Chapter Four - S u p e r a ç ã o
Fique frio, para que está gritando?
Relaxe, já passamos por tudo isso antes
E se você apenas deixasse rolar, você iria ver
Que eu gosto de você do jeito que você é
Quando estamos no seu carro
E você fala comigo cara a cara, mas você se tornou
Outra pessoa ao redor dos outros
Fica tenso, como se não conseguísse relaxar
Você está tentando ser legal, você parece um idiota para mim
Me diga
~ Complicated - Avril Lavigne/Olivia O'brien ~
Tristeza e mágoa.
Essas eram as palavras que me resumiam desde o meu termino com James.
Podem me chamar de maluca, mas não vou negar que sinto falta dele.
Eu sinto falta dos beijos que ele me dava, dos sorrisos bobos que me arrancava, das borboletas no estômago que me fazia sentir quando dizia o quanto me amava, eu sinto falta dos conselhos que James me dava. De todas as noites que ele passou acordado, conversando comigo porque eu não conseguia dormir. Sinto falta de quando ele vinha para a minha casa às 03h00 para me abraçar e beijar, por um simples motivo: saudade.
Meu relacionamento com James era intenso e eu não vou negar. Mas, na mesma proporção, não tínhamos intensidade. Seríamos um casal perfeito, faltou apenas uma coisa: a pessoa certa para isso.
Eu queria voltar no tempo, voltar no dia em que o conheci, há um ano e três meses. Queria voltar para o maldito dia que ele quase me atropelou e não aceitar o convite para comer algo com ele. Seria menos doloroso se pudéssemos voltar no tempo e mudar algumas coisas.
Eu não vou negar que estava sofrendo, porque estava, e muito. Eu achava que não tinha mais lágrimas para chorar, mas tinha sim.
Passaram-se três meses desde que nos separamos e eu sofria como se fosse ontem. Eu estava no terceiro mês da faculdade também, estava me esforçando, embora fosse difícil.
Nesse momento, eu estava pensando em um dos momentos que passei com James e mal prestava atenção no que o professor falava. Estava pensando no dia que eu dormi na casa dele e nós transamos pela primeira vez também. Não, aquela não foi minha primeira vez e eu não era nem um pouco despreparada no assunto.
Lembro-me de suas mãos passeando pelo meu corpo, o jeito que ele me beijava e me olhava com intensidade enquanto entrava em mim. Lembro de beijar seus lábios ferozmente para abafar os gemidos, lembro de como meu corpo arrepiava a cada beijo que ele dava em meu pescoço, lembro de tudo.
Eu sentia falta dele mais do que queria assumir para mim mesma. Eu não me orgulhava disso, eu odiava o meu coração por bater forte toda vez que eu pensava nele e nos nossos momentos. Era menos intenso que no dia que nos separamos, mas o sentimento ainda estava ali, o sentimento ainda me assombrava, ainda me assustava, mas eu estava sendo forte. Meus pais e meus amigos estavam me ajudando a superar, eles estavam comigo, diferente do que James dizia. "Eles vão abandoná-la", "acha mesmo que vão te apoiar?", "acorda Callie, eles não te amam como eu te amo. Eu estou ao seu lado, te apoiando, eles não!" hahahaha, parece que James estava enganado, eu estava enganada.
Guardei minhas coisas e entreguei o relatório que o professor pediu sobre a aula passada. Eu não aguentaria ficar ali por mais cinco minutos sem surtar e chorar.
Assim que eu entreguei o relatório bem feito, com caligrafia perfeita e letras redondinhas para o professor, o mesmo segurou meu pulso amigavelmente, antes que eu saísse da sala.
Ele era bonito, aparentava ter por volta dos trinta anos. Observei seu rosto, analisando-o. Ele tinha pele clara, olhos tão escuros que me lembravam os dele, tinha os lábios cheios e carnudos e estava com o rosto levemente corado. O mesmo usava um jeans e uma camisa social, com as mangas dobradas até os cotovelos.
— Está tudo bem, senhorita Cox? Você para um pouco abalada e distraída. — Perguntou, fazendo-me parar de analisá-lo. Dei um sorrisinho frouxo em sua direção e assenti.
