• CAPÍTULO 5 •
Domingo, 10 de maio de 2020.
NUNCA ME SENTI TÃO ESTRANHA, os filmes da Disney sempre diziam que o príncipe encantado era a razão do viver das princesas, aquela realidade era trágica, mas ao mesmo tempo, tão feliz.
Note-se ironia.
Meu quarto parecia um pouco menor a cada vez que eu o olhava, após maratonar as inconsequentes e engraçadas aventuras de Brooklyn 99. Peralta realmente me descrevia quanto ao ter sucesso mesmo sendo um pateta.
Ultimamente eu nem me encontrava tão na fossa como no passado, no caso, ontem. Meu irmão decidiu de noite que seria uma boa tirar uma folga no domingo, que eu neguei veemente. Meu irmão fugia de filmes como o diabo fugia da cruz, sabia-se lá o porquê, mas eu não o sujeitaria à assistir algo comigo apenas para satisfazer o psicológico de uma garota recentemente quase ex-presidiária.
Miriam me mandou uma mensagem, que foi ignorada com sucesso, porque eu ainda estava chateada por ela ter sumido como um átomo de oxigênio em meio à cadeia carbônica de um fenol. No caso, uma grande cadeia carbônica.
Outra pessoa que estranhamente me mandara uma mensagem de texto era Victor. O que diabos a criatura queria as 8 da matina, em pleno domingo.
Hm, vai passar pra deixar uns documentos aqui, porquê precisa viajar, e o Ian está em uma reunião.
Tsc, tsc, eu devia me lembrar de mudar o nome aqui de casa para United States Postal Service, e o meu para FedEx, porquê de fato achavam que eu trabalhava como pombo-correio para ficar entregando coisas pros outros.
- Abre essa porcaria de porta. - Berrou Jackson. - Agora, garota.
Jacks e sua mania horrenda e inescrupulosa de berrar amigavelmente e fazer os outros ouvirem em outra cidade.
Meu telefone começou a tocar, não obstante o fato de que meus ouvidos eram saco de pancada para as cordas vocálicas do meu melhor amigo, agora o mesmo me ligara para abrir a porta para o mesmo.
- Ouvi o que aconteceu na festa da Amber. - Disse, assim que abri a porta. - Eu devia esfolar a cara da Mir no asfalto por sumir, mas você deveria ter tirado uma foto no camburão pra postar, menina. Isso ia render uma ótima matéria pro jornal da facul.
- Não tirei uma foto no camburão, tá louco, Jackson? Capaz que o pessoal me jogava no rio. - Meus pijamas confortáveis se chocaram com o sofá, ao passo que ele colocava um filme na Tv. - E aí, qual a boa de hoje?
- Qualquer filme que envolva a protagonista indo pra cadeia. - Jacks gargalhou, o traíra estava se divertindo à custa da tragédia dos outros.
💌
A noite estava digna de um colapso mental.
Nem ao menos os trabalhos acumulados da faculdade conseguiam fazer com que meu cérebro evitasse uma morte encéfala-cranial, e eu não fazia a menor ideia do que isso era, se é que existia.
Fechei o laptop na escrivaninha do escritório, e saindo do quarto, me deparei com uma pequena caderneta caída no chão, perto de um dos armários que possuia uma porta aberta. Provavelmente Ian devia tê-la deixado cair na pressa, e não a havia ajuntado.
Me aproximei, visando pegá-la e encaixá-la na parede, e ao levá-la ao alto, um envelope similar aos que eu havia visto nos últimos dias, caiu do objeto.
Quase emiti um grito. Se as teorias conspiratórias que eu estava tendo fossem reais, e que CSI e todas as séries policiais me protegessem, as coisas estariam complicadas como o inferno. Aquelas pessoas entraram dento da minha própria casa.
A ameaça que antes parecia uma brincadeira, finalmente fez com que a ficha caísse naquele momento. Todavia, ao contrário das outras, essa não parecia mais lacrada, como se alguém a houvesse aberto, e imitando este alguém, retirei a carta do envelope, lendo praticamente as mesmas palavras que antes eu vira, e me surpreendi ao notar que desta vez, aquele pequeno pedaço de papel era destinado à Ian.
Céus.
O que quer que aquelas pessoas quisessem, estava além da minha imaginação. A aparência não envelhecida só me fazia ter a certeza de quem quer que estivesse nos ameaçando, não havia mandado apenas aquelas para o Ian, o que me fazia contestar se ele sabia do fato de que me mandaram tais cartas também.
Se ele não sabia, eu não contaria, e se soubesse, eu não comentaria por nada nesse mundo. Ian já tinha preocupações suficientes para lidar com a empresa e ameaças, e me colocar no meio só faria com que ele ficasse ainda mais transtornado, caso não soubesse da situação.
Ouvi o barulho da porta se abrindo, e rapidamente enfiei a carta no envelope, e este, na caderneta, jogando-a no chão próximo à cadeira, escondendo-a parcialmente, e voltei para a cadeira da escrivaninha, abrindo o laptop e colocando no arquivo que eu previamente editava.
Meu irmão, muito mais cedo do que o previsto, abriu a porta, espiando com apenas sua cabeça, para dentro do cômodo, e me cumprimentou, com um sorriso no rosto, como se estivesse...
Aliviado.
Certamente meu irmão tinha ciência das ameaças que ele recebia, mas teria ele o raciocínio suficiente no momento para compreender que o sorriso no meu rosto era puramente de pavor, e os olhos cansados na realidade estavam preocupados?
Eu esperava profundamente que o longo dia na empresa fosse o suficiente para que estas coisas passassem despercebidas.
- Oi, florzinha. Como você tá? - Me perguntou, conforme entrava no cômodo. Ian retirou o paletó e o jogou na poltrona onde a caderneta estava escondida erroneamente. Engoli a seco.
- Cansada. A professora Tebawski passou um artigo para a base de um trabalho sobre o código Java, meus olhinhos preciosos não aguentam mais digitar um código binário que seja. - Lhe ofertei um sorriso. Atuaria por trás das cortinas, e investigaria o quanto pudesse. Por mais que eu seja caloura na computação, a Cahak me proporcionou conhecimento suficiente para que tivesse uma noção mínima de que certamente, algum hacker trabalhava por debaixo dos panos para proteger os servidores contra malwares, agora, o que certamente mói usaria para meus próprios interesses.
- Binário no Java? - Ian perguntou desconfiado, mas riu, como se entendesse minhas abobrinhas. - Boa sorte com isso. - Então ele gargalhou, como se estivesse despreocupado, e uma pontada me fez sentir culpada. Meu irmão achava provavelmente que eu não havia ideia do que estava acontecendo, e pro bem dele, eu esperava que isso continuasse assim.
Estava decidida, pela manhã, na segunda, teria uma conversa séria com o gestor do Rh.
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