6:'"EXAUDI ME!"'


Sem revisão, Sorry

~3350 palavras

☀☀☀

"Soren!"

Valac quase correu em direção ao seu empregado, engolido pela raiva e pelo o calor, quando o viu a entrar as pressas dentro da sala.

Empurrou-o com toda a sua violência contra o muro junto à porta, sem lhe dar qualquer compasso de tempo para que se possa defender contra o antebraço forte e grosso contra a sua traqueia.

"Valac, por favor, tenha calma!"

Noah tentava acalmar a mente temida do seu chefe, arrependido de ter dito tudo o que sabia sobre aquela planta. Ele sabia que o Soren era incapaz de fazer algo ao Kuma e muito menos ter conhecimento sobre aquela planta. Apenas os dignos da Lua tinham o seu conhecimento já desde do nascimento, e o Soren era um mero humano.

Mas esse pequeno pormenor não tinha chegado ainda ao consciente de Valac.

E o ruivo não estava a entender o porquê daquele ataque de raiva momentâneo. Somente foi-lhe pedido às pressas que ele voltasse a casa. Não sabia de nada, tinha sido apanhado de surpresa.

"Calma, o caralho! Eu vou te matar, seu filho da puta."

"...O que... é que está a acontecer?" Soren disse com dificuldade, tentando tirar o braço de cima da sua garganta, mas a força era muita. "Valac, eu—"

Noah não conseguia ver o seu chefe a sufocar o Soren sem uma razão fundada com provas. Não podia ter sido o Soren, não podia! Caminhou em passos longos até aqueles dois, e contrapondo o seu instinto protetor, empurrou o Valac para longe do ruivo, pondo-se entre os dois.

"Que merda, Valac! O que é que se passa?"

Antes mesmo que Daemonium pensasse em saltar outra vez em cima de um dos seus Bethas, Noah travou-o, colocando a mão no peito dele e fitou-o, na tentativa de pedir um pouco de calma e compreensão da parte dele.

Voltou a olhar para o Soren, com o olhar preocupado maS ainda assim sério e profissional. "O Kuma foi envenenado esta noite, ao jantar. E como és o único com acesso à cozinha e às refeiçõe—"

"O quê?—Eu era incapaz disso, porra!" Interrompeu-o. "Por amor à Lua, Valac, achas mesmo que eu era capaz disso?!"

"Tu és o único nesta porra de casa que tem acesso aos ingredientes!" Valac gritou. O seu timbre estava a voltar a ficar grave e rouco. Não tardava para que ele se transformasse num dos seus piores pesadelos. "E sem contar que foste escolhido por mim por saberes muito- até demais!- sobre venenos naturais!"

"Valac, calma."

Noah viu-se obrigado a empurrar mais um pouco seu patrão, pois sabia que mais um pouco quem seria empurrado contra o chão era ele. Em nenhum momento, Valac deixou de olhar para o Soren, mesmo que sinta a mão gélida do Noah no seu peito, num ponto específico das suas milhares de energias que o acalmavam.

"O Kuma é a porra de uma criança, okay?! Eu não era capaz de lhe fazer nada!" Desta vez, fora o Soren quem gritou, a voz grave também. "Caralho, Valac, eu amo aquele puto! Achas mesmo, por um segundo, que eu era capaz de matar uma criança! Se duvidas tanto assim de mim, vai ver nas câmaras de segurança! Porque estás a ser um bocado irracional!"

Aquilo pareceu conseguir domar a raiva daquele Demónio, momentos antes de este explodir para cima daquela alma humana frágil.

☀☀☀

Porém, para alimentar ainda mais a ira, o ódio, a vontade de matar alguém do Daemonium, as câmaras de segurança mostraram alguém a entrar na cozinha momentos antes de serem servidos os pratos. Era um homem baixo de cabelo raspado a pente dois, com um frasco de vidro grosso e pequeno entre os dedos, que despejou aquele pó negro dentro do prato de sopa pequeno e azul do Kuma.

"Que ninguém diga a merda de uma palavra." Valac avisou, antes de sair da pequena cabine de controlo de segurança, louco para encontrar aquele específico empregado que tinha contratado há dois anos atrás.

Se depender dele, o homem iria ser submetido ao mesmo veneno e sofrer os mesmo sintomas que o Kuma, só que com a intensidade triplicada.

