Um novo amanhecer
Clary observava o sol nascer em meio às montanhas, o corpo sem vida de seu irmão pesava em seus braços, a vista de Alicante do céu era devastadora, enquanto que o sol apenas nascia novamente, no seu ciclo interminável. Clary voltou a observas o rosto pálido de Sebastian, uma lágrima caiu de seu rosto e pousou na pele gélida de seu irmão. Clary sentiu algo se mexer em seu bolso, no mesmo instante sacou a pedra de Edom, que vibrava intensamente. A menina ergueu a pedra sob a luz do sol e isso a tornou ainda mais linda.
Sebastian, sussurrou algo no seu ouvido.
Clary sabia que era a pedra pedindo pela alma de Sebastian, e estava em paz com isso. As mãos da menina pousaram no peito de Sebastian junto com a pedra, que em poucos segundos começou a brilhar e enaltecer sua cor vermelha.
- Fique em paz meu irmão - disse Clary apertando a pedra.
Clary voltou a guardá-la em seu bolso, soltou um suspiro e ainda com o irmão em seus braços começou a voltar para o chão.
Jace a observava sem ao menos piscar e antes mesmo de Clary pousar, Jace já estava indo ao seu encontro.
- Pelo anjo Clary.. - disse Jace tocando da garota - eu pensei que você.. - Jace respirou fundo - .. que você tinha morrido!
- Está tudo bem.. - respondeu Clary se ajoelhando e colocando Sebastian no chão - eu estou bem.
Jace passou os olhos pelo corpo de Sebastian, e depois os voltou para Clary que claramente estava se segurando para não desabar.
- Ei! - disse Jace acolhendo Clary em um abraço - eu sinto muito - Jace passou as mãos pelo cabelo da menina - queria que você jamais tivesse que passar por isso!
- Queria que as coisas fossem diferentes.. - disse Clary entre soluços - ele não teve uma boa vida, não igual a minha, Valentim o criou como um monstro - Clary se afastou de Jace e se ajoelhou ao lado do irmão - mas Sebastian não era assim, eu vi, antes de morrer, eu vi sua alma, era pura e inocente - Clary tocou o rosto pálido de Sebastian - eu o matei, matei meu próprio irmão..
- Não Clary! - disse Jace se ajoelhando ao lado de Clary - você o libertou! - Jace pôs a mão no ombro de Clary - você o libertou da vida que Valentim moldou para ele, o libertou das suas trevas, você o salvou de si próprio, teve piedade e acabou com seu sofrimento, com sua angústia e dor.
Os olhos de Clary emitiram um sorriso que seus lábios não foram capazes de fazer, Jace compreendeu e não exigiu nada além. Ele sabia que Clary estava destruída por dentro, e por mais que Sebastian era um monstro, ele ainda era seu irmão, seu sangue.
- Ele merece um funeral - disse Clary secando suas lágrimas - por mais que não seja na cidade dos ossos.
- Você tem esse direito como família dele - disse Jace - mas você sabe que a Clave vai ser resistente.
Clary assentiu e se levantou, não percebeu mas suas assas haviam desaparecido, mas sua força não, algo brilhava dentro dela, por mais dolorido que fosse.
Clary empunhou Heosphoros e foi em direção à alguém que merecia o mesmo final de Sebastian, Lilith. Enquanto Clary e Jace corriam pelas ruas de Alicante, seus olhos não visualizavam mais demônios, nem caçadores de sombras, todos haviam sumido.
- Cadê todo mundo? - perguntou Jace olhando ao redor.
- Eu não sei - respondeu Clary - só há corpos mortos aqui, mas nem sinal de vida.
- Você acha que eles já foram? - perguntou Jace.
- Lilith não iria embora sem Sebastian - disse Clary observando suas mãos sujas de sangue do irmão - ou melhor, sem ao menos encontrá-lo.
Os olhos de Clary se arregalaram, e ela começou a correr, Jace foi atrás, estavam voltando para o lugar que estavam a pouco tempo, Clary correu tão rápido que quase foi difícil para Jace a acompanhar, e como previsto, lá estava ela. Lilith estava agachada ao lado de Sebastian acariciando seu rosto, suas mechas de cabelos se entrelaçavam em seus dedos, Lilith o estava admirando com um pequeno sorriso no rosto.
- Sempre gostei de vê-lo dormindo - disse Lilith sem ao menos levantar o olhar - ele fica tão sereno, tão calmo, tão belo - Lilith ficou em pé ainda com os olhos fixados em Sebastian - mas agora por sua causa, ele não está dormindo.
- Tive que fazer isso! - disse Clary respirando fundo.
- E você pagará por isso! - rebateu Lilith cerrando os punhos.
- Não ela não vai - disse Jace se aproximando de Lilith.
- Ah ela vai sim! - Lilith se afastava cada vez mais a cada passo que Jace dava - você me deu um belo motivo para vir atrás de você - disse Lilith olhando para Clary - um belo motivo para te matar.
- Já chega Lilith! - ordenou Jace - você acaba por aqui!
- Você que acaba por aqui. - disse Lilith e ao fim de suas palavras simplesmente sumiu.
Jace ainda tentou alcançá-la, mas Lilith foi rápida demais, ele deu de ombros e deu de cara com Clary paralisada, olhando fixadamente para o nada.
- Meu anjo.. - disse Jace chegando perto da menina - não deixe isso te afetar, ela não virá atrás de você - Jace acariciava o rosto de Clary - acabou, ela perdeu.
Os olhos cheios de lágrimas de Clary encararam Jace.
- Ela não estava mentindo - disse Clary sem nenhuma expressão - mais cedo ou mais tarde, o mal sempre volta.
- Mas eu vou estar aqui - disse Jace dando um beijo na testa de Clary - te amando e lutando ao seu lado, não importa como, onde ou quando.
Clary não se conteve, os seus lábios encontraram os de Jace, e não demorou muito para os dois entrarem em um tipo de transe, aquela conexão fazia bem para Clary, a acalmava e lhe dava ânimo para seguir em frente. Delicadamente Jace se afastou de Clary, e agarrou sua mão.
- Vem! - disse Jace puxando Clary - vamos encontrar nossos amigos.
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