Atividade Escrita N°2
Nesta atividade os participantes devem escrever um conto com o tema "Verão" com no mínimo 700 palavras e no máximo 2300.
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Conto n° 1
Escrito por Otakornio
A praia
Aline encarou o próprio reflexo no espelho do banheiro. Ela estava com um
biquíni cortininha azul e a parte de baixo era fio dental; se sentia sexy. Virou de
lado e tocou no volume da barriga - tinha ganhado 10 quilos no último ano -, mas ainda assim estava se sentindo bem consigo mesma. Virou de costas e se olhou, fazendo uma pose para ninguém. "Hoje eu vou para a praia" era o pensamento que brincava na sua mente.
No último ano tinha ficado presa em casa por tanto tempo que estava com falta de Vitamina D. Foi uma surpresa porque ela ia para praia com frequência e tomava sol toda manhã quando ia ao trabalho, mas agora estava tão branca que parecia ter se pintado com tinta.
Semana passada ela estava sofrendo no escritório provisório do seu quarto. O
lugar era apertado e quente; o sol invadia sua privacidade toda tarde e ele era
curioso, pois mesmo com as cortinas fechadas estava presente com o seu calor. O ventilador trazia um vento abafado e a cadeira fazia as coxas de Aline suar. Ela esperava mesmo que o escritório fosse provisório, não aguentava mais aquela prisão.
Em frente ao espelho, ela pegou um pano fino e amarrou na cintura, formando uma saia longa e um tanto transparente. Praticamente seminua, era como planejava sair de casa. Ah, como sentia saudade! Queria beber no bar e jogar vôlei; queria chamar atenção dos rapazes; queria se refrescar e se divertir.
Ao abrir a porta, pôde ouvir uma voz da sala:
- "...até amanhã o governo alemão deve decidir sobre restrições às viagens de
Portugal, Grã-Bretanha, África do Sul, Brasil..." - A televisão estava ligada, como sempre. Ronilda, sua avó, ficava sentada no sofá o dia inteiro.
A avó era um dos motivos para ela estar de quarentena. Ronilda é do grupo de
risco e sua única família. Aline viveu com a mãe até os dez anos de idade, mas
estava sozinha a maior parte do tempo. Na infância ela só via a mãe pela manhã,
quando ia para a escola, porque à tarde e à noite sua mãe estava em baladas ou em bares. Aos dez anos ela fez as malas e pediu para morar a avó. A mãe nem
contestou.
Aline olhou para Ronilda sentada no sofá, o olhar vazio encarando o noticiário.
Seu avô tinha morrido há cinco anos de um ataque cardíaco. Seu tio não fazia
visitas porque estava ocupado demais com diversas amantes. Pelo menos sua
prima visitava vez ou outra, mas no último ano elas ficaram sozinhas. No começo havia esperança da quarentena ser temporária. "Quando isso acabar, vamos sair, vó!", ela dizia, "Quando tudo voltar ao normal, vamos viajar!", mas agora ela não fazia ideia se o mundo ia voltar ao normal. Elas tentavam fugir da morte precoce, mas não estavam vivendo.
Não, aquilo não era viver. Trabalhar em casa era mais cansativo que trabalhar
num escritório! Ronilda não sabia como se distrair e vivia em frente à TV, mas
eram tantas notícias ruins que a deixavam estressada. É por isso que Aline decidiu ir à praia!
Era janeiro, época de praia e sorvete. Havia lava embaixo da casa e paredes de
titânio no lugar das portas. Precisava dar um jeito nisso ou iria enlouquecer.
- Boa tarde, Aline! - Ronilda a olhou de cima a baixo - Que roupa é essa, menina?
Tem vergonha não?
- Gostou? É a minha saída de banho!
- Tu vai sair?
- Foi mal, vó! Alguém tem que se divertir nesse verão.
Colocou uma máscara de pano branca e deu tchau com a mão. Era arriscado, mas ela era concubina do mar. Olhou para trás ao abrir o portão e percebeu que a avó tinha desligado a televisão. "Finalmente", sorriu e saiu.
A rua estava mais vazia que o normal, mas as poucas pessoas seguiam Aline com o olhar. Ela desfilava, rebolando e com os ombros para trás. Ninguém percebeu sua expressão orgulhosa no rosto.
Ao virar a esquina viu um rapaz com uma camisa azul. Ele tinha os braços fortes e
a pele escura, estava parado em frente a um estabelecimento. Ela o encarou,
sabendo que também ia ser observada. Não demorou a receber um olhar de cima a baixo.
- Boa tarde, senhorita!
