20 - airplane mode
Eu preciso não atender meu telefone
Eu irei direto para o modo de avião
Encontrar algo para fazer, eu sei
Eu posso ser um pouco fria
Mas meu terceiro olho está ficando cego
Não estou alinhada com o meu corpo e minha mente
Está pregando peças, eu digo que estou bem
Mas realmente, no fundo está me machucando
Limbo – Airplane Mode
– △ –
– Por que você tá chorando, idiota? – Ousou perguntar depois de um tempo e Eliel se afastou, secando as bochechas molhadas com as mãos.
– E-eu não sei... Eu só não esperava que fosse ser assim e eu... Eu não quero dar mais motivos pra ser uma decepção pra você e pra mamãe – ele respondeu com a voz embargada e Lis sentiu seu coração se apertar.
Estava acostumada com o Eliel sério e sarcástico, o irmão mais novo que apesar de implicante parecia sempre mais emocionalmente inteligente e controlado que ela, e vê-lo naquele estado a quebrou de uma forma que pouquíssimas coisas conseguiriam.
– Você nunca, jamais, vai ser uma decepção pra mim, muito menos por algo assim, até porque também não é como se eu gostasse só de homens... – ela disse e suspirou quando seu irmão lhe lançou um olhar completamente confuso. – Sim, eu sei que eu tinha um namorado e tudo mais, mas... Eu sou bissexual, eu gosto de pessoas e só e tô cagando pro que pensam porque sou feliz assim. Então você não tá sozinho nessa, e não estaria mesmo que eu realmente fosse hétero porque eu estou aqui pra te apoiar no que te faz feliz, desde que você não esteja usando drogas ou assaltando lojas de conveniência, é claro.
– A mamãe sabe? De você?
– Acho que ela desconfia mas eu nunca falei nada, então se você quiser... Sei lá, a gente podia contar juntos, segurar a mão um do outro e tal, apesar de que eu tenho certeza de que ela não tá nem aí pra se gostamos de beijar meninos ou meninas e também só quer ver a gente bem.
– É só que... Desde que eu nasci que escuto sobre como isso é errado, e como ser gay é algo nojento ou sujo e que quando eu morrer vou pro inferno só por ter nascido assim, e querendo ou não isso acaba me machucando sim, muitas vezes eu desejei que eu realmente gostasse de meninas só pra não ter que me sentir desse jeito, como se eu fosse um erro – Eliel admitiu e Lis pôde sentir o quanto aquilo era doloroso para ele.
Ela tinha passado por um processo parecido, sempre precisando ouvir que bissexuais eram promíscuos ou indecisos e que garotas bissexuais só serviam para sexo a três e satisfazer fantasias de homens fetichistas nojentos, mas nunca se importara de verdade, ela amava quem amava e o resto que se foda, porém era perceptível que com seu irmão não era do mesmo jeito, todas aquelas coisas realmente o atingiam e Lis odiou o mundo por fazer seu irmão se sentir mal simplesmente por ser quem era.
– Eu sinto muito por isso, sinto muito que o mundo ainda seja um lugar cruel e violento pra pessoas como a gente, mas ninguém precisa se sentir culpa por ser quem é e isso inclui você. O amor é lindo e genuíno, não importa de quem e para quem, e não deveria ser limitado a só o que um bando de sem cérebro considera normal e aceitável – ela disse e o abraçou mais uma vez. – E você não deve dar ouvidos à essas pessoas, não vale a pena, não se esforce pra ser alguém que não é só por causa das porcarias homofóbicas que dizem por aí, só se esforce pra ser feliz, tá bom? Só isso. Não me importo se vou ter um cunhado ao invés de uma cunhada, eu realmente não tô nem aí desde que você esteja bem.
– Desculpa. Eu só fiquei meio preocupado porque a sua reação...
– É que realmente me pegou de surpresa, eu não esperava por isso porque você... Sei lá, mas nunca imaginei que você fosse gay – Lis admitiu e Eliel riu.
