Capítulo Cinco


— Ai, droga! Tá doendo! — xinguei, sentindo Ino passar a agulha em meu braço direito.

— Fique quieta, mulher! Tô quase acabado — ela me repreendeu. Ino pegou uma pomada antibiótica e passou-a na ferida em meu braço. Naquela mesma noite, quase fui pega em uma armadilha enquanto invadia um depósito de armas dado como abandonado próximo a Crysallium. Tinha esperanças de encontrar alguma munição ou armas defeituosas, mas o que encontrei lá dentro foram armadilhas mecânicas prontas para me cortar em pedacinhos. Por sorte, acabei ganhando um corte horizontal no braço que doía pra cacete.

Estávamos sentadas em um banquinho, na parte da pequena cozinha improvisada. Ino enrolou algumas faixas ao redor do meu braço para que a ferida não infeccionasse.

— Pronto, aí está. Amanhã trocamos o curativo. Deu sorte de ter sido apenas um corte. Pelo tamanho dessa lâmina, poderia ter cortado seu braço inteiro fora.

— Malditos. Nunca vi esse tipo de armadilha antes — comentei — Eles estão começando a criar novas tecnologias.

— É melhor tomar mais cuidado, amiga. Não vá mais sozinha nas missões, não se esqueça de que você ainda tem uma filha pra criar.

Um garoto de cabelos loiros passou correndo pela cozinha.

— Inojin! Sem correr por aí! — gritou Ino para o garoto. Era Inojin, fruto de seu relacionamento com Sai.

— Desculpa, mãe! — o garoto gritou de volta, longe demais para que sequer pudéssemos vê-lo.

Suspirei pesadamente. Ino tinha razão, estava ficando cada vez mais perigoso sair sozinha. Principalmente depois que Sasuke contou que o Imperador procurava por mim. Mas a razão para que eu continuasse saindo em missões era para ocupar minha mente. Eu passava o dia com Sarada e saía durante as noites, apenas para tentar controlar a ansiedade que sentia. Passaram-se dias desde que Sasuke esteve aqui e ele não havia feito nenhum contato ainda. Me doía não saber mais o que responder quando Sarada fazia incessantes perguntas sobre o pai. Talvez, no fundo, eu torcia para dar de cara com ele durante minhas tarefas noturnas.

— É, não posso deixar Sarada ficar sem uma mãe também. — Levantei-me do banco e abracei-a com um sorriso no rosto. — Obrigada, Ino. Você é a melhor médica do mundo.

— Deve ser porque eu sou a única que você conhece, idiota. — Ela riu. — Agora vá descansar um pouco, e sem sair para fora até seu braço melhorar. Ordens médicas.

— Sim, senhora! — respondi, voltando para os dormitórios. Mas nós duas sabíamos que eu não iria ficar trancada aqui embaixo por muito tempo.

— Se me chamar de senhora mais uma vez eu nunca mais empresto meu shampoo! — gritou ela da cozinha ao mesmo tempo que ouvia minha risada.


Acordei com um pano úmido sendo colocado sobre minha testa. Abri os olhos lentamente, que estavam mais pesados que o normal. Minha pele estava pegando fogo e o suor escorria de minha testa e pescoço. Sarada me encarava ao lado da cama, com os olhinhos aflitos.

— Você tá bem, mamãe? — ela perguntou. — A tia Ino falou que você tá com febre.

Ah, então é isso. Deve ser pelo corte no braço.

— Estou bem, minha linda. Vai passar logo. — Sentei-me na cama, sentindo como se minha cabeça fosse explodir. Afastei da pele os cabelos grudados pelo suor. — Pode ver com a tia se tem algum remédio disponível?

Sarada assentiu, mas antes que saísse do quarto, ela me disse:

— Ah! O tio Kiba e o tio Naruto vão encontrar o papai hoje! Será que ele vem me ver?

Sua fala me pegou de surpresa no mesmo instante.

— Hoje? Onde eles estão?

— Acabei de ver eles saindo...

Levantei-me às pressas, ignorando os calafrios e o clamor de meu corpo para que permanecesse na cama. Senti a fraqueza imediata assim que pus os pés no chão e esfreguei os olhos numa tentativa de mantê-los o mais abertos possíveis.

— Mamãe?

— Eu já volto, filha. Só preciso falar com o tio antes...

Passei pelos corredores e pela sala comunal, sem nenhum sinal deles. Respirei fundo e juntei toda a minha força, subindo a escada que levava para a superfície, um degrau de cada vez. Quando saí do lado de fora, já devia ser tarde da noite. Vi Naruto, Kiba, Sasori e Sai um pouco mais à frente. Eles viraram-se para trás assim que ouviram o barulho da tampa de metal se fechando.

— Onde vocês pensam que vão sem mim? — gritei para que eles me ouvissem. Dei um passo cambaleante e minha visão tornou-se turva por um segundo.