- Boa tarde. - falou com a voz suave, mas ele bloqueou seu caminho quando
tentou entrar - Ah, olha esse sol! Hoje é dia de praia.
Foi só piscar um olho que o rapaz saiu da sua frente. Aline entrou no
supermercado e chamou mais atenção que antes. Gastou todo o dinheiro que não tinha gastado nos últimos meses. Aquele era um grande dia! Quase foi expulsa do
local e só conseguiu ficar porque um belo homem lhe deu uma saída de banho que era um vestido.
- Por que você tem isso na bolsa?
- Eu comprei pra minha irmã há pouco tempo.
Aline sorriu e deu seu número para aquele homem gentil.
Com as mãos doloridas por causa do peso das sacolas, ela caminhava com
elegância. A rua estava mais vazia e ela quase não sentia o sol por causa das
árvores e prédios. Parou em frente a um portão e o destrancou.
Tirou das sacolas cerveja, sorvete e queijo coalho. Procurou a churrasqueira e acendeu, estava tudo limpo e preparado.
Tirou um plástico azul e armou como um quadrado. Ligou a mangueira e deixou a água encher.
Por fim, pegou uma toalha de piquenique e colocou no chão de concreto.
- Aline? - uma voz rouca ecoava da porta da casa - O que é isso?
- Vamos pra praia, vovó!
Viu o rosto sorridente de Ronilda, o belo sorriso que não via há dias.
- Você quer que a velha aqui fique bronzeada?
- Pode ir vestindo um biquíni!
Aquele verão certamente seria melhor que o do ano passado!
Conto n° 2
Escrito por RafaelSouzaValle
Sob o outro sol
Parte 01 - Peixe fora d'água
A pior parte é a cicatrização. Com o fim, veio o processo de reaprender a fazer as mesmas coisas sozinha. O passado, muitas vezes, é um band-aid de fita isolante, doloroso de remover. Não há recompensa. Às vezes, a coisa toda deixa nada mais que uma marca pegajosa, a qual se fixa proporcionalmente à duração em que lá esteve. Resta a ferida. Exposta. Aberta. Vulnerável.
Dado um ano da fatídica discussão, já não me recordo mais de todos os detalhes, principalmente sobre os argumentos furados que ouvi. Mentira é coisa pra esquecer. Na mente, ficaram as sensações de tempo perdido, decepção e, principalmente, um frio emocional que me afastou de qualquer envolvimento posterior. Repito para mim mesma que é normal repelir o toque em machucados recentes, mesmo se for pra tratá-los. De fato, virei um grande machucado, por inteira.
Até que minhas autojustificativas tolas, pregando o afastamento emocional da forma mais míope possível, chegaram a funcionar por um tempo, no entanto senti falta de reviver memórias impossíveis de fugir. Mesmo sozinha, precisaria manter certas coisas. Aquele sol mesmo sol. Aquela mesma brisa. Aquela mesma época... Precisava me sentir viva!
(continua no perfil do autor...)
https://www.wattpad.com/story/271473055-sob-o-outro-sol
Conto n°3
Escrito por Mingauh2021
Ambler
Pensilvânia
2016
O dia estava lindo, a tarde um pouco chuvosa e com algumas nuvens, fazendo com que o tempo ficasse um pouco pesado porém não tão pesado a ponto de estragar o dia.
Judy O,Connor, pega sua arma e põe na cintura, logo depois entrando em sua sala, onde seu namorado Ed estava. Ed tinha cabelos meio loiros e meio castanhos, olhos verde escuro, e pele um pouco pálida.
- Bom dia. - Judy fala ao olhar para o homem que encarava meio cabisbaixo a tela do celular.
- Bom dia Ursinha.
Logo Judy olha com raiva para Ed, ela odiava aquele apelido. Não fazia o tipo de Judy, ela não era do tipo que amava quando o parceiro a chamasse de meu amorzinho, ela odiava aquilo, mas relevava por que a pessoa que estava chamando ela era seu parceiro de trabalho e parceiro na vida.
Judy conheceu Edward Johnson, a alguns anos atrás, quando ele estava se mudando para a pequena cidadezinha de Ambler. E por coincidência, estava procurando um emprego, que, por uma coincidência maior do destino, o pai de Judy estava contratando gente.
O xerife da cidade logo contratou o homem, que logo se apaixonou pela filha dele, e que logo se tornou o genro do Xerife da cidadezinha.
- Sabe que odeio isso, esse apelido meloso... - Judy falou enquanto revirava os olhos, ela realmente odiava. Mas as vezes quando estava bem triste, sabia que Ed a chamava assim apenas para tentar colocá-la para cima.
Era nesses dias que ela amava aquilo, aquele amor que eles dois tinham desenvolvido um pelo outro, além de que, eles se conheciam mais que tudo.
