12 - bad idea!

Foi uma má ideia ligar para você
Foi uma péssima ideia, estou totalmente fodida
Foi uma má ideia pensar que eu poderia parar
Foi uma péssima ideia, eu nunca me canso

Foi uma má ideia te encontrar tão tarde
Foi uma péssima ideia, porque não consigo pensar direito

girl in red – bad idea!

– △ –

Henri estava chateado e se afogando em sua própria ansiedade, decidido a conversar com Lis depois de ter recebido uma mensagem super aleatória da garota pedindo que não a procurasse mais seguida de um bloqueio talvez ainda mais aleatório. Eles ao menos tinham se encontrado ou conversado nos últimos três dias, que maluquice era aquela agora?

Porém sua decisão foi esquecida a partir do momento que encontrou Matt na porta de Lis com uma clara expressão de decepção e desmotivação, e o "boa sorte" que o garoto lhe soltou foi o suficiente para que ele soubesse que talvez devesse mesmo não ter ido até ali ou procurado Lis novamente.

– Ei – ele chamou correndo até Matt para alcançá-lo. – Ela também não quer falar com você?

– O que acha? – Matt respondeu friamente, e não porque realmente era uma pessoa fria, só não queria demonstrar a melancolia que o dilacerava por dentro naquele momento.

– Ela descobriu sobre...? – Henri não conseguiu terminar a frase, engolindo em seco somente por imaginar a situação.

– O quê? – O loiro indagou confuso e logo sua confusão deu lugar a raiva e a indignação. – É realmente só isso o que importa pra você? Esconder seu segredinho dela a qualquer custo? Você sabe que essa merda só tá acontecendo porque a gente continua evitando conversas e escondendo as coisas uns dos outros, né?

– A culpa é minha agora?

– Me deixa em paz, Henri – Matt pediu em tom irritado, apertando o passo, mas Henri permaneceu ao seu lado.

– O que foi que aconteceu? – Ele perguntou e sua única resposta foi o silêncio. – Você acabou de dizer que essa merda tá acontecendo por causa de segredos e coisas que escondemos uns dos outros mas agora mesmo tá me ignorando ao invés de só me dizer...

Nós terminamos – Matt gritou com impaciência, parando sua caminhada para fitá-lo com os olhos azuis avermelhados. Ele queria chorar, mas se negava a fazer isso naquele momento, muito menos na frente de Henri. – Agora de vez, é. Mais alguma pergunta?

– É, acho que ela terminou comigo também...

Terminou o quê? O relacionamento que vocês nunca tiveram porque você a deixou aqui sozinha sem dar qualquer notícia por dois anos? Tem noção do quanto a machucou? De como ela ficou o tempo inteiro se perguntando o que havia feito de errado, se você a odiava, qual era o problema com ela quando na verdade o problema nunca foi ela e acho que nem preciso dizer qual foi, porque você já sabe muito bem – disse sem qualquer hesitação ou paciência, irritado demais para filtrar as coisas que dizia e sem mais espaço em seu estômago para engolir mais raiva do que já vinha engolindo nas últimas semanas. – E eu fiquei ao lado dela, a ajudei a superar toda a merda que você causou numa garota que já estava frágil e com mais problemas do que podia aguentar, e tudo isso pra quê? Pra você voltar do nada como se nada tivesse acontecido e causar toda essa merda de novo.

– Você não sabe nada sobre mim, Matt, não... – ele foi interrompido e surpreendido por um soco repentino que o acertou em cheio na bochecha e no canto da boca, o deixando levemente tonto e o fazendo perder o equilíbrio por um instante.

Levou os dedos até os lábios quando os sentiu começarem a latejar junto com o gosto de sangue que se alastrou por sua língua, seus olhos lacrimejavam pela dor e ele os focou em Matt enquanto ainda tentava entender o que havia acontecido.

O loiro olhava para a própria mão com confusão como se nem mesmo ele soubesse o porquê de ter feito aquilo, e quando olhou para Henri e viu uma gota espessa de sangue escorrer da boca até o queixo do garoto, uma mistura corrosiva de arrependimento e culpa o assolaram por dentro.

– Meu Deus, e-eu... Desculpa, eu não queria ter feito isso – gaguejou com a voz baixa e se abaixou para pegar os óculos de Henri que haviam voado para o chão com o impacto, seus dedos trêmulos quase derrubando novamente a armação antes de conseguir entregá-la ao dono. – Desculpa. Sei que desculpas não vão fazer isso doer menos mas eu só não sei o que dizer, eu nunca bati em ninguém antes e juro que não queria que essa fosse a primeira vez, desculpa. Vamos... Vamos até a minha casa, não é muito longe daqui e vai poder cuidar um pouco disso.

