II
O uivo fez com que os pelos na nuca da pobre e inocente garota parada em uma estação velha de metrô se erguessem enquanto ela rezava com medo e frio, um calafrio a atingiu no momento em que os uivos se aproximaram seguidos do inconfundível cheiro de cachorro molhado.
O barulho de algo pesado a fez prender a respiração, o coração acelerado, tinha visto aquilo acontecer em sua visão, um lobo faminto e sedento de raiva vindo em sua direção, e um vampiro que agonizava em algum lugar daquele local fétido e nojento.
Era uma bruxa branca, no entanto era fraca, não era tão poderosa quanto suas irmãs, muito menos quanto uma feiticeira, se parecia tanto com uma garota humana, se não fosse pela coloração estranha de seus olhos, ocultos por uma lente de contato e a habilidade de curar as pessoas realmente se pareceria com uma jovem normal.
Queria morrer naquela noite, estava cansada e farta de tudo aquilo, mesmo sabendo que aquele não era seu destino, segundo sua tia ela teria muita coisa a viver ainda. Tinha uma vida cheia de mistérios e segredos que nunca se importaria em querer saber quando.
Agora desejava que alguém houvesse lhe contado algo.
Mais ninguém, nem mesmo sua mãe havia lhe contado que teria que passar por tantas coisas sozinha, não havia lhe contado sua verdadeira origem, não antes daquela semana. Ouviu passos se aproximarem, sorriu e aspirou o ar para os pulmões, estava tremendo.
Tinha ido ali na velha estação para encontrar a própria morte, tinha tentado se jogar nos trilhos e ser atropelada por um trem, ou deixar que um lobo a estraçalhasse até a morte.
Tinha cogitado pedir pacificamente que alguém arrancasse seu coração. Tinha tentando morrer de todas as formas e aplacar sua própria solidão.
Mais como sempre, tudo dava errado, nunca conseguia morrer, algo sempre acontecia. Mais naquela noite, tudo indicava que desta vez se juntaria a sua mãe e tias.
Tinha visto tudo em sua visão, aquele era o tão esperado dia. Tinha visto luz e escuridão se aproximando dela.
Não aguentava mais aquele destino que lhe fora imposto ainda em seu nascimento.
Sua mãe, uma bruxa branca havia se apaixonado por um demônio, tinha sido enganada ao pensar que era um anjo, mais não, era um decaído.
Tinha herdado os dons de sua mãe, e os olhos de seu pai. Desde que sua mãe fora assassinada por um caçador, ela se criara sozinha pelo submundo, vagara por vários locais, tinha aprendido várias magias, sempre sozinha.
Era rejeitada aonde fosse, talvez por seus olhos, ou por que se parecia com sua mãe. Ou por que aonde fosse alguém talvez conhecesse ou soubesse sua origem, era como se todos temessem a proximidade com ela.
Como se sentissem algo ruim emanando dela.
Por isso tinha decidido acabar com seu próprio sofrimento. As vezes sentia como se alguém a observasse, como se estivesse sempre por perto, pensava que fosse sua mãe, talvez ela houvesse conjurado algum feitiço que permitisse que ela á acompanhasse mesmo depois da morte, mais bem lá no fundo, ela sentia que não era sua mãe.
Estava cansada, não tinha nada naquele mundo, nada que não fosse um anel de ouro branco e uma gargantilha com gema negra em seu pescoço, tinha perco toda sua família no início do século, em uma cilada nas montanhas Cárpatos, um grupo de caçadores havia cercado a todos, sua mãe a escondera em uma caverna para que não fosse morta, tinha visto sua mãe, irmã e suas tias serem mortas, queimadas enquanto agonizavam em uma pira de fogo.
Ela era apenas uma garotinha, não deveria lembrar de nada, mais as lembranças ainda estavam frescas em sua mente.
Tinha jurado se vingar, e conseguira, fizera justiça e punira os assassinos de sua família. Tinha matado o caçador que matara sua mãe.
Mais aquilo não á deixara feliz e nem aliviada, a culpa por seus atos a atormentava até mesmo agora. Sentiu a presença do lobo se aproximando cada vez mais.