- Sim eu sei, e você sabe que eu amo lhe infernizar com ele.
Ed, apesar de ser bem sorridente, escondia um passado bem triste. Após a morte misteriosa do seu irmão mais velho, acabou ficando bem traumatizado, às vezes quando ele dorme na casa de Judy, ela acorda e o vê chorando inconscientemente enquanto dorme.
O que faz com que ela se sinta bem angustiada quanto a isso. O mesmo às vezes conta, que se tivesse ajudado ele, o irmão mais velho estaria vivo nesse momento.
Judy nunca perguntou o porquê daquilo, mesmo sabendo que era uma detetive e que o que ele tanto guardava consigo, poderia solucionar o caso do irmão, mas também respeitava o namorado, e não queria que ele voltasse a abrir uma ferida.
- Bom dia Judy. - A voz grossa do Xerife ecoou pelo lugar. A mulher ruiva se virou para ver o pai que provavelmente lhe daria mais um caso.
- Bom dia Xerife - Ed se levantou vagarosamente e deu bom dia ao seu sogro.
- Tenho um caso pra vocês dois - O homem falou entregando uma pasta a Ed. - Judy...
Assim que a mulher olhou para o homem, já sabia o que é que ele tinha para ela. Judy esperou Ed sair e começou o seu discurso para o pai sobre não pegar leve com ela, porque ele sabia bem que ela era bem melhor do que qualquer pessoa naquele lugar.
- Eu sei Judy, mas também sei que você tem paciência. E ninguém mais aqui tem sua paciência com aquele fazendeiro.
- Provavelmente é mais um delírio dele.
- De qualquer forma é melhor você ir até lá. Ele me ligou e parecia bem tenso, e também muito triste. Talvez só precise de alguma companhia.
Revirando os olhos, Judy saiu daquele lugar meio chateada e angustiada pelo simples fato de que, sempre que ia até a fazenda do George, ele inventava alguma coisa de diferente. No último ano, ele disse a ela que tinha visto um Lobisomem.
Ela tentaria mais uma vez se esforçar ao máximo, e ter a divina paciência que tanto seu pai dissera que ela tinha.
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Judy estacionou o carro bem perto do celeiro e saiu soltando um longo suspiro. logo viu o homem, idoso e branquelo que se aproximava.
- Judy! Que bom que chegou minha filha - O homem falava.
Mesmo sabendo que, ela não era sua filha, ele a chamava assim. Também tinha outra coisa estranha, ele não tinha o sotaque de uma pessoa que morava há anos em uma fazenda.
Mas, Judy nem ao menos ligava para essas baboseiras. Ela queria mesmo era um belo mistério, onde por trás estaria um assassino e uma vítima.
- Que bom que chegou - Ele diz já bem perto dela.
Judy permanece séria.
- O que foi dessa vez George?
- Bom... ontem a noite... - Ele diz, enquanto ela apenas bufa e revira os olhos-... eu estava dormindo, quando tive um sonho bem estranho. Eu tinha visto a Aliza sendo devorada por um animal enorme. Achei bem estranho.
Sonho? Eu vim aqui por causa de um sonho?
Judy pensava consigo mesma.
Então o velho começa a andar, e, chamando Judy, ele abre a porta do celeiro e deixa com que várias moscas que estavam ali saírem.
- Vim verificar de manhã e encontrei isso.
Judy finalmente olha para dentro do celeiro, e acaba vendo algo que deixa ela bem enjoada. Vacas e cavalos, todos mortos, uma poça anormal de sangue, as vísceras dos animais espalhadas pelo chão.
- Mas que...
Ela põe a mão no nariz e sai daquele lugar antes mesmo que ela pudesse vomitar.
- Meu Deus...
- Isso é bem estranho.
- Sim, qualquer que tenha sido o animal, foi bem grande...
- O mais estranho, são as marcas bem nas costas deles.
- Marcas?
- Sim - Logo o velho pega um celular bem velho e mostra uma foto à mulher de cabelos cor de vinho.
A foto mostrava uma marca meio estranha na coluna dos animais. Três garras, e alguns furos bem na coluna do animal. Ele provavelmente já tinha se acostumado com o cheiro.
- Quando isso aconteceu? - Judy perguntou olhando para o homem.
- Bom... Ontem a tarde.
Isso explicava a podridão, e o cheiro que parecia que tinha acontecido a dias. Mas o mais estranho era o fato de que ele já estava bem acostumado ao cheiro.
- Bom, no máximo isso foi apenas um animal bem grande. Tome cuidado George, e feche bem o celeiro, e também tome cuidado ao sair a noite.
