A Face do Diabo
Quando Lucian terminou de contar as atrocidades que Sebastian fez com Tatia, meu coração além de sentir nojo, raiva e ódio, parte de Clary sentia pela perda de Lucian. Além do mais Clary conhecia bem a sensação.
- Mas isso já faz anos, talvez décadas - disse Lucian olhando através das paredes transparentes - já perdi as contas.
Clary se obrigou a abraçar Lucian, sem medo de parecer íntimo demais, só queria conforta- lo. Lucian retribuiu o abraço, mas só por alguns segundos.
- Você viveu sempre aqui? - perguntou Clary tentando mudar de assunto.
- Nem sempre eu fui um prisioneiro do diabo - disse Lucian de olhos fechados relembrando de sua infância - nasci no mundo mundano, não lembro muito bem do rosto da minha mãe, nem de meu pai, mas lembro que no meu aniversário de seis anos, decidimos ir ao cinema, foi naquele dia que Valentim me levou, em um momento eu estava com meus pais e no outro eu estava aqui, cercado de fogo e demônios.
- Lucian.. eu sinto muito - disse Clary pegando a mão do garoto - eu sinto muito.
- Eu sei - Lucian lançou um pequeno sorriso a Clary.
- Você nunca soube o por que Valentim te trouxe para cá? - perguntou Clary.
Lucian hesitou ao falar, transformando as palavras em um grande silêncio.
- Não precisa responder se não quiser - disse Clary enfim.
- Não.. está tudo bem..- Lucian tirou uma mecha de cabelo do rosto - Valentim sempre me tratou de forma oposta de como tratava Sebastian, por um tempo isso causou muitas intrigas entre mim e meu irm.. - Lucian fez uma pausa - entre mim e Sebastian - continuou - Sebastian sempre perguntava a mim oque eu tinha que ele não, mas nem eu mesmo sabia responder, diversas vezes Valentim proibia Sebastian de participar de suas caçadas matinais enquanto eu era seu convidado de honra, e nesse meio tempo que foi quando Valentim me disse que Sebastian jamais seria o filho perfeito para ele, e que eu poderia substituir seu lugar.
- Pelo anjo - Clary estava sem reação, não conseguia entender por que Valentim rejeitava tanto Sebastian - mas por que Sebastian que esta no controle de tudo e não você ?
- Ao longo dos anos Sebastian ficava cada vez mais forte, enquanto eu passava a maior parte do tempo na biblioteca - disse Lucian sem enredos - Valentim me dava milhares de chances de me tornar um temido rei, me explicava como era importante preservar a natureza nephilim, dizia que minha mãe tinha sangue de caçadora de sombras e como ela passou isso para mim, eu deveria honrar esse legado. Com o tempo esses discursos se tornaram insignificantes para mim, fazendo eu recusar todas as chances que Valentim me dava.
- Eu não entendo - disse Clary arrumando seus cabelos - por anos eu procurei saber mais de meu pai, e agora eu simplesmente gostaria de deletar tudo.
- Quando inventarem a máquina do tempo eu te aviso - disse Lucian dando um tapinha no ombro de Clary.
- Essa é a sua missão - falou Clary.
Clary se divertia ao lado de Lucian, era difícil de negar este fato, talvez essa amizade fortalecesse Clary. Nesses momentos Clary se esquecia do resto, de Sebastian, do fogo celestial, de Edom, até a saudade de Jace amenizava por um tempo. Mas tudo voltava ao normal quando tudo acabava.
- Já está anoitecendo - disse Lucian olhando para o teto transparente - é melhor irmos.
- Infelizmente você tem razão - disse Clary revirando os olhos.
Antes mesmo de poder terminar o gesto, Clary sentiu como se fosse um soco em suas costelas, fazendo-a gritar de dor, Clary sentiu esta dor se expandindo em todo seu corpo, fazendo-a cair de joelhos no chão.
- CLARY - gritou Lucian segurando a menina - CLARY OQUE ESTÁ ACONTECENDO??
- EU.. EU NÃO SEI - falou Clary entre gritos de agonia - MAS DÓI MUITO.
Clary começou a pressionar suas costelas com um braço, e com o outro agarrou sua coxa que latejava de dor. Clary tinha a sensação que seus ossos estivessem se quebrando, um por um, osso por osso, seus dentes rangiam pela dor que sentia, seus olhos desesperados buscavam por ajuda.
Clary sentiu seu corpo esquentar, e em uma questão de segundos, sua mão fervia tanto que acabou queimando sua coxa, dobrando sua dor e seus gritos agonizantes.
- DROGA! - gritou Clary tirando a mão da coxa vendo a marca avermelhada de sua mão.
- Ah não! - Lucian estava desesperado.
Lucian pegou uma das mãos de Clary, mas se arrependeu pois queimou suas pontas dos dedos. O corpo de Clary fervia, sua pele brilhava devido ao fogo em suas veias, tanto que a madeira que sustentava Clary estava virando carvão.
A sensação de dor parou, em uma fração de segundos, fazendo Clary relaxar, e em uma fração de segundos tudo voltou, foi quando tudo explodiu.
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