Capítulo único
Na estrada, Nolan conseguiu listar tudo que fazia falta desde que havia ido embora de sua cidade natal. A casa cheia, as risadas que preenchiam os cômodos e pareciam nunca se esvair. O cheiro de biscoitos sendo queimados a cada vez que seu pai tentava cozinhar, isso se repetiu por muitos anos até ele ser oficialmente expulso da cozinha. Soltou uma risada ao se lembrar da placa que sua mãe havia colocado na porta que dava para a cozinha, com o rosto de seu pai e um símbolo vermelho de proibido. Sua mãe, ele sentia falta dela. Suas mãos quentes, seu sorriso acolhedor, até mesmo sua voz ficando fina quando ela gritava demais ao passar uma bronca para ele.
Quando a neve começou a cair, se lembrou o porquê de ter ido embora. Seus irmãos amavam fazer bolas de neve e tacar uns nos outros, mas particularmente ele sempre odiou a neve. Odiava o frio. Ele ainda estava longe da casa de sua família, a tempestade caindo quando seu carro resolveu morrer. Detestou mais ainda o frio, e se questionou porque não continuou na praia ao invés de sair numa viagem para visitar sua família.
Mandando palavras de ódio ao universo e a Elsa (representação mais próxima que achou de uma criatura com poderes de gelo), ele saiu do carro. Apertou as roupas de frio ao seu corpo e caminhou desajeitado rumo a uma mercearia próxima. Era complicado andar na neve sem os sapatos adequados, ele deve ter demorado cerca de trinta minutos para chegar à porta do estabelecimento, que despertou um pequeno sino quando aberta.
Nolan olhou ao redor. As paredes estavam pintadas em tom pastel, as prateleiras exibiam as mercadorias por ordem de cor. As mais alegres ficavam na frente, enquanto as mais tristes se encolhiam ao fundo. Não parecia ser uma organização que facilitaria a busca por algum produto, a prova disso era maionese do lado de um creme de barbear. Soava música de algum lugar que Nolan não se esforçou para descobrir, para ele, o mais importante era que ali era quentinho. Considerou a ideia de usar a mercearia como seu refúgio do temporal que fazia do lado de fora.
— Você parece um pato despenado. — uma voz soou, divertida.
Ele buscou e encontrou uma garota inclinada sobre o que deveria ser o caixa. Ela tinha cabelo colorido, rosa e roxo em uma luta por espaço em seus belos cachos. Seu olhar foi para a toca que usava, era um sapo sorridente.
— Está todo se tremendo. A neve te pegou desprevenido?
— Meu carro não gosta de neve. Morreu.
— Qual o seu destino?
— Calipto. — ela fez careta. — Estou indo visitar meus pais. Tem telefone com crédito ai? Preciso acionar o seguro e o meu celular descarregou.
Ela puxou um e balançou no ar.
— Sua salvação. — Nolan pegou e resmungou um obrigado. — Gostaria de umas botas para neve? Entraram na promoção agora mesmo. Meu chefe sempre diz pra eu fazer promoção de alguma coisa quando entrar algum turista, "arranque dinheiro desses abestados". — sorriu alegremente. — Você claramente precisa de botas. E de uma roupa de frio melhor.
Nolan a olhou, o cenho franzido.
— Sou Abby. Abby Stone.
— Nolan. — se apresentou rapidamente enquanto clicava para ligar.
Abby começou uma cantoria animada sobre as mercadorias que tinha na loja enquanto ele tentava se concentrar na negociação e descobria que só conseguiria sair dali no dia seguinte. Ele fechou a ligação e Abby continuou a cantar por mais dois minutos.
— E pra finalizar, o milho para canjica tá do lado do feijão.
— Bela canção. — ironizou.
— Sou a funcionária do mês. — exibiu. — A canção te convenceu a comprar um de nossos produtos?
— Me deu vontade de ir para o inferno.
Ela levou a mão ao peito.
— Magoou. Não gostaria mesmo de levar sequer um presente?
— Adianta eu dizer que não?
— Tem dez músicas chicletes sobre mercadorias no meu repertório.