Judy falou, colocando a mão na barriga e tentando evitar o enjôo precoce.
- Vou mandar o Serviço de remoção para tirar esses animais mortos desse lugar. Mais uma vez George, tome bastante cuidado.
Judy falava enquanto andava até o carro novamente, logo abrindo a porta e saindo daquele lugar. Aquela imagem ficou na cabeça de Judy durante o dia todo.
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E lá estava ela, em sua casa colocando uma camisa preta e uma calca da mesma cor, se preparando para a saída entre amigos dela.
Pegou o perfume que estava ao lado da foto de sua mãe, e pensou até em borrifar algumas gotas dele na mesma, porém ao lembrar que aquela era a última lembrança que tinha de sua mãe, desistiu no mesmo instante.
Judy, era uma pessoa completamente durona, mas as únicas pessoas que não conseguia esconder que de durona ela não tinha nada, era sua mãe seu pai e Ed.
Porém no ano anterior, Judy tinha perdido Eleonora, o que tinha deixado ela arrasada, e só a fez ficar mais durona e menos social do que antes.
O pai de Judy, achando que seria melhor pegar um pouco leve com ela, apenas deixou alguns casos bem leves da cidadezinha, fazendo Judy se sentir pior do que antes.
Porém ela não queria sentir aquilo novamente...
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Alice Bakery & Confectionary
19:30
E lá estava Ed observando Judy enquanto ela comia calada, ele amava infernizar ela, principalmte quando ele sabia que estava brincando com fogo.
- Você fica tão linda comendo.
A ruiva precisou tapar a boca para não rir muito alto, as vezes mesmo sendo fofo Ed conseguia arrancar uma risada dela, mesmo que depois ele levasse um soco ou um tapa.
O que era exatamente o que Judy ia fazer naquele momento. A mulher se virou e deu um belo de um tapa no ombro do homem, que fez uma careta que dizia que realmente tinha doído.
- Você é um idiota!
- Se for para te fazer rir eu aceito ser um idiota.
Ed falava enquanto tentava amenizar a dor no ombro. Logo os amigos dele vieram se sentar na mesa. Lena, uma morena de cabelos bem cacheados, e Carlos, um homem bem alto e negro.
- Bom... Eai quem vai pagar a bebida hoje? - Lena pergunta se sentando bem ao lado de Judy, que não gostou nem um pouco.
- Com certeza será eu. - Ed falava enquanto pegava a carteira. - Hoje e meu aniversário de 27 anos. E, eu quero comemorar com vocês.
- E aí, como e fazer aniversário no final do ano? Afinal falta apenas 1 semana para o ano novo.
- Bom...
Antes mesmo de Ed começar a falar, a mulher atrás do balcão aumentou a TV e pediu silêncio a todos.
Um homem bem vestido de terno, falava do outro lado da TV, sobre assassinatos que estavam ocorrendo na cidade vizinha.
- Policiais encontrados mortos dentro da floresta, sem o sangue, e com várias marcas pelo corpo, um possível assassinato em massa que esta acontecendo? Autoridades confirmam que um possível Serial Killer está vagando pela cidade de Blue Bell, assustando os moradores e...
Nesse exato momento, o celular de Judy começa a tocar, fazendo com que a mesma tirasse a concentração da televisão e quase soltasse um palavrão enorme. Ela pega o aparelho e atende a ligação.
- Alô Judy, poderia vir aqui por favor? Quer dizer, depois da sua festa e do aniversário do Ed poderia vir aqui por favor?
A voz do pai de Judy, estava bem séria, o que fazia ela se sentir incomodada com a situação. Provavelmente era algo relacionado a fazenda, e Judy já não estava tão afim de ter paciência agora.
- Seu pai? - Ed pergunta deixando seu hálito quente invadir a nuca de Judy.
- Sim - Ela faz um sim bem discreto com a boca, o que faz com que Ed apenas fique mais preocupado.
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Depois de algumas horas, os amigos de Ed tinham ido embora, e apenas Ed e Judy estavam naquele bar, sozinhos praticamente e bêbados, muito bêbados, pelo menos Judy.
- Eu não quero tirar foto - Judy falava enquanto dava risadas, o bafo repleto de álcool, e Ed estava adorando, pelo simples fato de que ela já não estava tão bruta quanto antes.
- Por favor Ursinha, você fica linda na foto. - Ele falava se aproveitando daquele situação. Mesmo sabendo que ela não tiraria, pelo menos, no dia seguinte iria ter algo para pertubar ela.
- Você é insuportável... - Ela falava se jogando no peitoral dele, que revirou os olhos e começou a acariciando os cabelos vermelho escuro dela.
