[08] Complicações
#MomoBrilhaComoDiamante
Todo mundo nos vou andando juntas para nosso lugar do laboratório. Percebi que ela não virou mais a cadeia para se sentar o mais distante possível de mim. Em vez disso, sentou-se bem ao meu lado, nossos braços quase se tocando.
O Sr. Banner entrou na sala naquele momento ─ que senso de oportunidade soberbo tinha aquele homem ─ empurrando um rack alto de metal, sobre rodas, que sustentava uma tv pesada e obsoleta e um videocassete.
Dia de filme ── a melhora no astral da sala era quase tangível.
O Sr. Banner enfiou a fita no relutante videocassete e foi até a parede para apagar a luz.
E então, assim que a sala escureceu, de repente fiquei hiper consciente de que Momo estava sentada a menos três centímetros de mim. Fiquei pasma com a eletricidade inesperada que fluía por meu corpo, maravilhada que fosse possível ter mais consciência dela do que eu já tinha. Quase fui dominada por um impulso louco de estender a mão e tocá-la, afagar seu rosto perto pelo menos uma vez no escuro. Eu queria beijá-la, experimentar aqueles lábios e me jogar em cima dela seria um sonho. Cruzei os braços bem firmes no peito, os punhos bem apertados. Eu estava perdendo o juízo.
Começaram os créditos de abertura, iluminando a sala um pouquinho. Meus olhos, por vontade própria, vagaram para ela. Sorri timidamente ao notar que sua postura era idêntica à minha, os punhos cerrados sob os braços, olhando-me de lado. Ela também sorriu, os olhos de certo modo conseguindo arder, mesmo no escuro. Virei o rosto antes que começasse a ofegar. Era absolutamente ridículo que eu ficasse tonta.
A hora pareceu muito comprida. Eu não conseguia me concentrar no filme ── nem sabia qual era o tema. Tentei sem sucesso relaxar, mas a corrente elétrica que parecia se originar de algum lugar no corpo dela não se atenuou. De vez em quando eu me permitia dar uma olhada rápida na direção dela, que também parecia não relaxar. O intenso desejo de tocá-la também se recusava a diminuir, o meu útero se contorcendo de desejo. Eu apertei os punhos nas costelas até que meus dedos doeram do esforço.
Soltei um suspiro de alívio quando o Sr. Banner acendeu a luz no fundo da sala e estiquei os braços diante de mim flexionando os dedos enrijecidos. Momo riu ao meu lado.
─── Bom, isso foi interessante. - murmurou ela. Sua voz sombria e os olhos, cautelosos.
─── Uhum. - foi só que consegui responder.
─── Vamos? - perguntou ela, levantando-se facilmente.
Eu quase gemi. Hora da educação física. Levantei-me com cuidado, preocupada que meu equilíbrio pudesse ter sido afetado pela nova e estranha intensidade entre nós.
Ela me acompanhou em silêncio até minha aula seguinte e parou na porta. Virei-me para me despedir. Seu rosto me assustou ── a expressão era dilacerada, quase dor, e tão terrivelmente linda que o desejo de tocá-la voltou a cintilar com a mesma força. Minha despedida ficou presa na garganta.
Ela ergueu a mão, hesitante, o conflito assolando seu olhar, e afagou rapidamente meu rosto com a ponta dos dedos. Sua pele estava gelada, como sempre, mas o rastro de seus dedos em minha pele era alarmantemente quente ── como se eu tivesse queimando, mas sem sentir a dor.
Ela se virou sem dizer nada e se afastou depressa de mim. Parecia ofegante.
Entrei no ginásio, alegre e trêmula. Vaguei para o vestiário, trocando de roupa em transei, apenas vagamente ciente de que havia outras pessoas em volta de mim. Só cai na realidade quando me deram uma raquete. Não era pesada, e no entanto eu a sentia pouco segura em minha mão. Pude ver alguns dos outros alunos da turma me olhando furtivamente. O treinador Clapp nos mandou formar duplas.
