19

Região das Minas - Mundo Humano

- Pete, eu não vou conseguir segurar a ilusão por muito tempo mais - Vyk disse, meio ofegante pelo esforço -, estou quase no meu limite!

- Aguente só um pouco, Vyk - Peter disse, pegando o comunicador -, eu preciso avisar a Leen para preparar a evacuação.

- Faça rápido por favor - o elfo disse - meu poder pode falhar a qualquer momento.

- Leen, está na hora de começar a evacuação - ele disse no comunicador - Vyk está muito cansado, e quando a ilusão acabar, eu vou tentar segurá-los o máximo que puder!

- Você não pode lutar sozinho, Pete - ela gritou do outro lado, visivelmente preocupada com o amigo -, eles são muitos, isso é suicídio!

- Relaxa, Leen - ele disse fingindo confiança -, você sabe como eu sou bom em Xadrez.

- Isso não é um jogo, Pete... - a jovem demônio começou a dizer, mas foi interrompida por uma perda de sinal.

Peter escutou uma explosão ao longe e, olhando na direção do som, viu a torre de comunicação em chamas e olhando para o descampado entre a floresta e as minas, viu que a ilusão de Vyk falhava e se desfazia aos poucos.

Sem comunicação, ele pegou seus dispositivos tecnológicos e correu até o elfo. Vyk estava esgotado, e se forçasse mais um pouco, provavelmente perderia a consciência, então o Bargheist ordenou que desfizesse a ilusão e fugisse para os alojamentos, para junto dos outros. Havia chegado a hora de lutar, e Peter sabia disso.

Na floresta, sob a cobertura improvisada, os vampiros viram a luz solar dar lugar a grandes refletores nas paredes das montanhas, que agora estavam bem mais próximas. Percebendo que tinham sido enganados, eles saíram de debaixo da proteção e partiram até o descampado, parando rente às últimas árvores, ao verem um rapaz no centro do mesmo, a mais ou menos duzentos metros deles.

- Eu quero conversar com o líder de vocês - o rapaz gritou - eu tenho armas de luz solar, apontadas para onde vocês estão e se avançarem mais cem metros, irão morrer. Eu fui enviado para negociar e não para lutar, mas preciso que só o líder ou um representante avance.

- Você nos fez de idiotas uma vez - o líder gritou, visivelmente furioso por ter sido enganado - não permitirei que faça novamente. Avancem homens!

- Espere, senhor - Vicenzo disse, fazendo o líder parar o ataque com um sinal -, Fabrizio e Lorenzo foram pulverizados por alguma arma de luz solar, ele pode não estar blefando.

- Droga! - o líder disse, sabendo que Vicenzo estava com a razão.

- Vocês cinco - ele continuou, apontando para cinco soldados mais avançados - abram o raio de ataque e avancem, tragam a cabeça daquele insolente para mim.

Imediatamente, os cinco vampiros se espalharam e fizeram um semicírculo ao avançarem, mas assim que pisaram a marca de cem metros, como foram advertidos pelo rapaz, foram atingidos por uma luz, que desintegrou um por um.

- Eu tentei avisar - Peter gritou de onde estava -, vão querer sacrificar mais soldados ou virão negociar?

- Filho da puta! - exclamou o líder, parecendo pensar em algo - Não nos avisaram dessas armas.

- Na verdade era de se esperar, senhor - Vicenzo disse, parecendo estar empolgado com a tecnologia apresentada por aquelas armas -, eles vêm frustrando ataques de recrutamento de criaturas há muito tempo. Segundo a inteligência, o exército deles não é grande, então devem ter ótimas armas, até melhores que as dos magos.

- Porra, o que fazemos agora então? - o líder perguntou - se recuarmos vamos ser dados como desertores.

- Me deixe ir até ele, senhor - Vicenzo disse, empolgado - de perto eu posso observar melhor as defesas, e com uma conversa posso sondar qual é o verdadeiro plano deles.

- Um dos meus irá até você - o líder gritou, mostrando que aceitou a idéia do jovem vampiro - caso a proposta for satisfatória, nós a consideraremos.

- Siga a linha do feixe de luz - Peter respondeu -, um passo para qualquer lado e será alvejado. Se seguir a linha ficará bem!

O vampiro chamado Vicenzo caminhou em linha reta até estar a mais ou menos cinco metros de Peter, que de perto parecia apenas um jovem nerd, mas ao seu lado, um grande martelo de batalha, repousava com o cabo para cima, mostrando que o jovem era muito mais do que aparentava ser. Por um momento, Vicenzo apenas ficou em silêncio e observou tudo ao seu redor. Podia ver os canhões de luz solar e outras armas.

- Você não é um guerreiro, cara - Peter quebrou o silêncio -, mas como pode ver nós estamos bem equipados para resistir ao ataque.

- Você tem razão - o jovem vampiro respondeu -, sou apenas um cientista, apaixonado por tecnologia. E confesso que passei a ser um grande admirador seu. Eu deveria ter imaginado que um grupo de criaturas tão bem equipadas, teria um Bargheist. Eu estudei a sua espécie por muito tempo, tentando entender de onde vinha a inteligência de vocês, até ver que era a individualidade natural da espécie. Como é nascer com o quociente de inteligência tão elevado?