- Para com isso, você sabe que eu odeio.
- Sei... mas e melhor do que lhe ver cuspindo fogo por aí. - Ed falou pegando o telefone com seriedade.
Já era quase 00:00 e Edward já sabia que sua família iria ligar para ele, e perguntar se o mesmo não iria para a casa deles, passar o fim de semana e o ano novo. Além de que eles estavam desesperados para conhecer a mulher que tinha conseguido fisgar o Edward.
Porém, ele não se sentia muito bem ao lado de sua família. E fazia questão de não apresentar Judy a eles, para Ed, eles que venham conhecer ela. Ele não a levaria lá nem morto, já que odiva a família.
- Se comporta tá - Ed fala enquanto se levantava e andava até a porta, Judy apenas pegou a bebida e bebericou, enquanto observava Ed colocar o aparelho no ouvido.
- Alô... Edward.
- Alô Eren.
- Por que me ligou? Está vindo na minha casa?
- Bom... não, estou ligando apenas para dizer que não vou passar o ano novo aí mãe.
- Achei que fosse finalmente nós apresentar a sua mulher.
- Namorada...
- Achei que já tivesse pedido a ela...
- Vou pedir...
- Bom... boa sorte. Então não vira? Nem ao menos para visitar Jean?!
-Tchau mãe!
Ed desliga o telefone enquanto sente seu peito apertar, mas aquele sentimento já não o dominava tanto quanto antes. Agora, o único sentimento que ele queria que o dominasse, era o amor pela Judy.
- Voltei.
- Estava ligando para ela não é?
- Judy...
- Você sabe o que eu acho sobre isso - Judy achava que devia conhecer a família de Ed, que deveria ir pelo menos em um jantar. E já tinha deixado claro que não queria que ele escondesse a família dele.
- Sim eu sei, mas... não. Agora não.
Mesmo Judy sendo bem durona, às vezes Edward sabia que poderia convencer ela com palavras simples e diretas, era algo deles, algo que apenas Ed conseguia. Não que ele soubesse disso.
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- Chegaram tarde hoje. - O pai de Judy dizia enquanto se balançava na cadeira e bebia alguma coisa cor de mbar. - Ao menos se lembra do que eu lhe disse hoje mais cedo Judy?
A mulher ruiva, que já estava começando a sentir a ressaca iminente, apenas lhe deu um gemido de reclamação e entrou em casa.
- Se preparem amanhã vocês vão para Blue Bell.
- O que? - Ed perguntou enquanto Judy começava a andar novamente para perto dos dois apenas para tentar escutar a conversa.
- Achei que amanhã íamos resolver alguns casos juntos pai - Judy falava enquanto massageava as têmporas.
- Eu preciso que vocês ajudem a delegacia de Blue, eles não estão mais conseguindo manter a ordem por lá. Muitos policiais foram mortos misteriosamente. Sei que não deveria estar lhe mandando para lá, mas também sei da sua capacidade Judy, é por isso que preciso de você lá.
Ed ainda olhava para a face de Judy quando resolveu se pronunciar.
- Eu vou!
- O que? - Agora foi a vez do Xerife falar.
- Apenas eu vou. Judy precisa de um tempo com o pai dela, e eu preciso com os meus. É bom que eu passo um tempo com eles sem nenhum tipo de discussão.
- Achei que íamos juntos.
- Judy, é melhor você ficar aqui, vai ser bom para cuidar da cidade. Por favor.
Após alguns segundos de olhares trocados, Judy deixa com que Ed vá, com a simples promessa de que a busque daqui a um dia, para ao menos conhecer a família dele.
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O dia estava bem chuvoso, e era um dia de folga para Judy, então ao acordar e perceber que Ed já havia partido, Judy se levanta e toma um banho quente, já que o dia estava bem frio.
Logo depois, desce e prepara um chá e então o toma enquanto assiste alguma coisa na tevê. Ela se senta no sofá e liga a TV de tela plana.
- Mais uma vítima de assassinato essa semana. Ellie McLean uma jovem de 20 anos, foi assassinada brutalmente nesta madrugada, as autoridades ainda estão a procura do suposto assassino, e estão tentando entender que tipo de marcas são essas, presentes no corpo de Ellie...
Logo o telefone de Judy toca e ela se assusta, o nome de Ed aparece na tela e ela atende.
- Alô Ursinha. - Ele fala bem baixo.
- Bom dia... onde você está?
- Na casa dos meus pais ué...
- Está falando tão baixo - Ela começa a falar baixo também, fazendo uma brincadeira entre os dois.
- Eu não quero acordar a minha mãe e ver ela cuspir fogo.
