[01.5] À primeira vista
#MomoBrilhaComoDiamante
Estavam sentados no canto do refeitório, à maior distância possível de onde eu me encontrava no salão comprido. Eram cinco. Não estavam conversando e não comiam, embora cada um deles tivesse uma bandeja cheia e intocada diante de si. Não me encaravam, ao contrário da maioria dos outros alunos, por isso era seguro observá-los sem temer encontrar um par de olhos excessivamente interessados. Mas não foi nada disso que atraiu e prendeu minha atenção.
Eles não eram nada parafusos, dos dois meninos, um era grandalhão — musculoso como um halterofilista inveterado, com o cabelo escuro e cacheado. Outro era mais alto, mais magro, mas ainda assim musculoso, e tinha um cabelo loiro cor de mel.
As meninas eram o contrário. A alta era escultural. Linda, do tipo que se via na capa da edição de trajes de banho da Sports Illustrated, do tipo que fazia toda garota perto dela sentir um golpe na autoestima só por estar no mesmo ambiente. O cabelo era dourado, caindo delicadamente em ondas até o meio das costas. A menina baixa parecia uma fada, extremamente magra, com feições miúdas. O cabelo era um preto intenso, médio, picotado e desfiado para todas as direções.
A última menina era a segunda mais alta, mais magra, era mais juvenil do que os outros, que pareciam poder estar na faculdade ou até ser professores daqui, em vez de alunos.
E, no entanto, todos eram de alguma forma parecidos. Cada um deles era pálido como giz, os alunos mais brancos que vivam nesta cidade sem sol. Mais brancos do que eu, a albina. Todos tinham olheiras — arroxeadas, em tons de hematoma. Como se tivessem passado uma noite insone, ou estivessem se recuperando de um nariz quebrado. Mas os narizes, todos os seus traços, eram retos, perfeitos, angulosos.
Mas não era por nada disso que eu não conseguia desgrudar os olhos deles.
Fiquei olhando porque seus rostos, tão diferentes, tão parecidos, eram completa, arrastadora e intimamente lindos. Eram rostos que não se esperava ver a não ser talvez nas páginas reluzentes de uma revista de moda. Ou pintados por um antigo mestre com a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais bonito — talvez a loura perfeita, ou a garota com a franja de cor de bronze.
Todos pareciam distantes — distantes de cada um ali, distantes dos outros alunos, distantes de qualquer coisa em particular, pelo que eu podia notar. Enquanto eu observava, a garota baixinha se levantou com a bandeja — o refrigerante fechado, a maçã sem uma dentada, e se afastou com passos longos, rápidos e graciosos apropriados para uma passarela. Fiquei olhando, surpresa com seus passos de dança, até que ela largou a bandeja no lixo e seguiu para a porta dos fundos, mais rápido do que eu teria pensado ser possível. Meus olhos dispararam de volta aos outros, que ficaram sentados, impossíveis.
─── Quem são eles? - perguntei à garota da minha turma de espanhol, cujo nome eu esquecera.
Enquanto ela olhava para ver do que eu estava falando — embora já soubesse, provavelmente, pelo meu tom de voz —, de repente ele olhou para ela, a mais magra, a garota juvenil, a mais nova, talvez. Ela olhou para minha vizinha só por uma fração de segundo, e depois seus olhos escuros fulgararam para mim.
Ela desviou os olhos rapidamente, mais rápido do que eu, embora, em um jorro de constrangimento, eu tenha baixado o olhar de imediato. Naquele breve olhar, seu rosto não transmitiu nenhum interesse — era como se ela tivesse chamado o nome dele, e ela a olhasse numa relação involuntária, já tendo decidido não responder.
Minha vizinha riu sem graça, olhando a mesa como eu.
─── São Momo e Wonho Cullen, e Rose e Changkyun Hale. A que saiu é Mina Cullen. Todos moram com o Dr. Cullen e a esposa. - ela disse isso à meia-voz.
Olhei de lado para a garota bonita, que agora fitava a própria bandeja, desfazendo um pãozinho em pedaços com os dedos pálidos e longos. Sua boca se movia muito rapidamente, os lábios perfeitos mal se abrindo. Os outros três ainda pareciam distantes e, no entanto, eu sentia que ele estava falando em voz baixa com eles.
