CAP.02 - Sua voz

☆ ☆ ☆


Coloquei meus fones de ouvido que só funcionava em um lado e abri o livro na página marcada com o meu marcador azul ciano. Me ajustei de forma desleixada no acento da caminhonete marrom do meu pai, era tarde e as janelas estavam fechadas deixando a caminhonete um pouco abafado.

Peguei o mini ventilador e liguei-o e o posicionei ele direcionado a mim, em cima do rádio. Coloquei o livro em cima do volante e comecei a ler com a música calma em um dos meus ouvidos.

Tentei me concentrar no romance que eu tanto amava mas era em vão, tudo me direcionava ao dia anterior.

Eu estava feliz e ao mesmo tempo triste. Iria estudar em uma escola mais renomada e consideradas das melhores de Daegu na qual sempre sonhei, escola que dava atenção as artes em gerais mas isso fazia meu sonho se tornar apenas pó se me veria longe de Tae.

Era algo incógnita acordar e não ouvir a voz de Taehyung me dando bom dia e me chamando para não perder o ônibus que nos levaria a escola na cidade. Tae morava em uma fazendo vizinha a nossa naquele vilarejo um pouco desconhecido em Daegu e depois que seus pais compraram a fazenda ao lado era difícil ter dias em que nos vermos separados.

Não sei se conseguirei me habituar em uma nova rotina, sem Taehyung, e eu rezava para que as férias nunca acabassem.

Quando vi estava chorando, as lágrimas deslizava nas minhas bochechas e as enxuguei rapidamente quando alguém bateu na janela onde minha cabeça estava encostada.

— Ji!

— Tae?

Com o susto meu pé tocou forte no acelerador quando me ajustei no acento e a caminhonete começou a andar e eu desesperada, tirei meu livro do volante e tentei parar a droga da caminhonete colocando meu pé no freio sem experiência, entretanto naquela pequena decida para a estrada de terra fez com que o carro tivesse mais velocidade.

Droga!

Ouvi alguém gritar meu nome ao longe e era a voz grave de Tae. Eu gritei seu nome pedindo ajuda, desesperada.

Tirei a droga da chave da ignição e nada do carro parar. Eu não fazia idéia de como parar-lo.

Depois de alguns segundos o carro foi tendo menos velocidade mas ainda rápido e eu agradecia aos céus pela estrada ser em grande parte em uma direção reta e não com muitas voltas, e eu rezava para todos os Deuses da Grécia antiga para que o carro parasse antes da primeira curva.

Os primeiros quilômetros eram em relevo plano todavia na primeira curva era uma decida que iria para um lago. Estava num total desespero e eu não sabia se ele não parava porque eu não sabia nada em como dirigir um automóvel ou se o freio estava com defeito.

Coloquei a chave de ignição de novo e o girei, logo depois do carro fazer um barulho pressionei cada vez mais o freio e nada, nada da caminhonete parar e cada vez mais aquele caminho direto ameaçava seguir outra direção.

— Mas que diabos essa caminhonete não para?! – Gritei chorando. — Eu não quero morrer!

— Eunji!

Olhei para o lado e lá estava Taehyung em cima de um cavalo marrom com branco que reconhecia bem, era do celeiro da fazenda do meu pai.

O cavalo tentava está na mesma velocidade da caminhonete. Os cabelos de Tae voavam e ele me olhava com um olhava com uma feição indescritível alternando seu olhar para a sua frente e para mim.

— Você vai abrir a porta e vai tentar pegar minha mão, estamos muito próximos da primeira curva!

Gritou ele e eu assenti com medo de que não conseguisse criar coragem.

Tae puxou as rédeas e direcionou o cavalo para longe da porta da caminhonete para que não chocasse nele e no cavalo quando eu a abrisse. Abri a porta e olhei desesperada para Tae e com medo do que eu iria fazer se tivesse coragem. Tae me olhou meu rosto e depois para a sua frente, estávamos muito próximos da curva e meu coração parecia querer sair a qualquer momento da minha caixa torácica.