- Pelo visto você não fica para trás - Peter disse, sorrindo com toda observação do vampiro -, mas como você deve saber, essa individualidade se tornou nossa maldição. Os Bargheists foram extintos por causa dela.

- E você, como um dos últimos espécimes, deveria fugir daqui - Vicenzo disse, retirando do bolso uma espécie de dispositivo -, esse dispositivo vai inutilizar as suas armas à base de pulsos por um tempo, e os soldados atacarão. Seria uma pena perder o seu cérebro nessa batalha.

- Você joga Xadrez - Peter começou a falar, mas fez uma pausa como se perguntasse o nome do outro.

- Meu nome é Vicenzo - o vampiro respondeu -, e respondendo a sua pergunta, até gosto de jogar, mas vampiros gostam mais de jogos de ação, então não tenho com quem jogar.

- Ótimo - Peter disse, sem perder a calma diante da ameaça do dispositivo -, se você sobreviver e nos encontrarmos novamente, eu gostaria de desafiá-lo para uma partida. Eu me chamo Peter.

- É um prazer conhecê-lo, mas não entendo a sua calma, Peter - Vicenzo disse, ainda sem apertar o botão -, você está prestes a ser atacado por uma legião de vampiros. Mesmo se transformando e usando esse martelo gigante, você duraria no máximo dez minutos.

- Pois esse relógio aqui em meu pulso, que inclusive será destruído quando eu me transformar, acabou de me dizer que eu preciso aguentar só mais cinco minutos, então parece que eu ganhei a partida - Peter disse, iniciando a transformação, no mesmo momento em que Vicenzo apertava o botão e corria de volta para a floresta, acenando para os vampiros atacarem.

Assim que os Vampiros partiram em direção do jovem, que agora já era um gigantesco cão negro, armado com um martelo de batalha imponente, Vicenzo juntou seu equipamento, e seguiu para o outro lado. Após as últimas palavras do Bargheist, ele viu que ao perderem tempo com as armadilhas, eles perderam também a batalha, e em cinco minutos os vampiros teriam seu fim.

- Ainda teremos nossa partida de Xadrez, Peter! - ele disse pra si mesmo, com um sorriso, antes de sumir entre as árvores.

Os dois primeiros vampiros, chegaram até Peter, atacando com ferocidade, mas em um movimento rápido, o Bargheist girou o martelo com tamanha potência que atingiu os dois inimigos, os fazendo se desintegrar instantâneamente, o que fez com que os outros parassem a alguns metros.

- Você nos deu trabalho, seu desgraçado - o líder dos vampiros disse, chegando à frente da parede de vampiros que se formou na frente de Peter -, mas sem as outras armas você não irá nos impedir de entrar nas minas, e matar todos lá dentro.

Peter viu o líder partir na direção da mina, seguido da maioria dos vampiros e tentou interceptá-los, mas foi cercado por dez inimigos que fizeram um círculo, o impedindo de sair.

Girando o martelo com destreza, ele se defendia e matava alguns vampiros, mas não conseguiu evitar todos os golpes e foi atingido por garras no tendão de Aquiles do pé direito e perdeu o equilíbrio, o que o fez ter que usar o martelo como apoio.

Aproveitando a brecha, um dos inimigos o atingiu, com um golpe com os pés na altura do peito, fazendo-o soltar o martelo e cair pesadamente no chão. Sem defesas, ele viu todos os inimigos o atacarem de uma vez, mas antes que o acertassem, uma foice os atingirem horizontalmente, cortando todos os corpos de uma só vez, transformando-os em cinzas.

- Se saiu bem, Pulguento - Hel disse, estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar - pode deixar o resto com a gente agora.

- É ótimo ver que chegaram um minuto antes do previsto - Peter disse, assumindo a forma hominídea, para se recuperar dos ferimentos -, mas eles foram para os alojamentos, precisam se apressar.

- Relaxe, jovem - A voz calma de Mestre Kaghan disse -, observe a mágica acontecer.

Olhando para as minas, ele viu os vampiros entrando pelas portas, mas viu também que algumas runas brilhavam acima delas, enquanto alguns metros à frente, a Mãe conjurava alguma magia. Liam, Lucy e Aynne estavam ao lado dela, e tinha um outro jovem nos ombros de Liam.

- Vá até eles e cuide dos seus ferimentos - Hel disse, assumindo uma postura de batalha - Vamos acabar aqui, e nos juntamos a vocês.

Caminhando o mais rápido que pôde, Peter se aproximou da Mãe e dos outros. Todos os vampiros haviam entrado nas minas, mas nem imaginavam que tinham entrado em um portal.

- Ajude Aynne a levar o jovem desacordado para dentro - a Mãe lhe disse, assim que se aproximou -, tranquilize os outros, e peça para Nath e Eileen ficarem atentas caso precisemos de ajuda.