– O quê? Só porque eu não uso maquiagem e nem sou fã de Lady Gaga?
– É, e sinto muito por isso, pensar assim foi bem ridículo da minha parte – ela disse sentindo-se envergonhada e uma idiota por ter se prendido a um estereótipo tão tosco. – Mas de qualquer forma só quero que saiba que tem meu apoio, e se algum dia algum otário te disser qualquer besteira por isso eu quero que me avise pra eu poder pegar o desgraçado na porrada e eu não tô nem brincando.
– Obrigado Lis, de verdade – ele agradeceu apertando mais o abraço entre eles, fazendo um sorriso surgir no rosto da mais velha que sentira muita falta daquilo.
– Você quer ficar sozinho agora?
– É, acho que sim.
– Então tudo bem, vou respeitar isso contanto que me prometa que não vai virar um saco plástico – pediu e o menino deixou escapar uma risada fraca, negando.
– Eu não vou, prometo – respondeu e Lis assentiu antes de deixá-lo e ir para o próprio quarto.
Ela se jogou na cama e pegou o celular, vendo que tinha uma mensagem de Kate.
“Eu e a Hanna podemos ir aí? Precisamos conversar, deu ruim”.
Lis não fazia ideia do que poderia ter dado ruim agora mas desconfiava que, depois de descobrir sobre o caso de Henri e Matt e sobre seu irmão ser gay nada mais a surpreenderia, então concordou e esperou as duas chegarem, aproveitando para tomar um banho durante esse tempo.
Ficou longos minutos trancada no banheiro, só deixando a água cair sobre sua cabeça enquanto tentava relaxar sem muito sucesso, até ouvir a risada escandalosa de Hanna vindo do andar de baixo junto das vozes de sua mãe e Kate dizendo coisas que ela não conseguia entender direito.
E Lis deu um longo suspiro quando fechou o chuveiro e se enrolou na toalha, ainda sentindo que precisava ficar sozinha por mais alguns dias antes de ver qualquer um porque aquilo iria desgastá-la de alguma forma, mas agora já era tarde demais, ela não podia simplesmente enxotar suas amigas da sua casa assim, então se aprontou em secar os cabelos e vestir um short confortável com uma camiseta colorida que não combinava em nada com o seu humor atual.
– E olha só quem saiu do cativeiro – Violet disse assim que Lis apareceu na cozinha e a garota revirou os olhos.
– Como você é engraçada, mãe.
– Você tá bem, meu amor? – Hanna perguntou correndo para abraçá-la, o olhar preocupado denunciando que ela já sabia a resposta para a própria pergunta.
– Eu tô tentando.
Agora que Hanna sabia o motivo para o péssimo humor e isolamento repentinos de Lis tudo aquilo ficava ligeiramente mais difícil. Ela queria segurar a mão da amiga, dizer que ficaria tudo bem e lhe dar conselhos mesmo que estes não fossem tão bons ou eficientes, mas não podia, sabia que Lis ficaria puta da vida se soubesse que Henri tinha lhe contado tudo, ainda mais considerando que ela já vinha guardando uma mágoa considerável do garoto.
– Melhora essa cara, eu tinha notícias ruins mas como sou a pessoa mais inteligente que vão conhecer na vida eu já arrumei soluções – Kate anunciou e Lis sentiu Hanna se tensionar quando perguntou o que tinha acontecido.
– Eu meio que... Briguei com a minha mãe e me expulsei de casa e roubei o carro dos meus pais então... Meio que a minha festa estava... cancelada – ela explicou falando devagar muito provavelmente pela primeira vez na vida e tentou abrir um sorriso que tremulou e se entortou no meio do caminho, pois mesmo que não contasse a história toda aquilo ainda era o suficiente para fazê-la pirar um pouco.
– Você o quê? – Lis guinchou tentando processar a chuva de informações e Hanna encolheu os ombros, aceitando quando Violet lhe entregou uma xícara de café.
– Você fala como se nunca tivesse brigado comigo e fugido de casa antes – a mulher respondeu sem entender a incredulidade da filha. – É claro que você não roubou o meu carro nem nada, mas na idade de vocês...