Henri estava atordoado e com dor demais para discutir então apenas concordou em silêncio e passou a seguir Matt em seus passos apressados, o dorso de sua mão já se encontrava quase que totalmente manchado de vermelho pelo sangue que parecia que não iria parar de escorrer tão cedo.

Ele mal sabia o que o tinha machucado mais: as palavras de Matt ou o soco que havia levado que agora fazia sua boca arder e sua bochecha formigar, aquilo com certeza deixaria um hematoma horrível mais tarde.

De certa forma ele não tirava a razão de Matt, parte dele estava esperando por aquele soco desde que haviam se encontrado pela primeira vez logo após Lis traí-lo com ele na festa de Kate.

Resquícios de um arrependimento amargo por ter deixado a casa de seus pais e retornado a Winter Hills sem qualquer tipo de planejamento o invadiram. Nunca havia parado para se perguntar como seria quando voltasse, como as coisas aconteceriam e como Lis o receberia – ou até mesmo se ela ainda estaria morando naquela cidadezinha tediosa depois de tanto tempo.

– É aqui – Matt disse de repente, parando em frente a uma casinha de dois andares muito bem cuidada e levemente parecida com a casa antiga de Lis, deveria estar ali há séculos também, assim como oitenta por cento da cidade.

Seguiram para dentro, o ambiente silencioso e o clima tenso entre ele e Matt pareciam querer o engolir vivo, então Henri apenas ficou parado na porta, receoso demais para fazer qualquer outra coisa enquanto o mais alto foi até a cozinha, que se separava da sala somente por uma bancada baixa de granito, e vasculhou o congelador atrás de gelo.

Assim que encontrou, molhou um pano na pia e o enrolou em volta de alguns cubos, levando até Henri que ainda aguardava no mesmo lugar feito uma estátua.

Afastou a mão do garoto de sua boca machucada e limpou o sangue com o pano úmido, parando ao perceber os olhos de Henri focados em si.

– O que foi? – Perguntou e o outro apenas meneou a cabeça, pegando o pano da mão de Matt para que ele mesmo pudesse se limpar sozinho.

– Nada, só... deixa que eu faço isso.

– Claro, desculpe – Matt murmurou e esperou enquanto Henri passava o pano nas mãos e no queixo, em seguida pousando-o sobre a boca dolorida. – Desculpa, eu não queria ter sido tão babaca, eu... Eu só tô num dia bem merda.

– Tudo bem, na verdade me surpreende que você tenha demorado tanto para agir assim, deve saber se controlar bem.

– É, geralmente sim, hoje foi uma exceção já que Lis e eu agora terminamos... Oficialmente, eu acho.

– Que merda. Desculpe dizer aquilo sobre ela também ter terminado comigo, não era sério, deveria ser só uma piada – Henri disse dando uma risada sem jeito e sentindo uma enorme onda de desaprovação a si mesmo. – Eu tenho um péssimo hábito de fazer piadas erradas em momentos mais errados ainda.

– Eu percebi – Matt respondeu com sinceridade e o silêncio voltou a incomodá-los, mas nenhum dos dois sabia o que dizer, ambos haviam errado um com o outro e estavam arrependidos por isso.

Matt talvez não estivesse tão arrependido assim, na verdade. Todas as coisas que havia dito eram coisas que pensara desde que Henri chegara em Winter Hills, coisas que estavam presas em sua garganta e que agora, depois de serem cuspidas como um veneno que o estava corroendo por dentro, era como se tivesse tirado um peso de duas toneladas de seus ombros.

Um trovão soou do lado de fora e Henri suspirou, aquela era sua deixa para se livrar daquele combo de situações e climas desconfortáveis.

– Acho que vou indo, pelo visto vai cair o mundo daqui a pouco – avisou e Matt assentiu.

– Chuvas de verão são as piores – comentou e pegou o pano ensanguentado de Henri, deixando-o sobre o balcão da cozinha e voltando para levar o garoto até a porta.

– E então? – Henri perguntou parado na entrada e Matt franziu as sobrancelhas.

– Então o quê?

– O que vai ser agora?

– Eu sei tanto quanto você – respondeu cansado e, como uma maldição, as gotas espessas e pesadas de chuva começaram a cair de uma só vez, encharcando a rua e fazendo subir o característico cheiro de asfalto molhado. – Merda.