" Você pretende mesmo terminar assim só por que é filha de um demônio? "
A voz grossa e fria fez com que ela saltasse e se virasse assustada. Notou o sujeito cujo o riso malicioso se destacava em meio a pouca luz de uma lampada que hora acendia hora apagava.
Engoliu em seco e tremeu. Pela aura e o poder que emanava dele com certeza era um decaído, um demônio, e a julgar pela aparência era um decaido muito poderoso.
Tinha olhos negros, o cabelo curto, e vestia-se formalmente como se fosse a uma reunião de negócios , sorriu e saiu de onde estava.
Ainda surpresa ela deu um passo para trás e o encarou. Se perguntou quem ele era? E por que estava ali? Como sabia sobre ela e sua origem? Sera se depois de tanto esperar finalmente alguém iria terminar seu sofrimento? Ainda encarando-o imóvel, ela fechou os olhos e prendeu a respiração, sua espera tinha terminado.
" Não vai responder, Mira? "Surpresa por ele saber seu nome ela abriu os olhos e sentiu seu coração acelerar. " Eu lhe perguntei algo Mira, não irá me responder? "
Como responder se estava assutada demais para falar, sentia cada vez mais a energia sombria dele, medo, era isso que ele transmitia, o olhar sombrio e maligno. E como sabia seu nome ? Estava ali mesmo para mata-la?
" Eu tenho notado você a muito tempo Mira. " Continuou ele e soltou uma risada sarcástica.
" Acha que o suicídio irá resolver seus problemas? Sabe para onde pessoas como você vão? "
Com medo e em silêncio ela balançou a cabeça rapidamente e deu um passo para trás. Para algum lugar no inferno, era pra onde sua tia Darien dizia que iam as criaturas que tiravam a própria vida.
" Você sabe quem eu sou? " Continuou ele e a olhou de cima a baixo.
" Quem... Quem é você e por que está aqui? " Perguntou ela, a voz tremula, uma gota de suor escorreu em seu rosto.
Não tinha visto aquele demônio em sua visão, até onde tinha visto sobre sua possível morte, um vampiro, um lobo, e por último um caçador, um caçador amaldiçoado. Não havia visto um demônio.
" Eu sou Alastor. "
Disse ele e sorriu quando ela deu alguns passos para trás, um demônio, e um dos mais temidos em todo o submundo, aquele responsável pelo desejo de matar e pela vingança.
Ele era um dos demônios mais temidos em todo o inferno. Se perguntou por que ele estava ali, teria ele vindo diretamente do inferno para lhe levar ? Não queria terminar assim, na queria ir para o inferno, não planejara aquilo daquela forma.
Sua mãe sempre lhe dizera que o inferno era um lugar ruim e cheio de traição, que ela havia sido enganada por um demônio, e que ela de forma alguma deveria invocar alguém do inferno.
" Alastor... " Sussurrou ela, os olhos arregalados.
" Aquele que causa a vingança, e leva os meros humanos a cometerem crimes bárbaros e hediondos. "
Em choque, totalmente petrificada ela observou-o se aproximar a passos lentos e a encarar com seus olhos frios e negros, tão negros e profundos que pareciam sugar sua vitalidade para dentro deles, pensou em gritar mais não tinha como, não tinha coragem, a voz pressa na garganta, as mãos suadas, o corpo tremulo. Mesmo que quisesse morrer, não cogitara que fosse pelas mãos de um demônio.
Alastor, tinha ouvido aquele nome uma vez, em uma conversa entre sua mãe e sua tia, elas o temiam, principalmente sua mãe.
" E por que está aqui? "
Com uma curta risada ele retirou algo do bolso de seu terno, um anel, um anel de ouro branco com um diamante negro em cima, um anel idêntico ao seu. Engoliu em seco e se afastou de perto dele que alargou ainda mais seu sorriso.
" O dia em que ver alguém usar um anel idêntico a este, saiba que este é o seu pai... " Lembrou-se das últimas palavras de sua mãe, as únicas palavras que ela dizera antes de á esconder, minutos antes de ser pega pelos caçadores.
Olhou chocada e assustada para a criatura a sua frente e não conteve as lágrimas. Aquele demônio não podia ser seu pai.