Valac escolheu o primeiro carro desportivo que tinha na garagem e pegou na arma de fogo que tinha dentro do porta-luvas. Pela pequenez, suspeitou que fosse um revólver, contudo ele estava pouco a foder para qual era a raça da arma que ia usar para somente assustar a sua nova presa.

Iria saber o porquê daquele homem de merda querer matar o Kuma, de como sabe da existência daquela planta e para quem mais trabalha. Porque assuntos pessoais não eram. De certeza que ele trabalha para qualquer outra pessoa, que é um infiel e que está a ser pago incrivelmente bem para fazer o trabalho sujo que é matar uma criança debaixo do teto do Valac Daemonium.

☀☀☀

Kuma estava cada vez pior. Os vómitos não paravam e ele já não tinha mais força para os parar. Cam continuava do lado dele, a limpá-lo, a dar-lhe sucessivos banhos tépidos para baixar a temperatura, tentava-lhe dar água, mas nada ficava naquele estômago por mais do que dez minutos.

O Senhor Alois continuava a pesquisar possíveis curas para aquela planta, juntamente com o Soren, em livros e na Internet, mas nada dava resultado. Estavam a ficar sem hipóteses, queriam levar o menino ao hospital, mesmo que isso significasse que não iriam ver mais a criança, mas com os cuidados hospitalares, o Kuma era capaz de reabastecer os líquidos e não morrer de desidratação severa.

Mas de certeza que os médicos não sabiam a cura, e não tardaria muito para que ele não conseguisse respirar mais ou ter convulsões imparáveis.

Noah tentava comunicar com a Lua, por um pouco de ajuda. Estava sentado no jardim da mansão, completamente sozinho, com os olhos azuis fixos no Astro, pronto para ser informado com alguma coisa. Tinha um papel na mão, a esferográfica na outra, preparado para que o seu instinto seja domado pela aquela Deusa e que ela escreva a receita.

"Mater..."

Tocou na tatuagem branca tribal- uma Lua Minguante-, que o acompanhava desde o seu nascimento, com a mão junto ao peito e deixou-se ser atingido pela luz brilhante e branca da Lua.

As imagens foram curtas e rápidas. A conexão era má, estava tudo emburrado e desfocado, era difícil desmitificar o que era aquilo. Eram plantas, sementes, frutos talvez? Um ramo de bolas verdes pequenas com folhas pequenas e estreitas; caules com folhas ovais, redondas e compridas na extremidades, verdes vividos; agora tinha uma espécie de batata doce, o formato era o mesmo, mas o seu interior era laranja, assim como o pó que estava do lado; e por último uma nascente de água, um buraco no meio da neve permanente, ornamentado pelo que parecia ser flores brancas e negras.

Foi tudo o que o Noah conseguiu reter nas imagens que não duraram mais do que sete segundos.

No papel ele tinha escrito às pressas:

"Sisymbirum, Cg;

Oleum oliva, XXV ml

Turmeric, LXXg

Yospa CXXV ml"

"Obrigada, Lua."

Contente por já ter a receita, Noah subiu rapidamente até ao quarto do Kuma, mas toda a sua felicidade desapareceu ao ouvir os fungos da Cam de longe, baixos e tímidos. Caminhou, acanhado e com medo para dentro da casa banho onde eles estavam.

Kuma estava letárgico.

Estava deitado, tombado para os braços da Cam, coma cabeça caída para cima do seu peito. Pálido e sem quaisquer sinais de atividade, estava mole, fraco, em cima das pernas dela. Tinhas as mãos dadas, as dela tremiam freneticamente, em pânico completo causado pelo estado repentino do menino, enquanto as dele estavam imóveis e moles. Tudo nele estava imóvel e mole.

"Eu não sei o que fazer mais." A sua voz não se ouvia. "Noah, por favor, faz alguma coisa."

Noah, calmamente- mas com o nível de adrenalina elevado no sangue- pegou a criança pelos ombros. Estava a ferver. A febre não queria baixar por nada, nem com a ajuda dos fármacos- que nem chegavam a ser absorvidos-, nem com a da água morna em cima do seu corpo.

"Vou deitá-lo, Cam."