Kiba foi o único que correu até mim.

— Sakura, o que faz aqui? Era pra estar na cama! — Ele me segurou pelos ombros e colocou sua mão em minha testa. — Você tá ardendo em febre!

— Não tem problema, eu consigo ir! — menti, tentando manter minha postura firme. Queria muito ir com eles. Queria saber se Sasuke estava bem. Queria vê-lo mais uma vez.

— Sakura. — A voz de Naruto soou ao meu lado. Eu mal percebi quando o resto do grupo havia se aproximado. — Você não pode ir nesse estado.

— Mas eu... — Meu corpo sucumbiu ao cansaço. Kiba me pegou no colo antes que eu caísse no chão.

— Leve-a de volta, rápido.

Foi a última coisa que ouvi antes de perder a consciência.


Ino me deu um belo sermão por ter saído na noite fria do jeito que eu estava. Fiquei de cama por mais dois dias inteiros quando finalmente minha febre começou a normalizar, graças aos remédios que outra equipe de busca havia trazido no dia anterior. Sarada logo veio me contar notícias assim que acordei, dizendo que o pai havia conseguido muitas flores e que logo ele estaria de volta. Soltei o ar, aliviada, ao menos descobri que ele estava bem já que conseguiu as flores de que precisávamos. Não comentei nada quanto à ele voltar, pensando que provavelmente um dos rapazes tenha dito isso para deixá-la feliz.

Tão logo consegui me pôr de pé marchei rumo ao pequeno laboratório improvisado de Shizune junto de Sarada, que estava curiosa sobre o que eram todas aquelas plantas que nunca havia visto. Eu, por outro lado, queria muito saber como estava indo o desenvolvimento do antídoto que poderia mudar nossas vidas.

— O que é isso? — Sarada perguntou quando viu Shizune extrair um líquido azul de algumas pétalas.

— Isso é o nosso fluido mágico — Shizune respondeu, balançando o tubo de ensaio cheio de líquido.

— Quanto tempo até uma dose ficar pronta? — eu perguntei dessa vez. — E o que acontece se usar em um não-controlado?

— Uns dois dias. — Ela ajeitou o óculos. — Não tenho certeza dos efeitos em pessoas normais, provavelmente serão nulos. Mas preciso de mais um tempo pra criar uma quantidade boa que seu marido possa utilizar contra o Imperador. Ele vai ter que envenená-lo aos poucos e devo garantir que seja o suficiente. Vou preparar algumas doses extras só por precaução.

— Shizune! Ele não é meu marido! — Fiquei vermelha e apontei com discrição para Sarada. Eu sempre evitava falar sobre esse tipo de assunto na frente dela.

Shizune encarou-me com divertimento.

— Para com isso, Sakura! Todo mundo viu como vocês estavam juntos naquele dia.

Não acredito que ela vai realmente falar disso logo agora!

Estávamos normais, ora. Nada demais. — Dei de ombros, tentando não cair em suas provocações.

— Eu vi o papai dando um beijão na mamãe! — Sarada exclamou com entusiasmo. — Tenho certeza que eles vão ficar juntos de novo, tia!

Arregalei os olhos e Shizune caiu na gargalhada. Essa menina só me colocava em situações embaraçosas!

— Sarada, você estava fingindo dormir aquela hora?!

Ela sorriu brincalhona. Sua falta de resposta já a denunciava. 

— Ah, vem aqui sua pestinha! — Agarrei com rapidez seu corpo pequeno e comecei a lhe encher de cócegas. Sarada tentou se soltar em meio aos risos. — Você vai sofrer o castigo das mil cócegas hoje!

— Não, mãe! Me desculpa! — Soltei-a por um segundo e ela saiu correndo da sala. Iria se esconder em algum lugar e eu sairia em busca dela como um pique-esconde. Era uma de nossas brincadeiras.

— Viu? Até ela sabe. — Shizune parecia ter contado uma verdade universal. Um senso comum. Estava tão na cara assim que eu ainda tinha sentimentos pelo meu ex-namorado desaparecido? Senti meu rosto quente, e resolvi ir atrás de Sarada antes que Shizune fizesse mais perguntas.

— Me avise quando terminar — falei, e saí do laboratório em passos rápidos.


Três dias depois, o antídoto estava pronto.

— Tomei minha decisão. Sakura e eu iremos entregar os frascos essa madrugada — Naruto anunciou, parado em pé em meio a sala. Era tarde da noite, e apenas algumas velas iluminavam o ambiente devido à uma queda de energia em nossos geradores. Kiba, Tsunade, Kakashi, Shizune e Ino eram os únicos que ainda estavam acordados depois de um dia de treinamento intenso com o resto do pessoal.

— Eu posso ir com ela — disse Kiba. — Afinal, eu já tinha decidido ir junto.