Nolan deu uma olhada na prateleira. Seu olhar caiu sobre uma caixa de bombons que ele sabia que sua irmã amaria, e seria uma forma de se livrar das torturas. Olhou para Abby e suspirou, pegando o doce e levando ao caixa.
— Obrigada, senhor. — brincou, passando o produto. — Cinco e setenta. Se entendi bem, tá preso aqui?
— Até amanhã às 10. — entregou o dinheiro.
— Tem lugar para ficar?
— Na verdade, não. Vai me dizer que vocês também hospedam pessoas por um preço acessível?
Abby riu. Ela tinha uma risada escandalosa, mas ainda assim linda.
— E vejam só, o turista tem senso de humor. — piscou, divertida. — Sabe, sou uma garota com um chalé aqui perto que não quer ficar sozinha por uma noite inteira, já que a minha irmã saiu pra ir ver o namorado. Eu tenho medo que um homem invada minha casa, me estupre e me assassine durante esse tempo. — Nolan inclinou a cabeça, confuso. — E você é um cara que precisa de um lugar para ficar, então…
— Está me dizendo que está com medo de ser atacada, mas está convidando um estranho pra ir passar uma noite com você?
— Você não parece um criminoso. Ou pretende me sequestrar e vender meus órgãos?
Nolan quis passar um sermão sobre como não existia "cara de criminoso", e como Abby deveria tomar cuidado e não confiar em qualquer um, mas não queria parecer um pai dando bronca a filha por aceitar o doce de um estranho. E ele não precisava de um lugar para dormir à noite? Pensou sobre como dormir no carro não seria muito agradável.
— Não deveria ser eu a ficar com medo de ser sequestrado por você?
Abby estendeu a mão.
— Não me sequestre e nem me ataque, que eu não te sequestro e nem te ataco. É o nosso trato.
Estranha, sua mente gritou. Nolan apertou a mão dela.
— Trato feito.
**************************
A noite chegou e Nolan se sentia cansado de falar. Ele não julgou que fosse possível. Abby era extremamente tagarela, sempre tinha um assunto e não aceitava silêncio por parte dele. Em algum momento, ele se viu falando sobre poças de lama serem atrativas, ou não.
Ela só parava quando entrava algum cliente — o que era raro —, era quando sentia necessidade de desviar toda sua alegria para atender. Nolan parou para analisar como Abby parecia amar o emprego, e cutucou o olho do sapo sorridente.
— Minha toca não é incrível? — perguntou.
— Por que um sapo?
— Porque é inovador. Sapo feliz!
Abby pareceu bater um recorde de 10 minutos de silêncio enquanto fechava a loja. Ela recusou todas às vezes que Nolan ofereceu ajuda, até mesmo chegou a expulsá-lo para fora. Ele ficou observando os flocos de neve caindo, tentando contar, até ela sair com os sapatos adequados para a neve.
Nolan olhou. As luzes da mercearia estavam desligadas, e uma placa de "fechado" era exibida contra o vidro da porta. Abby estendeu as botas.
— Espero que sejam do seu tamanho. — resmungou enquanto ele as calçava e via que cabia perfeitamente.
— Está me obrigando a comprar as botas, não é?
— Sim. — sorriu. — A promoção ainda vale. Brincadeira. Não vai precisar pagar por elas.
Se pôs a caminhar e Nolan a seguiu, se locomovendo muito melhor do que quando chegara. Infelizmente, Abby e Nolan tinham conceitos de perto muito diferentes. Seus pés estavam gritando quando Abby anunciou que haviam chegado e saltitou até a porta, a destrancando e abrindo as luzes lá dentro.
— Seja bem-vindo a minha linda casa, Nolan.
Nolan entrou sendo agraciado mais uma vez pelo quentinho tocando sua pele. Suspirou, então olhou ao redor. Havia um sofá branco que parecia extremamente confortável, uma mesinha de madeira com umas flores de plástico como enfeite. Uma TV pequena e antiga estava em cima de um raque também de madeira. Havia fotografias ao lado do eletrodoméstico, fotos de Abby e de uma garota que Nolan supôs ser a irmã da garota.
