Quase beijo o meu chefe
Capítulo com 2143 palavras
México, cidade Nuevo León, Capital Monterrey:
☆Mia García☆
Após o episódio do cinema e do elevador, eu tentei esquecer a proximidade repentina com Renato, mas era difícil. A memória da vulnerabilidade dele no elevador e o toque reconfortante de suas mãos e palavras quando falei sobre a minha vó, não saíam da minha mente.
— Acho que estou enlouquecendo —disse me largando no sofá enquanto tentava dissipar as lembranças do meu dia com Renato
— Amiga, finalmente — a voz estridente da Lupe me despertou dos meus devaneios — Te mandamos mil mensagens, o Gael já tava querendo ligar pra polícia
— Não exagera — o Gael se manifestou entrando na sala atrás de Lupe — eai está tudo bem com a dona Agatha?
— Ahn... sim , ela só estava solitária e me pediu pra ver um filme com ela — comentei ocultando a parte em que na verdade eu passei o dia inteiro com o Renato
— Sério isso? — questionou Lupe — aí deve ter sido uma tortura né? Sempre quando assisto filme com a minha abuela ela pergunta o filme inteiro
— Não, foi até bem tranquilo, a dona Agatha, é bem diferente do que eu pensava — comentei lembrando do Renato — é sensível, engraçado e tem um sorriso lindo
— Acho que esta apaixonada amiga — brincou Lupe
— O que? Não ele é o pior tipo de pessoa que existe — respondi sem pensar
— Ele quem? — o Gael questionou confuso
— Ele? — questionei percebendo que falei o que não devia
— De quem esta falando amiga? — Lupe questionou Desconfiada
— De quem VOCÊS, estão falando? — questionei tentando desconversar o assunto — não temos uma noite entre amigos pra aproveitar? — conclui mudando completamente de assunto
— O Gael e eu já estamos prontos
— Ótimo, porque só o Gael demora duas horas pra se arrumar — comentei aliviada por terem aceitado mudar de assunto
— Óbvio, não posso manchar minha imagem, as garotas precisam do Gael galã — ele disse esboçando toda sua marra de mulherengo
— Gael galã? — a Lupe questionou
— É, todas garotas me chamam assim
— Alguém pode informar a essas garotas que ela estão malucas? — Lupe rebateu
— Sim, malucas por mim — ele retrucou com um sorriso travesso
— Ninguém merece — ironizou Lupe e demos risadas
— Me deem dez minutos — informei e fui até o banheiro tomar banho, permitindo que a água que caia sobre a minha cabeça dissipasse todas lembranças do meu dia com o Renato, precisava sair pra relaxar e espairecer ou eu iria enlouquecer, não demorou muito e me juntei aos meus amigos
— Eai pra onde vamos? —questionei empolgada
— O Gael quer que a gente vá pro Ambia
—Tá maluco? Dia de sábado aquele lugar é lotado
— Exato, lotado significa muitas garotas — ele retrucou Com um sorriso travesso
— O ideal da noite entre amigos é curtir com os amigos Gael — retorqui
— Está com ciúmes? — ele questionou com um sorriso maroto, dei uma boa revirada nos olhos, ele não perde uma oportunidade
— Por que não vamos no bar do senhor poncho? — sugeriu Lupe — hoje é noite de karaokê e das tortilhas — concluiu empolgada
— A Mia nem gosta de karaokê — protestou Gael
— Sim, mas gosto de estar com meus amigos e de tortilhas — conclui e ambos deram um sorriso, mas Gael não pareceu muito convencido acho que é pelo fato dele conhecer bem o meu passado com a minha vó — além do mais, lá tem uma mesa de bilhar, não estamos devendo uma revanche pro Gael?
— Ah fala sério, nem duas de vocês conseguiriam me vencer — brincou Gael mais relaxado
-—É isso que vamos ver — Declarou Lupe aceitando o desafio
Fomos ao bar do senhor poncho, o clima estava bem agradável entre a gente , brincamos, conversamos, comemos algumas tortilhas, tomamos mais uma surra do Gael no bilhar, ele claro ficou se sentindo como de costume, mas a noite estava longe de terminar, então vamos tentar de novo, mas decidimos descansar um pouco e enquanto apreciava mais uma deliciosa tortilha o Gael e a Lupe resolveram cantar no karaokê, eles estavam tão empolgados que eu quis me juntar a eles, mas não consegui, ainda assim toda nossa noite entre amigos estava ajudando a me distrair, após o dueto deles todos aplaudiram e Lupe veio em minha direção empolgada, enquanto Gael foi rendido por algumas garotas
— Gostou do show? — perguntou empolgada
— Claro, Como sempre — respondi na mesma empolgação
— Estou com cede, bora comprar algo pra beber?
