CAP.05 - Cumpra a promessa, Eunji

KIM TAEHYUNG

☆ ☆ ☆

Medo e insegurança corriam dentro de mim, em uma Babilônia de sentimentos querendo seu reinado sobre meu controle emocional. Fazia tempo que eu não me sentia assim; esses sentimentos tão fortes que me deixava atordoado, fazendo meu pé mexer freneticamente sob a mesa do café da manhã.

Não era a primeira vez naquele mês que eu me sentia assim, desde que a carta de aprovado na escola de Seul chegou aqui no vilarejo que esses sentimentos me assombravam; e a cada dia eles aumentavam gradativamente, até chegar ao auge da minha sanidade quando Kim Jongin chegou na fazenda.

Tá, eu posso estar sendo um pouco dramático, mas eu me sentia quase assim.

Jongin lançava um sorriso pateticamente amigável à minha avó depois de ter elogiado a comida dela. E agora, conversava sobre a faculdade de direito que planejava fazer, roubando sorrisos orgulhosos do meu avô. Isso me irritava. Ele era gentil demais, amigável demais, carismático demais... Ele não tinha sequer uma mísera de defeito, mas que droga!

Eu nunca achei Jongin intrigante, éramos bons amigos até, quer dizer, irmãos, na verdade. Ele sempre gostou de passar as férias escolares aqui na fazenda desde criança, mas tudo mudou quando ele chegou aqui no vilarejo, com um olhar ansioso direcionado a mim dizendo que queria conversar comigo, o que me estranhou. E quando eu ouvi o que ele tinha a dizer, almejei-me nunca ter ouvido aquelas palavras de Jongin.

"Eu acho que amo a Eunji, não como amigo, e sim como homem e mulher."

Como assim "eu acho"?

"Você acha que eu tenho chance?"

Eu juro que em respeito às galinhas do galinheiro em que estávamos quando ele me disse aquela maldita frase, eu não pulei no colarinho daquele imbecil e o ameacei a nem sequer pensar em chegar perto da Eunji-yah*.

Sim, a respeito das galinhas e não de temer os músculos grandes de Jongin.

Desde quando aquele idiota começou a malhar?

Aish¹ – resmunguei preocupado com Eunji. Eu não podia deixar um traidor tirar ela de mim.

— O que foi, winter bear²? – Jongin me perguntou e eu automaticamente o lancei um olhar de poucos amigos.

— Eu já pedi pra você não me chamar assim de novo. – Disse sério.

— Por que? Só o sr. e a sra. Kim podem te chamar assim? – Ele deu um sorriso sacana e eu afirmei com a cabeça, terminando meu café da manhã.

Aigoo³, pensei que fossemos íntimos o bastante para isso. – Disse ele com um tom magoado.

Depois de lavar a louça do café da manhã junto com Kai - pois ele insistiu tanto em me ajudar e então eu cedi - fui para o meu quarto e fechei a porta, o que não era o usual. Aquela manhã eu provavelmente iria ajudar minha avó com afazeres domésticos e logo após iria para fazenda vizinha, a dos Choi, "perturbar a paz de Eunji" e levar apertos nas minhas bochechas da sra. Choi. Porém eu estava com o coração aflito e atordoado, sem saber o que fazer. Apenas a espera de Kai se confessar para Eunji, o que provavelmente seria hoje, pois a lembrança de Kai pegando no pulso de Eunji e logo após falar que no dia seguinte precisava falar com ela e que era algo importante.

Minha perna mexia freneticamente e aquilo não estava me ajudando nem um pouco com a minha ansiedade.

Eu estava claramente descontente e minha vó percebia obviamente meu comportamento estranho; e eu sorria dizendo que apenas estava cansado, o que era mentira até certo ponto. Eu não estava cansado fisicamente e sim de me questionar se Eunji aceitaria a confissão de Kai e de imaginar momentos doces e melosos que veria deles dois, enquanto eu ficaria de vela. Eu não queria que aquilo acontecesse, então peguei meu casaco e corri da casa afora. Ouvi o brado de minha avó, que perguntava aonde eu iria.

Salvar minha Eunji.

Respondi mentalmente, partindo pela estrada de areia.

Depois de cinco batidas frenéticas na porta ouvi a mesma ser destrancada, revelando Eunji, que logo abriu espaço ao ver meu estado de euforia no sentido negativo, com o suor escorrendo na minha testa. Ela me olhava confusa enquanto eu me questionava o que falaria pra ela. Será que era melhor alertá-la do que Kai iria dizer, ou perguntar-lhe ocultamente se ela o amava de volta, ou...

