Capítulo Dois

Só um adendo: algumas coisas podem parecer meio apressadas nesse capítulo, pq inicialmente; a ideia era fazer uma threeshot, PORÉM, eu senti que o enredo pedia mais capítulos, já que eu não iria conseguir escrever tudo o que planejei em apenas três kkkkkk
Enfim, espero que gostem, só digo que eu AMEI escrever com o Sasuke 💖


Sasuke Uchiha


Gritei quando os soldados malditos me imobilizaram com cordas elétricas. Um movimento exagerado e um choque doloroso percorreria todo o meu corpo. Vi quando os outros foram levados. Shion e Hinata tentavam se defender como podiam, em vão. Chouji estava desacordado, e Neji estava sendo contido no chão.

Olhei para trás, aliviado por ver que Sakura havia conseguido escapar junto com os outros. Ao menos eles conseguiram. Isso já basta, por enquanto.

Vendo que Sakura estava em segurança, agora nova preocupação surgia: livrar a mim e os outros das garras do Império. Sabia que nada de bom nos aguardava se fôssemos levados até Crysallium. Só havia dois caminhos para rebeldes capturados, e o pior deles nem era a morte. Seríamos forçados ao controle mental do cristal e, caso o procedimento falhasse, seríamos mortos logo em seguida e descartados como lixo para os animais do deserto.

Os outros já estavam sendo levados para o camburão quando um dos soldados aproximou-se com um pano escuro em suas mãos. Arrisquei um movimento e dei-lhe uma cabeçada no queixo. As cordas que prendiam meus braços junto ao meu corpo emitiram um choque doloroso que percorreu por cada célula de meu corpo antes de me fazer cair de joelhos no chão. Pisquei uma, duas vezes, antes de perder o foco da visão. Estava fraco e esgotado.

— Esse é durão, tenho certeza que o Imperador vai gostar. — Foi a única coisa que ouvi antes de meus olhos serem tampados pelo manto negro.

"Mais sedativo".

"Ele está quase pronto."

"Vamos logo, ainda temos mais um."

"E se ele acordar?"

Uma luz brilhante me ofuscava. Senti meu corpo deitado em uma maca fria e metálica e meus braços e pernas amarrados contra ela. Vi rostos desconhecidos. Não estava enxergando direito, e minha mente vagava entre a consciência e o limbo. As pessoas usavam máscaras e seguravam pequenas ferramentas em mãos, olhando para mim.

Um deles pegou uma broca enquanto meus olhos pesados o acompanhavam. Era uma luta apenas para tentar abrir as pálpebras, e mesmo que eu quisesse me mover, meu corpo não obedecia. O homem disse algo ininteligível e dirigiu-se para a parte de trás da maca. A escuridão tomou conta, e eu caí no oblívio mais uma vez.

Acordei de supetão. Estava deitado numa cama de colchão fino em algum lugar estranho. Minha pele suava, fazendo meus cabelos grudarem no rosto. Respirei fundo, sentindo meu peito subir e descer freneticamente. Minha mente ficava cada vez mais confusa à medida que eu tentava me lembrar do que havia acontecido. Tinha que recuperar a calma, mas estava ficando cada vez mais ansioso. O tom de branco e o cheiro de desinfetante invadiu meus sentidos. Um quarto hospitalar?

Que merda fizeram comigo?

Não tinha nada a ser visto ao meu redor. Uma cortina separava minha cama do resto do ambiente. A luz estava apagada, dificultando a visão. Senti um latejar na cabeça, e só aí percebi uma faixa enrolada em volta do meu crânio. Forcei-me a relembrar mais do que poderia ter acontecido, e foi só depois de longos minutos que consegui finalmente por meus pensamentos em ordem e voltar ao estado normal.

Estava surpreso por ainda permanecer vivo. No entanto, o fato de que ainda estava respirando só poderia significar uma coisa. Eles me submeteram ao controle forçado. Não sabia como isso funcionava, mas sentia que algo estava errado.

Eu ainda era... eu mesmo.