Ele tinha uma mão nas rédeas e a outra estendida para mim, me olhou fixamente como se quisesse me dar coragem com o olhar, e funcionou.

— Você consegue, Eunji! - Kim Taehyung tentou me encorajar ainda mais enquanto eu tentava reorganizar meus pensamentos, colocar coragem envés dos pensamentos negativos.

Eu assenti receosa.

Olhei para frente e a curva chegava mais e mais então pressionei meus olhos fechados e os abri olhando para chave de ignição. Respirei fundo e peguei a mão de Tae. O mesmo me impulsionou me ajudando a subir e desleixada ergui meu pé atrás de Tae e consegui sentar no cavalo.

O animal parou de correr e eu vi a caminhonete descer naquela decida até cair no lago. Eu abracei Tae por trás e afundei meu rosto em suas costas, como se pudesse me fundir suas entranhas, até que a vergonha s o meu não existisse mais no meu ser.

Um carro buzinou ao nosso lado e eu levantei o olhar, Tae direcionou o cavalo para fora da pista antes de sermos atropelados por um carro esportivo que passava depressa.

De quem era aquele carro e porque ele estava indo em direção a minha fazenda?

Me questionei mentalmente mas deixei para lá. Meu coração ainda batia forte e aflito com o ocorrido

Taehyung questionou-me se eu conseguia sair do cavalo e eu o abracei forte por trás em resposta. Eu sabia muito bem descer daquele cavalo. Cavalgar era uma das coisas que eu amava fazer, andar em um cavalo era libertador para mim, mas naquele momento, eu via naquele animal um porto seguro, uma salvação. Também eu não mentiria... eu não queria deixar de abraçar Tae por trás por ora. Depois de mais ou menos um minuto Tae pediu para eu sair do cavalo e eu desci contragosto. Logo em seguida ele desceu do animal.

Eu o abracei forte novamente e via a lataria marrom afundando pelo lago vagarosamente.

— Meu pai vai me matar! – As lágrimas insistiam em cair e eu não conseguia largar o tronco de Tae ainda mais.

— O importante é que você está viva.

Eu ouvia seu coração bater forte e eu afundei ainda mais meu rosto em seu peito se possível.

Kamsahamida¹... Por me salvar. – Minha voz saiu abafada.

Tae afagou meus cabelos - ele estava ofegante - e repousou seu queixo em cima da minha cabeça.

— Eu te salvaria milhões de vezes se fosse preciso Ji, não me agradeça.

☆ ☆ ☆

Taehyung contou tudo para meus pais por mim, porque eu sabia que não teria forças. Ainda estava atordoada, processando o que tinha acabado de acontecer. Eu me sentia a pior filha do mundo.

Depois de me encararem por alguns segundos, meus pais me abraçaram forte. Eu esbugalhei meus olhos, eles não deviam está brigando comigo? Eu fiz com que o rio engolisse a caminhonete, o único meio de transporte que meus pais tinham para vender nossas colheitas para algumas cidades aqui na Coréia do Sul.

Kamsahamida, Taehyung por salvar nossa filha. – Disse minha mãe chorando.

— Era para eu ter tirado a chave do carro, se não isso nunca teria acontecido. – Se culpou meu abeoji e eu o olhei sem entender.

— Mas que diabos a Eunji estava naquela caminhonete se não sabia dirigir?

Disse Choi Jung-ha, a minha prima por parte de pai que estava conhecendo naquele momento e presentía que nunca deveria ter a conhecido.

— E-Eu estava lendo um livro, só isso. – abaixei meu olhar.

— No carro? Há tantas lugares nessa fazenda e justo naquela caçamba, quer dizer, caminhonete?

Disse meu tio e meu pai o fuzilou com os olhos e depois me olhou preocupado.

— Quando você faz isso é porque está chateada com nós, o que está acontecendo?... – eu neguei com a cabeça e afundei nos braços da minha eommeoni e meu abeoji olhou para Tae - está tudo bem com vocês dois, Taehyung?

— Que eu saiba sim, Sr. Choi.