– Não é nada, minha avó não mora muito longe daqui, não vou me molhar muito até...

– Entra aí – Matt disse quase como uma ordem mas Henri permaneceu estático em seu lugar.

– Não, eu...

– Entra logo – repetiu e fechou a porta assim que Henri o fez. – Eu já tô me sentindo horrível o suficiente por ter socado a sua cara, não vou deixar você sair nessa chuva.

– Obrigado.

– △ –

Já haviam se passado quase meia-hora e a tempestade continuava insistente do lado de fora, as gotas de água batiam contra a janela do quarto de Matt como se quisessem quebrar o vidro e os sons dos raios caindo ao longe deixavam aquela situação que já era incômoda por si só ainda mais caótica.

Henri começava a se arrepender por ter aceitado ficar ali, pensava que teria sido mil vezes melhor só se molhar um pouco para chegar em casa. Matt não dissera mais nada, apenas ficara sentado ao seu lado na cama encarando o nada, muito provavelmente enfrentando uma bagunça muito pior do que só uma chuva de verão dentro de si mesmo.

– Você lê? – Ele perguntou ao reparar nos livros organizados de maneira quase que exagerada na estante de Matt, todos em ordem alfabética, e não que ele estivesse verdadeiramente interessado nos gostos e hobbies do garoto, mas preferia forçar qualquer assunto aleatório do que deixar aquele silêncio continuar a sufocá-los, deixando o ar cada vez mais pesado.

– Hm? Não, só coisas da escola, acho que estou mais pra um nerd de exatas do que um fã de literatura – Matt respondeu ainda ligeiramente distraído e Henri riu. – O que foi?

– Quanto mais eu te conheço mais percebo que a gente realmente não se parece nem um pouco em absolutamente nada.

– Graças a Deus – Matt respondeu sem pensar e logo em seguida voltou atrás, percebendo que o garoto poderia entender aquilo completamente errado e acabar se chateando. – Não que você seja uma pessoa ruim, nossa me desculpa, não foi isso o que eu quis dizer, eu só odiaria andar com alguém parecido comigo, acho que seria meu pior pesadelo.

– Eita, relaxa, eu não me ofendo tão fácil assim com as coisas, para de pedir desculpas o tempo inteiro – Henri disse achando graça na reação exagerada de Matt, que deu uma risada breve e com uma pitada de amargura.

– É o costume, é foda quando você passa tempo demais ao lado de uma pessoa que surta e fica mal por qualquer coisa.

– Não é culpa dela – Henri disse já sabendo se tratar de Lis, e ele a conhecia bem o suficiente para saber que infelizmente o que Matt dizia não era nenhuma mentira.

– Eu sei, mas ela acha que é e acaba deixando tudo mil vezes mais cansativo, se machucando sozinha e afastando quem tenta ajudar, e é assim que eu me sinto agora, cansado – Matt admitiu respirando fundo na tentativa de manter o pouco que ainda restava da sua calma. – Eu não queria me sentir assim justo por isso, porque sei que não é culpa dela, mas tenho medo de um dia não aguentar mais isso de ter que lutar em dobro, aguentar as coisas em dobro, sempre por mim e por ela. Eu só queria que ela ficasse bem, sabe?

– Você faz o que pode, todos nós fazemos, a própria Lis quem me ensinou isso. Eu tenho um irmão que também tem problemas parecidos, e eu vivia desesperado tentando carregar os problemas dele para que isso acabasse logo, mas tem certas coisas que não cabe a nós tentar resolver, e isso às vezes só acaba deixando tudo mais difícil para ambos os lados. Ela também quer ficar bem mais do que qualquer coisa, mas não é assim tão fácil, e ficar a sufocando com expectativas e a pressa pra que isso aconteça logo só a deixa pior.

– É, me dói admitir isso mas você tem razão, é só que... Não sei, dói toda vez que vejo ela se afastando e se machucando assim como se isso fosse melhorar algo sendo que só a arrasta cada vez mais pra baixo, é como se ela não me deixasse ajudar.

– Eu sei, entendo como você se sente porque já estive no seu lugar, mas vai por mim, só deixe ela respirar um pouco, a Lis não é tão frágil e incapaz assim quanto a gente pensa, ela já passou por merdas muito mais pesadas do que isso, ela sabe se virar e no fundo sabe que a gente sempre vai estar aqui quando precisar – Henri disse e Matt assentiu.