- Quem é aquela figura ali, cara - Liam perguntou para Hel, assim que se juntou ao grupo, referindo-se ao japonês que estava ajoelhado no chão, parecendo meditar ou orar.

- É o Shibata - Hel respondeu - eles sempre oram antes de uma batalha, talvez pedindo proteção, sei lá!

- Os ninjas fazem orações aos Shinigamis - Mestre Kaghan disse -, para que preparem um lugar para a alma de suas vítimas.

- Gostei disso! - Lucy disse, já em sua forma glábrica, com suas manoplas de prata negra - É hora de fatiar uns filhos da puta sanguessugas! Sem ofensas, Hel.

- Não ofendeu - respondeu Hel, sorrindo -, esses aí até eu quero fatiar. Aliás, a minha Kusarigama adora matar vampiros!

- Lá vem eles, Anjos - a Mãe gritou, aparecendo entre eles com sua armadura e suas espadas prateadas -, dêem a eles um motivo para nos temer!

- Eles têm armas dos caçadores - Mestre Kaghan disse -, então devemos tomar cuidado.

Os vampiros se viram novamente na entrada da floresta, mas agora, entre eles, havia seis indivíduos armados. A grande legião que havia chegado ali, tinha sido reduzida drasticamente, a ponto de sobrarem pouco mais de trinta deles. Ainda tinha números favoráveis, mas se apenas aquele jovem já tinha lhes dado tanto trabalho, esses novos adversários seriam um grande problema.

- Ataquem vampiros - o líder gritou, mesmo temendo que não seriam suficientes, porém não tinham outra opção a não ser lutar -, matem todos eles!

O ninja Shibata permaneceu imóvel, aguardando os inimigos, que atacavam ferozmente, mas antes que pudesse ser atingido por três vampiros, ele se moveu com uma velocidade tão impressionante, que pareceu desaparecer, e sem dar chance aos adversários, os golpeou fatalmente com sua Katana, que sequer pareceu desembainhar. Empunhando uma Sai em cada mão, o ninja partiu para o ataque, mostrando o quanto era letal, mesmo sem se transformar.

Liam, com o martelo de Peter, esmagava crânios, enquanto Lucy retalhava os inimigos, com uma ferocidade que parecia diverti-los, e protegendo a retaguarda um do outro, eram imbatíveis. Não eram apenas um casal romântico, eram também parceiros perfeitos em batalha.

Hel, manuseava habilmente sua Kusarigama, ao lado de mestre Kaghan, que brandia a sua espada, decepando membros e desintegrando vampiros. Ambos conheciam bem os movimentos um do outro, assim, o Muscaliet podia se mover no raio de alcance das correntes e foices do companheiro, sem ser atingido e ainda as utilizando como defesa.

A Mãe utilizava seus portais, e ao mesmo tempo em que aparecia e desaparecia no campo de batalha, destruindo os vampiros, ainda cercava os que tentavam fugir, lançando-os novamente no meio do conflito. Aos poucos foram diminuindo os números do inimigo, que após vários minutos, chegaram a zero, quando a lâmina de sua espada atingiu o líder deles, que pareceu ser o mais habilidoso, o que apenas fez com que fosse o último a morrer.

Mesmo com o sucesso da batalha, onde tiveram apenas pequenas escoriações, eles ficaram exaustos. Precisavam evadir do local o quantos antes, já que esse esconderijo havia sido descoberto, provavelmente por um mago oráculo. Nas condições que estavam, não poderiam fazer a troca de esconderijo, até que se recuperassem ao menos um pouco.

Eileen, Nath e Aynne ajudaram nos curativos e mantiveram a vigilância enquanto os demais descansavam.

- Como ele está? - A mãe perguntou, assim que entrou no quarto onde Aynne cuidava de Barth - Parece que se importa realmente com ele.

- Ele está com febre - ela disse, trocando as compressas. O ar refrigerado havia parado de funcionar devido ao dispositivo de Vicenzo e não havia sido restaurado ainda, por isso ela usava gelo para manter as compressas e tentar diminuir a temperatura dele - ele me salvou duas vezes, eu preciso que ele acorde para eu poder agradecer.

- Eu devo lhe pedir desculpas por não ter acreditado na sua história - A mãe disse, abaixando a cabeça visivelmente triste -, mesmo sabendo que existe corrupção entre os magos, eu me neguei a acreditar, e isso a forçou a fugir, colocando a sua vida em risco e a dele também.

- Não precisa se desculpar, Mãe - Aynne disse, com os olhos marejados, e com um salto, abraçou a mais velha e chorou em seu ombro.

- Lucy disse que ele é filho do Lord King, mas não compactua com a política do pai - a mais velha disse, ainda abraçando a jovem -, se isso é verdade, ele pode nos ajudar a libertar todas as criaturas. Continue cuidando dele, ele ficará bem.

Assim como os outros Anjos foram descansar, a mãe seguiu até seus aposentos e, deitando-se na cama, deixou a luz prata tomar seus olhos e caiu em transe profundo para recarregar.

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