"Ele..." A voz da mulher nem sequer se ouvia no meio de tanto fungo. "Ele está bem?"

"Ele está numa espécie de transe, letárgico. Está exausto." Noah não queria contar que aquela letargia era o começo do fim daquele veneno letal.

Noah deitou o menino na cama, sem o tapar com os lençóis quentes de lã, de lado, ao pé da borda da cama ao caso de ele voltar a vomitar. O quarto estava de novo limpo, graças ao senhor Alois e sua rapidez sobrenatural.

"O meu irmão?"

"O Valac foi tratar de quem foi capaz de fazer isto ao Kuma. Pediu-me para que não o incomodassem."

"Já descobriram quem foi?"

"Sim, foi o Walter, um dos empregados de limpeza."

"O Walter?" Cam estava pasma, nunca pensou que um dos empregados mais burros desta mansão fosse tão subtil e macabro para fazer aquilo a uma criança. Mas era burro o suficiente para não ter pensado nas consequências. "Como é que ele entrou na cozinha?"

E num ápice, a sua memória ativa-se e lembra que tinha pouco tempo para trazer os ingredientes para fazer a cura contra a planta. "Eu preciso do Soren urgentemente, e das chaves do teu carro."

"Porquê?"

"É o carro mais rápido que está na garagem neste momento. As chaves." Pediu ansioso.

"E-Estão no meu quarto."

"Cuida do Kuma." Ajeitou-se, apressado, e andou até à porta. "Não lhe dês nada para comer pra ele não vomitar mais e tenta baixar a temperatura com água. E, por favor, amor, tem calma."

*

Valac estaciona o carro no lugar VIP do bar mais caro da cidade de Aska, louco, cego de tanta raiva que tinha pelo seu empregado de anos. Tanto dinheiro que ele gastou com ele, tanto tempo que ele desperdiçou ao rir e confiar naquele homem de merda, traidor, assassino, insensível.

Eu estava-te a pagar bem de mais, seu caralho de merda.

Daemonium era conhecido naquele motel, conhecia cada segurança, o próprio dono (tinha até negócios com ele) e maior parte dos clientes, mas odiava estar ali. E assim que o segurança-chefe o vê a caminhar em direção à porta sabe que nada de bom vem aí.

"Senhor Daemonium."

"William, tu sabes o quanto eu odeio este lugar, por isso eu quero ser rápido. Traz-me cá fora o Walter, Walter Fang." Tirou o seu telemóvel e mostrou uma das fotografias de perfil dele.

"Certo." Nenhum homem que conhecesse o Valac era capaz de o desafiar ou desobedecer as suas ordens diretas, independentemente do que fosse. Estava na voz, no timbre.

William entrou com a mão em cima da arma para dentro do bar, fechando a porta em seguida. Estava imensa gente, mais uma madrugada normal naquele sítio. Tinha gravado na sua mente o seu alvo, cabelo raspado e baixo. Presumiu que ele tinha se sentado numa das mesas em frente ao palco de strip-tease.

Estava certo.

"Walter Fang." Tocou no seu ombro com rigidez. "Acompanhe-me até lá fora" Fang viu que o segurança tinha a mão na arma, não partiu para a agressão nem fez quaisquer perguntas. Já se sentia intimidado pela robustez daquele homem fardado.

Assim que chegou lá fora foi recebido pelo seu chef. O olhar mortal, quente pela raiva e frio pelo gelo que estava a fazer-se sentir naquele momento. Devem ter caído uns cinco graus em tão poucos minutos.

Valac viu-o tremer desde da ponta do pé até ao último fio de cabelo. Ele sabia exatamente o porquê de estar ali. Andou até ele, a respiração rápida, a visão turva, as mãos a ferverem internamente, mas ao toque eram frias. Pareciam gelo quando a mão esquerda do Valac apertou com força a garganta grossa do seu empregado, puro de raiva. Estava disposto para o arrebentar ali, na frente de um segurança que não se atrevia a meter-se nas "conversas" privadas daquele ser.

Meteu-o dentro do carro com toda a brutalidade não mortal que tinha em mente. O carro estava ainda mais frio do que lá fora, nem a 15ºC aquilo devia ter. Mas o Valac não se importava. Entregou todo o dinheiro que tinha nos bolsos—200 doláres— ao segurança como gorjeta pelo riquíssimo trabalho que lhe poupou, e ligou o seu Range Rover preto fumado.