— Claro... Hm... Tudo certo, estou um pouco cansada apenas. Tudo bem se eu perder o final da sua aula? — Perguntei num tom de desespero, implorando por uma resposta positiva. Ele me analisou e soltou o ar pela boca, devagar.
— Tenho um novo trabalho para passar no fim da aula, mas você pode pegar com alguém depois. Pode ir, melhoras, senhorita Cox. — Assenti e me virei, saindo pela porta e querendo fugir de tudo e todos.
*•*•*•*•**•*•*
Eu estava completamente sem cabeça para ter outras aulas, então decidi ir para a casa, reorganizar minhas emoções e tentar ter uma rotina melhor.
Mas eu sei que pra isso acontecer, eu teria que pôr um ponto final em tudo.
Então, peguei meu carro e dirigi em direção à casa do James, com o coração apertado, como um sentimento ruim.
Embora eu sinta a falta dele, eu seu que preciso de mim, apenas de mim e de quem realmente me ama, e James, definitivamente, não estava incluso no meu pacote amor.
Assim que cheguei em frente a casa dele, apertei a campainha com as mãos tremendo e o coração a mil. Ele abriu a porta e me viu no portão. Os olhos dele brilharam, eu vi esperança neles. James se aproximou devagar e abriu o portão.
— Callie? — sussurou meu nome. — O que tá fazendo aqui?
— Eu vim colocar um ponto final em tudo, James. Mas antes queria entender o porquê.
Você sentia prazer em me ver sofrer? Em me esconder do mundo? Em me colocar para trás e simplesmente ignorar meus sonhos, focando apenas nos seus? Qual é o seu problema? Por que, James? Por quê? — Fui jogando as perguntas em cima dele, uma atrás da outra, sem parar para respirar. Tudo estava embaçado, as lágrimas pediam pra sair e eu as limpei com a costa da mão.
James respirou fundo, parecia perturbado.
— Callie, eu... Eu... Meu deus, eu não queria ser assim com você, eu sou um idiota, um merda, mas eu juro que eu te amo, Callie. — Ele diz com os olhos transbordando e pega minhas mãos. — Eu prometo que te amo, prometo, Callie. Por favor, me desculpa, eu preciso de você. — Ele tenta me abraçar, mas eu o afasto e puxo minhas mãos das dele.
— Eu também te amo, James. Não vou mentir sobre isso. — Desabafei e seus olhos dilataram. — Mas eu não vou voltar com você. Você me machucou, James. Você me quebrou e quase me afastou de todos que eu amo. Eu vou seguir em frente. Só precisava dessa conversa para conseguir o fazer. Eu não vou mentir e dizer que será fácil, porque não vai, mas eu sou forte e independente. Obrigada pelos momentos bons que passamos, esses eu vou guardar nas minhas memórias, obrigada por tudo e por nada, James, espero que seja feliz. Eu amo aquela frase: eu te amo muito, mas eu me amo mais. Apesar de tudo você é uma boa pessoa, boa sorte na sua carreira profissional, a profissão que escolheu me orgulha, até qualquer dia desses, espero que seja uma pessoa melhor, James. — Disse e virei as costas indo até meu carro. Assim que entrei nele, dei tchauzinho com a mão e saí de lá voando com o carro, sem ao menos ver para onde eu ia.
*•*•*•*•*•*•*
Eu fui parar na casa de Henrique.
Meu melhor amigo é o único que realmente entende o que eu sinto e o quanto isso tudo me dói. Não que meus pais e Isa não me entendessem, mas a conexão que eu tenho com Henri é forte, ele é como um irmão pra mim. Ele é o meu porto seguro desde sempre.
Estacionei meu Black Shadow na frente da casa e desci. Ia chamar por Henrique, mas vi tia Carla saindo da casa e cumprimentei-a
— Oi Calli, como você está? Melhorou? — Ela perguntou e me deu dois beijinhos.
— Oi tia, estou bem e você?
— Estou ótima, meu bem. Tenho que ir, estou atrasadíssima. Henrique está lá dentro, Beijinho. — Tia Carla saiu correndo em direção ao carro de aplicativo que a esperava. Aquela ali é tão doida quanto o filho.