Um torturador do inferno. Um monstro, então era por isso que todos a temiam? Sentiam medo? Era por isso que sua mãe havia conjurado diversos feitiços de proteção? Por que não queria que ele a encontrasse?
" Pai... Você é o meu pai... "
Em resposta ele apenas sorriu de escárnio e guardou a joia, depois caminhou até ela que não se moveu e tocou seu rosto.
" É, e parece que cheguei a tempo de impedir que você cometesse uma loucura. "
Mesmo sem querer ela se pegou sorrindo e percebeu que a presença que passará a sentir desde a morte de sua mãe era idêntica ao que sentia agora. Era ele o tempo todo, ele sempre estivera por perto.
" Temos muito o que conversar pequena bruxinha. " Disse ele e se afastou. " Mas não será hoje, mas quero que saiba que está tudo bem, que estou de olho em você, não posso deixar que tire a própria vida, deve viver e conhecer o mundo em que nasceu. "
Ainda confusa ela se aproximou dele que se afastou e a encarou em silêncio. Precisava descobrir muitas coisas e ele sabia.
" Espera, por que apareceu agora? " Perguntou ela quando ele voltou a desaparecer nas sombras. " E a minha mãe? Ela está com você? "
" Não. Está em um lugar melhor. " Disse ele e parou de repente, de costas para ela ele abaixou a cabeça e soltou um pesado suspiro. " Quanto a você, também irá ficar bem. "
" Por que você não apareceu antes? " Perguntou ela indignada. " Todo esse tempo, você poderia ter vindo me ver, poderia ter me dado um sinal. Eu estou sozinha, não tenho nada, sem minha mãe, sem ninguém. "
" Por que antes você não corria perigo. " Disse ele e ela pensou em todas as coisas que havia passado antes e impediu a si mesma de chorar. " Você corre perigo Mira, alguém tem planos ruins para você, e eu não posso permitir que isso ocorra. "
Com raiva e indignada ela deu um passo a frente e sentiu a magia fluir por seu corpo e rangeu os dentes. Tinha passado por tantas coisas ruins que nada daquilo a assustava ou mudava o fato de ser sozinha.
Ele tinha visto tudo durante todo aquele tempo e agora surgia do nada alegando se importar. Aquilo era quase inacreditável.
" Atacaria seu próprio pai Mira? " Disse ele e segurou firmemente em seu pulso e ela tremeu. " Não sou o melhor pai do mundo, sou um demônio, é natural ser assim, mais nem por isso irei deixá-la ser morta. "
" E por que alguém iria querer me matar eu não fiz nada? " Perguntou ela, todo aquele tivera a oportunidade de morrer, tinha inimigos e não sabia. " Eu... "
" Seus poderes. É isso que querem. " Continuou ele e a abraçou, mesmo que sem querer, pelo menos para demostrar sentimentos, mesmo sabendo que ele não possuía isso. " Vai ficar tudo bem, eu tenho alguém que irá cuidar de você por mim. "
" Quem? "
Perguntou ela quando ele se afastou, tirou algo do bolso direito do casaco e depois pegou sua mão e a encarou. Era uma pequena pedra transparente, o objeto parecia pulsar enquanto ela a segurava. Magia, era isso que sentia no objeto. Magia antiga e poderosa.
" É um cristal lapidado por um ferreiro fada em arcadia, vai ajudá-la quando algo que represente perigo se aproximar. " Disse ele, e ela guardou o objeto em seu bolso.
" Espera você disse que alguém iria cuidar de mim. " Perguntou ela. " Quem é? "
" Um caçador, John Cooper. Alguém entrelaçou seu destino ao dele, são como almas gêmeas destinados a se encontrarem, embora, ele seja um inimigo, pode se tornar sua salvação também, ele irá protegê-la. "
" Mais, se você é um demônio por que não pode me proteger? " Indagou ela curiosa e o demônio suspirou.