O carro estava a mais de 200 km/hora na autoestrada vazia e velha, sem quaisquer luzes ligadas, nem dentro nem fora do carro, as janelas abertas para que toda a corrente de ar possível entrasse dentro do veículo para que conseguisse acalmar a fervura que o Filho do Sol sentia.

Porém, Walter já termia por inteiro e acanhava-se num canto do carro. Com medo? Com frio? Uma mistura dos dois talvez. Ele já sabia para o que ia, já sabia que daquela noite já não passava pelo o que tinha feito a umas horas atrás.

"O Kuma ainda est—"

"Agora preocupaste com a criança, Walter?" Travou o carro de repente. "Agora?!"

"Senhor Daemoni—"

"Pra quem trabalhas?" Virou-se para trás. No meio da escuridão total, o olhar laranja do demónio era o que brilhava. "Quem é que mandou fazer um serviço destes?"

"Eu não posso dizer."

"Responde-me, caralho!"

"Eu não posso."

E a temperatura desceu de novo, mas por dentro, Valac estava a ferver. Tudo nele queimava, estava febril, os vasos a dilatarem-se, ficando cada vez mais expostos nos braços despidos.

"Por favor, ligue o ar condicionado." A voz termia e os arrepios cada mais intensos.

Dando ordens ao próprio chefe? Dando ordens a Valac Daemonium?

Voltou a arrancar com o carro, agora a 250 como o monitor digital mostrava. O vento entrava dentro do carro, a neve caia dentro dele.

Neve?!

Não era uma caída de neve normal, era quase uma tempestade de neve que sobrevoava o carro.

"Responde-me, Walter, ou isto fica pior para o teu lado."

"F...Feche as j-janelas, por favor."

"Walter, o fazemos isto da minha maneira ou da pior maneira."

"Por favor."

O carro parou mais uma vez, de maneira brusca. Valac, ao volante, desafiava até a Física, porque até o carro não despistava com aquelas travagens violentas e sem aviso prévio.

Ele estava-se a passar com aquela ausência de respostas.

Saiu do carro e amolgou a porta com a brutalidade que fez ao fechá-la. Tirou o empregado de dentro do carro e arrastou-o pelo alcatrão por arranjar, deixando as pernas e tudo o que tocava no chão cheio de arranhões e queimaduras. Arrastou-o pela camisola até à borda da estrada.

Pontapeou o abdómen no homem, assim que o encostou nas barras de metal frias e brancas, fazendo-o vomitar todas as bebidas alcoólicas que ainda estavam no estômago.

Valac deixou-se ser domado pela ira mais uma vez.

"O meu Kuma não para de vomitar por tua causa! Está a morrer de febre por tua causa! Está a sofrer deliberadamente por tua causa, verme inútil!"

Chutou-o outra vez, desta vez na traqueia. "E agora eu pergunto o porquê?! Quem é que quer matar uma criança, a minha criança?"

Valac não controlava mais a voz, nem o timbre grosso que saia com ela, ele estava se pouco a foder com isso, só queria que ele respondesse àquelas perguntas.

"RESPONDE-ME!"

A neve caiu com força com aquele grito, neve e granito, pedras duras e enormes de gelo a caírem rapidamente no chão em cima de tudo o que estava a face daquela autoestrada. Valac não sabia o que estava a fazer, os seus instintos tinham o controlado, a si e ao clima, à neve, ao frio, à temperatura e aos ventos.

E Walter sentiu isso na pele.

De certeza que já estavam menos do 20ºC abaixo de zero naquela região, com ventos acima dos 50 km/hora a embaterem contra os corpos daqueles dois homens. Mas um continuava vivo, raivoso e quente enquanto o outro já estava mole, sem reação alguma e com as pontas dos dedos negras de tanta vasoconstrição que o corpo mandou ter para não perder o mínimo de calor possível. A córnea já estava congelada, a respiração calma e os batimentos cardíacos lentos. O corpo deixou de lutar contra a hipertermia, entregou-se à morte lentamente e sem dor.

"EXAUDI ME!"