— Bora — fomos ao balcão buscar mais uma bebida, percebi uma figura familiar desajeitadamente tentando se manter em pé.
— Ai não — lamentei ao reconhecer a figura
— O que foi?
— Lupe, por favor me diz que aquele não é Richard Gusman — apontei para ele, que claramente estava bêbado.
— Ih amiga, é ele mesmo
— Eu disse pra não dizer — ela deu de ombros
— E parece que está precisando de ajuda. — Suspirei e fui até ele.
— Você sabe quem eu sou? Sabe que posso comprar essa espelunca se eu quiser? — balbuciou ele, com certeza é um Gusman
— Já disse que não garoto
— Escuta aqui coroa
— Richard! — chamei, impedindo que ele avançasse no senhor poncho
-— Hi, olha só, é o amor da minha vida — Richard olhou para mim com um sorriso bobo — Mia! Você veio me salvar minha salvadora? — ele disse, suas palavras saindo um pouco enroladas.
— Qual é a sua poncho de vender álcool pra de menor?
— Eu não vendi nada, ele já chegou aqui assim — o senhor poncho se defendeu, e acredito que ele esteja dizendo mesmo a verdade, vai contra a conduta de seu bar
— Ain Richard, por onde você andou?
— Em uma festa muito dahora, você pode voltar comigo pra lá se quiser — disse atropelando as palavras, ele está muito ruim, qual é a desse garoto pra beber tanto assim?
— Que festa o que, Você precisa ir embora, olha seu estado. Vamos, eu vou te levar para casa — disse, pegando seu braço para guiá-lo. — Desculpe senhor poncho
— Tranquilo Mia — ele respondeu e foi atender outros clientes
— Acho que vai precisa disso — disse Lupe me entregando a chave do carro do Gael
—Valeu — agradeço pegando a chave enquanto tentava manter o Richard de pé
— Eu te ajudo com isso — ela disse e com pouca dificuldade, conseguimos colocar Richard no carro, Lupe ficou para distrai Gael enquanto eu levava o Richard em casa, no caminho ele murmurava coisas desconexas, como amor, uma tal de Vicky que partiu seu coração e um tal de Diego que se sentia um máximo, mas é um mané
Chegando à casa dos Gusmans, ajudei Richard a sair do carro e toquei a campainha. Para minha surpresa, Renato abriu a porta, seu olhar confuso e preocupado ao ver o irmão naquele estado.
— O que aconteceu? — Renato perguntou, pegando Richard pelo outro lado.
— Encontrei ele na bar assim —expliquei. — Achei melhor trazê-lo para casa.
— Eu não acredito nisso Richard, quando você vai amadurecer? — ele pareceu furioso e de saco cheio, essa parecia ser uma cena rotineira
— Senhor Gusman não é hora pra isso — ponderei
— Isso mesmo Mia, me defende, vê se aprende — disse o Richard para o Renato que pareceu que ia surtar, mas respirou fundo e apenas assentiu, Levar Richard para o quarto foi um desafio, mas finalmente conseguimos colocá-lo na cama.
— Obrigado, juro que não sei mais o que fazer com esse garoto
— É só me deixar em paz, eu não gosto mesmo de você — balbuciou Richard que pareceu adormecer em seguida, Renato olhou para mim, uma expressão de cansaço e gratidão em seus olhos.
— Ele vai ficar bem, eu realmente agradeço por isso, Mia — ele disse, sua voz mais suave do que o habitual.
— Não foi nada — respondi, com um pequeno sorriso nos lábios. — Ele é seu irmão, e parte do meu trabalho é cuidar de vocês. Posso te fazer uma pergunta?
— Sim
— O que aconteceu entre vocês?
— Por que você está perguntando isso?