Abri e fechei as mãos repetidas vezes em frente ao meu corpo, mexendo as pernas em seguida. Queria ter certeza de que nada havia sido danificado, e soltei o ar aliviado ao descobrir que eles não tinham me dado nenhuma sequela de brinde. Diziam que os controlados tinham as memórias modificadas, mas as minhas estavam perfeitamente normais. Ainda recordava da minha infância, da minha família, dos meus dias com os rebeldes, dos meus colegas e de Sakura.

Sakura...

Cerrei os olhos ao pensar nela e um aperto surgiu em meu peito. Queria vê-la. Queria sentir seu abraço cálido mais uma vez e ver seu sorriso tão radiante quanto a mais luminosa estrela no céu. Ela era como uma brisa fresca e revigorante, sempre disposta a me alegrar. Devia ter escutado mais sobre suas preocupações naquela noite, talvez pudesse ter evitado isso tudo... Suspirei fundo. Mesmo sabendo que a possibilidade de reencontrá-la era quase nula, eu apenas torcia para que ela ficasse bem. Sem mim, se fosse preciso.

A luz do local foi acesa, e meus olhos piscaram para se acostumar com a claridade repentina. As cortinas foram abertas bruscamente e um homem com trajes brancos, óculos no rosto e cabelos cinzas se aproximou junto com outros dois guardas fortemente armados. Estavam prontos para me matar caso alguma coisa desse errado.

Não posso deixar que descubram que esse negócio não fez efeito.

O médico endireitou seus óculos e pegou uma prancheta.

— Como se sente? — perguntou enquanto pegava uma caneta de seu jaleco.

Demorei mais do que gostaria para respondê-lo, pensando nas palavras certas.

— Bem, senhor.

Ele encarou-me de cima a baixo com uma sobrancelha erguida.

— Qual o seu nome e idade? De onde é?

Era um teste. Meu instinto dizia. É óbvio que eles sabem quem eu sou.

— Sasuke Uchiha, dezenove anos. Sou filho de pescadores e minha família não foi atingida pelo cristal. Estávamos passando fome quando o grande Imperador gentilmente nos acolheu — menti, esperando que ele caísse nessa. Se a história de que o cristal alterava nossas memórias era verdade ou não, eu descobriria agora. E torcia para que isso fosse o suficiente para convencê-lo. Estava jogando um jogo perigoso. Uma roleta-russa de perguntas e respostas, e qualquer coisa suspeita resultaria em minha morte.

— Qual a última coisa que se lembra?

— Meus pais e eu nos oferecemos de bom grado para o Império, na chance de termos uma vida melhor dentro de Crysallium.

O doutor ficou em silêncio enquanto anotava algo na prancheta. Ele analisou meu condicionamento físico. E imaginei que ele deveria saber que, na verdade, eu estava acostumado a lutar pelas minhas mãos calejadas e meus músculos enrijecidos, fruto do treino pesado que fazia todos os dias.

— Algo errado? E meus pais? — perguntei, fingindo preocupação.

— Infelizmente, eles não resistiram ao procedimento. — A resposta era tão seca que era nítido que ele não dava a mínima.

Eu, porém, tinha que fingir que me importava.

Arregalei os olhos, como se estivesse surpreso. Como se meu mundo tivesse desabado naquele momento – o que não era inteiramente uma mentira. Meu mundo tinha, de fato, virado de cabeça para baixo assim que percebi qual seria meu destino. Mas não era pelo motivo que o médico imaginava.

Ele deu um tapinha no meu ombro antes de afastar-se para trás.

— Fique feliz, garoto. Você terá uma nova vida aqui em Crysallium. Está apto para ser um soldado, e não há trabalho melhor do que servir o Imperador. — O homem fez um sinal para os dois guardas que ficaram apenas observando a conversa. — Podem levá-lo, ele é de vocês.