— Então o que foi, querida? – minha vó me questionou e eu levantei meu olhar.

— Não quero falar agora.

Meu avô chegou com um copo d'água e eu bebi o líquido contido naquele vidro de uma só vez.

— Ok querida, quer ir pro quarto? – Questionou minha eommeoni.

— Vou ficar lá fora com Tae. – Disse pegando a mão de Taehyung e o arrastando para fora de lá.

Chegando lá fora eu o abracei novamente e mais apertado.

Ai, assim você vai quebrar minhas costelas.

O soltei e dei um sorriso franco sem humor enquanto eu engolia o choro.

— Ei, tá tudo bem. Você está bem agora. – Tae secou minhas lágrimas com seus dedos e acariciou minha bochecha.

Eu olhei para o cavalo preso na coluna de madeira da varanda. O mesmo estava perto do carro esportivo do meu tio Choi.

— Foi horrível Tae, eu vi a morte na minha frente.

— Mas eu te salvei e agora o que importa que você está aqui. Tente não lembrar desse ocorrido.

Assenti para Tae que sorriu fechado e olhou em direção a estrada.

— Olá! – Uma garota de cabelos pretos longos vinha em nossa direção, a Choi Jung-ha.

— Olá – Taehyung a respondeu, eu me mantive calada, ainda abraçada com Tae.

— Vocês são...? – Ela fez um gesto apontando para nós dois.

— Não. Somos só a-amigos – Eu e Tae completamos em uníssono, e eu me afastei dele automaticamente.

— Ah sim.

Disse ela pensativa.

Me soltei de Taehyung e fiquei ao lado dele.

Ela tinha um sorriso de lado e analisava Taehyung descaradamente. Depois direcionou o seu olhar para mim, me olhando da cabeça aos pés e rindo anasalado.

— É, vocês não tem nada a ver. Ah, desculpa, não me apresentei. Sou Choi Jung-ha, a-

— Minha prima, certo?. É, eu sei de você. Minha vó me contou... Mas vocês não viriam na próxima semana?

Disse e admito que foi um pouco rude, mas acho que ela não percebeu a intenção da minha fala.

— Ah... Meus pais resolveram que era melhor fazer minhas férias aqui.

— Então você vai passar um mês aqui? – Tae perguntou e ela confirmou com um manear de cabeça.

Eu já não gostei nada dessa garota.

— Você é daqui, de Daegu?

Tae perguntou curioso.

— Não, não. Sou de Seul.

— Sério, eu vou me mudar pra lá no final desse mês.

Espera, não era em fevereiro?

Eu olhei para Taehyung confusa.

— Verdade? Se quiser eu posso mostrar Seul para você.

— Eu adoraria.

Empurrei Tae e ele me olhou sem entender meu ato.

— Quantos anos você tem? – Tae questionou a garota.

— Sou de 199-*

— Tae, a gente precisa fazer uma coisa, lembra. – Disse pegando no seu pulso o guiando para longe dali.

— Me desculpe, Jung-Ha, mas temos que ir. – Disse para garota que nos olhou curiosa.

— Eu posso ir também? – Perguntou ela.

— Nã-

— Pode sim! – Tae me interrompeu e eu o olhei incrédula.

Ela se aproximou da gente e eu segurei mais a mão Taehyung e o levei pela estrada de terra. Eu chutava as pedrinhas na estrada enquanto Tae conversava descontraído com Jung-ha. Eu me sentia desconfortável e fora de órbita com aquilo.

Depois de alguns minutos tortuosos, a gente chegou no campo de tulipas amarelas e sentamos em baixo de uma grande árvore ao lado do campo, aonde tinha um gramado em que eu fiz um piquenique com Tae no segundo dia daquela semana.

— Eu não acredito que você vai estudar na mesma universidade que a minha.

Eu levantei a sombrancelha para os dois, mas eles estavam tão descontraídos que mal perceberam meu deboche.

— Eu consegui uma bolsa lá.

— Ah. – Disse ela com indiferença discreta mais não despercebido por Tae.

