C A P Í T U L O 8

Andávamos sem nenhuma pressa em todo o caminho,minha cabeça estava martelando com o que ele poderia vir a me dizer, graças são tão peculiares, minha curiosidade em saber a dele é muito grande. A primeira impressão que tive dele foi que é uma pessoa fria. Depois do que disse sobre nossos pais, a maneira como falou me faz acreditar que não era muito apegado a eles, não sei o que achar dele.

- Acho que estamos longe o suficiente da curiosidade do seu vampiro, mas não da sua pelo visto.  - Ele diz me encarando enquanto andávamos. Me pergunto como ele sabe,ah nossa.

- Você lê mentes? - pergunto chocada. Ele dá uma risada alta. - Acho que isso foi um não, então como você...

- Não leio mentes, fique tranquila. Leio emoções.  - ele percebe minha cara de confusa. - Vou explicar melhor.  Sinto e sei tudo o que você  está sentindo sem você  precisar me dizer mas não sei o porque. Como agora,você estava bastante curiosa e eu apenas deduzi que fosse sobre mim mas não sabia ao certo. Ah, você conseguiu entender? - Faço que sim, ainda chocada. Ler emoções. Eu com certeza preferia ter nascido com essa graça. Isso me faz lembrar de uma coisa que ele disse no castelo.

- Porque você acha sua graça irônica comparada a minha? Eu gostaria de poder trocar com você, acredite.  - ele me olha surpreso. - Estou falando sério,assassinato não traz nada de bom na vida.

- Traz sua sobrevivência. Não sei como a minha pode ter serventia. É praticamente inútil.

- Não acho, pode ser muito útil. Por exemplo,sei que Apolo "interroga" muitas pessoas,não seria mais fácil fazer isso se ele soubesse exatamente o que a outra pessoa estaria sentindo?  Se alguém estiver mentindo, você consegue saber não é? Se alguém  estiver mal intencionado,você  também  sente. Como isso pode não ter serventia?  - ele me encara pensativo.

- Você está fascinada - Ele diz como se não  acreditasse em suas próprias palavras, não  era uma pergunta. - Nunca tinha visto por esse lado. Talvez sirva pra algo no final, como por exemplo, sei que Apolo se sentiu ameaçado por mim, não  gostou nada quando você mandou ele sair da sala e certamente se preocupou com você quando aceitou vir até aqui comigo. Sei que você  com certeza o ama e sei que está começando a me compreender um pouco neste momento.  - Dá um sorrisinho.

- Certo.  Talvez sua graça  me irrite um pouco. - Sorrio - Quer dizer, nunca poderei esconder nada de você, isso é perigoso, não dá para controlar os sentimentos. 

- Você não vai conseguir esconder apenas os sentimentos,não saberei o porque de você os estar manifestando. - Olho para a estrada por um momento. - Porque somos assim? Nem o meu... Nosso pai era e nem nossa mãe então porque temos essas graças?

- Eu não sei mas sei quem mais tem. Uma pessoa que com certeza você precisa conhecer, como você sabe, ser como nós é  uma coisa muito rara, em cada país deve ter espalhados no máximo cinco de nós ou menos.  A gente estar aqui conversando e juntos é muito surpreendente, assim como eu encontrar uma pessoa igual a nós é muito improvável mas encontrei.  Antes de apresentar vocês, preciso confiar totalmente em você, não posso arriscar a segurança dela.  - diz ele sério. Talvez ele não fosse tão frio.  - Como você está me compreendendo tanto só com essa conversa? - diz ele com as sombrancelhas arqueadas.

- Estou tentando te entender. - Ele assente. 

- Digo o mesmo. Porque está aqui?  Porque matou nosso tio? Porque sentiu tanta pena de mim quando entrou na sala?

- Apolo me achou nas masmorras de Strix,fiquei presa lá  minha vida toda e eu acabei encontrando uma família aqui, pessoas boas. Eu não quero ofender dizendo isso mas eu não te conheço então por isso ainda não confio em você totalmente, provavelmente já sabe disso. Quanto ao Orochi,ele e Atena estavam em guerra e ele começou a falar sobre família e tudo o que eu passei sem uma veio a tona em minhas lembranças, acho que senti raiva por saber que existia alguém que poderia ter feito alguma coisa por mim mas não fez. Não sei. Não senti nada e ainda não sinto sobre isso. - Ele levanta a mão fazendo sinal de pare.