– Ai mãe, pelo amor! Não acredito que vai defender um surto desses quando me julga por simplesmente tacar o celular na parede – reclamou e grunhiu quando a loira fez um biquinho indiferente e balançou a cabeça positivamente.
– Obrigada tia – Hanna disse aliviada pela tentativa de Violet de acalmar Lis e ser compreensiva. – E acho que tá tudo bem agora, pelo menos já voltei pra casa.
– Mas o que foi que aconteceu? Você nunca surta assim, mal levanta a voz pra alguém e muito menos pros seus pais.
– Eu... A gente conversa depois – respondeu e Lis assentiu, entendendo que provavelmente aquele era um assunto delicado para Hanna e sobre o qual ela preferia falar com mais calma e preferencialmente sem ser na frente de Violet.
– Mas então, o que eu estava dizendo é que já arrumei uma solução para a festa cancelada – Kate disse empinando o nariz com um sorrisinho orgulhoso. – Como o aniversário da bonitinha impulsiva e tagarela já é depois de amanhã e não me sobrou muito tempo pra planejar algo gigante, chique e memorável, pensei em algo simples mas ainda assim divertido e que nunca fizemos antes então... Nós vamos acampar – ela fez uma dancinha animada e cantarolou as últimas três palavras, virando-se para Violet quando a mesma pigarrou, estreitando os olhos e cruzando os braços sobre o peito.
– Eu não me lembro de ter deixado a Lis ir pra vocês afirmarem com tanta certeza assim que vão acampar.
– Ah mãe, por favor! É aniversário da Hanna e eu tô há quase um mês trancada em casa sem falar com ninguém, pensei que você quisesse me ver melhor!
– Te ver melhor significa te ver bem e saudável, não deixar você se enfiar no meio do mato pra usar drogas.
– Não vai ter drogas – Kate respondeu prontamente. – Minha irmã vai ter que ir se eu quiser ir também e a senhora sabe como a Karen é chata, então sem drogas.
– Toda vez que vocês me chamam de tia ou senhora uma fada morre, mas tá bom, eu vou pensar – Violet disse e reforçou quando viu a expressão vitoriosa no rosto das três: – E com vou pensar eu quero dizer que vou mesmo pensar, e não que eu permiti uma loucura dessas. Vocês estão ficando malucas, é? Um monte de adolescentes bêbados pegando uma trilha para sabe se lá onde e... É mesmo, se me permite perguntar, em que lugar as bonitinhas estão planejando dar esse rolê hippie?
– Na cachoeira do Poço dos Mosquitos, não é tão longe então podemos ir de bicicleta – Kate disse e Lis fez uma careta, aquilo não ajudava muito.
– De bicicleta? Para fazer a trilha do Poço dos Mosquitos? Eu preciso lembrar vocês o porquê de aquele lugar ter esse nome?
– Nós vamos levar repelentes, eu prometo! E também prometo que não vai ter drogas, até porque a Lis tá tomando os remédios né e não queremos ninguém indo parar no pronto socorro no meio do meu aniversário então eu vou cuidar bem dela, pode confiar em mim, eu não sou a Kate – Hanna fez suas promessas e xingou baixinho quando Kate lhe deu um chute na canela.
Violet estava pensativa e tentava ignorar os olhares esperançosos das garotas, principalmente de Hanna que definitivamente não queria passar o aniversário longe de uma das suas melhores amigas ainda mais depois de tudo o que tinha acontecido. Ficar trancada em casa enquanto todos se divertiam com certeza não era a melhor opção para Lis no momento e ela entendia isso.
– Tá. Mas antes eu quero falar com a Karen só pra ter certeza se ela vai mesmo ou se vocês estão só me enrolando.
– Te enrolar? Não, que isso tia, eu jamais faria algo assim.
