Prólogo

15 de agosto de 2002

— Hoje em dia esses meninos vivem viciados nesses aparelhos.

Dizia minha vó pela décima vez naquele feriado de quinze de agosto*. Toda a família estava na minha casa. Meus pais, tios e primos meus que moravam longe e naquele feriado vieram visitar meus avós e eu, aqui na fazenda. Eu prestava atenção no que minha vó referia tantas e tantas vezes, os telefones nas mãos dos meus primos e meus oppas¹. Eu não sabia bem o que era aqueles objetos que tinha uma tela brilhante, nunca os vi aqui na fazenda, para mim eles pareciam minis TVs.

Eu acanhada, não desgrudava dos meus pais. Mas acho que estava atracada a eles mais pela falta que eles faziam. Eles sempre tinham que ir para Busan ou Seul vender batatinhas e tomates, alguns outros legumes e frutas da nossa fazenda para essas cidades. Era o que meus avós diziam para mim.

"Eles foram atrás de dinheiro minha filha!"

Disse meu avô e minha avó o olhava com olhar de desgosto. Eu não prestei muita atenção nisso, só na falta que meus pais faziam. Eles estavam ali agora, e eu aproveitaria cada momento, antes que o sol desapareça assim como meus pais, retornando para casa deles na cidade.

— A tecnologia vêm evoluindo muito. – meu pai falou e ele parecia cansado.

Com meus braços envolvidos na cintura da minha mãe, vi de relance um dos meus primos brincarem com os telefones cheio de botões e uma mini televisãozinha, em cima dela tinha algo escrito, eram letras? Mas não pareciam letras que havia aprendido na escola na cidade, Daegu.

Nokia

— Que desenho é aquele, mãe? – Perguntei a minha mãe que afagara meus cabelos e deixara de prestar atenção no que meus tios diziam, dando a atenção a mim.

— São letras romanas.

— Letras romanas? Mas eu não as aprendi na escola.

— Não? Logo logo irá aprender-las.

Eu olhava vidrada no telefone que um dos meus primos tinha em mãos.

— Olha quem chegou!

Falou minha vó que logo se levantou, olhando para porta. Eu que mantinha os olhos no telemóvel, os lavantei em direção a porta e vi uma mulher segurando a mão de um homem, uma senhora velhinha como minha avó e um menino um pouco mais alto que eu estava logo atrás deles. A senhora eu conhecia. Ela sempre vinha para nossa casa, e eu amava ouvir as histórias dela de quando era jovem, a sra. Kim era como a minha segunda harabeoji. A sra. Kim Era amiga da minha avó, seu nome era Kim Chungyu.

Eles entraram na casa e minha vó abraçou eles e quando foi a vez do garoto, ela apertou as bochechas do menino, assim como fazia comigo quando fazia bico insatisfeita com algo, vovó apertava minhas bochechas dizendo que eu era fofinha com cara de chateada.

O casal e o garoto veio em direção dos meus pais que estava ao meu lado enquanto a senhora Kim Chungyu foi falar com meus avós. Eu observava o garoto a minha frente e ele tinha as bochechas rosadas ao perceber que eu estava o observando.

— Tudo bem, Hyejoo? – Minha mãe disse para a outra mulher e a mesma assentiu com um sorriso. Eu e o menino nos encaravámos em silêncio ouvindo nossos pais dizer quanto tempo não os via.

— E quem é esse garoto lindo? – Perguntou minha mãe acariciando os cabelos castanhos do garoto a minha frente.

— Esse é Kim Taehyung. Meu filho que lhe disse no e-mail, Jiseo.

— Ah sim!... Prazer Kim Taehyung. – Minha mãe estendeu as duas mãos ao garoto a minha frente e o mesmo as pegou se curvando*.

— Eunji, por quê não brinca com Taehyung enquanto eu converso com os pais deles. – Minha mãe falou e eu assenti olhando o acastanhado.


☆ ☆ ☆


Eu olhava as estrelas brilhantes no céu escuro com curiosidade. Estávamos um pouco afastado de casa, perto de várias tulipas amarelas. Sentados na grama que cheirava a terra molhada, eu e Kim Taehyung olhavámos as estrelas ao redor da lua reluzente depois de brincar bastante em volta das tulipas.

Naquele momento lembrei da história que meu avô tinha me dito:

"As estrelas são todas as pessoas que foram boas na terra, pessoas que depois de viver bastante o Deus da lua os levam para o céu onde viraram estrelas brilhantes, e assim nunca serão esquecidas. Mas quando as pessoas na terra fazem malcriação, o Deus da Lua levam elas para o céu perdido, onde só escuridão reina."

O vento balançou meus cabelos lisos, um vento frio e comecei a chorar. Estava com bastante medo.