Entrei na casa e antes de ir procurar Henri, fui até a cozinha tomar um copo de água.
Ao chegar perto da cozinha, senti um cheiro muito bom de chocolate, o que fez minha barriga roncar. Ao chegar na porta, vejo Henrique sujo de farinha com apenas uma bermuda e um avental, ele estava bem concentrado em qualquer coisa que estivesse no forno, tão concentrado que nem me viu. Entrei e fui pelas costas dele. Quando me aproximei, apertei a cintura dele e gritei "BU" fazendo o coitado dar um pulo e arregalar os olhos.
— PORRA CALLIE, — ele gritou e colocou a mão no peito, no lado que fica o coração. — Você me assustou sua maluca.
— Desculpa... eu não ia... perder essa oportunidade. — Falei entre risadas e o puxei para um abraço. — Eu falei com James, precisava do meu melhor amigo. — Sussurrei ainda o abraçando. Pelas batidas do coração dele que aumentaram, já soube que ele ficou meio tenso.
— E o que aconteceu? Ele te fez algo? — Perguntou preocupado.
— Não, eu coloquei um fim em tudo. Foi bem difícil, Henri. Achei que não fosse conseguir, porque, querendo ou não, eu ainda sinto algo por ele. Mas foi o que eu precisei pra me sentir livre dele, pra conseguir ser eu mesma a partir de agora. — Desabafei, com algumas lágrimas descendo pelo meu rosto, eu me sentia mais leve desde que saí da casa do James. Henri fez cafuné na minha cabeça, me afastou e sorriu.
— Quer cupcakes? Devem estar uma delícia, estão terminando de assar. — Ele disse e eu sorri, assentindo. — Então vem, me ajuda a terminá-los.
*•*•*•*•*•*•*
Estávamos assistindo Enrolados e nesse exato momento estou chorando horrores enquanto a Rapunzel está sendo capturada pelos homens maus. José está amarrado num barco.
Estou bem sensível mesmo, eu já assisti esse filme com o James, ele incrivelmente ama os filmes da Disney, Moana é o favorito dele.
Henrique me abraçou, afagando meus cabelos enquanto eu choro feito um bebê. Meu melhor amigo está comigo desde que terminei com James, me apoiando enquanto eu choro.
Ergui o olhar para olhá-lo, os olhinhos deles brilharam e ele sorriu pra mim.
— Vai ficar tudo bem, por favor não chore. Estou aqui com você, Calli. Eu te amo, ta bem?
— Ta bem, leite azedo. Eu te amo também.
Eu dormi abraçando meu melhor amigo, chorando.
Estava doendo muito meu coração. Toda vez que eu lembrava dele, parecia que meu coração quebrava em mais dez pedacinhos. Eu não aguento a dor do coração partido, dói tanto que chega a doer fisicamente.
Parece que alguém pegou meu coração e o apertou, com todas as forças.
Já se apaixonou por alguém que não te correspondeu? Já se apaixonou por alguém que não podia? Que não era possível de acontecer? As pessoas dizem que se apaixonar é o melhor sentimento, que ele filtra na sua pele, nas suas veias, no seu coração. É como aquela música da Camila Cabello: "You're in my blood, you're in my veins, you're in my head". Mas, ao contrário do que muitos dizem, o amor não é bonito. O amor não é bom, ele se infiltra em você, mas na mesma proporção que te deixa feliz, te destrói.
Eu sei que o amor existe, vejo pelos meus pais e pelos pais dos meus amigos, mas eu não acreditava no meu amor. Pelo menos ainda não, não até encontrá-lo verdadeiramente. Um amor real, sem dores e amarguras. Só amor.
E foi pensando nisso e chorando que eu adormeci no abraço de Henrique, meu melhor amigo.
Tradução: You're in my blood, you're in my veins, you're in my head - Você está no meu sangue, você está nas minhas veias, você está na minha cabeça.
N.A.// bom dia, boa tarde, boa noite! como vc ta??
estou maravilhosamente bem e super feliz por ter terminado esse capítulo que eu achei que não fosse sair no prazo :) kkkkkk. até domingo , para o último capítulo! ISSO MESMO QUE VC LEU, o último!
Bjsss, desculpem qualquer erro, espero que gostem.
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