– Tem certeza, Katherine? Ou eu preciso lembrar de quando a dona Marliss chegou aqui bêbada depois de um suposto jantar em família na sua casa? – Violet retrucou rapidamente sem se dar por vencida e Lis bateu a mão na testa, aquilo era uma péssima brecha para ela começar a citar todas as vezes que em que Lis tinha feito algo de errado na companhia das amigas, principalmente de Kate.
– Não precisa não mãe, a gente já lembra muito bem sozinha, obrigada – ela cortou enquanto ainda dava tempo e puxou Kate e Hanna pela mão, obrigando a mais alta a abandonar sua xícara de café não terminada sobre a mesa. – Estamos indo lá pra cima, pensa com carinho tá bom? Lembre-se que eu te amo muito e que eu sou a filha favorita, então acho que eu mereço uns mimos, né? Tchau.
As três subiram a escada rindo enquanto pela milésima vez Violet se perguntava onde tinha errado na hora de criar a filha.
– Então, como vai ser isso? – Lis perguntou fechando a porta do quarto, Hanna já jogada sobre a cama com Kate em seu colo, as pernas cobertas por uma meia-arrastão confortavelmente postas sobre as pernas longas e nuas de Hanna que vestia apenas uma minissaia.
– Eu, Travis e Kate vamos levar cada um uma barraca então acho que vai dar pra todo mundo dormir de boa – Hanna explicou. – Até porque não chamamos muita gente, só o mesmo pessoal de sempre.
– É melhor assim. Ir pra festas com gente esquisita já é ruim, acampar então deve ser pior ainda.
– Nós fizemos um grupo pra organizar tudo e nos comunicarmos melhor, mas não te colocamos porque você estava toda isolada e tal, sem querer falar com ninguém, então não sabíamos se era uma boa ideia – Kate disse e Lis encolheu os ombros com indiferença.
– Tá tudo bem, meu irmão me deu um sermão hoje então acho que estou um pouco melhor, pode me colocar se quiser – ela riu mas parou quando Hanna se encolheu e comprimiu os lábios.
– É que... O Matt e o Henri também estão no grupo – contou e sentiu a culpa lhe cobrir por inteiro quando a animação de Lis automaticamente a deixou, sendo substituída por um olhar cabisbaixo e nervoso.
– Ah.
– Olha, eu sei que provavelmente vai ser um saco ter que aturar os dois, mas não deve ser tão ruim, né? A Marin também é sua ex e vocês nunca tiveram problemas em se falarem nas festas e rolês e tudo mais – Kate tentou melhor a situação mas tudo o que recebeu foi um suspiro levemente irritado de Lis.
– A Marin não é exatamente minha ex, a gente só ficou e foi só por uma semana, além de que ela é e sempre foi um amor de pessoa e somos amigas agora, não tenho motivos pra ter raiva dela.
– E também não tem motivos pra ficar com raiva dos dois. Olha me desculpa mas eu realmente não entendo o porquê dessa birra toda, eles é quem deveriam estar com raiva, mas...
– Kate, cala a boca! – Hanna disse entredentes, dando uma cotovelada nas costelas de Kate que se encolheu e resmungou com a dor, passando a mão no local atingido. – Lis, não... Isso não é verdade, você tem mesmo todo o direito de estar brava.
– Não, tudo bem, a Kate tá certa – ela murmurou sentindo sua garganta apertar, os olhos agora avermelhados estavam cheios de lágrimas e ela se forçou a abrir um sorriso torto. – Eu sou uma idiota, sempre fico brava com todo mundo e tenho essas reações ridículas quando na verdade deveria ser o contrário, até porque todo mundo tem motivo pra estar puto comigo né.
Ninguém disse nada apesar de Hanna querer falar, queria dizer que entendia o lado dela agora que sabia a história toda, que ela tinha todo o direito de estar magoada e de não querer falar com nenhum dos dois, queria confortá-la e dizer que estava tudo bem, mas não podia, muito menos com Kate ali ainda sem saber sobre toda a situação – e Hanna preferia não ser a primeira a contar, até porque era um assunto que só dizia respeito à Lis, Henri e Matt, e se alguém deveria contar para Kate esse alguém era Lis, e não ela que só ficara sabendo de tudo por acidente.