Nomes estranhos e incomuns, pensei. O tipo de nome que têm os avós. Mas talvez seja moda por aqui — nomes de cidades pequenas? Finalmente me lembrei de que minha vizinha se chamava Yunjin, um nome perfeitamente comum. Havia duas meninas que se chamavam Yunjin na minha turma da história, na minha cidade.
─── Eles são… muito bonitos. - lutei com a patente de atenuação da verdade.
─── É - concordou Yunjin com outra risada. ─── Mas todos são juntos… Wonho e Rose, e Changkyun e Mina, quero dizer. E eles moram juntos. - sua voz trazia toda a atenção e o choque da cidade pequena, pensei criticamente. Mas, para ser sincera, tenho que admitir que até em Phoenix isso provocaria fofocas.
─── Quem são os Cullens? - Perguntei. ─── Eles não parecem parentes…
─── Ah, e não são. O Dr. Cullen é bem novo, tem uns vinte e tantos ou trinta e poucos anos. Todos foram adotados. Os Hale são mesmos irmãos, gêmeos… os loiros… e são filhos adotivos.
─── Parecem meio velhos para filhos adotivos.
─── Agora são, Changkyun e Rose têm 18 anos, mas estão com a Sra. Cullen desde que tinham 8 anos. Ela é tia deles ou coisa assim.
─── Isso é bem legal… eles cuidarem de todas essas crianças quando eram tão pequenas e tudo isso.
─── Acho que sim - admitiu Yunjin com relutância, e tive a impressão de que algum motivo ela não gostava do médico e da esposa. Com os olhares que ela atirava aos filhos adotivos, eu imaginava que o motivo era inveja.
─── Mas acho que a Sra. Cullen não pode ter filhos. - acrescentou ela, como se isso diminuísse sua bondade.
Em toda essa conversa, meus olhos disparavam sem parar para a mesa onde se acomodava a estranha família. Eles continuavam a olhar para as paredes e não comiam.
─── Eles sempre moraram em Forks? - perguntei. Certamente eu os teria percebido em um dos verões aqui.
─── Não - disse ela numa voz que dava a entender que isso devia ser óbvio, até para uma recém-chegada como eu. ─── Só se mudaram há dois anos, vindos de algum lugar do Alasca.
Senti uma onda de pena, e também alívio. Pena porque, apesar de lindos, eles eram de fora, e claramente não eram aceitos. Alívio por eu não ser a única recém-chegada por aqui, e certamente não ser a mais interessante, por qualquer padrão.
Enquanto eu os examinava, a mais nova, um dos Cullen, virou-se e encontrou meu olhar, desta vez com uma expressão de evidente curiosidade. Quando desviei os olhos rapidamente, me pareceu que o olhar dela trazia uma espécie de expectativa frustrada.
─── Quem é a garota de franja? - perguntei. Eu a espiei pelo canto do olho e ela ainda estava me encarando, mas não aparvalhada como os outros alunos. Tinha uma expressão meio frustrada. Olhei para baixo novamente.
─── É a Momo. Ela é linda, é claro, mas não perca seu tempo. Ela não namora. Ao que parece, nenhuma das pessoas aqui é bonita o bastante para ela. - ela fungou, um caso claro de dor de cotovelo. Eu me perguntei quando é que ela a tinha rejeitado.
Mordi o lábio para esconder meu sorriso. Depois olhei para ela de novo. Seu rosto estava virado para o outro lado, mas achei que sua bochecha parecia erguida, como se ela também estivesse sorrindo.
Depois de mais alguns minutos, os quatro saíram da mesa juntos. Todos eram muito elegantes — até o grandalhão de cabelo castanho. Era perturbador de ver. A garota chamada Momo não olhou novamente para mim.
Fiquei sentada à mesa com Yunjin e os amigos dela por mais tempo do que teria ficado se eu estivesse sozinha. Estava ansiosa para não me atrasar para as aulas no meu primeiro dia. Uma de minhas novas conhecidas, que me lembrava repetidamente de que seu nome era Shin Yuna, tinha biologia II comigo no próximo tempo. Seguimos juntas em silêncio para a sala. Ela também era tímida.