No canto havia uma cabana improvisada de lençóis. Almofadas estavam espalhadas lá dentro e havia uma confusão de pisca-pisca. Um simples balcão separava a sala da cozinha, onde Nolan conseguiu ver brevemente uma mesa de vidro que não parecia ser utilizada de frente para a geladeira. Abby foi até lá e abriu, parecendo pensar no que pegaria para comer. Não parecendo ver algo que lhe agradasse, fechou a porta e foi rumo ao armário. Era pequeno, mas tinha espaço suficiente para o uso das moradoras. O fogão estava no centro.
Uma escada levava para cima, Noah supôs que ali ficasse os quartos e o banheiro.
— Quer um chocolate quente? Podemos tomar com uns biscoitos. Não quero cozinhar e dentro da geladeira só tem coisa saudável. Dá pra acreditar que minha irmã não aceita sequer um docinho dentro dessa casa? Fitness chata, até os biscoitos são estranhos e o leite é vegetal. — fez careta.
Nolan só conseguiu rir, então se sentou no sofá. Normalmente ficaria constrangido só de entrar na casa de alguém, mas todo aquele ambiente transmitia paz, Abby transmitia tanta paz e conforto que sentar parecia certo.
Ele observou Abby. Ela conseguia se mover com graciosidade ao mesmo que era atrapalhada. Estava constantemente derrubando algo, ou colocando em cima de uma superfície e se esquecendo totalmente de onde havia deixado, o que fazia ela girar em torno de si e correr desesperada em busca. Nesse processo, ela quase queimou a bebida. Nolan se perguntou se não estava cometendo um erro ao deixar ela na cozinha, talvez a presença dela lá fosse proibida por sua irmã, como sua mãe havia feito com seu pai, e ele não soubesse.
Abby começou a cantar, usando a colher como microfone imaginário, e então soltou um gritinho ao lembrar do chocolate quente. Felizmente, só faltava colocar a bebida na xícara. Nolan se sentiu aliviado que nenhum desastre catastrófico havia acontecido, Abby parecia compartilhar do mesmo sentimento. Ela colocou os biscoitos em um prato e Nolan se levantou para ajudar a carregar as xícaras para a sala, recebendo um sorriso agradecido. Era uma cena estranhamente familiar, pensou ao se sentar no sofá, de frente para Abby e tomar um gole do chocolate quente. O líquido desceu quente por sua garganta.
— Então, sou ou não a rainha do chocolate quente? — seu rosto demonstrava expectativa e ansiosidade.
Nolan achou fofo.
— Está bom. — ela sorriu animada, erguendo as mãos para cima em comemoração e quase derrubando a bebida.
— Rainha do chocolate quente! — mordeu um biscoito. — Quer assistir TV? Se tiver sorte, ela pode pegar após algumas pancadas. Temos que trocar ela urgentemente por uma nova, mas é lembrança do meu tio e eu e minha irmã amamos não saber se conseguiremos assistir, ou não televisão. Podemos jogar baralho também.
A cabeça de Nolan se animou com a menção ao baralho.
— Descobrirá que eu sou o rei do baralho, senhorita.
Aquilo foi o suficiente para que Abby se levantasse, abandonando a xícara na mesinha e corresse para pegar o jogo. Quando voltou, arrastou consigo almofadas e espalhou no chão.
— Vem, vamos sentar aqui, fica melhor.
Nolan desceu do sofá e foi para o chão, se sentando confortavelmente sobre uma almofada. Abby espalhou as cartas pela mesa, tomando cuidado para deixar o espaço para as xícaras e o prato de biscoitos. O olhou desafiadora.
— Vamos ver se é bom mesmo.
— Claro que sou, para sua informação, venci de toda minha família no baralho.
Fez sua jogada. Abby dirigiu um rápido olhar para ele antes de voltar sua atenção para as cartas.
— É grande? Sua família?
— Eu, meu pai, minha mãe, cinco irmãos e três tios e tias. E você? Tem apenas sua irmã, ou tem mais alguém? Mencionou um tio. — Abby afirmou com um balançar de cabeça.
— Apenas eu e minha irmã, não temos muito contato com nossa família desde que nos mudamos para cá, mas sem nenhum atrito entre a gente. É proibido treta na família Stone, exceto se for em grupo de WhatsApp e não houver ressentimento. Temos poucos amigos por aqui. Às vezes eu sinto falta deles, assim como suponho que sinta falta da sua? Foi por eles que veio para cá, não é?