Os soldados não foram nem um pouco delicados quando seguraram meus braços e arrastaram-me da cama para fora do quarto. Eu ainda andava com certa dificuldade, e isso fazia com que ambos ficassem mais impacientes. Caminhamos por um longo corredor parcialmente iluminado com algumas salas fechadas. Fiquei imaginando se alguém do meu time estaria em um daqueles quartos, apenas esperando serem levados para algum lugar como eu estava sendo agora. Torcia para que todos também fossem admitidos como parte do exército. E torcia mais ainda para que nenhum deles tivesse sofrido algo pior além do que eu havia passado.

Antes de sairmos daquela instalação, os homens prenderam minhas mãos para trás com um par de algemas. Medidas de segurança, um deles disse, após explicar que iríamos para o coração de Crysallium começar o meu treinamento. Como eu havia imaginado, estávamos em uma espécie de hospital um pouco afastado do Centro da cidade.

Ninguém entrava na cidade do Imperador se não estivesse sob o efeito de sua magia, ele só permitia controlados frequentarem o local. Os soldados possuíam uma bugiganga tecnológica onde era possível descobrir se a pessoa era afetada ou não, e quem fosse pego tentando burlar a segurança rígida era executado. Isso era lei. Todos os cidadãos do Império que residiam na única cidade que ainda prestava juraram lealdade a Orochimaru, queiram eles ou não, deixando o resto para viver na miséria em um mundo devastado pelos anos de guerra. Fora da grande muralha que rodeava Crysallium, a luta pela sobrevivência era diária. Não bastava termos de sobreviver em um ambiente hostil, ainda éramos caçados como rebeldes que se opunham à tirania do Imperador, um homem de ego frágil que desejava ter todos na palma de suas mãos.

Por esse motivo, eu nunca havia visto além de Crysallium que não fosse pelas suas extensas muralhas fortemente vigiadas do lado de fora, muito menos entrado naquela fortaleza impenetrável. Quando ergui a cabeça ao sair do veículo, meu queixo quase caiu. A cidade era diferente de qualquer outra que eu já tenha visto. Prédios altos em cores brancas e douradas compunham a maior parte da paisagem. Árvores com suas folhas verdes e flores de cores diversas embelezavam e traziam certo equilíbrio em meio a tantas construções e ruas. De onde estávamos, era possível observar o palácio dourado de Orochimaru bem ao centro. Maior e mais formoso do que qualquer coisa que havia ali. De certo, eu duvidava que era impossível não enxergar as enormes colunas daquele palácio de qualquer canto que estivesse na cidade. A torre central erguia-se a sei lá quantos metros de altura, e de seu pináculo uma grande bola vermelha brilhava intensamente, espalhando seus raios em ondas a quilômetros de distância. Era o poder do cristal. Parecia vivo, uma luz cintilante que aparentava arder em chamas, mas tão sutil quanto a luz do sol e mais excepcional do que as histórias diziam.

Eles me conduziram até a parte de trás de um caminhão pintado em preto e dourado – as cores do exército –, onde fui empurrado até subir poucos degraus. Assim que entrei, as portas se fecharam e meu rosto encheu-se de espanto ao ver que Hinata e Shion estavam ali, com a cabeça baixa e o mesmo curativo enrolado em suas cabeças. Elas permaneceram em silêncio, e apenas Hinata lançou-me um olhar confuso, como se nunca tivesse me visto antes. Elas também haviam passado pelo procedimento. Porém, o que quase me tirou o fôlego foi o fato de que Neji e Chouji não estavam ali. Engoli em seco, e um mal pressentimento surgiu.

Eu tinha quase certeza de que ambos estavam mortos.

Talvez eles tenham falhado durante a cirurgia, ou talvez fosse tudo obra da minha imaginação e eles tivessem sido designados para outras tarefas. Rezei para que fosse a última opção, mas não podia perguntar sobre eles a ninguém, nem mesmo para as garotas. Elas não saberiam me responder, e tentar descobrir sobre o paradeiro deles se tornou um de meus objetivos.

Dias, semanas e meses voaram diante meus olhos. Quando me dei conta, oito anos já haviam se passado desde aquele fatídico dia. Fui treinado como um verdadeiro soldado imperial, conquistando prestígio no exército pelo meu talento e competência. A verdade é que ao longo do tempo, percebi que não tinha opção. Se fugisse, seria morto. Se fizesse algo fora dos padrões, seria morto também. Não existia uma maneira de matar o imperador e sair vivo, e eu queria viver para ver Sakura mais uma vez.

