Capítulo 15 Kai sendo Kai...
A mãe do Kai ficou muito preocupada comigo, diferente do filho que permanecia sentado no sofá olhando pra mim com cara de desconfiado sem dizer uma palavra.
Dorothy entra na sala e se aproxima dele para sentar ao seu lado mas eu me apresso passando na frente dela tomando seu lugar primeiro, quase que a garota senta em meu colo, já que não havia mais como sentar ao lado dele ela se contentou apenas com uma poltrona ao lado do sofá.
Dona Carmen senta ao meu lado pegando uma revista sobre a estante desistindo de me fazer mais perguntas como se eu estava bem no momento em que abracei o filho dela do nada, já o Kai resolve mexer no celular ignorando totalmente a minha existência ao seu lado.
Depois do abraço em que dei no Kai em um momento de frustração nós retornamos a cozinha e Dorothy me pediu desculpas pelo que fez, nós sentamos a mesa e comemos, confesso que fiquei a todo momento olhando de relance pra garota a minha frente, pra ter certeza de que não voaria nem mesmo um grão de arroz em meu rosto mas, eu não era a única, mesmo que disfarçadamente Kai mantinha um olho no prato de comida e o outro em Dorothy.
--- Becky venha até o porão comigo. --- Dona Carmen diz largando a revista no mesmo lugar de antes.
--- Hã?? --- pergunto sem entender, porque alguém ficaria tão feliz em convidar alguém para o porão??
--- Carmen não! --- o garoto ao meu lado olha para mãe, parecendo que seu celular perdeu toda a sua atenção quando ouviu o comentário de dona Carmen.
Dona Carmen sorrir parecendo uma criança prestes a fazer uma travessura, ela pega em minha mão me arrastando até outro cômodo da casa, Kai parece incomodado mas por fim suspira voltando a olhar pro celular me deixando ser levada pela sua mãe.
Ao chegarmos nas escadas, descemos os degraus que estavam um pouco empoeirados cheguei a pensar que o porão deveria estar uma verdadeira bagunça mas foi totalmente ao contrário, ao pisar no último degrau olhei para o pequeno cômodo com as paredes pintadas de azul claro, tudo estava totalmente organizado tantos os pincéis como as pinturas ao canto do cômodo e as telas em branco do lado oposto das que já estavam pintadas, haviam alguns quadros na parede dois deles eram pinturas de floresta e o último era do cachorro Jigsaw que inclusive estava idêntica a ele.
--- Seja bem vinda ao lugar onde meu filho passa toda a madrugada. --- Dona Carmen sorrir parecendo super orgulhosa do filho. --- O que achou?
--- Fascinante. --- sorrio sem saber exatamente o que dizer.
Uma pintura era mais bonita do que a outra, Kai realmente nasceu com um dom para esse tipo de coisa.
Cheguei mais perto das pinturas para olha-las melhor mas acabei levando um susto ao sentir uma coisa peluda encostar em meu tornozelo, olhei para baixo e era Jigsaw, me agachei para acariciar seu pelo.
--- Becky, gostaria de pedir desculpas pelo comportamento de Dorothy, juro que eu queria jogar água na cara dela mas acredite reclamei bastante e acredito que isso não voltará a se repetir. --- ela diz cruzando os braços olhando para um dos quadros na parede.
--- Não se preocupe, sabe, acho que a personalidade do Kai é muito parecida com a da senhora ele tem costume de querer jogar coisas nas pessoas.
--- Oh, como líquido? Água e essas coisas? --- balanço a cabeça que sim e ela cai na gargalhada como seu eu tivesse contado uma piada. --- Kai nem sempre foi um garoto durão, ele chorava bastante no colégio quando alguém implicava com ele e a pior coisa que fiz foi lhe ensinar a jogar água na cara da pessoa quando elas o deixassem irritado fui chamada na escola porque Kai estava deixando diversas crianças ensopadas. Mas ele se tornou mais frio quando o pai morreu e agora dificilmente se irrita com algo.
O pai de Kai morreu? Olho para dona Carmen mas quando ia dizer algo uma voz vindo da escada me interrompe.
--- Espero que estejam se divertindo. --- Kai me olha com sangue nos olhos.
Dorothy estava ao seu lado com o braço enlaçados aos seus, parecia que eles estavam entrando em um casamento e eu quase ri da situação.
--- Dorothy, gosta de ler livros?? --- me levanto agarrando na mão dela enquanto subo as escadas a levanto para longe de Kai.
Confesso que foi difícil de mantê-la longe do kai, a garota era um verdadeiro grude quando eu menos esperava lá estava ela ao lado dele novamente, por fim Dona Carmen resolveu sair para comprar leite condensado e fazer um brigadeiro ela saiu levando Dorothy contra a própria vontade.
--- Kai me leva pra casa? --- peço o seguindo até o andar de cima. --- Sua mãe quis que eu ficasse aqui mas estou cansada e quero aproveitar que ela deu uma saída para ir pra minha casa.
Ele entra no quarto e deita na cama me ignorando completamente.
--- Kai! Está tarde não costumo ir pra casa sozinha deixa de ser chato e me leva!
--- Não estou afim, quando eu acordar te levo. --- ele boceja se virando de costas para mim.
--- Mas Kai... --- ele se vira pra mim de forma repentina e me puxa me fazendo cair sobre a cama. --- Se você não me levar eu vou sozi...
Ele abre os olhos pondo a mão na minha boca me impedindo de falar.
--- Você fala muito, cala a boca e dorme. --- ele fecha os olhos mas permanece com a mão sobre a minha boca..
O que esse garoto está pensando da vida!!!
Sinto minhas bochechas queimarem, olho na direção de Kai mas ele não move um músculo parecia mesmo que estava cansado, por estar perto acabo perdendo forma mais nítida cada detalhe seu rosto. Seus cílios são de uma cor tão escura que dá a impressão de ter passado lápis de olho o que sempre dava um destaque no azul escuro de seus olhos, já os cabelos negros caiam um pouco sobre sua testa e me peguei pesando que eles deveriam ser extremamente macios, seus lábios eram finos e tinham uma tonalidade avermelhada.
Acabo levando um susto ao vê-lo abrir os olhos do nada e me encarar por alguns segundos.
--- Você está parecendo uma pessoa pervertida me encarando enquanto estou de olhos fechados. --- olho para o teto rapidamente, agora minhas bochechas deviam estar da mesma cor de um tomate. --- Você é estranha. --- ele diz fechando os olhos novamente.
Um longo tempo se passou depois que Kai adormeceu, me senti uma idiota em não ter coragem de me levantar e acabar o acordando ao invés disso fiquei olhando para todos os objetivos em volta do seu quarto ele tinha alguns mangá do anime Bleach e Attack on Titan sobre a prateleira mas, seu quarto era ocupado apenas pela cama, um armário, um computador e a pequena prateleira na parede com os mangá que falei, era um quarto simples o que era a cara do Kai, isso só mostrava o quanto nada o chamava atenção o bastante para ganhar um espaço no único cômodo reservado unicamente para ele.
Acabei cansado de ficar o tempo todo olhando para as mesmas coisas e me dei por vencida fechando os olhos para tentar fazer o mesmo que Kai o que seria uma tarefa difícil já que estou ao lado de alguém que me deixa desconfortável mesmo sem saber, mas... Acabei conseguindo dormir.
..............♥️🧊
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