— Não, você fica — Naruto declarou, e Kiba chiou baixinho em claro sinal de frustração. Ele não poderia ir contra às ordens de Naruto. — Não se preocupem, eu confio em Sasuke.

Apenas escutei, calada, mas feliz por Naruto também acreditar que Sasuke não havia mudado. Que ele não era um deles.

A reunião prosseguiu por mais alguns minutos para que decidíssemos algumas questões. No pior dos casos, se tudo desse errado, eles iriam evacuar aquele local e partirem para outro esconderijo. Kiba não gostou da ideia, insistindo em ir junto. Ele parecia preocupado demais e imaginei que isso deveria ser pela sua pequena rivalidade com o moreno. Kiba não confiava em Sasuke de jeito nenhum.

Por fim, consegui convencê-lo de que tudo ficaria bem e logo voltaria para o abrigo. Ele me fez levar algumas facas extras – que acabei escondendo pelo corpo – e, após tomar um banho, arrumar minha bolsa e vestir meu manto, dei um beijo na testa de Sarada que dormia profundamente. Encontrei-me com Ino e os outros do lado de fora para uma rápida despedida, pedindo à loira que cuidasse de Sarada até meu retorno.

Subi na garupa da moto de Naruto e em pouco tempo nós já estávamos longe da vista dos outros, rumo ao antigo acampamento que tivemos de deixar após ter sido descoberto pelos soldados há mais de anos. À essa altura, o lugar não devia ser nada além de escombros velhos e destruídos. O vento estava forte e gelado, passando como um sibilo em meus ouvidos. Segurei com força a cintura de Naruto com um dos braços enquanto o outro impedia meu manto de cair de meus cabelos. A última coisa que eu queria era bagunçá-los, e esse era um tipo de preocupação que eu não tinha até pouco tempo atrás. Droga, devia amarrado o cabelo antes de sair. 

Naruto sempre conhecia os caminhos mais seguros, onde a chance de encontrarmos alguém do Império eram nulas. Fechei os olhos ao passarmos por uma parte do deserto. Naruto usava uma máscara protetora para ocasiões como essas, já que ele era o piloto. Eu, por outro lado, tinha que permanecer de olhos, boca fechada e cabeça baixa se não quisesse que a poeira entrasse em ambos ou grudasse em meu rosto.

Depois de mais uma hora passando por diversas paisagens – desde o deserto até as partes mais densas da floresta e vales esquecidos –, finalmente comecei a reconhecer o local. Naruto começou a desacelerar, estávamos perto. O pequeno riacho onde pescávamos ainda estava inteiro, do mesmo jeito que me lembrava. Os troncos de árvores marcados com nosso nome em lascas de pedra ainda eram visíveis à distância. Minha mente retornou às memórias antigas, e a sensação de saudade preencheu meu peito. Saudade de uma época em que éramos felizes. Saudade de casa e daqueles com quem vivi. Saudades da minha mãe e do meu pai, que fizeram de tudo para me proteger. Sem eles, eu não estaria aqui, e é isso que desejava para Sarada. Queria protegê-la até o fim de minha vida e mudar esse mundo de merda para que ela possa crescer em paz, como uma criança deveria.

Eu só rezava para que as almas dos que se foram estivessem nos guiando lá de cima.

Avistei o antigo alojamento à nossa frente, exatamente como imaginei. Apenas ruínas de casinhas velhas, nada mais. Naruto parou a moto e nós descemos. Ele ligou a lanterna para iluminar o caminho enquanto eu olhava atentamente para os lados, caso houvesse alguém ali que não fosse Sasuke. Os únicos sons que ouvíamos eram de nossos passos na grama crescida à medida que entrávamos mais a fundo. Estava começando a achar aquilo estranho, até que ouvi uma voz que fez meus pelos eriçarem.

— Aqui — falou a voz já conhecida.

Sasuke saiu de trás de uma das muretas. Estava com seu uniforme em um tom escuro de sempre e uma capa cobrindo-lhe os cabelos. Naruto levou um pequeno sobressalto.

— Cara, não me mate de susto assim! — O loiro colocou a mão no peito, como se estivesse acalmando seu coração.

— Quem diria que o líder da maior facção rebelde teria medo do escuro. — Sasuke zombou, encarando-me logo em seguida com um sorriso. Eu me perguntei se ele estava sorrindo ao me ver ou porque achava o drama de Naruto engraçado.

Apertei o passo até ele, abraçando-o logo em seguida. Seu cheiro era uma mistura de canela e lavanda, e o calor do seu toque ao retribuir meu abraço era como se o verão tivesse acabado de chegar, preenchendo-me com uma sensação de felicidade.

— Fico tão feliz que esteja bem! — eu disse, assim que levantei o rosto para encará-lo. — Achei que pudesse ter sido pego com as flores.