" Desculpe querida, mas o inferno também tem seus conflitos. " Comentou ele friamente. " Neste momento há um conflito entre as castas, e eu como um dos principes do Sheol, tenho que lutar diplomaticamente pelo meu território. "
" Sei... Entendo. "
Disse ela e o encarou friamente. Como se não bastasse os problemas agora teria que ficar perto de um caçador. Odiava caçadores. Sua mãe e toda sua família haviam sido mortas por caçadores. Tinha visto um caçador em suas visões, um caçador com um passado sombrio e assustador, um caçador frio e assassino, um homem cujo o destino era procurar algo que o salvasse. O via até mesmo quando queria morrer. Tinha visto-o em algum lugar daquela velha estação. Estava dormindo, cansado e ferido. Ele procurava por algo. Por alguém que seria sua salvação.
" Isso não faz sentido... "
Disse ela e o encarou duvidosa, o olhar desconfiado e tenso. Como acreditar em alguém do inferno ? Como confiar que estaria segura com um caçador? Não sabia, e algo lhe dizia que não tinha escolha. Não tinha como fugir.
" O que não faz sentido? " Indagou o demônio. Ergueu uma sobrancelha confuso.
" Por que age como se minha existência tivesse alguma importância para você? " Continuou ela e ele apenas sorriu afável. " Por que acha que o rei dos caçadores de bruxas me protegeria? Você sabe os pecados e a maldição daquele homem? O que ele tem feito a séculos? "
" Por que não posso deixar minha cria tirar a própria vida... Viva Mira, por sua mãe. "
Respondeu ele e se virou pra sair, a olhou por cima do ombro e sorriu amavelmente.
" E mesmo John não mataria alguém que pode ajudá-lo. " Continuou o demônio. " Como eu disse, seu destino e o dele estão na mesma linha, e não há mudanças. "
" Bibe, et ipse lotus lux in tenebris, et faciunt justitiam in omni amari ab omnibus quae est lumen amisit ludum de iustitia et caritate vestra in corde. Elevant animam ignis ardens super inferno. Et liberaliter vivere. * "
Foi tudo o que disse antes de desaparecer, deixando-a confusa e imóvel, sabia perfeitamente o que ele queria dizer com aquele verso em latim, eram as mesmas palavras que sua mãe lhe dizera uma vez.
" Obrigado papai... " Disse ela mesmo sabendo que ele não ouviria. Tocou a pedra em seu bolso e impediu as lágrimas de saírem.
Tinha prometido a sua mãe que viveria mesmo que sozinha, mais a solidão ao longo dos tempos a corroera por dentro fazendo com que quisesse morrer.
E realmente era esse o plano antes daquele demônio aparecer, já não sentia mais o cheiro do lobisomem, e nem mesmo a gélida presença do vampiro que sentirá mais cedo. Seu pai, um demônio poderoso tinha lhe impedido de cometer uma tragédia contra si mesma.
Ele tinha lhe lembrado seu propósito, aquele que prometera cumprir, soltando a respiração ela enxugou as lágrimas e pensou nos próximos passos que daria dali em diante, pensou em sua mãe e nas palavras dela.
" Vou vingar você mamãe... "
Disse ela as palavras frias e sombrias ecoando por toda a velha estação.
🔮🔮🔮🔮🔮
John jogou fora o cigarro que fumava e sorriu ao observar o vampiro que se aproximava de uma garota em um beco escuro, ouviu alguns gritos e depois uma risada, pelo visto James havia feito seu lanchinho da noite, devia ter interferido, deveria ter punido o vampiro, mais não, aquela não era sua missão.
Além disso, conhecia James há mais de um século e sabia bem sua história, também era um amaldiçoado, uma sombra que vagava pelo mundo tal como ele. Também tinha sua história e pesos nos ombros. Tinha pecados que o atormentavam.
Ele o salvará uma vez, na Rússia enquanto era perseguido por um lobo. E mesmo que fosse uma criatura do submundo, era seu aliado, e um informante, sabia tudo sobre o submundo.
" Senti seu cheiro John. " Disse o vampiro e sorriu maliciosamente ao se aproximar a passos lentos. " O que faz em Londres?"
Em resposta ele apenas acendeu outro cigarro e depois soprou a fumaça, olhou para o alto, para o céu escuro e com nuvens de chuva.