Meu tio - pai de Jung Ha - sempre foi ambicioso e com isso conseguiu ficar no posto que está, dono de algumas lojas de conveniências de Daegu e Seul. Mas ele e meu pai nunca se deram tão bem...

Contudo, como pude perceber e peguei indícios que meu Tio, Sr. Choi, soltava no ar que ele sempre queria ser meu pai. Por que? Ele queria ser fazendeiro também, mas meu avô deu esse título para meu pai. No entanto, isso fazia tanto tempo, eu nem era nascida mas meu Tio insistia em continuar essa briga interminável com meu pai, fazendo piadas e se gabando com o quanto estava tranquilo na vida que leva, mesmo não sendo o que queria.

A mulher dele? Nunca fui próxima. Era tão intrigante e sempre julgava as roupas que eu usava e colocava ideias loucas na cabeça da minha mãe, tanto que minha eommeoni se veste como nunca vi antes, deixando a verdadeira persona dela apenas por dentro. Ela mudou visualmente minha mãe, o visual que a sociedade dizia ser normal.

Então uma vez por mês eles vinham atormentar a paciência dos meus pais tanto na fazenda quanto às vezes que meus pais iam para Seul.

Mas agora trouxe a prima que parecia ter a mesma índole dos pais, eu sei que eu estou certa disso mesmo sem tantos indícios concretos.

— Então é aqui que vocês sempre vem? É lindo, perfeito para tirar fotos e postar no Twitter. - Jung-ha nos olhou como se tivesse tido uma ideia e adentrou sua mão no bolso traseiro de sua calça jeans bem colada diferente das minhas que eram folgadas.

Ela tirou do bolso um telemóvel.

— Taehyung, você pode tirar uma foto minha aqui? – ela disse entregando o celular dela para Tae e indo em meio as tulipas amarelas.

— Claro.

Tae se posicionou como um fotógrafo e eu sorri vendo o mesmo. Tae já teve vários sonhos e um deles era ser fotógrafo desde que seu pai deu de presente para ele uma câmera quando ainda era um pré-adolescente.

Não era de última geração mas era profissional, e nas primeiras semanas que ganhou tirava foto de tudo, principalmente umas zoadas minhas.

Kim Taehyung tirou diversas fotos e a cada pose que Ha mudava. Ela fazia poses fofas às sexy.

— Deixa eu ver!

Ela correu para o Tae e pegou o celular.

— Ficou legal? – Tae a indagou receoso.

— Ficou maravilhosas! – Gritou ela maravilhada. — Você devia fazer curso de fotografia, se daria muito bem nesse ramo.

Kamsahamida. – Ele disse tímido.

Choi Jung Ha veio até a mim e estendeu seu celular.

— Poderia tirar uma foto minha com o Tae?

Me senti intrigada quando ela chamou Tae pelo apelido.

Eu demorei para responder-la cessando o que ela havia acabado de falar, assenti vagarosamente com a cabeça e Tae se surpreendeu com o que Ha me pediu. Jung-ha arrastou Taehyung para o meio das tulipas com ela.

Eu levantei o celular vagarosamente ao alcance dos meus olhos. Jung-ha ajeitava seu cabelo enquanto Tae olhava para a câmera do celular fixamente e minhas bochechas ficaram quentes.

O vento atrapalhava Jung Ha com seu cabelo mas não prestei atenção, só em Tae com um rosto sereno enquanto seus cabelos castanhos voavam graciosamente. O sol daquela tarde iluminava deixando sua pele laranjada, ele fazia bico e tinha a cabeça tombada para o lado.

— Por que-

— Pode tirar. – Jung-ha disse interrompendo TaeTae.

— 3, 2, 1...

Quando eu cliquei na bolinha onde capturaria a imagem na câmera, Jung-ha beijou a bochecha de Tae.

Tae ficou vermelho feito tomate e isso foi a coisa mais graciosa que vi do que ver seu cabelo voando ao vento e seu bico formado com a cabeça tombada para o lado, apesar de que estava muito chocada com que Jung Ha havia feito, me senti muito incomodada.