Ele beijou o topo da minha cabeça.

— Foi tranquila, ninguém desconfiou de nada. Achei que Naruto tivesse te dito que eu estava bem. — Ele encarou o loiro.

— Eu ia dizer, mas sua filha acabou contando primeiro. — Naruto se defendeu.

Sasuke franziu a testa em claro sinal de confusão.

— Sarada ouviu a conversa dos rapazes e foi correndo me contar sobre você. — Eu ri. — Eu estava de cama naquele dia, não vi quando eles chegaram.

— O que houve com você? — Sasuke quis saber.

Eu abaixei levemente meu manto, mostrando a ele a faixa que ainda enrolava meu braço.

— Cortei o braço em um acidente, foi isso.

— Acidente onde, Sakura? Não me diga que foi você quem acionou as defesas do depósito de armas perto de Crysallium?

Ah, claro que ele iria saber. Ele faz parte do exército, afinal.

— Eu avisei para ela não ir — Naruto disse, dando de ombros.

Eu desviei o rosto, sem ter o que dizer.

— Por Deus, Sakura. Poderia ter morrido! — Sasuke soltou um suspiro. — Não faça mais isso, por favor. O Império está testando novas armas, mas ainda são muito instáveis.

— Não vou fazer, prometo. — Fiz um beicinho, me sentindo como uma menina que acabou de levar bronca.

Ele abraçou-me com mais força, murmurando algo sobre como eu era corajosa até demais. Depois, Sasuke segurou meu rosto e beijou meus lábios com suavidade, em um beijo não tão longo e nem tão curto, mas certamente durou menos do que eu realmente queria.

O loiro pigarreou, estava ficando impaciente pois tínhamos que voltar logo.

— Então, conseguiram? — Sasuke mudou de assunto, ficando ligeiramente envergonhado quando nos separamos.

— Sim — Naruto respondeu, retirando cinco frascos de um líquido transparente da bolsa enquanto eu retirava mais cinco da minha. — Shizune conseguiu deixar o líquido sem cor e sem sabor, assim você pode colocar onde quiser sem ser detectado.

— E quanto eu devo usar? — Sasuke pegou os frascos e guardou-os em uma bolsa de pano que carregava na cintura.

— Quatro gotas se quiser um efeito mais lento e sem levantar suspeitas ou oito gotas se quiser enfraquecê-lo mais rápido com risco de suspeitarem de envenenamento — expliquei.

— Ótimo, usarei seis então. Um meio-termo sempre dá certo — Sasuke disse, e eu achei graça. — E para liberar quem já está sob controle?

— Nesse caso, você vai ter que achar uma seringa e introduzir no músculo da pessoa. Cinco mililitros são o suficiente.

— Certo... acho que consigo fazer isso.

Dei-lhe um rápido beijo na bochecha.

— Confio em você, Sasuke. Você vai conseguir.

Naruto pegou um papel do bolso e entregou ao moreno.

— Aqui está a outra parte do plano. Leia quando estiver sozinho.

Outra parte do plano? Naruto não havia me falado nada sobre isso.

— O que é esse plano? — perguntei ao encarar o loiro, curiosa, mas também frustrada por estar sendo deixada de fora de algo importante.

— Não se preocupe, Sakura. Você precisa descansar das missões por um bom tempo, ou vai acabar realmente perdendo o braço — Naruto respondeu.

— Mas... eu ainda posso fazer algo! — esbravejei. Estava começando a ficar irritada com aquilo tudo. Ele não confiava mais nas minhas capacidades?

— Sakura... por favor, olhe para mim. — Sasuke me chamou, fazendo-me prestar atenção nele. — Isso é para o seu bem.

— Não, eu não aceito isso! Eu ainda posso ajudar, não estou enferrujada, velha e muito menos doente!

— Preste atenção, Sakura. Isso é para mantê-la em segurança. — Ele segurou uma de minhas mãos, fitando em meus olhos fixamente. — Espero que nos perdoe.

Não tive tempo para raciocinar o que ele quis dizer com aquilo. No mesmo instante, minha boca e nariz foram cobertos com um pano grosso molhado em um líquido forte. Tentei me soltar, mas Sasuke e Naruto seguravam meus braços com firmeza à medida que eu perdia as forças.

Eles iriam me apagar, e eu nem sequer entendia o motivo.

Parei de lutar, não teria como vencê-los. O cheiro forte invadiu meus pulmões e começou a me deixar zonza. Sasuke sussurrou algo como "vai ficar tudo bem", enquanto Naruto dizia coisas que já não eram mais entendíveis para mim.

Meu corpo foi caindo lentamente nos braços de Sasuke e meus olhos se fecharam, caindo no limbo da inconsciência mais uma vez. 


Eita, e agora? 👀
Espero que gostem, não se esqueçam de votar/comentar, me ajuda bastante! 💖

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