Sentiu um calafrio quando um decaido saiu de uma velha estação de metrô não muito longe de onde estava e desapareceu na escuridão.
Era um demônio poderoso, e até mesmo James parecia incomodado com sua presença sombria. Era como se ouvisse melhores de gritos e súplicas vindas do demônio.
" O que uma coisa como ele faz na terra? " Disse James seriamente e curioso.
" Boa coisa não é, disso eu tenho certeza. " Disse ele e soprou a fumaça novamente. " Preciso de sua ajuda velho amigo. "
Continuou ele indo direto ao ponto, James tinha pouca paciência para conversas longas, principalmente quando fazia seus lanchinhos noturnos. Sem demoras ele o encarou friamente.
" Em que posso ajudá-lo. " Disse James e cruzou os braços ao se encostar em uma parede de tijolos. " Precisa de dinheiro, armas? "
" Não, preciso de uma informação. " Disse ele inspirou. " Talvez você possa me ajudar. "
" E o que quer saber? "
Curioso o vampiro sorriu e o olhou desconfiado.
" Procuro por uma bruxa branca. " Disse ele e entregou uma velha fotografia ao vampiro que assobiou alto e sorriu. " Preciso encontrá-la antes que o pessoal do sótão e uma bruxa negra a encontre. "
" Uma bruxa branca. E o que ganho com isso. " Disse James e alargou ainda mais seu sorriso. Ele nunca fazia nada de graça, sempre queria algo em troca.
Mesmo pra ele que o conhecia e respeitava. Entendia James, em seu lugar, se houvesse sido traído da mesma forma que ele, não iria de forma alguma confiar em ninguém.
" Estou brincando John. " Disse ele antes de sorrir. " Eu não sei de nenhuma bruxa branca procurada pelo submundo ou pelos infernais. Mais, sei que o inferno e o submundo estão em um conflito depois que alguém tentou libertar os demônios de Alastor, dizem que até mesmo arcanjos desceram a este plano, ao que parece há uma ceita a procura de bruxas brancas e feiticeiros, estão procurando por um amaldiçoado por Eve. Por enquanto sei apenas isso. "
" Droga... "
Disse John e guardou a foto. Estava cansado, precisava dormir. Temia não conseguir nenhuma resposta com James, encontrar a tal bruxa branca não iria ser fácil, e depois do que o fantasma lhe dissera na velha igreja, sentia que algo ruim iria acontecer. E talvez estivesse certo, afinal, agora estavam atras dele, assim como a bruxa cujo destino e maldição estavam ligados a ele.
Precisava encontrar a tal bruxa branca que Sabiny vira em sua visão. Sabiny era uma velha bruxa localizada em uma taverna no centro da cidade, era uma ótima vidente, ela o alertara sobre os perigos que corria e uma grande sombra se aproximando dele, segundo ela, sua maldição o impedia de morrer, mais não o impedia de fazer inimigos pelo submundo.
" Olha eu posso ficar de olho por aí, posso procurar pela garota também. " Disse James e colocou as mãos pálidas dentro do casaco. " Mais cedo ou mais tarde ela irá aparecer, com certeza deve estar fugindo de algo. "
" Obrigado James, continuarei a procurar. " Disse ele quando o vampiro se virou pra sair.
" John, eu não sei se deveria avisar, mas eu vi algo em uma visão. " Disse o vampiro, encarava o vazio como se evitasse olhar para o caçador. " Eu vi uma escuridão se aproximando de todos nós. Algo muito ruim irá acontecer. "
" Sarisa, Elgart, Violete, e Sabiny me disseram o mesmo. " Disse John, aquilo estava se tornando cada vez mais complicado, e os perigos cada vez mais próximos. " Estão competindo pra ver o Apocalipse? "
Era como se algo mais além da maldição e de seus fantasmas do passado o seguissem. Soltou um suspiro e balançou a cabeça, precisava se concentrar em encontrar a bruxa branca, a garota da foto.
" Eu não sei como, mais eu não tenho medo do que quer que esteja vindo. " Disse ele e sorriu. "Que venham os perigos, tenho minha espada, tenho minhas armas, e tenho uma maldição que me impedi de morrer, nada mais me surpreende."