Graças aos céus, alguns vestígios do cavalheirismo de Jake ainda estavam vivos; ele veio se postar ao meu lado.
─── Quer fazer dupla comigo?
─── Obrigada, Jake… sabe que não precisa fazer isso. - fiz uma careta à guisa de desculpas.
─── Não se preocupe, vou me manter fora de seu alcance. - ele sorriu. Às vezes era tão fácil gostar de Jake.
Não foi assim tão tranquilo. De algum jeito eu consegui bater a raquete na minha própria cabeça e golpear o ombro de Jake num mesmo movimento. Passei o resto do tempo no fundo da quadra, a raquete colocada com segurança às minhas costas. Apesar de levar desvantagem por minha causa, Jake era muito bom; venceu três games de quatro jogando sozinho. Ele me cumprimentou com uma batida de mãos não merecida quando o treinador finalmente tocou o apito, encerrando a aula.
─── E aí. - disse ele enquanto saíamos da quadra.
─── E aí o quê?
─── Você e a Momo, hein? - perguntou ele num tom meio revoltado. Minha sensação anterior desapareceu.
─── Isso não é da sua conta, Jake. - alertei, xingando Yunjin por dentro, amaldiçoando-a a arder nos abismos do inferno.
─── Não gosto disso. - murmurou ele de qualquer forma.
─── Não tem que gostar ou não. - Rebati.
─── Ela olha para você como se… como se você fosse uma coisa de comer. - Continuou ele, ignorando-me.
Sufoquei a histeria que ameaçava explodir, mas uma risadinha consegui sair apesar de meus esforços. Ele me fitou. Acenei e disparei para o vestiário feminino.
Vesti-me rapidamente, algo mais estranho do que borboletas batendo as asas sem parar nas paredes de meu estômago, e minha discussão com Jake já uma lembrança distante. Eu me perguntava se Momo estaria esperando, ou se deveria encontrar com ela no carro. E se a família dela estivesse ali? Senti uma onda de puro terror. Será que eles sabiam que eu sabia? Deveria eu saber que eles sabiam que eu sabia, ou não?
Suspirei. Quando sai do ginásio, tinha simplesmente decidido ir a pé direto para casa sem sequer olhar o estacionamento. Mas minhas preocupações eram desnecessárias. Momo me esperava, encostada despreocupadamente na lateral do ginásio, o rosto de tirar o fôlego agora tranquilo. Enquanto ia para o lado dela, senti um alívio peculiar, uma completa paz.
─── Oi. - Sussurrei, com um sorriso enorme.
─── Olá. - seu sorriso de resposta era reluzente. ─── Como foi a educação física, Dubu?
Meu rosto desmoronou um pouquinho.
─── Legal. - Menti.
─── É mesmo? - ela não estava convencida. Seus olhos mudaram um pouco de foco, olhando por sobre meu ombro e se estreitando. Olhei para trás e vi as costas de Jake se afastando.
─── Que foi? - perguntei.
Os olhos dela voltaram para mim, ainda estreitos.
─── O Shim está me dando nos nervos.
─── Não estava ouvindo de novo, estava? - fiquei apavorada. Todos os vestígios de meu súbito bom humor desapareceram.
─── Como está a sua cabeça? - perguntou ela, inocente.
─── Você é inacreditável! - eu me virei, marchando na direção do estacionamento, embora eu não pretendesse andar a essa altura.
Ela me acompanhou com facilidade.
─── Foi você quem disse que eu nunca a vira na educação física… Isso me deixou curiosa, poxa. - Ela não parecia arrependida, então a ignorei.
Ela me viu suando como uma porca. Senti meu rosto esquentar.
Andamos em silêncio ── um silêncio furioso e constrangido de minha parte ── até o carro dela. Mas tive que parar a alguns passos ── uma multidão, todos meninos, cercavam o Volvo. Depois percebi que eles não estavam em volta do Volvo, na verdade estavam em volta do conversível vermelho de Rose, o desejo inconfundível em seus olhos. Nenhum deles sequer olhou quando Momo passou entre eles para abrir a porta do carro. Eu subi rapidamente no banco do carona, quase despercebida.
