Capítulo 01 - Realidade Alternativa

Repeti o máximo que pude o que eu havia feito nos primeiros dias em que cheguei a Shadow Falls, incrivelmente não o vi nos primeiros dias de aula e eu o havia procurado por toda a escola. Mas eu tinha certeza que eu o encontraria naquele dia. A próxima aula seria de química, esperei o sinal tocar e aguardei alguns instantes então como da primeira vez entrei na sala, o professor fez todas as apresentações, todos estavam em dupla menos eu, me sentei em minha mesa e então ele entrou.

Eric.

– Atrasado senhor.

– Desculpa professor é que eu estava falando com o diretor.

– Tudo bem , por favor sente-se e faça uma dupla com seu novo colega de classe.

Ele olhou pra a cadeira vazia ao meu lado e sentou, ele ficou meio tenso, eu senti. Era engraçado sentir tudo novamente, toda aquela emoção de vê-lo novamente. Ele estava igual a lembrança de quando o vi pela primeira vez. Alto, pele cor canela, cabelos castanho escuros, tinha um corpo bonito, dava pra ver suas formas, eu fiquei o encarando por um tempo, então sai do meu transe.

– Oi, prazer meu nome é Diego – estendi a mão pra ele.

– Prazer meu nome é...

Um estalo.

A imagem de Eric estava se deformando, parecia estar se fragmentando em pixels, transformando-se em outra pessoa. Não era Eric e ao mesmo tempo era. Abaixei minha cabeça, estava confuso.

– Está tudo bem? – o garoto que estava a minha frente me olhou preocupado.

– Estou. – disse sorrindo desconfortável – Olha eu detesto química, você vai ter que me ajudar.

– Eu não sou o máximo em química, mas sei umas coisas. – ele sorriu, e como era bom ver seu sorriso novamente.

– Tudo bem.

– De onde você veio?

De repente um enjoo tomou conta do meu corpo, não tinha como prolongar aquela conversa.

– Me desculpe – disse colocando a mão na boca – Preciso ir no banheiro.

Sai correndo da sala e segui para o banheiro. Me agachei no vaso, minha boca se abriu e o enjoo veio novamente, eu sentia uma queimação vindo do estômago em direção a minha garganta e o azedo tomava conta do gosto da minha salivam me preparei para o que estava por vi, mas algo fora do normal aconteceu e em vez de ser um simples vomito uma espécie de liquido espesso e negro saiu da minha boca. Um sorriso ecoava no banheiro.

– Ora, ora, ora. Jovem gafanhoto. O que foi? Não está aguentando as consequências do seu próprio feitiço?

Respirei fundo e procurei por fôlego.

– Stepan. – disse com dois clones meus com espadas em seu pescoço. – O que você faz aqui?

– Calma jovem gafanhoto. – disse sorrindo enquanto meu corpo caia no chão e saia mais gosma negra de minha boca.

– Depois conversamos Diego, você tem problemas maiores nesse momento. – disse gargalhando alto enquanto seu corpo se dissipava em uma fumaça cinza.

Meu corpo tremia, eu podia sentir cada veia pulsante, cada tremor que vinha da ponta dos meus pés até os meus olhos, como se cada canto do meu corpo estivesse vivo, então meus olhos se preencheram da escuridão conhecida, mas havia uma sensação estranha. Finquei meus pés no chão e me levantei, olhei para o espelho e vi que eu estava sorrindo.

- Oi Diego. – minha boca se moveu. – Que bom finalmente poder conversar com você. – um sorriso cínico invadiu meu rosto.

Um novo tremor invadiu meu corpo.

- Mas que merda! O que está acontecendo comigo?

Meus olhos regrediram aos poucos a tonalidade normal. Eu não podia ficar ali, nada estava acontecendo como na primeira vez, eu precisaria de ajuda. Mas há quem eu vou recorrer? Nenhum dos meus amigos vai saber quem eu sou.

– Eu posso ajudar. – diz Stepan com um sorriso no rosto, no alto de uma das divisórias dos boxes do banheiro – Claro se não me matar.

Um novo tremor me fez cambalear para o lado.

– O que você sabe?

– Nada que vai matar você – ele dá um largo sorriso e se posta na minha frente – Você está péssimo. Nada comparado ao Diego que me aterrorizou a poucos instantes.

– Eu ainda posso mata-lo.

– Mas ficaria sem as respostas de que precisa.

– E que irônico que seja você o único que as tem.

Ele dá um sorrisinho contido.

– Infelizmente não, na verdade As Sete tem as respostas.

Stepan me segura pela cintura e me ajuda a sair do banheiro e me leva até a saída mais próxima de forma humana.

– É realmente necessário esse teatro?

Ele riu novamente.

– Não, mas posso dizer que é divertido vê-lo desse jeito. Sabe qual a parte mais interessante desta realidade?

– Desta realidade? O que quer dizer? Que...

– Esta é uma realidade alternativa, e o mais óbvio você morreu na sua realidade isso é um fato cruel.

– Mas eu não estou morto.

Ele me coloca no carro e aperta meu cinto.

– Ainda. – diz ele com uma simpatia irritante.

Ele entra no carro, olha para mim e segura no volante, não havia chave na ignição, ele estala os dedos e o carro da a partida, ele dá a ré e segue pela estrada sinuosa em direção a floresta de Shadow Falls.

– Se esta é uma realidade totalmente diferente você...

– Matei todas as outras versões de mim, então só existe eu. É um verdadeiro problema existir mais de um, em uma mesma realidade.

– O que quer dizer com isso?

– Você deveria ter encontrado o você dessa realidade, mas ela não está aqui aparentemente, o que torna as coisas mais interessantes, entretanto um tanto perigoso também. Fora que sua cara não está nada boa.

– Isso é reconfortante.

– Mais uma coisa não muda. E isso chega a ser irritante.

– O que? – olhei para a estrada vazia enquanto ele acelerava.

– Seu lobo sabe o que você significa para ele. E ele está nos seguindo.

– Eric... – saiu como um sussurro.

– Ele não gosta de mim. – um sorriso de satisfação nasceu em seu rosto.

– Não seria uma surpresa, mas pelo sorriso cínico no seu rosto deve haver mais alguma coisa, então vou perguntar inocentemente. Porque?

– Eu matei Caius nessa realidade.

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