- Você é bem idiota.
- Eu sei minha ursa.
- Para com isso!
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Judy permanecia ansiosa, aguardando a noite que chegaria em breve, e ela finalmente poderia conhecer seus sogros.
Ela estava mexendo em alguns papéis da sala de trabalho de seu pai, quando viu um papel meio velho guardado em uma caixa meio marrom demais por causa do mofo.
*OS ASSASSINOS ATACAM*
_Recebemos algumas notícias e fotos, evidenciando a existência de monstros sobrenaturais em nosso planeta._
_Como isso? Eu digo! Um fotógrafo chamado Carlos registrou algumas fotos de animais mortos que apareceram misteriosamente na fazenda do pai, logo após de descobrir que todos eles tinham a mesma marca na coluna, Carlos chamou a polícia imediatamente, no outro dia logo sendo encontrado morto com os mesmos arranhões no pescoço._
_A polícia não tem dúvidas, com certeza não é um animal, sendo assim as possibilidades abertas para serem Serial Killeres._
_Mas vocês sabem que eu não desisto não é galera, como cientista e dona de uma das organizações contra o sobrenatural, eu acredito que possa ser algum tipo de monstro, que esteja invadindo Blue Bell..._
Judy larga o papel e então, com as mãos tremendo, acaba por ligar para seu pai e contar sobre. O mesmo não acredita muito sobre isso, e diz que na época a mulher era louca.
Porém Judy, sente que algo vai acontecer, não só com ela mas com Ed. Começa a remoer as próprias unhas de tanto nervosismo.
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Quando finalmente a noite chega, Judy põe seu melhor vestido, um preto colado e prende o cabelo, fica simples e bonito nela, da forma que ela gostava.
Pega seu carro preto e sai dirigindo até Blue Bell, com a certeza de que quando chegaria lá, logo pela manhã, falaria com o delegado sobre o papel.
Logo Judy já estava na porta da casa da família do namorado, tocando a campainha, e esperando que alguém pudesse atender ela.
Logo a porta é aberta por uma mulher de cabelos cacheados enrolados, usava uma farda e então, Judy deduziu que seria a empregada da família.
- Por favor entre.
Logo Judy entrou e a mulher saiu andando, ela ficou ali parada observando uma planta que parecia mais viva que a própria empregada.
De repente um homem desceu as escadas voando, sua face estava meio tensa e Judy logo reconheceu quem era aquele homem. Assim que ele olhou ela, sua face se suavizou um pouco mais.
- Já chegou?
- Sim.
- Uau... - Ele falava enquanto olhava o corpo de Judy que coube perfeitamente no vestido preto - Você é incrível Ursinha.
A face de Judy ficou vermelha, e ela se sentiu um pouco envergonhada já que não recebia elogios constantemente.
- Para...
- Por que? Você está amando que eu sei.
- Edward, não faça a dama se sentir envergonhada e te largar de vez...
Uma voz originou atrás de Ed, fazendo Judy olhar naquela direção. Uma mulher alta de cabelos loiros e pele extremamente pálida, olhava profundamente nos olhos de Judy.
- Então você é a Judy. - A mulher caminhou até Judy, ainda olhando seus olhos. - É mais bonita do que eu achei que realmente fosse.
- Mãe...
- Desde de quando me chama de mãe?
Ed ficava calado ao mesmo tempo que olhava Judy, ela tinha uma face meio nervosa no rosto, e ele não ligava nem um pouco para a mãe, apenas para Judy.
- Enfim... é melhor irmos, a comida vai esfriar não é Marta?
A mãe de Ed, simplesmente saiu andando dali, bem olhou para trás, apenas caminhou para o lugar que Just julgava ser a sala de jantar.
- Desculpa.
- Sem problema.
Após isso, Judy e Ed foram para a sala de jantar. A mesa posta com talheres finos, e o cheiro da comida parecia não se comparar à comida que Judy estava acostumada a comer.
E logo começou a pensar que Ed era demais para ela, ele tinha o que ela não tinha. Mas logo esse pensamento foi anulado, quando Ed pegou na mão dela enquanto ela se sentava na cadeira ao lado dele.
Não teve muita conversa, apenas algumas perguntas com respostas vagas, e olhares de Marta para Judy.
Após cerca de meia hora apenas conversando e comendo, finalmente aquele jantar tinha terminado, Ed e Judy tinham subido para o quarto, e estavam tentando dormir, porém Judy não conseguia de maneira nenhuma.
Ela pensava sobre as coisas que estavam acontecendo, e como os pais de Ed eram bem estranhos, pelo menos a mãe, já que o pai não estava naquele lugar.