─── Chamativo… - resmungou ela.
─── Que carro é esse? - perguntei.
─── Um M3.
─── Eu não falo a língua dos Car and Driver.
─── É um BMW. - Ela revirou os olhos, sem olhar para mim, tentando dar a ré sem atropelar entusiastas de automóveis.
Eu assenti, já ouvira alguma coisa sobre isso.
─── Ainda está com raiva? - perguntou enquanto manobrava cuidadosamente para sair dali.
─── Com certeza.
Ela suspirou.
─── Pode me perdoar se eu pedir desculpas?
─── Talvez… se for sincera. E se me prometer que não vai fazer isso de novo. - assenti.
Seus olhos de repente ficaram perspicazes.
─── E se for sincera e concordar em dar uma carona no sábado? - contra-atacou ela.
Pensei no assunto e decidi que esta devia ser a melhor oferta que eu conseguira.
─── Feito. - concordei.
─── Então me desculpe por tê-la aborrecido. - Seus olhos arderam de sinceridade por um momento prolongado, acabando com o ritmo de meu coração, e depois ficaram brincalhões. ─── E estarei na sua porta na brilhante manhã de sábado, bem cedo.
─── Hmmm, não vai me ajudar nos problemas com Donghyun se um Volvo desconhecido estiver na entrada de carros.
O sorriso dela agora era condescendente.
─── Não era minha intenção aparecer de carro.
─── Como…
Ela me interrompeu.
─── Não se preocupe com isso. Eu estarei lá, sem carro.
Deixei essa passar. Tinha uma pergunta mais premente.
─── Já é depois? - perguntei, sugestivamente.
Ela franziu o cenho.
─── Acho que “já é depois”.
Mantive a expressão educada enquanto esperava.
Ela parou o carro, olhei para ela, surpresa. ── é claro que já estávamos na casa de Donghyun, estacionados atrás da picape. Era mais fácil andar de carro com ela se eu olhasse só quando acabasse. Quando voltei a olhar para ela, Momo me encarava, medindo-me com os olhos. Ela passou a língua nos lábios, molhando-os.
─── E você ainda quer saber por que não pode me ver caçar? - Ela parecia solene, mas pensei ter visto um traço de humor no fundo de seus olhos.
─── Bom - esclareci. ───, eu estava me perguntando sobre sua reação.
─── Eu não a assustei? - Sim sem dúvida havia humor ali.
─── Não. - menti. Ela não caiu nessa.
─── Desculpe por assustá-la. - insistiu ela com um leve sorriso, mas depois todas as evidências de deboche desapareceram. ─── Foi a ideia de que você estivesse lá… enquanto nós caçavámos. - seu queixo se apertou.
─── Seria tão ruim assim?
Ela falou entredentes.
─── Extremamente.
─── Por quê?
Ela respirou fundo e olhou pela janela para as nuvens carregadas que rolavam e pareciam pesar, quase ao alcance da mão.
─── Quando caçamos - disse ela lentamente, sem nenhuma vontade. ─── nós nos entregamos aos nossos sentidos… que governa menos com nossa mente aberta. Em especial o olfato. Se você estivesse perto de mim quando eu perdesse o controle desse jeito… - ela sacudiu a cabeça, ainda encarando sombriamente as nuvens pesadas.
Mantive a expressão firmemente sob controle, esperando pelo rápido lampejo em seus olhos para avaliar minha reação, que logo se seguiu. Meu rosto não transpareceu nada.
Mas sustentamos o olhar e o silêncio se aprofundou ─ e mudou. Nós começamos a nos aproximar lentamente e involuntariamente. As ondas de eletricidade que senti naquela tarde começaram a carregar a atmosfera enquanto ela fitava insistentemente meus olhos e de vez em quando minha boca. Foi só quando minha cabeça começou a girar que percebi que eu não estava respirando perto dela. Quando puxei o ar numa respiração entrecortada, quebrando o silêncio, ela fechou os olhos, se afastando brutalmente.