— É, exatamente.
Abby colocou o cotovelo na mesa e apoiou a cabeça em sua mão, sorrindo convencidamente.
— Venci.
Nolan olhou surpreso para a mesa.
— Quero revanche.
E assim se seguiu por parte da noite. Abby estava sempre ganhando, e Nolan sempre pedia por revanche. Ele começou a desconfiar que ela sempre o distraia fazendo perguntas, deixando ele falar e depois falando mais, tirando toda sua atenção do jogo. Até aquele momento, xícaras e mais xícaras de chocolate quente já haviam sido tomadas e eles tinham quase acabado com o estoque de biscoitos.
— Mais uma partida.
— Quando vai aceitar que Nolan Steven Espinoza é um perdedor? — ele estreitou os olhos e espalhou as cartas.
— Nem na minha morte.
Dessa vez, ele não respondeu às perguntas de Abby, apenas jogou e ignorou suas tentativas de distração. Ele flagrou o momento em que ela escondeu uma carta e gritou.
— EU SABIA! Estava roubando esse tempo todo.
— Cadê as provas? Quero meu advogado!
— Adivinha só? Para o seu crime não tem advogado. Terá que reconhecer que Nolan Steven Espinoza é o melhor jogador de baralho que você já conheceu.
— Ah! Nem a pau. Eu quero meus direitos!
— Perdeu eles quando me enganou. — Abby riu.
— Você levou tanto tempo para perceber. É meio lerdinho, não é Nolan?
Mesmo com Abby tendo roubado na cara dura e agora estar o zoando, Nolan não conseguia se sentir irritado com a garota de cabelo colorido. Parecia apenas o jeito Abby de ser, e ele se sentia estranhamente leve e feliz.
Se levantou e foi até onde ela estava, começando a fazer cócegas e arrancando risadas escandalosas dela.
— Assuma que eu sou um ótimo jogador e eu paro com a tortura, Stone.
Mas Abby estava determinada a não dar vitória para Nolan, o que fez as cócegas durarem quase um minuto até ela desistir e gritar que ele era o vencedor. Nolan se afastou, feliz.
— Obrigado por reconhecer meu talento.
— V-vai pro inferno, Nolan. O meu cabelo. — resmungou enquanto se levantava e tentava ajeitar a bagunça que seus cachos tinham se formado.
— Vou me gabar ao diabo que Abby Stone me reconheceu como o melhor jogador de baralho. Aliás, amei o penteado. Super inovador.
Abby avançou para cima dele, o estapeando. Nolan segurou suas mãos contra seu peito.
— Dance comigo em comemoração ao meu título. O mundo deve celebrar o rei do baralho e a rainha do chocolate quente. — aquilo arrancou de Abby outra risada.
— Sim, eles deviam. — se soltou do aperto de Nolan, puxando o celular que tava jogado no sofá. — Vamos tirar uma foto para marcar o início do nosso reinado.
Ela fez pose e ajeitou o celular, Nolan se colocou atrás dela e a foto foi batida. Mais tarde Abby postaria a foto em suas redes sociais com a legenda "saúdem o rei e a rainha", mas agora ela estava ocupada sendo arrastada para uma dança animada e desajeitada, com muitas pisadas em pés, esbarros em móveis e risos. Eles eram o rei do baralho e rainha do chocolate quente, afinal, não da dança linda e bem feita.
Após giros e mais giros, Abby arrastou Nolan para a cabana e ambos se deitaram, lado a lado, ainda rindo e tentando regular a respiração. Ele afastou gentilmente as mechas que caiam sobre o rosto de Abby.
— Qual é a de tanto pisca-pisca?
— Eu queria fazer algo bonitinho e digno de uma aesthetic. — deu de ombros, se aconchegando em seu peito. — E não diga que não acha a cor bonita.
— É lindo, realmente lindo.
Abby começou a rir e Nolan a seguiu. Qualquer um que visse a cena os achariam loucos por estarem rindo tanto sem ter um motivo, mas tudo que importava para eles era o bem que aquele ato trazia. A felicidade, o conforto, como se eles se conhecessem a vida toda, coisa que ambos não lembravam de já ter sentido com alguém na vida.