— Bom, porque na maior parte do tempo vocês parecem se odiar, mas naquela foto ao lado da cama, vocês pareciam se dar bem — Renato suspirou pesado e abaixou o olhar como se estivesse mergulhando em uma lembrança amarga demais pra comentar — Tudo bem se não quiser falar sobre isso
— Eu não odeio o meu irmão, pelo contrário, ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida, eu só sou rígido com ele muitas vezes, porque me preocupo muito com ele
— Então por que você não diz isso pra ele? — perguntei curiosa
— Eu não saberia como dizer, simplesmente não sei como me aproximar, não depois de tê lo feito sofrer tanto — ele falou com uma amargura na voz o que me deixou ainda mais curiosa
— não é tão ruim assim, você está fazendo o papel de pai da família, é normal ser um pouco exigente
— Antes fosse só isso, mas é muito pior — nesse momento Richard se mexeu na cama e Renato interrompeu a fala, foi até o irmão tirou os tênis dele e o cobriu o que deixou meu coração molinho — Vamos terminar essa conversa lá fora — sugeriu e saímos do quarto, Renato se recostou na parede e deu mais um longo suspiro
— Não precisa falar sobre isso se não quiser — comentei percebendo o quanto esse assunto parecia o perturbar
— Não, tudo bem, acho que já está na hora de eu colocar isso pra fora — ele baixou a cabeça e cruzou os braços, enquanto eu observava cada movimento esperando pacientemente ele se abrir
— O Richard e eu, nos apaixonamos pela mesma garota — fiquei surpresa com essa revelação eu sempre pensei que ele não tinha coração — mas ela só queria nos usar, se envolveu com nós dois ao mesmo tempo, quando eu descobri terminei com ela imediatamente, mas ela não deixou as coisas fáceis, implorou por perdão, insistiu que me amava e que o Richard não significava nada pra ela — ele fez uma longa pausa e pareceu segurar as lágrimas — o caso é que o Richard ouviu toda essa conversa, da pra imaginar o que aconteceu, após esse dia, nunca mais fomos o mesmo. -— Ele concluiu com a voz embargada, uau, eu não esperava por isso, coloquei a mão sobre o ombro dele na intenção de conforta lo
— Não foi culpa sua — ele fungou e retomou a fala
— Foi muito difícil pra mim também, continua sendo — quando ele disse isso tirei a mão do ombro dele e recuei um pouco, não sei porque, mas esse continua sendo, me fez pensar que talvez ele ainda não tenha superado essa garota e não sei porquê, mas pensar nisso me incomodou, ele pareceu notar a minha reação e me encarou com uma expressão confusa, mas carregada de algo que não sei descrever exatamente o que pode ser, ele se desencostou da parede e deu um passo na minha direção fazendo o meu coração sobressaltar-se
— Eu me fechei completamente, com todo mundo e nunca tive vontade de me abrir com mais ninguem, até você aparecer, Mia — meu nome saiu em um susurro, Renato se aproximou mais de mim, seus olhos fixos nos meus. A tensão entre nós era palpável. Senti meu coração acelerar enquanto ele se aproximava mais. Ele inclinou-se, e eu senti uma onda de expectativa, de repente não sabia se estava mais nervosa com a aproximação dele ou com o fato de eu não estar nenhum pouco disposta a me afastar, Involuntariamente me aproximei pronta pra talvez fazer uma das maiores loucuras da minha vida
Meu coração já estava quase saindo pela boca, estávamos tão próximos que nossa respiração se misturava, mas então, um som horrível veio do quarto. Richard estava vomitando. Renato e eu nos afastamos rapidamente, ele então abriu levemente a porta e subiu o forte cheiro do vomito, ambos fizemos caretas e Renato fechou a porta imediatamente
— Eu... acho que vou embora agora — disse, aproveitando o gancho. — Boa sorte com isso.
—Traidora — ele disse franzindo o cenho, não pode evitar o sorriso
— Até segunda feira senhor Gusman
— Vê se vai direto pra casa — ele disse com o tom autoritário, mas que tinha um toque de suavidade
— Sim senhor — declarei e o vi me encarar com profundidade, apenas sorri e assenti, mesmo estando de costas senti o seu olhos sobre mim e me segurei pra não olhar pra trás, porque se eu olhasse pra trás tenho certeza que não teria mais volta, então apertei os passos
Sai da casa dos Gusman sentindo uma mistura de alívio e decepção. Aquele quase beijo me deixou com o coração na boca, e eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que parar e tentar entender o que estou sentindo. Mas, por enquanto, uma boa noite de sono parecia a melhor ideia
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