— Kim Taehyung! – Eunji elevou a voz me despertando do meu conflito interior. — Você veio correndo? Vem, vou te dar um copo d'água. – Ela disse indo para cozinha e eu acompanhei seus passos ainda com pensamentos conflituosos.

Bebi três copos d'água e Eunji me encarava incrédula, mas logo pareceu não se importar cruzando seus braços. Acho que é porque ela deve realmente acreditar que sou de outro mundo com já me disse outra vez. Quando terminei de ingerir a água que continha no copo ela me perguntou:

— O que houve dessa vez?

— Eunji, eu... Preciso falar com você...

Ela sentou na mesa de frente para mim como se deduzisse que aquela conversa seria longa. Olhei em volta para ver se não vinha alguém.

— Eunji-yah, eu preciso que você me prometa uma coisa...

— Você aprontou alguma coisa, né, Tae-

— Me prometa que não irá me deixar! – A interrompi. Ela me olhou confusa.

— Como assim, Tae? O que hou-

— Taehyung bonitão! – A prima de Eunji a interrompe. A comprimentei e ela de repente me abraçou por trás, o que me encabulou um pouco.

— Não sabia que eram tão íntimos assim. – Eunji disse com uma sobrancelha arqueada.

— Nós somos, né Kim? – Ainda com os braços envolta do meu pescoço ela aproximou seu rosto do meu. Com certeza eu era um verdadeiro tomate de tão vermelho naquele momento. Apenas assenti com um sorriso torto.

Nós éramos?

— Não importa, o que quer dessa vez? – Eunji a questionou, e eu senti o suspiro de Jung-ha perto do meu pescoço.

Porque Eunji-yah estava falando desse jeito com ela?

— Você não vai arrumar o quarto? Eu já acordei.

Eunji levantou indo em direção ao quarto delas e eu me desvencilhei de Jung-Ha e segui Eunji confuso.

— Pensei que a regra aqui era o que o último que acordasse que arrumasse o quarto. – Falei enquanto a vi parar abruptamente de arrumar o quarto, de costas para mim. Eunji se virou para mim com um sorriso atrapalhado.

— Hã... Você se lembra disso... é... faz um tempo que você não dorme aqui, desde que tivemos oito anos?

— Você está mudando de assunto, por quê?

— E-Eu? Você que t-tá. Que promessa é essa de nunca deixar você? É claro que eu não vou – Ela falou se virando de novo, arrumando o criado-mudo.

Porque ela estava agindo assim? Ela não estava nem um pouco afim de falar então voltei a falar o que me aflita.

— Eu só... não quero ficar de lado.

— E por que eu te deixaria de lado? – Ela se virou para mim com o rosto confuso. — Ah, já sei, você tá com medo que eu te deixe só em Seul? Claro que não bobinho. A gente nunca vai se separar, eu prometo. Vai ser tudo como planejamos, só vai demorar um pouco. Enquanto isso, turista Seul toda porque quando eu chegar lá você que vai ser meu guia turístico. – Ela sorriu e eu também. Mas logo meu sorriso se desvaneceu quando escutei Jung-Ha da sala:

— Jongin!

Droga!

— Eunji – Fui até ela e segurei seus ombros, mantendo seu rosto direcionado a mim. Ela corou, então me perguntei se estava sendo exagerado demais. — Você me promete mesmo que nunca vai me deixar?

— É clar-

— Eunji-Yah! – Jongin disse no pé da porta do quarto. Fechei meus olhos com pesar e Eunji correu ao Jongin, o abraçando.

Cumpra a promessa, Eunji, por favor.

________

Aish¹: Usado para demonstrar descontentamento com algo ou alguém.

Winter Bear²: Traduzido do Inglês, significa Uso do Inverno. Na vida real, Taehyung já citou em uma entrevista que era assim que seu avô o chamava.

Aigoo³: Expressão coreana, usada particularmente para demonstrar surpresa. 

*: -Ah/-Yah é sufixo informal usado após o nome de alguma pessoa íntima a você e com, aproximadamente, a mesma idade que a sua. -Ah é utilizado após o nome da pessoa a qual você quer se referir terminar em consoante (Ex.: Jongin-Ah) e, -Yah, quando o nome da pessoa que você quer se referir terminar com uma vogal (Ex.: Eunji-Yah).

________

O que vocês acharam da atitude do Taehyung?

Capítulo pequeno, eu sei, mas eu achei melhor mostrar esse ponto de visão do Tae.

Até o proximo cap.


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