O que eu estava sentido, que sentimento era esse?

Eu sentia que só eu poderia dar carinho ao Tae. Só eu poderia chegar perto.

A garota veio a mim e sorriu vendo a foto que tirei.

— Não está tão boa quanto a que Taehyung tirou, mas a nossa beleza destacou isso, Taehyung!

Eu a olhei com um olhar de indiferença mas me controlei para não fazer algo chato.

— Eunji também tem que tirar uma foto com a gente. – Tae protestou.

Jung-ha olhou para mim e então olhou para Tae, que sorria com simplicidade. Então ela fez um gesto com a cabeça, sinalizando um sim.

— Mas quem vai tirar a foto?

Na mesma hora uma senhora que era dona de uma terra vizinha - tia de Tae - saiu de um carro forte e veio à nós.

— Olá crianças – A mulher de cabelos tingidos de loiro dirigiu-se a gente depois de sair do carro.

— Olá – respondemos em uníssono nos curvando.

— Taehyung, vim te buscar, sua mãe está te chamando.

— Ok. Tia Sun, a senhora poderia antes de irmos, tirar uma foto nossa? – Tae gesticulou apontando para nós.

— Claro.

Jung-ha lhe deu o celular dela para tia de Taehyung e nós nos posicionamos em frente as tulipas. Senti a cabeça de Tae se encostar a minha e eu sorri assim que a Tia de Tae fez um positivo com a mão, alertando que estávamos numa posição boa.

Kamsahamida, Tia Sun – Tae agradeceu sua Tia fazendo uma breve referência depois que a mesma lhe entregou o telemóvel.

Ela disse "disponha" e voltou para o carro.

— Eu tenho que ir, mais tarde eu vejo vocês.

Tae se distanciava e meu coração ficou apertado. Eu não queria que ele fosse e me deixasse sozinha com Jung Ha.

— Então ele mora nesse vilarejo... – Disse Jung Ha pensativa mas eu prestava só atenção no carro que se afastava até sumir completamente pelo horizonte.

— Ele mora em um vilarejo aqui perto. – retornei a realidade.

— Mas ele vai morar na cidade agora. – Jung-ha disse e eu a encarei sem expressão, não queria que aquilo que a mesma havia dito fosse verdade.

Saí de lá seguindo a estrada de terra, voltando para casa.

— Ei, espera por mim! – Disse Jung Ha correndo atrás de mim.

☆ ☆ ☆

Eu via aquela foto pela milésima vez e não me cansava de sondá-la. Estava no meu humilde quarto com o notebook da minha mãe, deitada de barriga para baixo na cama com olhar concentrado naquela rede social.

Jung-ha já havia postado a foto e eu não me segurei e precisei ver-la. Eu não tinha conta no twitter, então eu fiz navegando em algo novo. Pesquisei o nome de Choi Jung-ha e por sorte logo encontrei e a mesma já havia postado a foto e desde então, não parei de encarar-la, precisamente em mim e no Tae.

O sol a cima de nós e as belíssimas e tão conhecidas tulipas deixava a foto ainda mais linda. Tae sorria com seu sorriso peculiar com a sua cabeça repousada na minha, um pouco baixo pela diferença de altura.

Olhei para ao lado de Taehyung e vi Jung-ha segurando a mão de Tae e com a cabeça encostada no braço dele. Fechei a cara automaticamente.

— Boa noite. – Jung-ha entrou no quarto e eu me assustei, fechando o computador rapidamente.

Me sentei e coloquei o notebook no meu colo enquanto Ha vem a mim vagarosamente com seu pijama lilás, me olhando desconfiada.

— O quê estava vendo?

Ela tentou pegar o notebook mas eu o tirei de seu alcance.

— Nada de interessante.

— Deixa eu ver! – ela tirou o notebook das minhas mãos e eu fiquei sem reação.

Ela se sentou na beirada da cama e abriu o notebook, vendo a página que estava navegando.

— Essa foto ficou bonita...

