que começou a compreender.
- Parte da alma de Violet foi gerada dentro de mim, mesmo que tenha sido a metade.
- Não há como fugir de tudo isso não é? – falei entre as lagrimas de perceber que tudo fazia sentindo agora. – Eu sou a metade de uma alma e Violet crescia tanto dentro de você quanto em mim. Sem pré dividimos tudo.
- E é por isso que quando isso acabar você saberá a verdade, sobre tudo.
- Sobre tudo? Isso é não é tudo?
- Destruir para reconstruir Diego essa é a verdade. Mas antes que comecemos, você ama Eric?
Um estalo.
Eric.
- Porque a pergunta?
Eu havia o esquecido, eu estava com vergonha e ao mesmo temo confuso. Eu lembrava e Violet, mas na de Eric. Por quê?
- Há uma coisa que precisa saber Diego. A ligação de almas gêmeas não nos afeta quando esse processo acabar.
- O que?
Ele riu.
- Podemos quebrar a maldição do "soulanchor".
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