Minha melhor chance de sobrevivência era por meio da confiança e obediência. Isso fez com que eu me deixasse levar pela nova realidade que vivia no momento. Eu tinha uma cama, comida farta e água quente. Era melhor isso do que a tortura ou a morte. Com o tempo, a urgência de encontrar um meio de sair dali desapareceu e acabei me tornando aquilo que eu mais desprezava na minha adolescência: um soldado do Imperador.

Sem escapatória, havia me acostumado com aquela vida.

Isso não apagava o fato de que ainda odiava cada um deles. Mas por ironia do destino, tive que viver como um.

Hinata e Shion faziam parte do esquadrão feminino de espionagem, um grupo no qual não tinha ideia que existia quando cheguei no palácio anos atrás. Mesmo com a lavagem cerebral, tentei aproximar-me das duas. E apesar de Hinata se manter distante e fria, Shion era completamente o oposto, sempre me importunando quando tinha a chance.

Infelizmente, não tive mais notícias de Chouji e Neji, e isso confirmava a minha teoria de que eles realmente estavam mortos. Quando estava sozinho, sofria o luto por eles. Mas o luto era algo que eu não poderia deixar transparecer no meio daquela jaula de leões.

Por sorte – ou empenho –, acabei conquistando a confiança de soldados, generais, e até do Imperador. Este último no qual teve um grande interesse por mim, já que eu era o melhor lutador naquele império de idiotas. Orochimaru fazia questão de me manter por perto durante suas reuniões ou quando ele queria apenas tomar um ar nos jardins do palácio. Suas conversas eram das mais variadas, e eu apenas me limitava a cumprir o meu papel como um boneco vazio. Sem demonstrar fraqueza, opinião, ou o que quer que fosse que ele queria tanto arrancar de mim.

A única vez que quase demonstrei medo foi quando ele fez uma pergunta que me deixou atormentado.

— Diga-me, Sasuke. — Sua voz chamou minha atenção enquanto caminhava pela trilha cheio de pedras do jardim. — O que sabe sobre a Rosa do Deserto?

Que merda ele estava falando agora?

— Nada, Majestade.

Ele parou de repente e virou-me para me encarar.

— Tem certeza?

— Sim. Nunca ouvi esse nome — respondi, em tom de indiferença. Era verdade, eu nunca havia ouvido falar dessa tal Rosa do Deserto, seja lá o que for.

Orochimaru voltou sua atenção para um botão de rosa que estava florescendo.

— Então te darei uma tarefa no qual apenas você conseguirá cumprir.

— Estou às suas ordens, Majestade. — Fiquei mais intrigado do que deveria com aquela conversa.

— Por acaso... — Ele arrancou o botão de rosa e o levou até seu nariz, com um meio sorriso no rosto. — Você conhece Sakura Haruno?

Meu estômago gelou, e eu tive que lutar para que o espanto não tomasse conta da minha face. Não ouvia aquele nome há anos. O que ele queria com Sakura, afinal? Nunca o vi mencioná-la durante suas reuniões.

— Não, Majestade — menti, com a voz mais firme que consegui encontrar. Respirei fundo. Acalme-se, Sasuke.

Ele pareceu acreditar em minha resposta.

— Mas ela te conhece, e eu quero que você a traga até mim, viva. Essa é a sua tarefa.

Franzi a sobrancelha, confuso. Ele estava me testando? Por Deus! O que raios Orochimaru poderia querer com ela?

— Perdoe minha insolência, mas qual o motivo da missão? — indaguei-o. Raramente tínhamos um objetivo claro quando ele direcionava missões a alguém em específico. Queria tentar arrancar o máximo de informações possíveis.

— Digamos que ela tem algo de meu interesse. — Ele deu as costas antes de continuar a caminhada.

E foi nesse momento que eu soube que Sakura corria um grande perigo.