– Ai que merda. Tá bom, desculpa, eu não quis dizer isso na séria – Kate disse se sentindo verdadeiramente mal por ter falado besteira, e se sentir mal por falar besteira não era lá algo que lhe ocorria com muita frequência. – Eu só queria que você esquecesse esses imbecis e ficasse bem pra se divertir com a gente.
– Eu sei.
– Então... Vamos tentar não entristecer mais a coleguinha, tá ok? – Hanna pediu direcionando um olhar assassino para Kate que concordou por livre e espontânea pressão. – E eu entendo que ir acampar com os dois ex que você odeia talvez não seja uma atividade muito excitante mas nós vamos estar lá, tá? E não vamos deixar nenhum dos dois otários estragar seu final de semana.
– Tudo bem, eu... Eu vou tentar e já estou tentando não pirar tanto com isso então é, tudo bem – Lis concluiu e sorriu depois de secar os olhos com as pontas dos dedos trêmulos.
Ela não podia culpar Kate ou Hanna por não entenderem sua irritação, afinal não tinha mencionado para nenhuma das duas o caso improvável mas ainda assim sólido e existente entre Henri e Matt, então querer que as duas entendessem cem por cento tudo o que ela estava sentindo talvez fosse pedir um pouco demais.
– Continuando, nós podemos te colocar no grupo se você quiser.
– Eu quero – ela disse pensando que poderia se arrepender dessa decisão mais tarde. – Mas me conta, o que mais organizaram até agora?
– Eu consegui um dinheiro fazendo uns trabalhinhos então vou conseguir levar algumas coisas pra comer, a Sara...
- Que trabalhinhos, Kate? – Lis a interrompeu, semicerrados os olhos com desconfiança e a amiga bufou.
– Não tô traficando, meu Deus, eu só... Tá bom, eu fiquei de babá por alguns dias mas não quero tocar no assunto, foi uma experiência traumática e não quero ter que passar por isso nunca mais na minha vida – ela colocou as mãos sobre a garganta e colocou a língua para fora, simulando um envenenamento, e tudo o que recebeu foi um tapa de Lis.
– Para de ser tão dramática, agora termina logo.
– Ok, então a Sara quem vai levar as bebidas porque ela é rica e o Travis e a Marin vão levar maconha – Kate contou e encolheu os ombros. – E a aniversariante não vai levar nada porque afinal ela é aniversariante, né.
– E também porque estou a um passo de ser deserdada da família, mas fazer o quê? Acho que posso conviver com isso desde que esse final de semana valha a pena.
– Vai valer – Lis afirmou segurando sua mão. – Então nós vamos...?
– No sábado à tarde – Kate disse.
– Amanhã então.
– É, isso, você me entendeu. Esteja pronta porque vamos passar aqui às três.
– Só que... eu não tenho bicicleta e acho que nem lembro como se anda de bicicleta, na real – Lis contou com uma careta ligeiramente preocupada e Hanna meneou a cabeça.
– Nós damos um jeito, esse é o menor dos nossos problemas.
– E qual é o maior? – Perguntou arregalando os olhos castanhos, agora estava inteiramente preocupada.
– Não tem maior, ela é doida maluca! Não tem problema nenhum na verdade porque eu sou foda demais e sei planejar um evento social como ninguém, vai dar tudo certo – Kate disse com tanta convicção que a preocupação de Lis não desapareceu.
Tinha medo de otimismo e do famoso “vai dar tudo certo”, porque não era assim que as coisas funcionavam na sua vida. Para Lis todos os momentos eram como quando você compra um sorvete feliz da vida num calor de quarenta graus mas antes mesmo de poder dar a primeira lambida a massa caí da casquinha e como se não fosse o suficiente espirra toda no seu pé.
Mas tudo bem, talvez ela pudesse tentar ser otimista ao menos uma vez.