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Judy e Ed estavam na delegacia local, olhando alguns registros enquanto Judy conversava sobre as marcas, que os policiais não acreditaram por mais que ela tentasse falar sobre.
- E aí? - Ed perguntou enquanto analisava algumas pistas sobre o possível assassino.
- Eles não acreditaram.
- Não tem problema a gente resolve.
- Então vamos logo.
Ed e Judy permaneceram naquela delegacia durante o dia todo. Vendo alguns depoimentos e ajudando a polícia local, a informação era de que uma jovem de 18 anos, havia sido perfurada no pescoço.
O estranho era que com o passar do dia, Ed estava começando a ficar meio estranho e sinistro, ele estava meio pálido e a expressão era de que ia cair a qualquer momento.
- Ed...? Está bem?
- Sim, eu tô - Ele engoliu em seco e continuou a escrever em algum papel.
- Tem certeza, eu tô preocupada com você.
- Absoluta Judy.
Ele não estava bem, nem de longe, parecia estar meio enjoado, e também parecia querer vomitar a qualquer momento.
Judy ficou tão preocupada que decidiu ir para casa e levar ele junto, no caso a casa de sua sogra. Chegando lá, já era quase 23:30, ambos estavam cansados, porém Ed estava bem mais.
Os dois subiram, e tomaram um banho, logo depois foram para cama. Judy teve um sonho bem sinistro, e assustador, que ela já não lembrava muito quando acordou no meio da noite.
Olhou para o lado e não viu Ed, ele já não estava mais ali, a cama estava meio fria, significando que ele já havia saído a um tempo.
Judy pegou sua sandália, e saiu do quarto, logo indo até o banheiro, onde não tinha ninguém, apenas um pequeno pingo de sangue que a assustou.
Ela desceu as escadas escuras, e abriu a porta de trás daquela enorme casa, logo indo em direção a floresta, onde ela percebeu que tinha uma estranha trilha.
Ela começou a seguir a trilha até a dentro da floresta, logo se lembrou que não tinha pego a arma que ela tanto carregava, mas iria assim mesmo, ela conseguia se bem na luta, mesmo sem a arma.
Logo indo mais a fundo na floresta, Judy escutou um estranho barulho vindo de trás de um arbusto, ela se preparou para atacar a pessoa que ecoava barulhos muito sinistros, e quando ia atacar olhou novamente o que parecia um homem vomitando muito.
Quando olhou novamente, percebeu que o homem na verdade era Ed, e que estava vomitando justamente sangue. Muito sangue...
- Edward?!
Ela se jogou para ele, para ao menos tentar ajudar ele a se levantar. Porém ele não fazia nada, apenas ficava ali tremendo e ameaçando vomitar novamente.
- Você está...
- VAI EMBORA!!
- Ed?!
- Vai agora!! Por favor... - Ele falou quase chorando, e olhando nos olhos de Judy.
Onde ela enxergava uma dor profunda e uma angústia sentida por vários anos.
- O que está acontecendo com você?
- Se você não for embora agora... Eu vou matar você...
- Ed... - Antes que ela pudesse falar algo, Judy enxergou uma faca na sua mão direita, onde direcionava até ela.
Por pouco Judy desviou daquela faca, caindo para o lado.
- Por que está fazendo isso?
- Eu mandei, mandei você ir!!! MANDEI VOCÊ IR EMBORA!!!
Foi então que veio na cabeça de Judy um clique, talvez seja ele, talvez sempre foi ele, talvez ele tenha matado...
Mas não, ele não tinha coragem para fazer isso, ou tinha...?
- Por que? Foi você? Era por isso que às vezes você saia de madrugada e sumia?
De repente, um sorriso macabro se faz no rosto de Ed, e ele começa a rir descontroladamente, parecia que tinha perdido a consciência.
- Meu amor, você é tão ingênua.
- O-o que?
- Você ainda não percebeu o que está acontecendo aqui! Eu fiz tudo sim. Sabe... - Ele pega a faca e passa a ponta do dedo na lâmina.
- Os animais... a garota... ou as. Sabe quando eu me mudei para cá, eu sabia que um dia mataria alguém. Mas não sabia que seria tão... bom.
- Esse não é você, Ed.
- E CLARO QUE NÃO SOU EU! EU PASSEI _ANOS_ SEM COMER, ANOS!!! E agora, finalmente eu estou saciado.
- Como assim?