Eles adormeceram entre risos e conversas tão baixas quanto sussurros, não se importando em arrumar a bagunça que haviam feito, poderiam lidar com aquilo ao amanhecer.
*****************************
Nolan recebeu a notícia que estava livre para retornar a viagem com menos animação do que esperava. Havia gostado de estar com Abby, sabia que se a deixasse agora, não receberia notícias sobre ela tão cedo.
Se lembrou de quando acordou, o corpo quente de Abby agarrado ao seu, uma confusão de cachos sobre seu rosto babado. Inicialmente ele se sentiu confuso, principalmente com o cheiro de café vindo da cozinha. Não demorou muito para que ele relembrasse da noite e observasse Abby soltando pequenos roncos, ao mesmo que babava ainda mais em sua blusa.
— Isso é fofo. — uma voz falou da cozinha, então Nolan lembrou do café.
Quem estaria fazendo café se só tinha ele e Abby na casa, e ambos estavam dormindo? Se levantou e viu uma menina pouco mais velha que Abby, os cachos eram mais grossos e seu cabelo era escuro. Ela ofereceu uma xícara cheia de café.
— Olá bonitão desconhecido. Sou Alison, irmã mais velha da garota ali na cabana.
Nolan se lembrou de ter visto ela nas fotos. Sorriu, sentindo-se embaraçado com a situação. Observou que ela arrumou a bagunça que eles fizeram na noite anterior e por um instante sentiu culpa.
— Sou Nolan.
— É o namorado dela? — engasgou e começou a tossir. — Que foi? Chego em casa e vejo minha irmã agarrada a um garoto estranho e bonitão, babando e com o cabelo todo bagunçado…
— Eu adoraria se você parasse de usar a palavra bonitão.
— Mas você é realmente lindo. Não estou dando em cima de você, tenho namorado.
— Abby e eu nos conhecemos ontem. — disse, ignorando a fala anterior.
Ele explicou toda a situação, Alison reagiu com um simples "hm" e olhou para onde a irmã se remexia após ter acordado.
Ao se levantar, Stone agiu como se fosse só um dia normal em sua vida. Eles tomaram café juntos, então Nolan foi com ela para a loja. A neve cessara, mas as ruas ainda eram frios lençóis brancos e vazios.
Era por volta de duas da tarde quando consertaram o carro e Nolan ficou livre para partir. Ele ignorou seu coração pedindo para ficar só mais um pouco e foi se despedir de Abby.
— Espero que seu carro não morra novamente, dessa vez eu não vou estar lá para te salvar.
Ela cruzou os braços, olhando para o carro. Estavam do lado de fora da loja, as bochechas de Abby estavam avermelhadas. Luvas esquentavam suas mãos descansadas no bolso de seu casaco.
— Estarei nas mãos de desconhecidos? Assustador.
Ela sorriu.
— Não vamos nos ver novamente, né? Vou colocar seu nome na minha filha pra lembrar de você. — brincou.
— Extremamente clichê e bizarro, turista! — ela o deu um empurrão de leve, rindo. Não demorou para que seriedade tomasse conta de seu rosto e ela se aproximasse mais. — Não vai se livrar de mim tão fácil, Espinoza. Quando menos esperar, aparecerei em sua vida novamente. Até lá… — sua mão saiu do refúgio do bolso para segurar a nuca de Nolan.
Abby puxou levemente um dos fios localizados ali, então aproximou seus rostos o suficiente para que pudesse beijá-lo. Quando Nolan a puxou para perto, foi como o calor o possuindo no frio. Ele resmungou de prazer com aquilo, então ela o soltou.
— Até lá você não pode me dizer tchau. — terminou, então se virou e correu para dentro da mercearia, deixando para trás apenas uma lembrança do que havia acontecido.
Nolan foi para o carro. Quando suas mãos tocaram o volante, ele resolveu que acreditaria na promessa feita a poucos minutos atrás. Era Abby Stone, afinal. Ele podia esperar tudo vindo dela e não duvidava que fosse mesmo surgir em sua vida, como havia dito. Deu partida e dirigiu para a casa de sua família, com a fala de Abby em sua mente.
Até lá, não me dê tchau. Você não pode me dizer tchau.
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