Quando entramos na sala, Yuna foi se sentar em uma carteira de tampo preto exatamente como aquelas que eu costumava usar. Ela já tinha uma vizinha. Na verdade, todas as cadeiras estavam ocupadas, exceto uma. Ao lado do corredor central, reconheci Momo Cullen, por seu cabelo incomum, sentada ao lado daquele lugar vago.
Enquanto eu andava pelo corredor para me apresentar ao professor e conseguir que assinasse minha caderneta, eu a observava furtivamente. Assim que passei, ela de repente foi rígida em seu lugar. Ela me encarou novamente, encontrando meus olhos com a expressão mais estranha do mundo — era hostil, furiosa. Desviei os olhos rapidamente, chocada, ruborizando de novo. Tropecei em um livro no caminho e tive que me apoiar na beira de uma mesa. A menina sentada ali riu.
Percebi que os olhos dela eram pretos — pretos como um carvão.
O Sr. Banner assinou minha caderneta e me passou um livro, sem nenhum dos absurdos das apresentações. Eu podia dizer que íamos nos dar bem. É claro que ele não teve alternativa a não ser me mandar para o lugar vago no meio da sala. Mantive os olhos baixos enquanto fui me sentar ao lado dela, desconcertada pelo olhar hostil que ela me lançara.
Não olhei para cima ao colocar os livros na carteira e tomar meu lugar, mas, pelo canto do olho, vi sua postura mudar. Ela estava inclinada para longe de mim, sentada na ponta da cadeira, e desviava o rosto como se sentisse algum fedor. Imperceptivelmente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morango, o aroma do meu shampoo preferido. Parecia um odor bem inocente. Deixei meu cabelo cair no meu ombro direito, criando uma cortina escura entre nós, e tentei prestar atenção no meu professor.
Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, uma coisa que eu já estudara. De qualquer modo, tomei notas cuidadosamente, sempre olhando para baixo.
Não conseguia deixar de espiar de vez em quando, através da tela de meus cabelos, a estranha garota sentada ao meu lado. Durante toda a aula, ela não relaxou um minuto a postura rígida na ponta da cadeira, sentando-se o mais distante possível de mim. Eu podia ver que suas mãos na preta esquerda estavam fechadas em um punho, os tendões sobressaindo por baixo da pele clara. Isso também ela não relaxou. Estava com as mangas compridas da camisa branca enroladas até o cotovelo e o braço era surpreendentemente rijo e musculoso sob a pele clara. Ela não era nem de longe frágil como parecia ao lado do irmão mais forte.
A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Seria porque o dia finalmente estava chegando ao fim, ou porque eu esperava que o punho dela relaxasse? Não aconteceu: ela continuou sentada tão imóvel que nem parecia respirar. Qual era o problema dela? Será que este era seu comportamento normal? Questionei a avaliação que fiz da amargura de yunjin no almoço de hoje. Talvez ela não fosse tão ressentida quando eu pensava.
Isso não podia ter nada a ver comigo. Até hoje ela nem me conhecia.
Eu a espiei mais uma vez e me arrependi disso. Ela agora me encarava de cima, os olhos pretos cheios de repugnância. Enquanto eu me afastava, encolhendo-me na cadeira, de repente passou por minha cabeça a expressão como se pudesse me matar.
Naquele momento, o sinal tocou alto, fazendo-me pular, e Momo Cullen estava fora de sua carteira. Com fluidez, ela se levantou de costas para mim — era muito mais alta do que eu pensava — e estava do lado de fora da porta antes que qualquer outro tivesse saído da carteira.
Fiquei paralisada no meu lugar, encarando inexpressiva as costas dela. Era tão mesquinha. Não era justo. Comecei a pegar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que se espalhava dentro de mim, com medo de que meus olhos se enchessem de lágrimas. Normalmente, eu chorava quando estava com raiva, uma tendência humilhante.
─── Você não é a Kim Dahyun? - perguntou uma voz de homem.
Olhei para cima e vi um rapaz bonitinho com cara de bebê, o cabelo louro-claro cuidadosamente penteado com um gel em pontas arrumadinhas, sorrindo para mim de maneira simpática. Ele obviamente achava que eu cheirava mal.
─── Dahyun. - eu o corrigi, com um sorriso.
─── Meu nome é Jaeyun, mas me chame de Jake.
─── Oi, Jake.
─── Precisa de ajuda para encontrar sua próxima aula?
─── Vou para educação física. Acho que posso encontrar o caminho.