" A imortalidade é o pior mal para um ser do submundo. " Disse James e começou a andar. " Eu não confiaria tanto na imortalidade lançada por uma bruxa."
Disse ele e em silêncio John apenas o observou desaparecer no beco onde minutos antes ele havia matado alguém. Sozinho John olhou uma última vez para a fotografia em sua mão e a guardou antes de encarar o céu noturno, sentiu um calafrio no momento em que as primeiras gotas de chuva tocaram sua pele, ouviu um uivo e então algo atingiu seu corpo fazendo com que se chocasse violentamente contra o chão.
Ouviu uma risada fria e curta e tossiu enquanto a água da chuva molhava seu rosto. Tentou se levantar mais a visão estava turva e a respiração acelerada.
" Boa patada. " Ouviu uma voz feminina dizer e voltar a sorrir.
" Droga... " Disse ele e tossiu antes se se levantar.
Observou o lobo se aproximando lentamente, rosnando e exibindo suas presas, outros dois lobos o acompanhavam seguidos de uma bruxa negra, uma jovem tão bela quanto cruel, pensou ele ao encara-la friamente.
Era realmente perfeita, usava um vestido justo e vermelho, saltos altos que a deixavam elegante, um pingente com um diamante enfeitava seu pescoço. Mais ele sabia que aquela beleza encobria algo feio e demoníaco.
Típico das bruxas negras usarem uma face falsa para disfarçar quem eram de verdade.
" Que belo grupo temos aqui? " Disse ele antes de gemer, colocou a mão sobre o ferimento em um lado da barriga e sorriu. " Já estava ficando entediado. "
Como resposta a jovem bruxa apenas sorriu e parou, o rosto marcado por algumas marcas de nascença, típica das bruxas negras, segurava um livro velho em uma das mãos, um diário de feitiços, os três lobos pareciam sobre o encanto de um feitiço poderoso que os prendia a ela e isso deixará John profundamente irritado.
Odiava as bruxas negras, principalmente as que usavam seus feitiços contra outras criaturas do submundo. Irritado ele deu um passo a frente e apontou uma adaga para a jovem, que apenas franziu os lábios em um riso frio.
" Uma adaga prateada, não vai funcionar em mim caçador. " Disse ela e ergueu uma das mãos. Embora jovem, parecia poderosa." Isso é, amenos, que sabia algum feitiço. "
Estalando os dedos ela sorriu quando o primeiro dos três lobos saltou sobre John derrubando-o de forma violenta, esquivando-se de uma mordida certeira do animal em seu rosto ele rolou pro lado e o atingiu com um chute.
" Quem é você feiticeira? " Perguntou ele, pegou uma nova adaga de dentro do casaco e tremeu. " E o que quer comigo?"
" A sua cabeça... " Gritou ela e ordenou um novo ataque dos lobos.
Depois quando o segundo saltou, ele desviou e atirou a adaga em sua direção, mais o lobo fora mais esperto e voltou a sua forma humana, e desviou do objeto que caiu fincado no chão próximo as pés da bruxa.
" Você não é a única. " Disse John e sorriu friamente. " A morte já me rejeitou. Você sabe que eu sou imortal não é mesmo?"
Disse Cooper e os lobos rosnaram em sua direção.
" É uma bela arma está senhor Cooper. " Disse a bruxa e pegou o objeto próximo a seus pés. "Acho que irei usá-la em meu próximo ritual."
" Desgraçada. " Disse John ofegante. Limpou o sangue que saia de um canto da boca e sorriu. "Já que tocou no assunto, quem vocês querem despertar. Não me digam que querem trazer o senhor do sheol pra terra? "
" Você não faz ideia de onde está se metendo caçador. " Disse a bruxa, deu alguns passos à frente enquanto os lobos a acompanhavam. " O por que? Queremos libertar um demônio poderoso de seu cárcere. Motivos? Queremos o fim da humanidade e de qualquer um que se opor ao culto."
Dito isso ela sorriu e antes que ele pudesse reagir ela sorriu e lançou a adaga que passou de raspão em seu rosto, causando um pequeno no local.