- Vou explicar tudo meu bem. Quando eu tinha 11 anos de idade, todos os meus pesadelos se concretizaram, descobri que minha família só não era um monstro psicologicamente, mas também fisicamente. Eu tinha um irmão muito querido chamado Lance, ele era a única pessoa normal na minha vida, a única que realmente me amava. Ele foi o único que realmente me amou - Ele ainda alisava a faca, só que dessa vez mais forte - Aos meus 12 anos, descobri quem eu realmente era, um monstro. Lá estava eu, no meu quarto no dia do meu aniversário, quando Lance entrou no meu quarto e me deu um presente de aniversário, era um carrinho muito lindo, para uma criança de 12 anos era o mundo. Porém... assim que olhei para seu braço, onde tinha um corte muito profundo que já estava cicatrizando, foi nesse dia que eu descobri quem eu realmente era. Minha boca salivava e sentia o barulho do sangue dele correndo pela veia, eu não consegui suportar e ataquei ele.
Judy começou a se levantar com calma, estava certa de que o namorado estava sob efeito de drogas, e que precisava de ajuda imediatamente.
- Eu matei ele. Eu... - Ele começou a rir novamente - Me desculpa, meu amor, agora eu vou ter que fazer isso com você.
De repente, presas enormes saíram dos dentes de Ed, sua face ficou mais pálida que o de costume, e seus olhos ficaram vermelhos.
Judy, que já estava assustada, se assustou mais ainda com a face estranha. Ela, felizmente, conseguiu pegar a faca com um movimento rápido.
- Acha mesmo que eu vou me machucar com isso?
- O que você é?
- Eu? Eu sou um vampiro! Já tenho anos bebendo e me alimentando de sangue de vaca e de cavalos, mas agora... Agora eu sou muito mais livre do que antes.
- Ed... você não é assim.
Ele pula para cima dela que desvia e tenta atacar ela com a faca, Judy acerta a costela dele que se contorce de dor.
- O... o que está acontecendo.
Sua face agora está repleta de raiva, e seu rosto está bem mais pálido, e ele parece mais violento.
- Por favor, Ed não me obrigue a fazer isso.
- Você... - Ele parecia querer dizer algo, porém não conseguia de maneira alguma.
- Edward...
Ele pulou novamente para cima dela e finalmente conseguiu derrubá-la, jogando ela no chão e a adaga para longe. Judy tentou empurrar ele mas não conseguiu.
- Edward... Você não é assim.
- Eu... eu sei... me ajuda por favor ursinha.
A voz de Ed muda repentinamente, juntamente com sua expressão. Ele parecia suplicar para que Judy o ajudasse, e ao mesmo tempo não queria que ela fizesse isso.
- Como?
- A adaga... Por favor.
Judy pega a adaga e se levanta, logo aponta para ele, que estava chorando, e com a expressão melancólica, que logo muda de uma hora para a outra.
- Você... você é incrível, tão fácil de se manipular.
- O q-que?
- Você, uma mulher tão linda, que se apaixonou por um homem tão... tão ridículo.
- Eu me apaixonei por que o Ed...
- Por que??
- Não importa a você. Você não é Edward. Você é um monstro.
Judy tenta acertar ele que desvia dela, enquanto ela novamente tenta cravar a adaga nele.
- Você só vai se cansar assim.
- Ou te distrair.
Judy enfia a faca que estava em sua mão no peito dele, que solta uma gargalhada e olha para ela.
- Isso não me machuca.
Logo a face dele foi substituída por uma dor nos olhos. Ele olhou para o lugar onde estava e tinha sangue, logo ele olhou novamente para Judy e tentou acertar ela.
Porém Judy, acabou o derrubando com um só golpe. E logo a face de Ed mudou novamente, seus olhos começaram a lacrimejar e ele pareceu pedir uma súplica.
- Judy. Você sabe... isso não é culpa sua e nem será, mas eu preciso que me mate.
- NAO!
- Por favor...
- Não... eu te amo muito. Não posso deixar você partir.
- Por favor! É NECESSÁRIO!!
- Por favor, não. Eu te amo, você e tudo pra mim, desde de que você chegou eu me sinto melhor, não parece que ela se foi.
- Amor... - Ele olha para ela com uma dor misturada ao amor nos olhos - você precisa nos deixar ir. Agora.
- Não...
- Agora.
- Não.
- AGORA!!
Ela aponta a adaga para o coração dele, e tenta acertar, mas não consegue, ela para e não consegue. Porém a mão dele já tinha pegado na adaga e empurrado.
- Isso... Isso não foi culpa sua. Fique calma... Não foi culpa sua.
Enquanto Ed repete essas palavras, enquanto Judy chora constantemente, balança a cabeça e vários nãos.
- Não... por favor.
- Não foi culpa sua... Eu... - Ele parece reunir todas as suas forças e finalmente diz as seguintes palavras:
- Eu te amo _Ursinha_.
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