Então depois de combinar tudo o que faltava com Lis, a dupla se despediu e foi embora, novamente a deixando sozinha com seus pensamentos, o que sinceramente era um tanto angustiante porque pela milésima vez desde que tudo tinha acontecido ela só queria não pensar.
Talvez esse tempo todo a solução fosse mesmo se reaproximar de suas amigas, afinal de contas.
“Você deveria... Deixar isso em paz. É. Vai tomar um café, começar a escrever um livro novo, alimentar gatos de rua, sei lá, só se dá uma folga”, a voz de Eliel ecoou em sua cabeça e ela assentiu para si mesma, determinada a focar em qualquer coisa que não fosse aquele drama todo.
E foi super bem durante a maior parte da noite: jogou algumas partidas de The King of Fighters com Eliel depois de insistir muito para ele lhe fazer companhia, então jantou com sua família enquanto continuava a implorar para que sua mãe lhe deixasse ir acampar com as amigas até que conseguiu a resposta desejada, e voltou a se trancar no quarto totalmente entretida e concentrada em assistir gameplays de Doki Doki Literature Club até terminar e, chocada com o final inesperado, resolver checar nas redes sociais o que outras pessoas pensavam sobre o jogo.
Eram por volta de três da manhã quando sua ideia de uma noite tranquila e sem surtos foi por água abaixo, porque abrir o Twitter nunca tinha sido uma boa ideia desde que brigara com Henri e Matt, e obviamente que dessa vez não seria diferente.
Ela quase resistiu ao impulso de não olhar o perfil de Matt – que por sinal ainda estava bloqueado –, mas a palavra “quase” é uma linha muito tênue e trágica e desgraçada entre não fazer merda e fazer A Merda.
“@blu3b0y_ está bloqueado
Tem certeza de que deseja ver estes Tweets? Ver os Tweets não desbloqueará @blu3b0y_.”
Mordiscou o polegar enquanto, relutante e xingando muito a si mesma por aquilo, clicou em “Ver Tweets”.
O primeiro resquício de sua paz indo embora veio assim que ela notou que Matt e Henri agora seguiam um ao outro, o segundo foi quando resolveu olhar os Tweets e Respostas e viu Matt respondendo à uma porção de memes nerds idiotas em que Henri o havia marcado, e o pouquinho que ainda lhe restava depois de tudo isso se esvaiu de vez assim que rolou um pouco mais a página e encontrou o tweet mais recente de Matt.
– Mas que imbecil filho de uma puta desgraçado...
– △ –
Olá amores da minha vidinha, como estão as coisas? Espero que ótimas 💕
Bom, eu sei que quebrei meu record de sumiço e demora e peço mil desculpas por isso, mas eu já tinha dito no capítulo anterior que ando bem desanimade pra postar aqui além de que expliquei nas notas de Strange que minha vida tá um bagaço - eu tô sem computador de novo e formatar os capítulos pelo celular é um saco porque meu Wattpad sempre buga na hora de colar o texto do word aqui, além de que tô trabalhando o dia inteiro e o pouco tempo que me sobra é quando eu posso finalmente comer e dormir, e eu não tô nem brincando.
De qualquer forma, eu tô de folguinha hoje e com um montão de capítulos prontos, o que sem dúvidas torna o processo todo muito mais fácil, então tá aqui junto com um desenhinho da Kate num semicosplay de Naruto que é uma referência ao capítulo 22 que espero poder postar em breve ✨ (lembrando que vocês podem sempre acompanhar mais do meu lado desenhista lá no Instagram, @/desenhista.allya, ou no Twitter onde posto várias outras coisinhas da minha vida artística triste, @/allyatheccat 🌈)
Muito obrigade por ainda me acompanharem e não desistirem de mim apesar das demoras e sumiços, espero que tenham gostado e que continuem aqui comigo até o final para vermos juntinhes o desfecho desse verão cruel 💖
Até a próxima gatinhes, um beijão e que o começo de ano de vocês seja maravilhoso e cheio de todas as coisas boas da vida, Chess ama vocês um montão assim ó 😚😚💖💗💖
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