Às vezes ele esquecia que Lis já ficara completamente sozinha em certos momentos de sua vida, sem ele, Henri, Kate ou Hanna para cuidar dela e tendo que lidar com problemas muito piores, e nem por isso desistiu, continuou tentando e insistindo em melhorar, ela realmente não era nenhum bebê dependente e ele precisava parar de pensar daquela forma, Lis sabia cuidar de si mesma e não era como se naqueles dois anos ela só tivesse ficado bem por mérito dele.

– Acho que eu tava precisando de alguém pra me reafirmar isso, obrigado – ele agradeceu e Henri deu de ombros. – Você falou do seu irmão e tudo bem se não quiser entrar no assunto, mas o que ele tem?

– Esquizofrenia. O caso dele é mais complicado, foi o motivo de eu ter ido embora do nada dois anos atrás, ele estava tendo crises pesadas e... É, chegou num ponto em que ele precisou ser internado... De novo – contou com certo pesar e Matt não pôde deixar de notar o quanto aquele era um assunto mais do que delicado para Henri. – É sempre uma merda porque meus pais acabam surtando quase tanto quanto ele, então vez ou outra eu apareço por lá numa tentativa inútil de melhorar as coisas, mas sempre acabo fugindo de volta pra cá, é sempre demais pra lidar.

– Eu sinto muito – Matt murmurou e Henri normalmente teria corado ao senti-lo segurar sua mão como fazia agora, mas estava ocupado demais tentando evitar que a mesma culpa e ansiedade que surgiam sempre que tocava no assunto invadissem sua mente. – Me desculpe por todas as coisas horríveis que eu disse, sobre você ter abandonado a Lis e tudo o mais, eu não fazia ideia...

– Não tinha como saber, e eu preferia que não soubesse, por isso sempre evito contar essa parte da história, me sinto um covarde imbecil, sempre fugindo de um lado para o outro, evitando lidar com as coisas pra que tudo seja mais fácil mas nunca é.

– E você sente como se sempre tomasse os problemas de todo mundo pra si mas quando tem os seus próprios você se vê sozinho e fodido e fraco porque toda a força que tinha já gastou ajudando os outros – Matt completou e Henri riu fracamente.

– É, acho que na verdade a gente se parece mais do que eu pensava – zombou e o loiro também riu em resposta.

– Graças a Deus – respondeu ainda sorrindo e franziu as sobrancelhas ao perceber que o garoto mantinha os olhos verdes fixos nos seus, os lábios entreabertos como se esperasse algo. – O que foi?

Henri engoliu em seco e sentiu seu rosto queimar, se afastando imediatamente e soltando a mão de Matt que segurava já havia algum tempo, sentindo as suas próprias tremularem e suarem nas palmas.

– N-nada... – gaguejou sem precisar dizer mais nada porque Matt não era nenhum idiota, sabia interpretar muito bem os sinais que lhe eram dados mesmo que sem querer.

– Não acho que não seja nada – ele voltou a se aproximar de Henri, pousando uma das mãos sobre sua nuca arrepiada e a outra sobre sua cintura. – Acho que na verdade você também já percebeu que é uma péssima ideia ficarmos sozinhos assim.

Matt o deitou na cama e o beijou, encostando seus lábios nos de Henri com delicadeza e cuidado por conta do machucado causado pelo soco de mais cedo, porém mesmo com a dor ainda incômoda apesar de fraca, o garoto não deixou de corresponder ao gesto antes de concordar com um sussurro levemente ofegante:

– É, definitivamente uma péssima ideia.

– △ –

Sendo sincera, não ia ter capítulo novo hoje, mas é dia dos namorados e eu fiz aquele desenho super fofo da Lis, Henri e Matt e pensei, bom, por que não?

Então tá aqui meus amores, e espero que tenham gostado e gostado do desenho também porque eu amei, sério, ficou muito melhor do que eu esperava - aliás, ficou parecido com como vocês imaginam os personagens? Conta aqui pra mim que eu vou adorar saber como vocês imaginam nosso triozinho ♥

E se eu não tiver tanta preguiça ainda pretendo desenhar todos os personagens também (principalmente a Hanna que depois da Lis com certeza é minha filha favorita asuahsuhas). Caso alguém ainda não sabia, sim eu sou desenhista e posto todo o meu trabalho lá no instagram (@ desenhista.allya), sigam lá caso queiram ver mais desenhinhos ♥

Enfim, acho que é isso. Um ótimo dia dos namorados e um feliz mês do orgulho LGBTQ+ pra todos que fazem parte da comunidade e aliados também! 🌈✨

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