Engolido pelo seu fogo interior, uma explosão de gelo saiu do corpo de Valac Daemonium, filho do Sol. As árvores a mais de 100 metros de distância ficaram com as suas folhas e ramos azuis devido ao gelo e à neve que lhes atingiram, dobradas na direção que o vento seguia. A autoestrada ficou totalmente branca, sobreposta por uma camada fina de neve permanente. No entanto, em volta do fogoso homem não havia um único floco de neve, era um círculo perfeito com poucos metros de diâmetro totalmente preto.

Valac voltou ao normal, a coloração dos seus olhos voltou a sua tonalidade de nascença, mais escura, a sua temperatura normalizou, apenas o seu estado emocional ainda estava abalado.

Ele estava de novo consciente das suas ações.

☀☀☀

"Soren, são 100g de agrião, exatamente. Nem a mais nem a menos." Noah leu nas suas anotações o primeiro ingrediente que constituía a cura: '"Sisymbirum, C g;

"Eu sei exatamente o que estou a fazer, Noah." Soren tirou o pó verde meio acinzentado que estava dentro de um saco fino de plástico, de cima da balança manual e velha ao ver que a setinha fina e vermelha apontava exatamente para as 100 g.

"E a água de Yospa é só a última." Esta água era o produto ativo do antídoto do antídoto, quando tirada sobre a luz natural da Lua por um anjo lunar de linhagem pura. Só ele podia manusear essa água nascente para que os seus efeitos medicinais fossem ativados.

Todavia, antes de ele por as mãos em cima do frasco que tinha a água, ouviu-se a porta principal da casa ser fechada com toda a brutalidade possível e uma forte rajada de frio invadir a casa.

Do outro lado da porta fechada da cozinha, Valac subia as escadas morto de cansaço e doido de preocupação. Tinha uma mistura de cortisol e melatonina no sangue bem peculiar. Ardia por dentro, mas por fora estava gelado.

Ele não se preocupava com as coisas bizarras que estavam a acontecer no seu corpo outra vez, só queria ver como o Kuma estava, estar um pouco ao lado do seu filhote, dar-lhe carinho, fazê-lo melhorar, vê-lo rir e andar por aí, mas ao mesmo tempo queria descobrir para quem mais um dos seus empregados trabalha, descobrir quem tentou matar a sua criança.

"Mana?" Valac chamou-a ao vê-la sentada em cima da cama, ao pé do Kuma que parecia dormir pacificamente. Ela tinha o olhar fatigado e sonolento, ela precisava de descansar. Não tinha estofo para aquilo e o Valac sabia disso. Tudo o que envolvesse crianças mexia muito com o psicológico dela. E ver uma das que ela mais ama, devia destruir tudo nela. "Vai dormir."

"Eu quero 'tar ao pé dele." Fungou.

"Não. Vai dormir, descansa. Eu fico a tomar conta dele. O Noah já chegou?"

"Está na cozinha com o Soren, acho que a preparar qualquer coisa para o Kuma."

Valac caminhou até ela, enquanto a Cam se retirava da cama e abraçava o corpo forte do seu irmão. Aquilo definitivamente destruiu o psicológico dela, pensou. "Estás gelado."

"Nem me digas nada."

"O Walter diss—"

"Falamos disso tudo amanhã." Cortou-a logo no início, não queria falar nada sobre esse homem e do seu acesso de raiva que teve há algumas horas atrás. Pelo menos não agora.

"Okay. Boa noite, Valac."

Valac acompanhou-a até à porta. "Boa noite, Cam." E fechou-a.

Assim que ouviu o click da porta ser fechada, deixou-se cair dobre o chão, sentando-se encostado a parede, ao lado da porta. Estava estafado, farto, cansado e opressivo em relação àquele dia, àquilo que o Kuma tinha, ao seu poder macabro, estúpido e oposto a tudo o que o Valac era, que o tinha de relembrar que ainda possuía aquele gelo dentro das suas artérias, para sempre.

"Estúpido eclipse." Ferrou os dentes nos lábios ao ouvir o quão a sua voz saiu chorosa e quebrada. Valac Daemonium não é frágil, não podia ser!

"'Da?" Kuma levantou a cabeça, com dificuldade. "'Dada?" Ele não conseguia ver nada, o mundo estava escuro momentaneamente.

~~CAPPUCCINNO~~

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