─── É a minha próxima aula também. - ele parecia impressionado, mas não era uma coincidência assim tão grande numa escola tão pequena.
Então fomos juntos. Ele era um tagarela — alimentou a maior parte da conversa, o que facilitou minha vida. Tinha morado na Califórnia até os 10 anos, então sabia como eu me sentia com relação ao sol. Por acaso também era meu colega na aula de inglês. O Jake foi a pessoa mais legal que eu conheci hoje.
Mas enquanto entrávamos no ginásio, ele perguntou:
─── E aí, você furou a Momo Cullen com um lápis ou o quê? Nunca a vi agora daquele jeito.
Eu me encolhi. Então não fui a única a perceber. E ao que parecia aquele não era o comportamento habitual de Momo Cullen. Decidi me fazer de burra.
─── Era a garota do meu lado na aula de biologia? - perguntei naturalmente.
─── Era - disse ele. ─── Parecia estar sentindo alguma dor ou coisa assim.
─── Não sei - respondi. ─── Nunca falei com ela.
─── Ela é uma garota estranha. - Jake se demorou ao meu lado em vez de ir para o vestiário. ─── Se eu tivesse a sorte de me sentar ao seu lado, conversaria com você.
Eu sorri para ele antes de ir para a porta do vestiário feminino. Ele era simpático e estava na cara que gostava de mim. Mas não foi o suficiente para atenuar minha irritação.
O professor de educação física, treinador Clapp, encontrou um uniforme para mim mas não me fez vesti-lo para a aula de hoje. Em Phoenix, só exigiam dois anos de educação física. Aqui, a matéria era obrigatória nos quatro anos. Forks literalmente era meu inferno particular na Terra.
Fiquei assistindo a quatro partidas de vôlei que aconteciam simultaneamente. Lembrando quantas lesões eu sofri — e infligi — jogando vôlei, me senti meio nauseada.
O último sinal finalmente tocou. Andei devagar para a secretaria para entregar minha caderneta. A chuva tinha ido embora, mas o vento era forte e mais frio. Eu me abracei.
Ao entrar no escritório aquecido, quase me virei e voltei para fora.
Momo Cullen estava parado junto à mesa na minha frente. Reconheci de novo aquele cabelo preto desgrenhado. Ela não pareceu ter ouvido minha entrada. Fiquei encostada na parede de trás, torcendo para que a recepcionista ficasse livre.
Ela estava discutindo com ela numa voz baixa e cativante. Rapidamente peguei a essência da discussão. Ela tentava trocar o horário de biologia por qualquer outro horário — qualquer outro.
Não consegui acreditar que fosse por minha causa. Tinha de ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu entrar na sala de aula. A expressão dela devia ter sido por outro aborrecimento totalmente diferente. Era impossível que essa estranha pudesse ter uma repulsa tão súbita e intensa por mim.
A porta se abriu de novo e de repente uma rajada de vento frio entrou pela sala, espelhando os papéis na mesa, jogando meu cabelo na cara. A menina que entrava limitou-se a ir até a mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Momo Cullen se enrijeceu de novo e se virou lentamente para olhar para mim. — o rosto era absurdamente lindo — com olhos penetrantes e cheio de ódio. Por um momento, senti um arrepio de puro medo, que eriçou os pelos de meus braços. O olhar só durou um segundo, mas me gelou mais do que o vento frio. Ela voltou a se virar para a recepcionista.
─── Então deixa para lá - disse asperamente numa voz de veludo. Virou-se sem olhar para mim, desaparecendo porta afora.
Fui humildemente até a mesa, minha cara branca de imediato ficando vermelha, e entreguei a caderneta assinada.
─── Como foi seu primeiro dia, querida? - perguntou a recepcionista num tom maternal.
─── Bom. - menti, a voz fraca. A não pareceu se convencer.
Quando fui para a picape, era quase o último carro no estacionamento. Parecia um abrigo, a coisa mais próxima de uma casa que eu tinha neste buraco verde e úmido. Fiquei sentada lá dentro por um tempo, só olhando, sem enxergar pelo para-brisa. Mas logo estava frio o bastante para precisar do aquecedor, virei a chave e o motor rugiu. Voltei para a casa de Donghyun, lutando com as lágrimas por todo o caminho até lá.
─────────
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top