─── Dahyun, acho que devia entrar agora. - sua voz baixa era áspera, os olhos nas nuvens de novo.
Abri a porta e a lufada ártica que irrompeu para dentro do carro ajudou a clarear minha mente. Com medo de tropeçar com minha vertigem, saí do carro com cuidado e fechei a porta sem olhar para trás. O zumbido do vidro elétrico abaixando fez com que eu me virasse.
─── Ah, Dahyun? - ela me chamou, a voz mais controlada e a respiração intacta. Ela se inclinou para a janela aberta com um sorriso fraco nos lábios.
─── Sim?
─── Amanhã é a minha vez.
─── Sua vez de quê?
Ela abriu um sorriso largo, os dentes reluzentes faiscando.
─── De fazer as perguntas.
E depois ela se foi, O carro veloz pela rua, desaparecendo na esquina antes que eu pudesse organizar os pensamentos. Eu sorri ao andar até em casa. Estava claro que ela pretendia me ver amanhã, simplesmente.
Naquela noite Momo apareceu em meus sonhos, como sempre. Mas o clima de minha inconsciência mudara. Fiquei arrepiada com a mesma eletricidade que se descarregara naquela tarde e me virei na cama sem parar, acordando com frequência. Eram as primeiras horas da manhã quando finalmente afundei em um sono exausto e sem sonhos.
Quando despertei ainda estava cansada, mas também irritada. Vesti o suéter marrom de gola rulê e a inseparável calça jeans, suspirando ao devanear com alças finas e shorts. O café da manhã foi o de sempre, silencioso, como eu esperava. Donghyun fritou ovos para ele; eu comi uma tigela de cereais. Perguntei-me se ele tinha se esquecido deste sábado. Ele respondeu a minha pergunta muda enquanto se levantava para colocar o prato na pia.
─── Sobre esse sábado… - começou ele, andando pela cozinha e abrindo a torneira.
Eu me encolhi.
─── Sim, pai?
─── Ainda vai a Seattle? - perguntou ele.
─── O plano era esse. - fiz uma careta, querendo que ele não tivesse levantado o assunto para eu não ter que compor cuidadosas meia verdades.
Ele espremeu um pouco o detergente no prato e o esfregou com uma esponja.
─── E tem certeza de que não pode voltar a tempo para o baile?
─── Eu não vou ao baile, pai. - Olhei fixamente para ele.
─── Ninguém convidou você? - perguntou ele, tentando esconder sua preocupação, concentrando-se em enxaguar o prato.
Evitei o campo minado.
─── São as meninas que convidam.
─── Ah. - ele franziu a testa enquanto secava o prato.
Eu me solidarizei com ele. Deve ser difícil ser pai; viver com medo de que sua filha conheça o rapaz de quem goste, mas também se preocupar que ela não conheça. Seria horrível, pensei, tremendo, se Donghyun tivesse a mais leve indicação do que eu gostava exatamente. Esperava de coração que ele não tivesse ideia que eu goste de garotas. Quer dizer, de uma garota.
Donghyun então saiu, com um aceno de despedida, e eu subi para escovar os dentes e pegar meus livros. Quando ouvi a radiopatrulha arrancar, só precisei esperar alguns segundos para olhar por minha janela. O carro prata já estava ali, esperando na vaga de Donghyun, na entrada de carros. Desci a escada aos saltos e sai pela porta da frente, perguntando-me quanto tempo continuaria essa rotina estranha. Eu não queria que tivesse um fim.
Ela esperava no carro e não pareceu ver quando fechei a porta sem me incomodar em passar a chave. Andei até o Volvo, parando timidamente antes de abrir a porta e entrar. Ela sorria, relaxada ── e, como sempre, perfeita e linda de um jeito aflitivo.
─── Bom dia. - sua voz era sedosa. ─── Como está hoje? - seus olhos vagaram pelo meu rosto, como se a pergunta fosse algo mais do que mera cortesia.
─── Bem, obrigada. - Eu estava sempre bem, muito mais do que bem, quando ela estava perto de mim. Queria que ela soubesse disso.