— Comandante, um intruso foi detectado na zona sul! — um dos cadetes gritou em minha orelha, acordando-me do meu breve cochilo. — Alguns recrutas foram averiguar, mas ainda não retornaram.

Dei um bocejo antes de responder:

— Deixe que cuido disso.

Peguei minha pistola e a encaixei no lado direito do cinto. Do lado esquerdo e escondida em uma das botas, havia algumas facas guardadas em caso de emergência. Peguei o manto negro e cobri meus ombros antes de pegar a alça do rifle e colocá-lo em minhas costas. Desci as escadas do posto de vigilância e saí para fora, na calada da noite. Fazia algumas semanas que estávamos rondando naquela região, onde um grupo de rebeldes foi visto pela última vez.

A floresta estava silenciosa. Vez ou outra, um grilo ou uma coruja marcavam presença, indicando que eu não estava completamente só. Meus olhos estavam acostumados com a escuridão mais do que as pessoas comuns, e a luz do luar era o suficiente para me guiar até o lado sul do posto.

Andei em passos lentos, esgueirando-me entre as sombras das árvores e de materiais como madeira e blocos de granito empilhados que levávamos até a capital. Quem quer que estivesse aqui estava atrás de alguma coisa. Madeira? Provisões? Mas se era só um deles, seria loucura invadir um posto ocupado sozinho. Talvez um desesperado?

Encontrei os corpos caídos de três recrutas no chão, próximo à entrada da floresta. Pelo visto, era alguém habilidoso. Tinha que tomar cuidado ou poderia acabar morto em uma armadilha. Em uma mão, a pistola já estava preparada; na outra, uma faca. Encostei as costas em um tronco e olhei ao redor, em volta das árvores e até em cima delas. Esperei. Tudo parecia quieto demais, como se já não houvesse mais ninguém ali.

Abaixei a guarda por um segundo, e quando dei um passo para voltar ao posto, a ponta de uma lâmina roçou em meu pescoço, deixando-me surpreendido. Fiquei imóvel, erguendo os braços para cima em um claro sinal de redenção.

— Largue as armas. — Uma voz feminina soou atrás de mim, e senti meu coração acelerar. Não, não é possível.

Joguei a pistola e a faca no chão.

— Agora vire-se, lentamente. Quero ver seu rosto em desespero quando enfiar essa faca em sua garganta.

A tensão aumentava em meu peito. Se fosse ela, o que eu iria dizer? Como iria explicar que agora eu fazia parte do inimigo que ela jurou acabar durante toda sua vida?

Respirei fundo e virei-me devagar, como ela havia ordenado. Assim que nossos olhos se encontraram o abalo foi mútuo. Eu quase não podia acreditar no que estava acontecendo. Sakura estava ali, parada diante de mim com uma faca apontada em meu pescoço.

Demorou mais do que eu esperava para ela me reconhecer. Seus brilhantes orbes verdes arregalaram-se em surpresa e ela deixou sua faca cair no chão tamanho foi o choque que a atingiu. Ela retirou o capuz que cobria seus cabelos.

— Sa... Sasuke? — ela balbuciou as palavras, quase não conseguindo pronunciar meu nome.

Analisei seu rosto, suas roupas, tudo nela ainda me lembrava da antiga Sakura que conheci. Estava incrivelmente mais bela do que eu via em meus sonhos, e seus cabelos batiam até a cintura. Contive a vontade de sorrir. Ela sabia que eu gostava de seus cabelos quando estavam longos, mas nunca os deixava crescer abaixo dos ombros. Entretanto, por algum motivo ela pareceu mudar de ideia durante todos esses oito anos.

O ar fugiu de meus pulmões. Sakura tornou-se a mulher mais linda que já tinha visto em toda a minha existência.

— S-Sasuke? É você mesmo? — Ela recuou um passo para trás.

— Sim — respondi, por fim, após tanto tempo admirando-a.

Queria abraçá-la, queria beijá-la e sentir o doce gosto de seus lábios novamente. Porém, tinha que ser cauteloso. Não sabia como ela havia passado esses anos com a minha ausência. De certo, imaginou que eu já estivesse morto à essa altura. Ela não era mais a Sakura que conheci, e não tinha ideia do que eu poderia ser para ela naquele momento.