— Por que você está chorando? – Taehyung me perguntou confuso e eu o olhei com os olhinhos cheios de lágrimas.

— Mi-mi-minh... Min-

— Minha o quê? – Taehyung parecia preocupado, meio confuso e bastante curioso do motivo do meu choro repentino.

Contei sobre o quê meu avô falou para mim e ele me olhava sem expressão.

— Tá, você está chorando por isso? – Taehyung tombou a cabeça para o lado, ainda confuso.

— Eu comi o batom da minha vó, agora o Deus da Lua vai me levar para o céu perdido. – expliquei melhor.

Tae me encarou por alguns segundos.

— Sabe Eunji, eu sou muito bobo, mas não tanto quanto você para acreditar nisso. Deve ser porque você só tem seis anos.

— Eu não sou boba. E você só tem sete anos, é uma criança, não adulto sábio que eu vi no livro de história na escola! – Cruzei meus braços e fiz um bico para ele.

— Você é fofa com raiva. – sorriu para mim e minhas bochechas ficaram quentes.

— Mas e agora, tae-oppa... O Deus da Lua vai me levar.

— Não se preocupe, eu tô aqui.

— Você vai me proteger? – o olhei com a cabeça erguida - por ele ser mais alto que eu - esperançosa, e ele me olhou nos olhos.

— Sim, então não chore.

Limpei minhas lágrimas com o dorso da mão e me deitei na grama.

Voltei a olhar pro céu e senti Tae me olhando ainda e depois olhou para o céu, se deitando na grama. Depois de alguns minutos de silêncio ouvi uma voz ao longe:

— Eunji, Taehyung?!

Eu e Taehyung nos levantamos abruptamente e olhamos para trás.

— Tae-oppa, é o Deus da Lua! – comecei a chorar.

Taehyung me abraçou, ele estava com medo também.

— Eunji! – uma voz feminina vinha mais perto.

— Taehyung! – agora era uma voz masculina.

— Eu conheço essa voz... – Tae falou para mim, e então me soltou.

Eu o agarrei de novo, estava com medo. Ele não se afastou de mim novamente.

— Eu acho que é meu-

— Taehyung!

Olhamos nossos pais vindo em nossa direção.

— Taehyung, você me deixou preocupado! – Disse a pai do Tae.

— Desculpa, appa².

— E você Eunji, eu já disse que não quero você aqui sozinha. – Disse agora minha mãe junto com meu appa.

— Desculpa, omma³.

Me soltei de Taehyung e fui abraçar meus pais assim como Tae abraçou os dele.

— Você tá chorando, querida? – Meu appa perguntou preocupado.


☆ ☆ ☆


Minha mãe olhava para meu avô irritada. Estávamos na sala e todos olhavam para minha mãe e meu avô, que discutiam.

— Eu já disse para não contar histórias que possam a assustar. – minha mãe falou para meu avô.

— Ela mergulhou meu sapato na comida dos porcos, ela tem que aprender a ser obediente. – meu avô se defendeu.

— O importante é que os dois estão bem. – minha vó tentou parar a discussão.

— Bem, já vamos, gente. – falou o pai de Tae.

— Já? – falei olhando para eles e depois para Tae que estava ao meu lado.

A mãe de Tae veio em direção a mim e Tae-oppa. Ela se agachou, ficando da nossa altura.

— Não se preocupe, mocinha. Minha mãe vai vim amanhã falar com sua vó e Taehyung vem junto.

— Sério?! – eu e Tae falamos ao mesmo tempo.

— Sério. Né, mãe? – a vó de Tae assentiu.

Meus primos e tios se despediram de nós e entraram numa carro enquanto meus pais na caminhonete marrom deles. Tae e sua família entraram numa caminhonete vermelha. Os três carros se afastavam com as bandeirinhas da Coréia perto do retrovisor balançando com vento e Tae acenava, se despedindo. Eu acenei de volta.

— Te vejo amanhã, Tae-oppa!!!

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15 de agosto*: Dia da independência da Coréia do Sul.

Se Curvar*: Na Coréia, se curvar para os mais velhos(ou alguém superior) é um costume/ato de respeito, e também é uma referência/ato de educação. E também os primeiros a se curvar são os mais novos.

Oppa¹: Como garotas se referem a garotos (com a permissão do garoto), irmãos, amigos, namorados mais velhos

Appa²; Pai. Usado informalmente.

Omma³: Mãe. Usado informalmente.

Harabeoji⁴: avó.

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Olá queridos, tudo bem?

Nara in your area, fazendo essa estória com muito amor para vocês ♥

Espero realmente que vocês tenham gostado, e no próximo capítulo os dois estarão adultos.

Beijos e até o primeiro capítulo!

Koreansquadx is the revolution!

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