Seu olhar se demorou nas minhas olheiras.
─── Parece cansada.
─── Não consegui dormir. - confessei, balançando automaticamente o cabelo em meus ombros para ter alguma cobertura.
─── Nem eu. - brincou ela, rindo, enquanto ligava o motor. Eu estava me acostumando com o zumbido baixo. Tinha certeza que o rugido de minha picape me assustaria se eu voltasse a dirigi-la.
Eu ri.
─── Acho que tem razão. Imagino que eu tenha dormido um pouco mais do que você.
─── Posso apostar que dormiu.
─── Então o que fez na noite passada? - perguntei.
Ela riu.
─── Sem chances. É meu dia de fazer perguntas, amor.
─── Ah, é verdade. O que quer saber? - minha testa se crispou. Não conseguia imaginar nada sobre mim que pudesse ser de algum interesse para ela.
─── Qual é sua cor preferida? - perguntou ela, de cara séria.
Revirei os olhos.
─── Muda de um dia para o outro.
─── Qual é a sua cor preferida hoje? - ela ainda era solene.
─── Talvez marrom. - eu tendia a me vestir de acordo com o meu humor.
Ela bufou, deixando de lado a expressão séria.
─── Marrom? - perguntou ela, cética.
─── Claro. Marrom é quente. Eu sinto falta do marrom. Tudo o que deve ser marrom… troncos de árvore, pedras, terra… fica o tempo todo coberto por uma coisa verde e mole por aqui. - reclamei.
Ela pareceu fascinada com o meu pequeno discurso extravagante. Pensou por um momento, olhando-me nos olhos.
─── Tem razão - concluiu, séria novamente. ─── Marrom é quente. - ela estendeu a mão, rapidamente, mas ainda meio hesitante, para tirar o cabelo do meu ombro.
Agora estávamos na escola. Ela se virou para mim enquanto parava na vaga.
─── Que música está em seu CD player agora? - perguntou ela, a expressão tão sombria que parecia ter pedido por uma confissão de homicídio.
Percebi que nunca retirei o CD que Phil me dera. Quando disse o nome da banda, ela me deu um sorriso torto, uma expressão peculiar nos olhos. Abriu um compartimento sob o CD player do carro, tirou um dos trinta e tantos CDs que se espremiam no pequeno espaço e passou para mim.
─── De Debussy a isto? - ela ergueu uma sobrancelha.
Era o mesmo CD. Examinei a capa conhecida, mantendo os olhos baixos.
Continuo assim pelo resto do dia. Enquanto me acompanhava até a aula de inglês, quando me encontrou depois da aula de espanhol, em toda a hora do almoço ela me perguntou incansavelmente sobre cada detalhe insignificante da minha existência. Indo da minha cor favorita até mesmo minha orientação sexual ─ contei sobre a minha queda por garotas pálidas e frias. Os filmes de que eu gostei e os que eu odiei, os poucos lugares em que estive e os muitos lugares onde queria ir, e livros ─ livros incontáveis.
Não conseguia me lembrar da última vez que falei tanto. Volta e meia me sentia constrangida, certa de que o entediava. Mas seu rosto totalmente absorto e fluxo interminável de perguntas me compeliam a continuar. A maioria de suas perguntas era fácil, só algumas me fizeram corar um pouco. Mas quando eu corava, lá vinha outra rodada de perguntas e elogios desnecessários.
Como na vez em que perguntou por minha pedra preciosa preferida e eu soltei topázio antes sequer de pensar. Ela atirava perguntas para mim com tal velocidade que me pareceu que eu estava fazendo um daqueles testes psiquiátricos, quando você responde a primeira coisa que lhe vem à mente. Tinha certeza de que ela teria continuado por qualquer lista mental que estivesse seguindo, a não ser pelo rubor. Minha cara se avermelhou porque, até muito recentemente, minha pedra preciosa preferida era a granada. Era impossível, enquanto ficava seus olhos cor de topázio, não me lembrar do motivo para a mudança. E naturalmente ela não parou até que eu admitisse porque estava constrangida.
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