— Mas... como? — Ela levou uma mão até o tronco da árvore, apoiando-se nela. — Você sumiu! Nunca conseguimos te achar. Eu procurei... procurei tanto...

E então ela começou a chorar.

— Sakura, calma. — Sem pensar muito, eu a abracei. Para a minha surpresa, meu abraço não foi rejeitado. — Eu posso explicar, ok? Eu digo o que você quiser.

Ela afastou-se de súbito, encarando meu rosto com os olhos cheios de lágrimas. Suas mãos percorreram os contornos da minha face até meus cabelos. Parecia que estava querendo se certificar de que aquilo era real.

— Por onde esteve? O que aconteceu? Não está sendo controlado? — Ela começou a me encher de perguntas e analisou minhas roupas logo em seguida. — Você é um deles agora?

Eu não sabia o que responder.

— Você é um deles agora, Sasuke?

— Não! Não sou. — Afastei-me de seu contato, distanciando-me dela enquanto bagunçava meus cabelos. Minha mente estava confusa e isso me deixava ansioso. — Eu fiz o que precisava para continuar vivo.

— E os outros? Hinata e Shion?

— Estão sob efeito forçado do cristal. Neji e Chouji... morreram — Sakura abaixou a cabeça em negação, limpando com sua roupa as novas lágrimas que caíam.

— E como você sobreviveu? — ela perguntou, voltando seu olhar para mim.

— Vivendo uma grande mentira. E o que você faz aqui, sozinha?

Sakura desviou o olhar, sem me dar uma resposta. Comecei a ouvir vozes vindo do posto, que ficava apenas há alguns metros de onde estávamos. Eram os soldados que vieram à minha procura apontando suas lanternas para a escuridão.

Aproximei-me de Sakura mais uma vez, erguendo seu rosto com uma mão até que ela tivesse total atenção em mim.

— Você tem que fugir, agora — falei, soando mais como uma ordem. — Atinja minha perna com sua faca e corra.

Ela ficou confusa.

— O que? Não! Sasuke, venha comigo. Por favor! — suplicou, com a voz falha. Suspirei, contendo a vontade de atender ao seu pedido. Contudo, eu sabia que seria mais útil se continuasse com o Império, por enquanto.

— Não posso, não agora. — Os orbes esmeraldinos perderam o brilho. — Consigo te proteger melhor desse lado, acredite em mim.

Sakura uniu as sobrancelhas, e eu imaginei que mil coisas deveriam estar se passando na mente dela. Outro grito ecoou. Não tínhamos mais tempo para perguntas.

— Então venha me encontrar em sete dias à meia-noite no antigo moinho próximo da floresta. Você sabe qual — disse ela, segurando minhas mãos. — Temos muita coisa para conversar.

Os soldados chegavam cada vez mais perto. E como um gato rápido e sorrateiro, Sakura pegou sua faca do chão e cravou-a em minha perna, um pouco acima do joelho. Sua força era tanta que me perguntei se ela estava descontando sua raiva pelo meu desaparecimento. Segurei a vontade de gritar enquanto a via correr e sumir pelas sombras, fugindo em segurança.

Um homem ajudou-me a voltar para o posto. Disse a eles que fui atacado de surpresa e que o intruso havia escapado pela mata, mas que não era quem estávamos procurando. Um grupo saiu cedo pela manhã para patrulhar a região, sem sucesso. Três dias depois, acabamos voltando para Crysallium novamente, e meu plano era conseguir ir até o posto leste sozinho, que era o mais próximo do moinho abandonado que Sakura mencionara.

Porém, mesmo sendo um comandante, não nos era permitido sair sozinho para fora das muralhas. Decidi então levar um time pequeno. Karin, Juugo, Suigetsu e eu, junto com Shion que insistiu em nos acompanhar. Fora a loira, eu não sabia muito sobre o passado dos outros três, apenas que eles não precisaram de uma cirurgia em seus cérebros para caírem no efeito do cristal e que eram cadetes experientes. Suas vidas passadas não importavam, só não queria que nenhum deles atrapalhasse meus planos. A única coisa que sabiam era que iríamos atrás de alguém para o Imperador.

