CATORZE

Alex e Tyler estavam jogados no sofá, passava um pouco das 20h00min, e eles tentavam decidir o que assistir. Desde que Tyler havia voltado, eles não tinham passado muito tempo juntos e Alex estava tentando mudar isso. Tyler era a única família que tinha lhe sobrado e ela não estava disposta a desistir do irmão, mesmo que o homem ao seu lado estivesse sendo um babaca nos últimos dias.

— Podíamos assistir alguma coisa de comédia. – Alex sugeriu.

Tyler concordou, precisava mesmo de algo divertido para tirar os sentimentos ruins que vinha sentindo, tomou o controle da mão de Alex e começou a navegar pela Netflix em busca de algo que os distraísse.

— Que tal Canguru, Jack?

— Tem gosto de infância. – respondeu sorrindo.

— Então é esse mesmo.

Canguru Jack, era o filme preferido de Tyler quando criança, assistiu tantas vezes que sabia as falas de cór e salteado, e Alex adorava quando o irmão começava com as intimações. Era em momentos como aqueles que os dois se sentiam ainda mais ligados, apesar de serem unidos, Alex e Tyler tinham interesses diferentes e isso fazia com que Alex as vezes se sentisse abandonada, mesmo que Tyler fosse seu irmão mais novo.

— Você veio para ficar? – Alex questionou, jogando um monte de pipoca na boca. Tyler desviou o olhar da televisão e suspirando focou na irmã.

— É sério que você quer falar disso agora?

— Eu só não quero ficar sozinha de novo. – disse frustrada. — Além do mais, Camille sente sua falta.

Tyler deixou um sorriso de lado escapar por seus lábios. Ele sabia que a desculpa de Camille sentir falta dele era coisa da irmã.

— Eu não estou indo a lugar nenhum. – respondeu puxando a irmã para seu peito. — Agora cala a boquinha e assiste o filme.

Alex tentou resmungar algo, mas Tyler enfiou pipoca em sua boca, fazendo com que ela ficasse calada. Ela se ajeitou no peito do irmão e focou o olhar na televisão. Mesmo que já tenham assistido ao filme milhares de vezes, toda vez parecia única e eles tinham a regra de nunca assistir Canguru Jack, sozinhos. Era uma coisa deles, quase como uma tradição criada pelos irmãos.

Quando o filme acabou, Alex fez menção de se levantar, mas Tyler enlaçou sua mão na dela, puxando-a de volta para o sofá.

— O que foi? – ela questionou.

— Podemos falar sobre seu namorado?

Alex franziu a testa confusa mas assentiu.

— Poder, a gente até pode, mas você tem que falar comigo também.

Suspirando fundo, Tyler concordou, sabia que precisava dar respostas a irmã. Ele via nos olhos dela o quanto estava preocupada.

— Tudo bem, é justo. – disse.

— O que quer saber?

— Quando se conheceram?

— A algumas semanas. Por quê?

— Shiu, quem faz as perguntas sou eu. – ele disse fazendo ela revirar os olhos. — O que sabe sobre ele? Já conheceu a família dele?

Alex olhou para o irmão e viu que ele estava mesmo falando sério, não era implicância de irmão mais novo, era preocupação.

— Ele tem trinta e cinco anos, é do signo de áries, gosta de preto e tem um estilo badboy que você sabe que eu adoro – um sorriso malicioso brincou nos lábios dela, fazendo Tyler revirar os olhos. — A família dele tem uma empresa de segurança privada – Cloud9, é do nosso ciclo social apesar de não comparecer muito a eventos, sua família é bem discreta, está em Chicago desde sei lá quanto tempo, e não, ainda não conheci a família dele.

Tyler olhou para a irmã estreitando os olhos.

— Okay, por hora isso é suficiente. – disse. — Mas, eu não gostei dele.

— Tyler!

— Não é implicância, eu juro. É que sei lá, desde que o papai morreu, ficamos só nos dois e eu fui um cretino em te deixar sozinha para lidar com as coisas, mas me preocupo e esse cara, não sei, não me passou confiança. – suspirou. — Tem algo nos olhos dele, algo sombrio e que não passa confiança. Você é minha irmãzinha, A.

Alex envolveu Tyler em um abraço e beijou a face dele, a preocupação dele com ela era algo tocante e teve que se segurar para que não começasse a chorar.

— Obrigada, mas não precisa se preocupar, está tudo bem. Agora me diz, por que não retornou minhas mensagens? Eu estava quase entrando em um avião e indo atrás de você.

— Eu estava no sul da Ásia, num acampamento de refugiados, quando invadiram minha tenda, eles não estavam atrás de dinheiro, nem de remédios, estavam atrás de mim, foram lá para me matar. – Alex engole um soluço ouvindo o relato do irmão. — Sai fugido no meio da noite, tive tempo apenas de pegar minha mochila, na fuga eu perdi meu celular.

— Quem era eles? Você reconheceu?

— Não sei, nunca os tinha visto, foi assustador. Eu nunca tinha passado por uma situação dessas, desde os meus dezoito anos que viajo pelo mundo sendo voluntário e nunca me aconteceu nada.

— E como voltou?

Tyler soltou um risinho, respondendo apenas que tinha contatos, pois quando se viaja o mundo como ele, fazer certas amizades era necessário, você nunca sabe quando vai precisar de um favor.

— Por isso está agindo assim?

— Você queria que eu agisse como? Eu estou com medo até da minha própria sombra. Primeiro papai é assassinado, ai tentam me matar, eu estou apavorado. – Alex assentiu engolindo as lágrimas e se enroscando no irmão, agora as coisas se encaixavam e o comportamento de Tyler era justificável. — Você notou algo estranho ao seu redor?

— Não, nada. Está tudo normal. – Alex respondeu fazendo Tyler respirar aliviado, agradecendo mentalmente por sua irmã não estar na mira de quem quer que fosse que os queria mortos. 

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top