" O que é o culto? Alguma seita maligna? " Perguntou ele ofegante. Nunca tinha ouvido falar de algo assim, sabia apenas que uma seita havia sido criada ainda no passado em adoração a uma entidade, mas não conhecia nenhum grupo conhecido com aquele nome." E por que está me atacando?" "
" Estou fazendo isso por que você é um inimigo perigoso. "
Continuou a bruxa, o rosto se transformou em uma carranca assustadora, haviam pequenas fisuras em um lado da face, os dentes eram negros e pareciam podres, as unhas grandes e afiadas. Deixou escapar uma risada fantasmagórica enquanto o encarava.
" Eu tenho ordens para levar sua cabeça e é o que farei. " Disse ela e fechou os olhos em silêncio, as mãos próximas uma da outra como se preferisse uma curta oração, uma chama negra se formou ao redor de seu corpo e se concentrou em suas mãos. " Quando nosso senhor retornar você irá queimar. Peguem ele. "
Gritou ela e lançou uma flamejante bola de fogo contra ele que desviou e atirou em um dos lobos que caiu grunindo e urrando.
" Eu não sei quem você é, e nem pra quem você trabalha. " Disse ele ofegante e inspirou profundamente antes de engatilhar sua pistola. " Mais se entrarem no meu caminho serão mortos e eu sou bom em matar meus inimigos. "
" É o que veremos caçador. " Disse ela e gargalhou, lançou outra bola de fogo e ele saltou sobre um dos lobos e o chutou depois atirou.
O tiro atingindo seu peito um pouco abaixo do coração, fazendo com que ele gritasse com dor e voltasse a forma humana. Atirou algumas vezes contra a bruxa mais ela o atingiu com uma pequena bola de fogo que o lançou contra um velho vagão de trem.
" Ótimo, isso está ficando interessante. " Disse ele antes de se erguer cambaleante, pegou sua arma que cairá no chão e gemeu quando um dos lobos veio em sua direção. " Que inferno... "
Disse ele e em silêncio fechou os olhos e os abriu no momento em que o lobo se aproximou, atirou, o som do tiro ecoou por toda a estação como um estalo. A bala atingira o peito do lobo de forma certeira, e rápida fazendo com que morresse antes mesmo de voltar a sua forma humana.
"! Eu sinto muito... " Disse enquanto o lobo voltava a sua forma humana. Reparou que não passavam de jovens com idade entre 16 e 20 anos.
Sempre matara os infratores, mais aqueles garotos não tinham culpa de estarem lutando. Se quer tinham a consciência de estarem sendo controlados por um feitiço. Fez uma oração silenciosa e encarou a mulher.
" Cães inúteis. " Gritou a bruxa, deu um passo à frente e fez surgir de suas mãos outra bola de fogo. " Eu mesma posso acabar com você caçador... Morrar. "
" Você pagará por seus pecados bruxa... "
Quando ela lançou a bola de fogo, ele desviou e antes que ela pudesse reagir ele atirou, o tiro atingiu sua testa e ela gritou, as pernas ficaram bambas e ela caiu de joelhos.
" Quem me quer morto e por que querem uma bruxa branca?" Perguntou ele mais ela não respondeu apenas sorriu antes cair pro lado. " responda... "
" Ele está chegando caçador e em breve você e a humanidade irão cair. " Disse a bruxa, o corpo começando a queimar. " Durma de olhos abertos ... "
" Por que? " Perguntou ele e se abaixou próximo à ela. Só agora havia percebido que a garota parecia agradecida por está morrendo.
Uma linha fina e negra começou a desaparecer aos poucos em sua mão e ela suspirou, um sorriso tranquilo e belo se destacando em seu rosto.
Ela não era uma bruxa negra como as outras, era uma bruxa branca, e a julgar pela marca amaldiçoada que desaparecera em sua mão, tinha sido induzida a se tornar uma bruxa negra.
Se perguntou quem havia feito aquilo, pra quem ela trabalhava e o que seria o tal culto ao qual ela se referia.
Se estariam atrás da bruxa branca que ele procurava. Sabia que a garota estava fugindo, que alguém a queria morta e que ela poderia retirar sua maldição, mais não imagina os perigos que o cercavam.