Só a tentativa de sair escondido no meio da noite seria uma missão, por si só, quase impossível.

O posto leste era um pouco mais distante dos outros e, por isso, era o menos vigiado já que quase não havia nada pelas redondezas além de um vasto cerrado que se misturava com uma parte da floresta. Ao chegarmos no local, dois dias depois, garanti que todos tivessem atividades para fazer durante o dia. Sejam treinando, patrulhando, organizando nossas provisões ou incentivando-os a bolar estratégias falhas com mentiras inventadas para capturar nosso alvo.

— Sasukezinho, como está a sua perna? — Shion perguntou enquanto se jogava ao meu lado na cama.

Levantei-me no mesmo instante.

— Melhor.

— Deixa que eu troco seu curativo. — Ela se ofereceu com um sorriso no rosto.

— Não precisa. Eu faço sozinho.

Ela bufou, rolando na cama até a beirada e sentando-se em seguida.

— Você tem certeza que essa tal de Sakura está por aqui?

Ergui uma sobrancelha, e ela me olhou com um ar vitorioso. Como ela sabia sobre esses detalhes?

— Onde ouviu esse nome?

— Orochimaru me contou. — Abriu outro sorriso. — Você não é o único queridinho dele, sabia?

Então é por isso que ela quis vir junto. Deve estar curiosa para saber quem Sakura é.

Dei de ombros, mostrando indiferença. A verdade era que isso tinha me deixado extremamente preocupado. E se Orochimaru mandou outras pessoas atrás de Sakura além de mim?

— Não era para você estar aqui — comentei, suspendendo a calça acima do joelho e tirando a bandagem de minha perna. A ferida estava cicatrizando bem. — Devia ter ficado com Hinata na cidade.

Ela cruzou as pernas expostas por uma saia justa e abaixou o zíper de sua jaqueta, revelando mais pele do que o necessário.

— Ela é melhor na espionagem, eu sou mais habilidosa pegando em armas. — Jogou o cabelo para trás.

Contei mentalmente até dez, a fim de conter a irritação.

— Shion, saia. Você tem seu próprio dormitório e eu preciso descansar. — Passei um pouco de pomada na ferida outra vez, enrolando a coxa com um curativo limpo.

— Mas eu posso te ajudar a relaxar...

— Saia!

Ela levantou-se da cama, contrariada. Deu dois passos e parou bem à minha frente.

— Eu não entendo, nos conhecemos faz anos e você nunca se interessou por mim! — ela declarou, furiosa, ao mesmo tempo que me encarava fixamente. — Você gosta de outra pessoa?

— Não.

— Então que parte de mim não te agrada?

Tudo.

— Shion, saia. — Virei-me em direção à uma pequena mesa e peguei um papel e caneta em mãos. — Ou você prefere que eu relate sua desobediência para com o comandante ao QG?

Shion ficou vermelha de raiva. Ela não disse nada, apenas deu meia-volta e saiu do quarto a passos pesados, batendo a porta com força. Joguei a caneta e o papel na mesa novamente e troquei de roupa. Deitei-me na cama e fiquei imóvel, encarando o teto escuro. A imagem de Sakura não saía da minha cabeça, e faltavam apenas dois dias para nos encontrarmos outra vez.

Onde ela deve estar agora? Era a única coisa que eu queria saber naquele momento. 

Sim gente, já se passaram 8 anos desde o primeiro capítulo KAKAKAKKA
Naruto e o pessoal nunca conseguiram resgatar Sasuke e os outros, já que Crysallium é uma fortaleza fortemente vigiada. Então os anos foram passando, mas eles nunca deixaram de procurá-los. Como Orochimaru tem muitos soldados, seria uma grande sorte (como foi nesse capítulo) que eles se encontrassem algum dia.


Não esqueçam de comentar/votar, me ajuda bastante! Um beijo 💖💖💖

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