2.489 Likes
@choiijungha

@lalalisamonabam Tão linda

@marktuan97 minha noona²

@momo_ Que lindo. Saudades unnie³ ㅠㅠ
More comments...

— Mas olha essa. – Ha colocou a foto dela que Tae tirou.

Em seguida ela mostrou a que ela beija a bochecha de Tae, na qual eu infelizmente tirei.

— Essa está perfeita.

Abaixei meu olhar para os comentários sobre a publicação e me surpreendi com os mesmos.

"@lalalisamanobam Nossa, que bonitinho Ha, não vai me apresentar?"

"@marktuan97 Já tá com namorado, Ha, e eu?"

"@Irenekim Tão lindos, ele parece ser adorável, Choi."

Hã, como poderiam pensar que eles estão namorando?

Fui até o notebook e carreguei mais os comentários.

"@taehyung95 somos só amigos, pessoal"

— Ah, por que ele comentou isso, agora o Mark não vai ter mais ciúmes de mim. – Se lamentou Jung mas a ignorei e cliquei no usuário do Tae, ainda curiosa pelo mesmo ter essa rede social.

— Eu já stalkeei o user dele e só tem fotos de paisagens, mal tem fotos dele. – ditou Jung Ha.

São fotografias lindas, e eu estive em cada um desses cenários. Ele tinha poucos seguidores e na sua biografia tinha escrito apenas:

"1995's

Song and pictures"

— Ai, eu não acredito. – falei abismada no que meus olhos viam.

Ele havia postado uma foto minha sem permissão. Eu estava no gramado observando o sol se pôr, meus cabelos voando ao vento e eu sorria bastante.

— Fica parada.

Ai, meu deus. Tem um bicho em mim? – pergunto preocupada para Tae.

Não, é que eu só quero tirar um foto sua, só que falta uma coisa...

O quê?

— Seu sorriso. Sorria Eunji!

Não, eu não quero tirar foto, Taehyung.

Ele começou a fazer cócegas em mim e eu não contive o riso.

Sorri pelo flashback que tive ao olhar-la.

— Nossa, Eunji, Tae fotógrafa tão bem que você ficou bonitinha nessa foto.

Ignorei seu comentário ofensivo e fui arrastando no seu perfil, vendo mais fotos.

— Espera, não arrasta, que vídeo é esse.

Jung tirou a minha mão e clicou no vídeo que logo reproduziu. Era do Tae tocando saxofone.

Eu e Jung-ha estávamos impressionadas, ele tocava saxofone que até então nunca tinha ouvido ele tocar, e tão bem ele tocava o instrumento dourado.

No vídeo ele estava na sala da sua casa e seu pai estava no fundo o vendo tocar.

— Você sabia que ele tocava saxofone? – Jung-ha me questionou.

— Sabia mas nunca o vi tocar.

A melodia era harmoniosa. Tae era bom em quase tudo o que fazia, era incrível.

Jung Ha arrastou no vídeo seguinte e eu não acreditei no que meus olhos viram, quer dizer, no que meus ouvidos escutaram a seguir. Era o Tae cantando. Eu nunca o vi cantando. Eu nem sabia que ele cantava.

Parecia que estava no seu quarto, de frente da janela pela iluminação.

A voz dele era diferente dos k-idols que eu costumava ouvir. A voz dele era um grave ao mesmo tempo suave, viciante de ouvir. Ele cantava Photograph do Ed Sheeran.

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Kamsahamida ¹: Obrigado(a).

Noona²: forma usual que um garoto chama uma menina que seja mais velha.

Unnie³: forma de uma garota referir-se a uma outra que seja mais velha. O significado literal é "irmã mais velha".

*: Na Coréia, as pessoas geralmente respondem em que ano nasceu pois quando a criança nasce, aqueles nove meses que a criança passa na barriga da mãe ela já ganha um ano, que é contado a cada virada do ano. Dizendo o ano fica mais fácil de dizer a idade.

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Olá babies, tudo bom?
Espero que tenham gostado.
Beijos, e até o próximo capítulo!

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