" Feche os olhos e ousa... Escute a canção. " Sussurrou ela e sentiu um arrepio. " Audi, quod eerrantscreaming ... Non est clamor in damnum intulerat. * "
Um raio caiu do lado de fora provocando um barulho forte e estridente, por um momento ele pensou per ouvido passos, mais na frente era a voz da jovem feiticeira sussurrando uma espécie de canção.
" Quem é você e quem me quer morto. " Perguntou ele e ela fechou os olhos antes de sorrir. " Ei responda... "
" Obrigado... Por me libertar, espero que seu destino se concerte caçador, sua maldição, ela o protege, mas você a odeia, ame isso, quem a colocou em você... Fez por amor... "
Começou ela, mais não terminou, o fogo negro a consumira até as cinzas, preocupado e ferido ele soltou a respiração ofegante e tremeu, tinha mais inimigos do que pensava, e precisaria tomar cuidado dali em diante. Se perguntou o que ela queria dizer com clamor dos injustiçados, e por que havia se submetido as trevas. Com a morte, era como se houvesse se libertado de uma prisão, por isso o agradecerá, confuso ele olhou pro alto e inspirou profundamente.
" Droga... "
Sussurrou ele e pegou sua adaga que ela deixara cair, caminhou até uma pilastra e se encostou, as costas deslizando pelo concreto sujo e desgastado.
Precisava descobrir o que ou quem estava por trás daquela cilada, quem o queria morto, e acima de tudo precisava encontrar a bruxa branca que Sabiny vira em sua missão.
Em silêncio e sozinho ele guardou sua arma e apertou o cabo da adaga, precisava recuperar suas forças e voltar a missão. Mesmo um imortal como ele precisava descansar.
Despertou pelo barulho de passos lentos vindo em sua direção e abriu os olhos, por um momento pensou que fosse James, mais quando olhou na direção dos passos, observou uma jovem encarando-o confusa e assustada, então o mundo a sua volta pareceu girar, sua visão estava turva, ouviu uma voz chama-lo e seu coração acelerou.
Já havia ouvido aquela voz antes, em um passado remoto, quando ele era apenas um lenhador, quando ele era humano, tinha ouvido aquela voz doce e aveludada antes no passado. Antes das tragédias e antes da escuridão o dominar.
Antes de queimar quem amava. Evelyn...
" Eve... " Sussurrou ele, abriu os olhos e tremeu ao encarar a jovem a sua frente. " Você... Ainda bem que eu a encontrei... Evelyn, me perdoe...
" Vai ficar tudo bem... John... "
" Eve... Você voltou, me perdoe, me desculpe.
" Meu nome é Mira. Não sei quem é Eve. "
Foi tudo o que conseguiu ouvir antes de algo quente tocar seu rosto, o mundo a sua volta parecia parar enquanto o rosto da jovem se tornava cada vez mais distante, fechou os olhos e se deixou levar pela escuridão.
" Ficara tudo bem. "
🔮🔮🔮🔮🔮
Observando a cena onde uma bruxa branca tentava erguer um caçador desacordado e ferido, Klaus jogou fora seu cigarro e soprou a fumaça acumulada em seus pulmões.
Sorriu malicioso e se movimentou na escuridão em silêncio, tinha visto sua amiga de infância perecer diante do caçador, e iria se vingar, tinha planejado atacar o caçador enquanto ele descansava mais seria vencido pela bruxa branca, que ao que parecia, era inocente no meio de todo aquele conflito. Embora fosse um feiticeiro, aquela bruxa carregava consigo algo que poderia destruí-lo, o selo de um demônio em suas costas.
Seu pai era um dos Reis do inferno. Era o Selo de Alastor. Por isso, somente por isso não iria atacar.
Se atacasse ou morreria ou seria enfeitiçado pela feiticeira. Por isso resolveu esperar o momento certo para por sua vingança em ação.
" Em breve caçador você pagará por seus crimes. "
Disse ele e sorriu malicioso ao se virar e sair, a escuridão escondendo sua face negra e sombria. Em breve seria ele a derrotar o caçador mais procurado pelo submundo
" Eu juro.... "
Continua....
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