- Ele procurou você,acontece que Strix estava em um lugar desconhecido, estavam se escondendo. Não sei como Apolo os encontrou mas nós estávamos caçando eles a muito tempo. Ele estava procurando você.   - Meu coração começa a se encher de culpa ao ouvir aquilo,ele procurou por mim? Estava querendo me encontrar? Era por isso que estava em guerra com Atenas,por que acharam quem ele nunca conseguiu.  E então eu o matei,o matei como se não fosse nada. - Gostaria de te dizer que você não tem culpa mas mesmo se não soubesse disso, nunca deveria ter ferido sua própria  família. Tio Orochi tem um filho pequeno, ele está sem pai agora. - Gostaria de dizer que sinto muito mas isso não vai traze-lo de volta ,então apenas me calo em minha própria culpa. Assassina! Ela tem que ser queimada!  É um demônio! Não chegue perto dela querida,ela não é confiável. Agora irá apodrecer aí,pequeno demônio. As lembranças  da minha infância  me inundam, me sinto afogar no passado,um passado que me marcou para sempre. 

- Você perguntou porque eu senti pena de você. É porque eu sei o quão difícil é ter esses olhos. A graça que vem com eles não compensa a maldição que a acompanha. -Ele dá uma gargalhada alta e não entendo nada.

- Prazer,Curse. - diz ele estendendo a mão com um largo sorriso.

- Está brincando, né? - Ele faz que não,sério.

- O que nossos pais tinham na cabeça? Uma filha eles nem dão nome e o outro botam o nome de maldição. Com certeza seríamos uma familia peculiar.

- Somos uma família peculiar, nós ainda estamos vivos, lembra? Você é minha família. - Sinto meu coração apertar com isso mas ainda não sei se quero tentar me arriscar a ter uma família  e depois algo de ruim acontecer, ou pior ele não ser o que eu acho que seja.

- Tudo bem,irmã. Eu também tenho medo de perder você.  - Não consigo dizer nada a ele.  - Não estamos mais sozinhos. - diz ele em alerta e eu olho ao redor discretamente, meus instintos estavam totalmente em alerta agora. Quando eu avisto um arqueiro na casa acima.

- Corre! - digo o puxando e correndo com ele para nós esconder atras da casa mais próxima.  - Ele está ofegante quando olha para as flechas caídas no chão.

- Eu disse que não ficaram nada contentes com a morte do nosso tio.  - diz irônico se encostando na parede. - Tem uns oito,talvez.

- Sabe dizer quantos são sentindo as emoções?

- Sim, não é hora para perguntas, posso garantir que estão com raiva e com muita determinação.  Precisamos sair daqui. - Penso por um momento. Eu poderia dar conta dos outros caras em uma luta mas não sou rápida o suficiente para desviar das flechas.

- Sabe me dizer onde estão os arqueiros?- Ele pensa um pouco.

- Sim,um em cima da casa de frente para nós, e outro em cima de uma árvore a... direita mas não sei dizer em qual exatamente. - Abro um sorriso quando ele acaba de falar.  - Que foi?

- Não serve pra nada, é?  Observe.  - Ele sorri. Pego minhas duas laminas pequenas escondidas nas minhas botas e ponho um braço rapidamente à vista. Flechas são atiradas e sei que eles vão precisar por outra no lugar então tenho apenas alguns mínimos segundos. Pego uma boa visão e atiro minha faca na testa do primeiro arqueiro em cima da casa. Ele caí pra trás e uma flecha raspa no meu ombro antes de eu chegar no esconderijo de novo. 

- Freya,você está bem? - Curse pergunta preocupado.

- Sim,só raspou. O arqueiro ainda está na árvore?

- Está,não sei como é possível você ter matado um homem a metros de distancia com uma faquinha mas continua. Direita. - Assinto e atiro a lâmina que acerta a coxa do homem o que o faz cair da árvore junto com o arco e flecha.

- Vamos.  - digo para Curse que me segue,logo tem cinco caras vindo para cima de nós,corro para o homem que ainda está  se recuperando da perna ferida e da queda da árvore e dou um golpe na sua nuca que o faz desmaiar, pego seu arco e flecha e atiro nos quatro homens que restaram, Curse estava lutando com um e logo dá um jeito nele. Não o mata, apenas o deixa inconsciente. Vou até ele.

- Porque não me deixou cuidar deles? Você  pode...

- Não adianta mais, eu já fiz minha escolha vindo até aqui falar com você, ninguém 
me considera mais como família, sou um traidor segundo eles. 

- Porque fez isso?! Você nem me conhece! 

- Você é minha irmã, Freya. Isso é 
tudo que eu preciso saber sobre você. - diz friamente.  - Ele era louco. Não sei se me sinto feliz ou com raiva por sua atitude. - Por favor, apenas escolha ficar feliz e me ajude com essa perna.  - ele aponta para a perna ensanguentada que eu não havia notado e eu o ajudo,faço um curativo improvisado até chegarmos no castelo novamente. Teria que me acostumar com ele sabendo tudo o que eu estava sentindo o tempo todo. 


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